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Paulo, o petróleo voltou a dar dores de cabeça.

Dores de cabeça. Ai a tola.

Dores de tola.

Estamos aqui de microfone fechado.

Estávamos a falar aqui sobre.

A fazer brincadeiras com a testa, com a tola e por aí fora. Não, de facto, o petróleo, cada vez que há instabilidade naquela região do Médio Oriente, a matéria-prima por excelência que se produz ali, obviamente que dispara. Está nos US$ 75 já, cotações de ontem, subiu nos últimos dias. Há um mês estava nos US$ 65 por barril, portanto, há aqui uma subida forte. Obviamente que tudo isto tem a ver com o conflito entre Israel e o Irão. Só para termos uma ideia, no final da semana passada, as cotações do petróleo aumentaram 13% ali em dois ou três dias. O Irão é o terceiro maior produtor mundial da OPEP, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo. Paralelamente, além de colocar em risco, pelo menos uma parte da produção do Irão, este conflito, há também o receio de encerramento do Estreito de Ormuz, que é controlado numa das margens pelo Irão, e é por ali que passa uma grande parte desta matéria-prima de outros países produtores, nomeadamente da Arábia Saudita. Não está em causa ainda a circulação ali no Estreito de Ormuz, mas de qualquer maneira, isso é um risco iminente e os mercados vão reagindo a isso. Depois, o presidente do Bundesbank, por exemplo, o Banco Central Alemão, alertou na segunda-feira para os riscos de um choque petrolífero ligado a este conflito entre Israel e o Irão. O Bundesbank é muito conservador, muito falcão nessa matéria. Ele faz logo a ligação, obviamente, à questão da zona euro, da fixação das taxas de juro. Diz que não se pode relaxar mais a política monetária, leia-se, não se podem baixar mais as taxas de juro, apesar de a inflação estar ali ainda na casa dos 2%, porque ele teme que o impacto deste preço do petróleo tenha obviamente impacto nos preços e provoque mais uma subida da inflação.

Entretanto, Paulo, o programa do governo está desde ontem em discussão. Já temos alguma certeza sobre aquilo que poderá mexer com o nosso bolso no curto prazo?

Certezas absolutas em letra de lei, ainda não, mas há duas declarações fortes do governo. Primeira é que este ano, digamos, agora no verão, vai haver mais um corte de € 500 milhões no IRS. Não sabemos como é que esse corte vai ser distribuído pelos escalões.

Se vai ser generalizado ou se vai ser só em alguns.

Generalizado, será até ao oitavo escalão, em princípio, isto é, deixar as pessoas que ganham mais de fora deste corte, mas não sabemos como é que isto é calibrado até ao oitavo escalão. Isto é, se vai beneficiar mais, sobretudo as pessoas de mais baixos rendimentos. Bom, os de mais baixos mesmo já nem pagam IRS.

Mas foi a discussão que houve no último Conselho de Estado.

Precisamente. O PS e o Chega acabaram por aprovar a sua proposta, que era concentrar mais os cortes nos rendimentos mais baixos e deixar aquilo que é a classe média, se quisermos, de fora desses cortes. Vamos ver agora se a AD retoma essa ideia que tinha o ano passado nesta conjuntura parlamentar e se, no fundo, estende estes cortes também à classe média. Também é certo que quanto mais se estender ao longo dos escalões, menos impacto tem em cada pessoa, em cada contribuinte que seja afetado por isso. E portanto, também nunca estaremos aqui a falar de grandes mexidas no rendimento líquido. Depois, feitas as contas às retenções na fonte, isto dará meia dúzia de euros por mês em termos líquidos. Portanto, isso é uma promessa aparentemente firme que o governo fez. A outra, e que ainda não está firme sequer, é a possibilidade de um suplemento extraordinário aos pensionistas, a atribuir por altura de setembro, outubro, tal como aconteceu no ano passado. O governo faz depender a decisão final sobre este suplemento do desempenho das contas públicas. Estamos em junho, portanto, mais dois ou três meses de execução orçamental de dados disso, o governo terá então dados para perceber se consegue ou não avançar com isto. Não se sabendo ainda se vai avançar, também não se sabe em que moldes é que avança. Só para recordar, no ano passado houve a atribuição, uma só vez, aos pensionistas, de um suplemento extraordinário de €200 a €100. No máximo, até aos pensionistas que tinham €1.527 de reforma. Os que têm reformas mais baixas receberam mais, e portanto, não sabemos ainda, mas esta é uma possibilidade forte.

Mas as previsões económicas deste ano já não são as do ano passado.

As previsões económicas não, a execução orçamental está a correr bem ainda. Portanto, há um excedente ainda nas contas públicas. Vamos ver. Vai depender muito da conjugação desses dois fatores.