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Começa agora mais uma Boa Moeda, Má Moeda. E, Paulo, começamos pelos juros dos depósitos que continuam em queda.

Continuam em queda por aí abaixo. E estamos aqui a falar dos depósitos a prazo, porque à ordem esqueçam isso. Não caem porque é zero, basicamente.

É zero, não é mesmo?

É zero. Sim, não são remunerados. Aliás, pelo contrário, os depósitos à ordem não só não recebem juro, como se nós fizermos as contas até pagam, porque as contas de manutenção, pagam as comissões de manutenção. Portanto, se quisermos, tem um juro negativo, que nós é que pagamos ao banco pra ter lá o dinheiro. Nos depósitos a prazo, de facto, são remunerados, mas a remuneração é cada vez menor. E atenção, o prazo dos depósitos a prazo, passe aqui a redundância, não é indiferente à taxa de juro que os bancos oferecem. Isto são dados do Banco de Portugal, portanto, aqui estamos a falar da média do setor bancário. A taxa de juro média dos depósitos com prazo de um ano, portanto, um prazo mesmo de 365 dias, caiu para 1,7%. Está em queda e agora está em 1,7%. Atenção, estamos sempre a falar de taxas brutas. A isto há que descontar depois o imposto, e o imposto são 28%, a taxa liberatória do IRS, 28% sobre o montante de juros que cai na conta, o banco retira logo, entrega logo ao Estado esses 28%. Este prazo de um ano, neste momento, é o prazo que tem um juro mais alto. Nos novos depósitos, que têm entre um e dois anos, a taxa já vai na casa do 1,4%, e nos depósitos a mais de dois anos, está em 1,5%. Portanto, há aqui uma espécie de um vale, não é? Parece um sorriso, quase. Uma linha que cai, até um ano cai mais acima, depois um a dois anos, 1,4, e depois volta a subir pra 1,5.

E faz um smile.

Faz um smile a seguir a dois anos. Por que esta diferença? Isto sinaliza, de facto, que a banca está à espera que, a médio prazo, haja uma inversão nos juros, isto é, que eles continuem a cair até o prazo de um a dois anos, que é neste momento o ponto mínimo da remuneração destes depósitos, mas que depois voltem a subir. No fundo, a banca está a prever que consegue pagar, ou está disponível pra pagar este 1,5% a mais de dois anos, porque ela própria também vai receber mais dinheiro de juros daqui a dois anos, porque prevê que os juros, depois de baterem no fundo, voltem a subir. E olhando para o conjunto da zona euro, agora comparando Portugal com os outros países, de facto, a taxa média dos depósitos na zona da moeda única é 2,11%. Portanto, muito acima, meio ponto acima, à vontade, daquilo que se paga em Portugal. Portugal continua a cair, neste momento é o quarto país com a taxa de juro mais baixa de depósitos, mais baixo do que nós só a Grécia, Chipre e Eslovénia. A política monetária é rigorosamente a mesma, porque são todos países do euro. Os bancos têm todos as mesmas condições no acesso ao Banco Central Europeu. A grande diferença aqui está em questões culturais e práticas concorrenciais dos mercados. E mais uma vez, como culturalmente os portugueses gostam muito de deixar o dinheiro em depósitos, obviamente, os bancos não precisam de pagar pra ter lá o dinheiro.

Não precisam de convencer ninguém.

Não precisam de convencer ninguém. Eu acho que se cortassem o juro a zero, não estou a sugerir que eles façam isto, mas se cortassem mesmo este juro a zero, acho que muita gente nem reparava e mantinha lá o dinheiro, basicamente.

Olha, esta noite não preguei olho, porque os meus miúdos, as minhas gêmeas e os meus outros três filhos andam com dificuldades de aprendizagem.

Os teus mais novos, não é?

Os meus mais novos.

Então.

E tenho que os pôr nas explicações, mas estou preocupada com o IVA.

E esta é uma ótima altura. Tem uma semana pra recuperar.

Está preocupada com o IVA?

Com o IVA. Paga-se ou não?

Eles estão em explicadores. Aqueles explicadores que é o professor que dá umas aulas, dá em casa, depois uns apoios extra ou vai lá a casa.

Não, não quero ninguém lá em casa. Não gosto de confiança.

Ou daquelas empresas que dão formação aos miúdos. É dessa. Então paga esse IVA.

E nos outros?

Nos outros, não.

Isso é a explicação informal.

É a explicação informal.

Então é melhor irem lá a casa.

Não, mas os teus miúdos podem ir à casa dos explicadores.

Informal, mas legal dentro dos recibos e por aí fora. Atenção.

Ah, com recibo?

Com recibo. Por quê? Porque isto é um esclarecimento, é mais um. De vez em quando trazemos estes esclarecimentos da Autoridade Tributária.

É importante.

É pra se perceber os meandros do Fisco e a decisão de cobrar ou não cobrar este imposto, a isto ou aquilo. Já vos contei como é com os pastéis de bacalhau de supermercados. Tem três IVAs diferentes. Conforme se compra congelado, paga um IVA. Se comprares fresco pra levar pra casa, pagas um IVA diferente. Se comeres no próprio, e agora todos os supermercados têm uma cafeteria. Se comeres lá, pagas um terceiro IVA diferente. E, portanto, vai lá o mesmo pastel de bacalhau.

É fazer como aos quilos.

É comer o pastel de bacalhau congelado. Exato. Aqui nos explicadores é rigorosamente a mesma coisa. O negócio de ter uma empresa que presta formação.

Um centro de estudos.

Um centro de estudos, aí são obrigados a cobrar o IVA e obviamente que esse IVA é pago pelo consumidor, neste caso, pela família. Não sei se é a taxa máxima, não, isso deve ser IVA de educação, deve andar nos 6%. Se for aquele explicador que faz um extra e que passa recibo na mesma, caso contrário, isso está à margem.

Pois, senão não dá para competir.

Economia paralela.

Economia paralela. Mas se é um explicador que tem isto como part-time, se quisermos, e não tem uma empresa constituída para dar explicações, para o apoio escolar aos alunos, aí já está isento de IVA. Isto é um esclarecimento, foi eu agora, ontem, antes de ontem, um esclarecimento da Autoridade Tributária, porque há contribuintes que têm dúvidas, pergunta à Autoridade Tributária e depois a Autoridade Tributária faz aquilo que se chama um parecer vinculativo, de alguma maneira. Isto é, diz: isto é assim e a partir desse momento passa a ser assim.

Portanto, as minhas dores de cabeça são partilhadas por muitos.

Por muitos.

Boa sorte pros exames dos teus mais novos.

Amanhã podemos falar no IVA dos medicamentos, se quiseres.

Boa.

Por ti.