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Connosco está o Pedro Lino. Pedro, bom dia. Cá estamos novamente. Na semana passada, usaste aqui uma imagem de quatro caixas de acordo com o prazo, onde devemos arrumar o nosso dinheiro ou estacioná-lo, se quisermos. Agora vamos ver o que é que pode acontecer ou como é que devemos evitar que ele fique mal estacionado.
Bom dia, Paulo. Bom dia a todos. É verdade, a semana passada vimos quatro caixas, a caixa da liquidez para o dia a dia, do fundo de emergência, do curto prazo e depois do longo prazo. E o erro mais comum que vemos é quando há dinheiro a mais nas caixas erradas. Ou seja, nomeadamente, os exemplos mais clássicos são ter muito dinheiro parado na conta à ordem e dinheiro que nós não vamos precisar, que devia estar alocado à caixa do longo prazo. Isto acontece muito frequentemente porque não há um orçamento anual, não há um planeamento financeiro e as pessoas deixam andar. E, por isso, este é um erro, porque como é que aquele dinheiro que não vamos utilizar para as contas do dia a dia podia estar a ser rentabilizado?
Claro.
Depois temos o outro exemplo clássico, que é as poupanças ficam todas em depósitos, porque é onde eu tenho mais segurança, é o mais seguro. As pessoas têm que se lembrar é que o mais segurança, neste momento, lhes dá não é uma rentabilidade zero, mas todos os anos estão a ser corroídas pelo efeito da inflação. Por isso, quando continuamos a ver consecutivamente os dados do Banco de Portugal, onde estas poupanças, onde os depósitos a prazo continuam a bater máximos históricos, há que ficar preocupado e as pessoas têm que pensar é: "bem, eu realmente tenho muito dinheiro nesta caixinha e tenho porque me dá mais segurança. Então, como é que eu posso fazer para começar a rentabilizar?" E depois, também existe o contrário, é ter todo o dinheiro investido sem fundo de emergência. E é preciso ter estas quatro caixinhas para podermos ter o alicerce, no fundo, do que será o nosso investimento. Ou seja, isto não é só quanto dinheiro temos, é onde é que ele está e se nós temos a nossa casa bem alicerçada.
Claro. Depois, a partir daí, ver o que é que ele está a render ou não render e então olhar para esses prazos todos. Como é que nós, depois, na prática, devemos fazer a tal fotografia financeira?
Eu acho que o mais simples é, às vezes falamos em folhas de Excel, etc. Isto pode ser feito numa folha A4.
Num papel e caneta.
Realmente, antigamente, os merceeiros tinham as contas todas em dia e sabiam quem é que devia e quem é que não devia num papel. Por isso, isto funciona.
Uma cadernetazinha, claro.
A caderneta. Por isso, não é preciso ser um expert em informática. Um papel ou no telemóvel, quem quiser, hoje existem muitas ferramentas e perceber quanto é que existe em cada uma dessas quatro caixas e para que é que vão servir estes montantes. Identificar. Ou seja, eu mensalmente tenho X despesas, são €200 por mês. Muito bem, por que eu tenho €1.000? Depois, na caixa dois, eu estou a fazer um mealheiro para as obras. Mas eu vou mesmo fazer obras? Quanto é que está quantificado? Quanto é que eu vou precisar? Vou fazer obras, são €10 mil, mas tenho 20 mil. E, no fundo, analisar cada caixinha e perceber: eu tenho fundo de emergência suficiente ou preciso reforçar? Com o ano novo, os custos aumentam, preciso de ajustar as minhas poupanças neste fundo de investimento, movo o dinheiro que tenho à ordem para esse fundo ou não. Tenho dinheiro a mais parado, sem qualquer objetivo. Afinal, eu tinha ali na caixinha dois, na três, dinheiro que eu só vou precisar a longo prazo e que estava ali parado sem dar qualquer rentabilidade. Estou a investir ou não o dinheiro que posso precisar no curto prazo? Porque esse é um dos erros. Eu, se calhar, vou precisar de dinheiro no curto prazo, mas é o outro extremo, que é estar tudo investido em risco.
E agora preciso de dinheiro.
E agora preciso de dinheiro. Ou seja, há aqui um exercício de balancear e de equilíbrio que traz mais clareza e eu acho que reduz muito a ansiedade de todos nós. E este planeamento é essencial. Estamos no início do ano, é bom nós investirmos algum tempo, porque conseguimos prever, mais ou menos, no ano, as despesas que vamos ter, se precisamos de gerar mais rendimento e como é que o vamos fazer, ou se precisamos de cortar as despesas e, principalmente, como manter ou como subir as poupanças e o investimento a longo prazo, porque nós sabemos que temos um problema de Segurança Social, cada vez faz-se lá mais e as pessoas têm que estar consciencializadas que ou investem hoje, ou aumentam as poupanças, ou vamos ser os pobres de amanhã.
Muito bem, Pedro Lino. Vamos então começar a aplicar estas regras. Estamos na altura para isso. Pedro Lino, com o Boa Moeda Investir, nós voltamos para a semana com mais dicas e conselhos.
Obrigado, Paulo. Obrigado a todos. Até para a semana.