Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
Está no ar a Boa Moeda, Má Moeda, com o Paulo Ferreira. E começamos mesmo pela má moeda, porque há novos alertas sobre as pensões futuras e o sistema não vai conseguir satisfazer toda a gente.
Não vai e sucessivamente vão surgindo alertas nesse sentido. Os últimos aconteceram agora na conferência anual da ASF. A ASF é a autoridade portuguesa que regula os seguros e fundos de pensões. Lá esteve, por exemplo, Marila Luís Albuquerque, a comissária europeia responsável pelo setor financeiro, que diz precisamente isso, que dificilmente os sistemas atuais vão garantir rendimentos adequados para todos, a expressão é da própria, no futuro, embora o sistema de Segurança Social como temos, seja sempre a base essencial das pensões, isto é, o pilar central. Só que, como sabemos, e o assunto é discutido há décadas até, a demografia e sobretudo o envelhecimento da população, torna o sistema mais difícil de garantir pensões, pelo menos ao mesmo nível do que teríamos se continuássemos a ter mais bebês que fossem pagando à medida que iam entrando na idade ativa, as pensões daqueles que as estão a receber. Também o próprio presidente da ASF, Gabriel Bernardino, veio defender, de facto, que a poupança tem de ser colocada ao serviço do futuro das pessoas e também da economia. E aqui os alertas são, de facto, para que as pessoas, podendo, à margem daquilo que são os descontos normais para a Segurança Social, vão fazendo uma poupançazinha de lado.
Uma alternativa.
Uma alternativa, um complemento, se quisermos, depois da reforma para o futuro, começando, obviamente, o mais cedo possível, mas sempre numa perspectiva de médio e longo prazo. Aqui estamos a falar a 20, 30, 40 anos. O ideal era que no início da vida ativa cada pessoa pudesse ir fazendo isso, para quando chegasse à idade da reforma, ter esse complemento, independentemente da obrigatoriedade ou não. E aqui a questão está, de facto, no caráter voluntário que, pelo menos para já, estes sistemas ou estas poupanças vão ter, uma vez que obrigatoriamente o que nós sabemos, no caso português, é o regime geral da Segurança Social. Portanto, são aqueles alertas a olhar um pouco para o futuro que vão surgindo e que, no fundo, servem também como uma espécie de despertador para todos nós.
Pois, é começar a pensar já nisso, senão quando chegarmos lá já é tarde.
Já é tarde, de alguma maneira. Exatamente, depois também não serve de nada.
Lá por fora, Trump continua a sua guerra contra o banco central, mas quem está a ganhar com isto é o ouro, não é?
O ouro sobe quando há problemas como valor refúgio, isto é, havendo instabilidade nalgumas moedas, no caso o dólar, ou em algum tipo de ativos, o ouro ganha e tem batido recordes atrás de recordes. Agora está a bater novos recordes no mercado, isto precisamente na sequência dessa guerra jurídica agora de Donald Trump, nem é contra a Reserva Federal, é contra o presidente que está de saída da Reserva Federal, Jerome Powell, uma guerra que tem meses.
Já dura.
E isto tudo por uma questão muito simples: Donald Trump gostava que a Reserva Federal, que é o banco central norte-americano, baixasse as taxas de juro. E o banco central, que é independente lá, como é que a UBC é, é independente de pressões políticas, pelas contas que fazia, pela avaliação que vai fazendo da economia, não é possível ou não é adequado. Portanto, eles têm o mandato para travar a inflação e para promover o crescimento econômico. Para isso, fixam as taxas de juro de acordo com a leitura que fazem da conjuntura, também para esses indicadores, e tomam a sua decisão. É para isso que serve a independência dos bancos centrais, precisamente.
Mas independência e Trump não combinam.
Não combinam. E isso devia nos alertar muito também para a importância da independência dos bancos centrais. Nós, por vezes, na Europa, também há sempre muitas opiniões sobre se a UBC devia subir ou descer, mais descer até as taxas de juro. Obviamente que os governos querem sempre dinheiro mais barato, porque isso de alguma forma, pelo menos no curto prazo, dá uma noção de melhor bem-estar para as pessoas, compram casas mais baratas, endividam-se de forma mais barata. O problema é depois o médio e longo prazo, nomeadamente com as tensões inflacionistas que podem advir daí. Às vezes, até com tensões inflacionistas, a gestão dos orçamentos é melhor e mais fácil, como se viu cá em Portugal. Mas em função dessa guerra, e parece que a questão vai para tribunal, aliás, já mereceu uma carta de apoio de vários bancos centrais em todo o mundo, que é uma coisa rara e nunca vista. O ouro, lá está, saltou outra vez aqui para casa dos quase 4 mil € por onça, e está a bater recordes, porque no fundo sempre que há desconfianças e instabilidade naquilo que são as instituições, é isso que acontece. Portanto, há a boia destas brigas políticas, se quisermos.