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"Boa Moeda, Má Moeda" com o Paulo Ferreira. Paulo, dás voz a um apelo. Que apelo é esse na Boa Moeda de hoje?

Ora bem, há uma nova associação em Portugal, uma associação de defesa dos direitos dos consumidores. Chama-se Denária Portugal e essa associação vem defender multas para quem não aceitar pagamento sem dinheiro. Eu acho que essa é das questões mais interessantes sobre a nossa vida do dia a dia, a nossa relação com o dinheiro. Porque cada vez mais nós pagamos sem dinheiro, não usamos dinheiro. Eu, pelo menos, passo dias e dias sem tocar numa nota ou numa moeda.

O dinheiro de plástico.

Exatamente, porque hoje o dinheiro de plástico e dinheiro digital já, através de telemóvel. Encosta-se o telemóvel com os sistemas de pagamento, nem de cartão precisamos.

Deixa-me só interromper. Até nas feiras, nos mercados, já consegues pagar com Multibanco.

Sem dúvida.

MB Way.

MB Way e também Multibanco.

MB Way, Multibanco, NFC espetacular.

Espetacular, mas parece que não é.

Não, é isso. Estas mudanças, ia dizer paradigma, aquela palavra horrível, mas estes tempos de mudança, de forte impacto tecnológico, geram sempre este tipo de discussões. Chama-se Denária Portugal. O mandatário é Mário Frota, quem não se lembra de Mário Frota, histórico defensor dos direitos dos consumidores. Aliás, é presidente emérito da Associação Portuguesa de Direito do Consumidor. E de facto esta associação emitiu um comunicado em que defende que o dinheiro em numerário, e cito: "É a moeda de curso legal que facilita a inclusão financeira de todos os cidadãos” e destaca que é a única alternativa de pagamento, por exemplo, em situação de catástrofe. Obviamente, nós aí podemos imaginar que as redes de comunicações vêm abaixo ou podem vir abaixo, e obviamente deixam de funcionar os sistemas eletrónicos de pagamento, como é evidente.

A velhinha nota.

A velhinha nota. Esta Denária foi mesmo criada com o fim de defender o direito à utilização de numerário como meio de pagamento universalmente aceite. O que eu acho curioso também, obviamente que a aceitação de dinheiro, eu penso que ninguém pode proibi-la de alguma maneira. Tenho dúvidas em relação a isso. Noutros países, já há sítios que não aceitam dinheiro. Eu já encontrei aqui também em Portugal, um ou outro posto de venda de produtos que não aceita dinheiro, só pagamento eletrónico, por todas as razões e mais alguma segurança, de alguma maneira. Facilidade, obviamente, depois também de manuseamento. Usar dinheiro em comércio custa dinheiro, porque é preciso depois ir depositá-lo no banco, separar as notas das moedas, tem custos de segurança, como é evidente, o dinheiro pode ser roubado mais facilmente do que o dinheiro eletrónico, digamos, e, portanto, há aqui custos. E depois, em Portugal é muito utilizado também o recebimento só o cash para subfaturação, claramente. Nós entramos em vários estabelecimentos comerciais, restaurantes, cafés, que não aceitam pagamento em cartão.

Isso deixa rasto.

Claro, deixa rasto, pode ser facilmente revista a faturação indicada. Pode haver também um tema, nalguns casos, de comissões excessivas cobradas pelas entidades do sistema de pagamentos, porque há uma que instala o POS, outra que gera a rede e por aí fora, e pode haver. Mas a tendência internacional é de facto o cashless, isto é, uma sociedade sem dinheiro físico, de alguma maneira. E nós dá a ideia que estamos aqui um bocadinho em contramão, também defendendo obviamente os direitos daqueles que não estão tão habilitados, sobretudo em faixas etárias mais elevadas, não estão tão habilitados ao uso de meios eletrónicos. Mas eu acho uma discussão interessante esta com os vários pontos de entrada e, portanto, cá temos uma posição firme. Não vamos acabar com o pagamento em dinheiro na Denária.

Muito bem. E o que é que se passa com os combustíveis, Paulo?

Os combustíveis sobem, vão subindo. Estão a subir há mais de um mês de forma consecutiva. Nós sabemos que os preços de referência em Portugal são fixados todas as segundas-feiras para a semana. Hoje o gasóleo simples deverá subir, ou esta semana, 2 cêntimos por litro, a gasolina mais 1 cêntimo. E esta é a quarta semana consecutiva em que o preço dos combustíveis sobe para ambos os combustíveis. No gasóleo, já vamos na quinta semana e, portanto, há aqui já um impacto continuado. Quatro semanas já começa a fazer-se sentir no bolso, obviamente, dos consumidores. Já temos aqui a gasolina acima de 1,7 euros, o gasóleo acima de 1,65 euros e, portanto, isto grão a grão ou cêntimo a cêntimo vai subindo. Há aqui impactos, obviamente, geoestratégicos, tem a ver com algum aumento do petróleo, também os custos de transporte de petróleo que deixaram de passar, nalguns casos, ali pelo Mar Vermelho, pelo Canal de Suez. Vamos ver onde é que isto vai parar, mas os combustíveis, sabemos, e a energia podem ser um rastilho, de facto, para contaminação de aumentos de preços de uma série de outros produtos. Vamos ficar atentos.

Vamos. Boa Moeda, Má Moeda com o Paulo Ferreira amanhã. Nova edição, sempre depois da síntese das 19h30.