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Hoje começamos pelos juros dos Certificados de Aforro que continuam a cair.

Continuam a cair pelo quarto mês consecutivo. Vão acompanhando a queda das taxas Euribor.

Aquilo que antes era uma boa moeda, hoje é uma má moeda.

Exatamente. Sabes que a vida é como as interruptoras, às vezes para cima, às vezes para baixo.

Como os altímetros da Nora.

Exatamente. E a vida dos Certificados de Aforro não é diferente. Não é fácil. Estavam em alta aqui há uns tempos, quando as taxas de juro estavam também lá em cima. O juro dos Certificados de Aforro funciona assim: há um teto máximo de 2,5%, isto é, aconteça o que acontecer, a taxa máxima é sempre de 2,5%, mas o juro verdadeiramente é indexado à evolução das taxas Euribor a três meses. Há um cálculo de 10 dias em cada mês, o juro é mais ou menos a média da Euribor dos últimos 10 dias do mês anterior. E portanto, temos no início de mês, julho, o tal mês de julio, Iglesias também. A quantidade de memes que é neste mês.

Julho, julio.

O Paquete já leu a sua biografia. Tenho curiosidade.

Não. Estive a ocupar-me das histórias dos Certificados de Aforro.

Não tem tempo para tudo.

Há prioridades na vida.

Exatamente. E portanto, sabemos agora qual vai ser a taxa praticada em julho, em função das Euribor agora do final de junho. E elas estão aqui muito próximas dos 2% já, porque a Euribor há três meses anda aqui à volta dos 2%, mais precisamente ainda aqui às milésimas 2,011. 2,0 e depois um 11, portanto, já está aqui muito próximo dos 2%. É o quarto mês em que elas caem. Previsivelmente, ainda vão cair mais um pouquinho, porque as taxas Euribor ainda estão a ajustar um pouco. E esta é, obviamente, a remuneração mais baixa desta nova série dos Certificados de Aforro, que começou em 2023 e na altura estava a render o tal máximo 2,5%, porque as Euribor andavam acima disso. É uma aplicação, uma poupança que rende cada vez menos e obviamente que isto deve levar as pessoas também a fazer contas. E atenção, estamos aqui a falar de taxa bruta, 2% é a taxa bruta. Se nós lhe retirarmos 28% sobre os juros que se entrega ao Estado depois quando se resgata e quando se recebe o juro, estamos aqui a falar de uma taxa líquida que anda já abaixo do 1,5%, entre 1,4 e 1,5%. São poupanças que rendem cada vez menos.

E a inflação também subiu um pouco, o que é mau para este tipo de poupança.

Absolutamente. Se nós fizermos as contas, a inflação ontem, o INE divulgou os dados preliminares de junho, a inflação a subir uma décima de ponto percentual para 2,4%. Se nós temos, no caso da aplicação dos Certificados a Aforro, uma taxa líquida de 1,4 a 1,5% e uma inflação de 2,4, significa que por cada ano que passa e que nós lá deixamos o dinheiro naquelas condições, estamos a perder 1% do poder de compra. Passado um ano, é a diferença. Vale menos, compramos menos 1% do que aquilo que comprávamos no ano anterior, quando lá pusemos o dinheiro. E portanto, as pessoas, para ver os rendimentos, têm sempre que pegar na inflação, fazer a subtração daquilo que rende a poupança, seja ela qual for, e aquilo que o índice de preço ao consumidor leva do dinheiro para saber se estão a perder rendimento real ou não. Neste caso, estão sempre a perder rendimento real.