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Bem-vindo ao Brainstorming, o programa onde as ideias mais ousadas e descascadas ganham asas e, quem sabe, até um Grammy. É que depois da última cerimónia, já ninguém duvida que os Grammys são o novo festival de surpresas. Tivemos uma Beyoncé a somar mais uns troféus à sua coleção, Kendrick Lamar a lembrar-nos que o talento rima com genialidade e Kanye West, bem, Kanye a ser Kanye. E por falar em criatividade sem limites, hoje temos conosco dois grandes convidados. Ana Jacinto, secretária-geral da AHRESP, e Carlos Coelho, fundador e presidente da IVT Brand Corp. Vamos falar de restauração, marcas e inovação. Tem mesmo que ouvir. Mas antes, aperte o cinto, porque as notícias de hoje vão dos limites do 5G às viagens no tempo, mas com os Grammys na mente, nada melhor do que começar recebendo uma estrela 70% de poliuretano e 100% icónica: Cher. Começamos com o anúncio que prova que Cher não é apenas um ícone, é imortal. A Uber Eats lançou um spot onde a diva tenta encomendar uma máquina do tempo. O problema é que, em vez de voltar aos anos 80, como encomendado, acaba no século XVII, acusada de bruxaria. No anúncio, Cher mantém a classe enquanto enfrenta o julgamento, mas a sua maior preocupação é mesmo um aldeão roubar-lhe as botas. Prioridades, não é?

"Are those my boots?"

No final, a Uber Eats avisa: máquina do tempo, não. Tomilho, sim. E já se esperava. E assim, temos um anúncio que nos faz desejar duas coisas: por um lado, um jantar decente, por outro, um teletransporte para longe de certos momentos embaraçosos do star system americano.

Sim, senhora. E mais?

Agora seguimos a toda a velocidade. Isto porque a NOS quer garantir que nunca mais temos desculpas para um vídeo a carregar lentamente. Com os novos filmes "A Conquista" e "A Escalada", promove-se o 5G+, como se fosse a última fronteira da humanidade. Estamos a falar de internet tão rápida que quase nem dá para perceber que desde que o Will Smith teve o seu momento "Fight Club" em direto nos Oscars, até à homenagem de Quincy Jones nestes Grammys, já passaram quase três anos. Quanto ao desafio da NOS, é claro: não se contente com menos, quando pode ter mais.

Ok. E mais?

O que também faz sentido nesta dinâmica de prêmios. Ora, se a Beyoncé não se contentou com menos de 30 Grammys, por que nós haveríamos de aceitar menos de 1 GB/s? Mais um episódio do Brainstorming e neste temos o prazer de conversar com Ana Jacinto, secretária-geral da AHRESP, e também Carlos Coelho, fundador e presidente da IVT Brand Corporation. Ana, começo por si, e Carlos, bem-vindo desde já também. Começamos a olhar para a AHRESP, que já tem 130 anos de história, caramba. A Ana tem os seus 19, mas certamente já saberá bastante acerca da história e da evolução desta associação. Quais são os grandes marcos e os grandes pontos fulcrais ao longo destes 130 anos? O que é que se destaca?

Antes de mais, obrigada pelo convite. É sempre um gosto estar aqui convosco.

Grande gosto.

De facto, são 130 anos que vamos fazer este ano e é com muito orgulho e satisfação que olho para esta organização e para a evolução que temos tido, porque temos tido a capacidade, sem esquecer o passado, de nos adaptarmos ao presente e ao futuro. Nós estamos num setor muito exigente. O setor do turismo, como sabemos, é o motor da nossa economia e isso leva a que, do ponto de vista da AHRESP, sejamos capazes de estar à altura e de ajudar as empresas a estar à altura também.

E na prática, como é que se faz? Como é que se põem em prática esses objetivos e esses desígnios nobres?

Antes de mais, tem sido a política desta direção em particular, mas já vinha ao longo dos tempos, mas esta direção tem tido um grande foco na proximidade. A AHRESP tem procurado ter delegações regionais por todo o país. Nós neste momento temos cerca de 15 delegações físicas, com dois colaboradores nossos e com uma comissão diretiva constituída por empresários, que são eleitos pelos próprios empresários da região, que permite maior proximidade, maior contacto. Nós não nos devemos esquecer que este tecido empresarial é um tecido empresarial muito micro, com grandes necessidades de apoio. E por isso, uma das grandes apostas é estarmos próximo deles, acompanhar o dia a dia, porque a AHRESP tem respostas.

Mas também é um desafio gerir essa estrutura maior, não é? Apesar de essencial, deve ser mais complicado.

É um enorme desafio, porque o território não é igual, como sabemos, as dificuldades e os constrangimentos não são iguais em todo o território. Aliás, se me permite, porque é importante dizê-lo, nós temos números cada vez mais interessantes no turismo. Temos tido a felicidade, que resulta obviamente do trabalho das empresas que têm vindo a crescer e é indiscutível o peso que o turismo tem tido, que tem sido cada vez mais crescente, mas a verdade é que temos grandes desafios todos os dias e o território não é igual. Nós quando falamos dos números do turismo, que estão sempre a bater recordes, nós estamos muito focados sempre naquilo que são os dados do alojamento turístico, porque são dados de entradas, hóspedes, dormidas.

E mais fáceis também de avaliar.

No caso da restauração, não temos tantos dados disponíveis, não é tão fácil avaliar e a restauração tem um comportamento diferente em função do território de onde está, porque o território não é igual. E daí a importância e o desafio de nós estarmos no território todo, porque os problemas que são sentidos em Lisboa não são exatamente os mesmos que são sentidos em Bragança.

Então e alguém que trabalhe no ramo ou que tenha uma empresa no ramo da hotelaria, da restauração e que ainda não seja associado, por que deve passar a ser?

Deve passar a ser, desde logo, porque, como lhe digo, nós temos respostas. Respostas para o negócio das nossas empresas, sejam pequenas, sejam grandes. Todas as respostas que os empresários procuram, nós procuramos dar. Depois, temos aqui um conjunto de serviços que estão disponíveis antes do negócio abrir, para quando o negócio abre e até quando o negócio tem que fechar.

Portanto, também aqui algum apoio ao empreendedorismo.

A todos os níveis, desde o apoio jurídico ao apoio técnico, a todos os níveis. Depois temos uma missão e uma ação muito importante, que não é tão visível, mas isto também é uma oportunidade para se tornar mais visível, que é todo o trabalho que nós fazemos em backoffice, isto é, todo o trabalho de ajuda que fazemos junto de quem decide para o setor. Então há um trabalho muito grande que nós fazemos junto dos decisores, dos políticos, da Assembleia da República. Fazemos contratação coletiva, que é a atualização salarial e a definição das categorias profissionais e das condições de trabalho. Somos nós que negociamos também.

Noutros países poder-se-ia chamar lobby, em Portugal, criação de massa crítica, se calhar é mais por aí.

É como quiser, mas no fundo é influenciar.

Claro que sim.

Com o know-how.

E de uma forma organizada e estruturada.

Claro, porque nós o que fazemos é ouvir os empresários. A AHRESP tem esta preocupação desde sempre. Nós o que dizemos, o que fazemos, o que influenciamos, resulta da auscultação que fazemos junto dos nossos empresários. E é por isso que é tão importante estas delegações físicas junto de todos, porque nós o que queremos é ouvir todos, para perceber quais são os seus constrangimentos e depois sermos a voz deles junto de quem decide, de quem tem que planear, de quem tem que definir a estratégia para o setor. E daí esta importância que não é tão visível junto das empresas ou até junto de qualquer cidadão, porque é um trabalho todo que está no backoffice, mas que é importantíssimo para que a vida do empresário seja menos penosa. Deixe-me só dar um exemplo, a questão do IVA, por exemplo, da restauração. Foi um trabalho que a AHRESP desenvolveu. Tivemos que fazer estudos, tivemos que explicar aos decisores porque era tão importante repor a taxa do IVA intermédio na alimentação.

Claro, é um trabalho que isoladamente os operadores teriam muito mais dificuldade em fazer.

Não conseguiriam. E portanto, este trabalho não é visível, mas depois o resultado final já é visível. É uma medida muito importante para o setor, que ainda não está completa, porque ainda temos algumas bebidas que não estão à taxa intermédia, como sabemos, e estamos a continuar a fazer o nosso trabalho.

É um trabalho em constante desenvolvimento. Falamos já nestes 130 anos e este ano, em 2025, aliás, já deve ter começado a ser preparado antes, mas a AHRESP decidiu embarcar num rebranding. O que vos motivou a fazer esta mudança e o que representa esta novidade ou esta reformulação da identidade da AHRESP. É mesmo da identidade ou é só da imagem?

É tudo. Vamos lá ver. A AHRESP, como disse, está a fazer agora 130 anos. Nós nunca mexemos no nosso logo, na nossa imagem, e ela estava muito concentrada naquilo que era o core da instituição há uns anos atrás, que era a restauração. Entretanto, a AHRESP evoluiu, cresceu. Hoje temos sete grupos de atividade distintos, mas que se nós desagregarmos, chega a ser 55 atividades diferentes. Temos oito grupos de atividades diferentes e era necessário que o nosso logo, que a nossa imagem conseguisse se aproximar de todas estas atividades que nós representamos.

Que representasse todos de forma igual.

Portanto, nós tínhamos um logo muito concentrado numa chávena, se bem se recordam, um rolo de massa, que de facto era muito próximo da restauração, mas agora representamos o alojamento turístico, o turismo ao ar livre, o alojamento local, o comércio e indústria alimentar. Todas estas atividades não estavam representadas.

Representadas de forma igual.

Exatamente. Isso foi um dos motivos, mas não foi só isso. Nós o que quisemos também foi dar uma imagem diferente, uma imagem de maior modernidade. Uma imagem de que, mais uma vez digo, e aí o Carlos e a sua equipa fez um trabalho fantástico, porque não é esquecer o passado, mas não esquecendo o passado, é estarmos no presente e até projetarmos o futuro. E esta ideia de que a AHRESP não ficou retida no passado, avançou e está a avançar a cada dia, é muito importante passar também para os nossos empresários, porque hoje o mundo muda a uma velocidade imensa e nós também temos que acompanhar essa evolução.

Carlos, bem-vindo aqui agora à conversa. Carlos Coelho, fundador e presidente da Avity Brand Corp. É uma responsabilidade gigantesca mexer numa marca e num logotipo com 130 anos. Como é que se aceita isto?

Tocar uma marca é sempre escrever um capítulo da sua história. E esse é um ponto importante. Esta é uma marca de 1896, e que de facto transporta aqui uma história do país, uma história quotidiana.

E um peso institucional grande também.

Sim, uma história que começa num pequeno estabelecimento de comida e que hoje, como a Ana explicou, é uma marca de Portugal, capilar, está em todo o território, representa muita gente e sobretudo muito eclética, porque representa desde o pequeno empresário que tem um pequeno estabelecimento, até um grupo organizado. A responsabilidade está sempre em revisitar a história e escrever um capítulo.

Até porque a Avity não fez apenas um rebranding puro, no sentido em que não fizeram só a reformulação do logotipo, mas criaram toda uma estratégia de comunicação ou de mostrar que a marca está a rejuvenescer, certo?

Sim, gosto muito de estar aqui a explicar. Aliás, quem sabe, no futuro, vou-me dedicar a explicar mais marcas sem imagens. É bom estar a explicar uma marca na rádio, porque as marcas antes de tudo são palavras. E aquilo que nós procuramos quando fazemos um projeto, e neste projeto em particular, foram as palavras primordiais desse projeto. E a principal palavra que havia neste projeto era um segredo que estava escrito num acrônimo. A AHRESP é um nome complicado. Mas na verdade, a AHRESP significa "respostas". Do A à AHRESP. E portanto, o que nós fomos foi, não sei se posso dizer, reengravidar, porque a marca já estava grávida desse sentido, só que esse sentido não estava explícito. Quando me pergunta o que nós fazemos ou fizemos, começamos por uma estrutura conceptual de palavras, neste caso também com a palavra da própria marca AHRESP, e que depois a traduzimos numa nova expressão visual, num novo símbolo, vulgarmente chamado logotipo. É um símbolo, depois tem o logotipo. Símbolo esse que sabíamos e sabemos, e temos a pretensão de achar que é ou será, o antigo era, este será um dos mais visíveis e notórios do país face à sua exposição, face à quantidade de possibilidades que tem de ser visto ao longo da cadeia toda que a AHRESP representa.

Para quem ainda não viu esta nova imagem visual, já que já falamos da imagem das palavras, mas para quem ainda não viu, o que é que pode encontrar e como é que pode descodificar o logotipo que criaram?

Esta imagem, sobretudo ao nível simbólico, é uma espécie de porta ou uma espécie de janela.

Um portal, quase.

É um portal. As marcas ou são mais ou menos explícitas, mais ou menos figurativas, mais ou menos abstratas. Esta é um misto entre uma inspiração figurativa na ideia que nós temos de um utensílio de comer, um garfo, uma colher, sobretudo um garfo, que fazendo um arco escreve A letra A, mas sobretudo define uma porta de entrada para este mundo que a Ana descreveu. É um mundo da hospitalidade, que não é apenas gastronomia, é também alojamento, é também divertimento. E portanto, queríamos criar esse portal que depois se metamorfiza, se veste com um guarda-roupa diverso, apesar de a sua vestimenta formal ser azul e amarelo, um azul mais forte, um amarelo mais vibrante do que aqueles que havia. Sinal de mais luz, de mais energia posta na associação, mas depois com um guarda-roupa que lhe permite fazer todo o terreno.

E nesta reformulação da marca também tiveram em atenção o respeito, por assim dizer, que é necessário ter por toda a história da marca, não é?

Esse é um princípio que usamos em todos os projetos. Naturalmente que uma marca que tem cinco anos e que correu mal e precisa de ser realinhada, tem uma história pequena para contar. Uma marca que já é dada dois séculos, traz-nos um respeito e traz com ela a história, mas não é apenas por uma questão de respeito que se deve manter a história. É mesmo por uma questão de continuidade. Uma marca é um livro que se escreve ao longo do tempo, um caminho que se faz. E sempre que se faz uma intervenção, capitula-se esse espaço. Com o objetivo de que ele dure o mais tempo possível, que seja um capítulo longo e que tenha o máximo de eternidade que nós lhe conseguimos dar, mas sabemos que não é eterno, que alguém daqui a algum tempo, daqui a 10 anos, daqui a 20 anos, o que seja, vai estar aqui ou noutro sítio a dizer: "Olha, eu peguei nesta história e interpretei e dei-lhe outro caminho." Portanto, esse é um ponto muito importante nesta marca em particular, é bom para se poder falar sobre isso.

Ana, é preciso coragem também para tomar esta decisão e dar este passo, de alguma forma audaz, de mudar uma imagem que representa uma quantidade de gente, uma quantidade de áreas. Como é que conseguiste descrever aqui esta transição do logotipo antigo e da marca e da imagem antiga para a imagem e para a marca nova?

Sim, de facto.

Houve medo?

Sim, era isso que eu ia dizer. Foi um grande desafio com algum receio à mistura. Confesso que sim, aliás, por isso é que só o fizemos agora, que era algo que estava a ser pensado há algum tempo, mas ainda não era o momento oportuno. E agora deu-se a feliz coincidência de termos uma direção que achou que era o momento certo, também porque tínhamos um parceiro que nos dava essa confiança, porque apesar dessas coisas, obviamente temos que consultar o mercado, a proposta que nos veio da parte do Carlos e da equipa, e também de já nos conhecermos e conhecermos o trabalho que já tinha vindo a ser feito com outras estruturas que também nós somos próximos, deu-nos essa confiança.

Portanto, se não houvesse aqui este background, este historial de confiança, de entendimento mútuo, teria sido mais difícil avançar.

Teria sido mais difícil, porque estamos a falar, como lhe digo, de uma marca que além destes 130 anos, tem toda uma história que nós não queríamos nem podemos apagar.

E estas coisas nunca são consensuais.

Estas coisas não são consensuais, mas é preciso ter coragem. Ainda bem que esta direção teve essa coragem. Também surgiu uma série de fatores que era o momento oportuno e conjugou-se. E como lhe digo que isto é importante, apesar de evidentemente nós termos consultado o mercado, se calhar não teria sido tão fácil darmos o passo a seguir, que foi concretizar esta mudança, se não fosse também a confiança que temos com o Carlos.

E assim sendo, podem superar as 130 velas de cara lavada. Podes dizer isso.

Sim.

Eu gostava de comentar esse ponto. A intimidade é uma coisa muito importante na transformação de uma marca, porque o processo é íntimo.

E emocional também.

Fala-se muito em criatividade, sem dúvida. É preciso, num determinado momento, ter um olhar criativo sobre as coisas. Mas antes do olhar criativo, há que encontrar um lugar onde vai ser possível fazer um consenso para a mudança.

Mas é um processo mais emocional ou mais racional? Ou 50-50?

É um processo emocional conduzido com uma estrutura racional. Mas é claramente um processo emocional. Nós confiamos uns nos outros pelas nossas emoções e depois nós temos uma metodologia de fazer. Temos um método, temos uma maneira de conduzir as pessoas, as opiniões, temos uma estrutura conceptual organizada por pilares.

E essa intimidade faz com que nos entendamos melhor quando recebemos o briefing e depois também quando apresentamos o trabalho.

Faz com que nos entendamos melhor em todos os momentos. Faz com que mesmo quem discorde, respeite. Faz com que quem não esteja de acordo Não sei se passa a estar, mas que compreende. Há uma parte que me interessa em particular e é mais aquela que eu faço, que nós tecnicamente chamamos audit. Eu começo a chamar que acaba por ser uma certa diplomacia das marcas, porque é um aspeto fundamental para que seja possível fazer uma mudança numa marca centenária. Porque fazer uma mudança é, no fundo, conseguir orquestrar um conjunto de pessoas, ainda por cima numa associação que não tem uma estrutura empresarial tão definida.

Sim, a hierarquia é diferente, é um organismo mais vivo.

É definida, mas tem uma dinâmica diferente. Portanto, é fundamental a diplomacia do processo, o envolvimento das pessoas e o criar confiança no processo. Naturalmente que o resultado é o que fica. Portanto, temos que assumir a responsabilidade do resultado, a qualidade criativa, a qualidade técnica, há claramente método e organização. Mas eu diria que relação, empatia, proximidade, respeito profissional e confiança profissional mútua é uma base fundamental.

É importante neste processo e faz falta a todo mundo.

Sim, sem dúvida.

Mas curiosamente, deixa-me só acrescentar uma questão que me parece importante, porque mesmo aqueles que ao princípio estiveram mais céticos, quando perceberam a narrativa, porque todos nós temos os nossos gostos e gostamos mais do azul, menos do azul. Eu gosto muito do azul, mas isso sou eu. Mas mesmo os mais céticos, depois quando percebem a narrativa e o processo, um bocadinho o que o Carlos está a dizer, estão todos convencidos. Desse ponto de vista, a narrativa é de facto indestrutível. E foi a tal ponto indestrutível que hoje não oiço ninguém dizer que tem alguma reticência acerca desta transformação, muito pelo contrário, mas é curioso ver esta transformação.

E daí este ter sido um rebranding, ou seja, uma reformulação da marca e não um re-logotyping.

Exatamente. Mas era esse o ponto e talvez também numa perspetiva didática, se é possível introduzir aqui, é que esses resultados não acontecem por magia, não é uma magia criativa, não é uma luz que vem de manhã e nos ilumina a fazer alguma coisa. É precisamente a atenção para a sensibilidade que temos que ter nas pessoas, sabendo quem está contra, quem tem reticências.

E perceber por quê, porque isso está acontecendo.

Ouvir as pessoas. Tentar ver se os argumentos delas são válidos ou não, tentar incorporar o máximo dessas preocupações naquilo que vamos fazer e depois encontrar um caminho, que não é necessariamente consensual. Mas que, como a Ana disse, é aprovado e é uma camisola que acaba sendo vestida por todos, porque faz sentido, porque foi participado. Uma marca não é um desenho, não é um boneco, não é uma comunicação. Usa-se essa terminologia no café. Mas uma marca é um ser vivo, que se expressa através dos seus representantes.

Ana, e em 2025, para além desta cara lavada, desta remarcatização, se assim se pode dizer em português, desta nova marca que está a surgir dentro da que já existia, há outras iniciativas, projetos, que a AHRESP vai pôr em prática ao longo do ano para comemorar os 130?

Sim, para comemorar os 130.

E não só.

Exato, e não só, porque queremos continuar a dar seguimento a todo o trabalho que tem sido desenvolvido. E de facto há muitos projetos que estão em curso com vista, obviamente, a criar as melhores condições para as empresas que representamos, a valorizar as atividades e a valorizar as profissões destas atividades. Por isso temos, além do nosso habitual evento, que é os Prêmios AHRESP, onde nós damos reconhecimento e valorizamos o que melhor se fez no setor.

Quando é que acontece?

Acontece este ano, será dia 6 de junho, no Casino do Estoril. Vamos em breve abrir as inscrições e portanto é sempre um evento com muita participação e com muito interesse, porque de facto, o país e nós todos temos sempre tendência para falar daquilo que está menos bem. Há que falar daquilo que está bem.

E valorizar.

Daquilo que é importante e também contaminar os outros todos que ainda não estão lá, mas que têm que chegar àquele ponto.

E quem se quiser inscrever, como é que o pode fazer quando as inscrições abrirem?

É através do nosso site, o site especial dos Prêmios AHRESP.

É só para associados?

Não, é para todo o setor. Nós temos muito orgulho em trabalhar para o setor. Obviamente, que os nossos associados têm privilégios que os outros não têm, mas não no que diz respeito a este evento, este evento é aberto a todos. Mas, além disso, nós estamos neste momento a criar, uma delas já está, a plataforma do pão, porque nós entendemos que, como eu dizia, nós temos que valorizar as profissões e as atividades. Há atividades destes setores mais esquecidas, mais abandonadas e que se nós não fizermos alguma coisa, daqui a uns anos não temos ninguém que as desempenhe. É o caso do pão, da padaria, dos padeiros. Portanto, criamos uma plataforma com o apoio da Câmara Municipal de Mafra, que resultou de uma iniciativa que fizemos lá e um desafio que lançamos e foi aceite. Neste momento já temos uma gestora nossa a tomar conta desta plataforma, a criar uma rede, quer de empresas, quer de academias, quer de especialistas, para certificarmos o pão, mas também para valorizarmos a própria atividade e o próprio padeiro e padeira. Nós recentemente tivemos a notícia de que o prêmio da melhor padeira do mundo foi atribuído a uma portuguesa, a Elisabete Ferreira.

Parabéns Elisabete.

Temos que alavancar isto. Ao mesmo tempo, estamos a fazer uma plataforma para a pastelaria, uma plataforma também para o chocolate, para o vinho. O que queremos é trazer know-how, saber, potenciar todas estas atividades, valorizá-las, mas não só as atividades como as próprias profissões. Depois o nosso congresso, que é sempre um marco importante.

Também já tem data marcada?

Ainda não. Quer dizer, será no próximo ano, porque estamos em 25.

25.

Já estou perdida.

Já estamos em 25.

Já estou perdida. Este ano fizemos em Aveiro.

Em 2024?

Em 2024. Com cerca de 1500 pessoas e foi um momento muito importante de partilha de conhecimento.

Quantos dias?

Tivemos dois dias.

Ok. E em 2025 vai repetir-se em Aveiro também?

Não. O próximo congresso será no Algarve, na região do Algarve, em princípio em Lagoa. E será em 26.

Será em 26. Portanto, em 25 fazemos aqui uma pausa também para comemorar os 130 anos e em 2026.

São sempre eventos de muito peso. Nós fazemos o congresso indoor, obviamente contratando alguns serviços, mas é a equipa AHRESP que faz com a sua direção, ou a sua direção com a sua equipa, antes assim. É sempre um momento também de grande partilha, grande informação, e que fazemos para os nossos associados, e para quem não é associado também, porque se pode inscrever já agora.

Sim, senhora. Mais algum destaque para este ano 2025 ou já são coisas suficientes?

Não, temos mais.

Então vá, só mais uma.

Temos vários eventos, se tiverem interesse, nós vamos sempre publicitando nas nossas redes. Nós temos uma academia de formação, que eu também não queria deixar de dizer, que é muito importante, e que tem feito muita formação, faz formação à medida das empresas.

Para trabalhadores e empresários.

Para trabalhadores e empresários, e não devem deixar de ver os cursos que nós vamos divulgando. Nós vamos estar também na LFA e na BTL muito em breve, que são duas feiras que vão acontecer também com muitas iniciativas dentro do setor. E agora continuava aqui, porque temos vários eventos regionais que vamos também desenvolver.

Mas eu tenho que ser aqui-

Vai ser mauzinho e vai me cortar a palavra.

Vou cortar a palavra. Ainda assim, fica o convite para seguir a AHRESP, não só nas redes sociais, mas também para visitarem o site da AHRESP, também para perceberem melhor no que é que se materializa esta nova imagem e esta nova marca que a AHRESP está a promover. Ana e Carlos, estamos mesmo a terminar, mas o nosso programa não acaba sem o desafio do costume que fazemos sempre aos nossos convidados. Que música associariam a esta mudança, a este rebranding da AHRESP e por quê?

Bom, eu não posso deixar de associar uma música que foi concretizada através da inteligência artificial.

Os nossos artistas vão ficar zangados consigo, Ana.

Vão ficar um pouquinho.

Mas por um bom motivo.

É por um bom motivo, eles sabem que nunca são esquecidos pela AHRESP, porque nós associamos sempre. Aliás, nós também representamos a animação e temos muitos estabelecimentos de diversão noturna.

Então por que a inteligência artificial aqui?

Foi só para demonstrar que, de facto, nós também estamos a acompanhar aquilo que é a atualidade e aquilo que é a modernidade e aquilo que é a digitalização e que, quer queiramos quer não, faz parte do nosso dia a dia como ferramentas que auxiliam, não que substituem, porque nós sabemos, especialmente no turismo, que isso dificilmente vai acontecer, não vamos ser substituídos, mas vão ajudar as empresas a eliminar alguns processos que teriam que ser feitos manualmente e deixando de ser feitos manualmente. Mas o turismo é uma atividade de pessoas para pessoas, e nós vamos sempre precisar das nossas pessoas e é o nosso maior capital. É bom que nós não esquecemos isso. Mas quis trazer aqui esta música exatamente para mostrar que a AHRESP também acompanha esta modernidade e fizemos um desafio. A letra é nossa, portanto, não é tudo inteligência artificial.

Ok.

Mas a música foi feita pela inteligência artificial.

Vamos então descobrir esta música feita pela AHRESP, com os olhos no futuro, mas sempre com os pés bem assentes no passado. 130 anos de história. Estivemos aqui à conversa com Ana Jacinto, secretária-geral da AHRESP, e também com Carlos Coelho, fundador e presidente da IVT Brand Group. Bom ano 2025. Parabéns pelos 130 anos, Ana. Muito obrigado por terem vindo à Brand Charming até breve.

Obrigada.

Seja qual for o seu negócio no turismo, estamos aqui para ajudar. Indústria alimentar, camping e demais, apoio total para todos iguais. Na AHRESP, ninguém fica para trás.

Por fim, prepare-se para um desafio que pode abalar o mundo do consumo: o movimento "No Buy". Depois do "Dry January", em que algumas pessoas passaram um mês sem álcool, agora há quem tente passar um ano sem fazer compras desnecessárias. E sim, já há influenciadores a aderir, até porque não há nada que grite mais minimalismo do que um vídeo patrocinado sobre não gastar dinheiro. Mas a pergunta que se impõe é: será que a Bianca Censori não se terá inspirado no movimento "No Buy" para aquele episódio na passadeira vermelha? É que, afinal de contas, como se percebeu depois de o casaco cair, pouco pode ser muito, desde que seja estrategicamente revelador. E é assim que chegamos ao final de mais um "Brainstorming". Hoje entre viagens no tempo, internet supersónica e o desafio de não gastar dinheiro. Esperamos ter inspirado as suas ideias mais ousadas. Ousadia e inspiração que têm novamente encontro marcado aqui na Rádio Observador na próxima terça-feira, depois das 15h30, para mais um "Brainstorming", que fica disponível nas melhores e mais premiadas plataformas de podcast. Ouça-nos, subscreva-nos, like-nos e partilhe-nos. Com ajuda à produção da Inês Neto e a sonoplastia do Artur Costa, eu sou o Hugo Silva e até à próxima edição. Lembre-se que se até a Cher se reinventa aos 78 anos, também nós podemos fazer tudo. Até lá.