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As notícias que mexem com o nosso bolso todas as manhãs com o Paulo Ferreira, em "Boa Moeda, Má Moeda". Paulo, vai subir o salário mínimo a partir de janeiro ou não?
Subir, sobe, está previsto. A questão é saber quanto sobe. Isto estava tudo definido já. Aliás, o governo apresentou um plano para a legislatura para 2027. O que está em cima da mesa e o que, se não houver alterações, é isso que vai acontecer, é que o salário mínimo aumenta mais 50 euros, passa dos 920 euros atuais para 970. Mas nos últimos dias, últimas duas ou três semanas, tem sido discutida a possibilidade do aumento vir a ser maior, isto é, um aumento de mais do que 50 euros, o que colocava o salário mínimo acima dos 970 euros previstos. Não sabemos ainda se isto vai acontecer. A Ministra do Trabalho remete para a concertação social, para as reuniões com sindicatos e entidades empresariais, uma eventual revisão em alta deste valor que está definido para 2027. Diz que é preciso esse acordo. Do lado das entidades empresariais, alerta-se que são necessárias medidas para aumentar a competitividade das empresas se o aumento for superior. Obviamente que as entidades sindicais querem um aumento superior. Eu diria que se esta discussão está na praça pública, há aqui uma margem, de facto, de progressão acima daquilo que está previsto. E, portanto, é bem possível que para o ano, além dos 970 euros que já estão definidos, e isso é seguro.
Ou seja, para o ano, garantido é
970.
O salário mínimo ficará nos 970.
Exatamente, passa de 920 pra 970. A questão é saber se vai além dos 970 que estão definidos. E depois, isto vai levantar outra questão. O governo também já definiu para o final da legislatura, 2029, que ele chegaria aos 1.100 euros. E, portanto, estas etapas todas para lá chegar, 970 euros para o ano e depois, dois anos seguintes, 1.100 euros. A questão é saber se em 2027 ficar acima dos 970 euros, se de facto esta meta de 2029, de 1.100 euros, vai também ser revista em alta. E, portanto, é uma discussão importante.
Ou seja, se é o ritmo que aumenta ou se é mesmo o teto previsto, o objetivo final do governo para esta legislatura.
Exatamente. O teto pode manter-se para o final da legislatura nos 1.100 euros, e haver um ritmo diferente pra lá chegar. Isto é, mais agora em 2027 e depois menos, se quisermos.
Está previsto um salto maior nos últimos dois anos.
Tal e qual. Sabendo que temos uma porcentagem cada vez maior de trabalhadores a receber salário mínimo, e que o salário mínimo acaba por influenciar também muitas outras remunerações também. Isto é importante para muita gente. E depois há outra questão também, mas essa tem mais a ver com a competitividade da economia, que é o esmagamento cada vez maior também do leque salarial. Isto é, nós com a subida, que é uma subida administrativa, sabemos, legislativa do salário mínimo, que é uma lei. Com a subida que tem sido feita nos últimos 10 anos, e é uma subida grande, se quisermos, como os outros salários que são definidos no mercado não têm acompanhado o mesmo ritmo, temos não só cada vez mais pessoas ganhando salário mínimo, como o salário médio ou mediano, se quisermos, estão mais próximos do salário mínimo. Isso não é um sinal de grande saúde pra economia, mas obviamente que é importante que o salário mínimo suba pra muita gente.
Vamos aqui a uma outra notícia: a garantia do Estado ao crédito jovem está a ter peso na compra de casa.
São contas do Banco de Portugal. A garantia foi lançada, começou em janeiro de 2025, portanto há um ano e meio. São contas há um ano e meio, precisamente, até junho deste ano, nesse ano e meio, 25% de todos os contratos feitos para crédito à habitação, foram feitos com esta garantia, que foi criada para jovens até aos 35 anos. Estamos a falar de quê? Estamos a falar da fiança que o Estado dá, se quisermos, nos contratos de crédito à habitação e que cobre até 15% da transação do imóvel, com alguns limites de preço. E, portanto, o peso que esta medida está a ter no mercado do crédito à habitação é grande, na compra da habitação também. Destes 25%, estamos aqui a falar de 40 mil contratos que foram feitos com garantia. Destes 40 mil, haveria muitos, certamente alguns, que seriam feitos de qualquer forma, mesmo sem garantia, mas de qualquer maneira, também se acredita que a maior parte deles foi feita precisamente porque a garantia do Estado existiu. E, portanto, feita por pessoas que provavelmente não teriam dinheiro pra aquela entrada, e aqui a garantia dos 15% é importante. Portanto, só pra registrar isso, o impacto que a medida está a ter, se quisermos, no mercado de crédito e também na compra de casa pra muita gente.
Está feito o Boa Moeda, Má Moeda, com o Paulo Ferreira nesta manhã de quinta-feira.