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Hoje falamos de sustentabilidade como driver da gestão das organizações. Atualmente, o compromisso com a sustentabilidade deixou de ser apenas um statement, sem concretização visível ou sem garantia de factualidade. Hoje, as empresas assumem estas dinâmicas como base imprescindível da sua existência em todas as vertentes das operações internas. E a própria legislação está também a evoluir para assegurar que tudo isto acontece sem margem para declarações ambientais não fundamentadas e documentadas. Portanto, é sobre isto que falamos hoje no "Aliados do Futuro Power by Aliados Consulting e Observador LEVE". Conosco temos Rita Nabeiro, que preside ao BCSD Portugal, o Conselho Empresarial para o Desenvolvimento Sustentável. É também administradora executiva do Grupo Nabeiro e CEO da Adega Mayor. Rita, bem-vinda, obrigada pela sua disponibilidade e tempo. E conosco em estúdio está também o Tiago Ferreira, é o partner e coCEO da Aliados Consulting. Tiago, obrigada por estar conosco mais uma vez. Rita, hoje vamos querer ter aqui muitos exemplos de empresas que estão a transformar a sustentabilidade numa vantagem competitiva, no panorama abrangente que o conselho que preside tem. Tem aqui uma visão alargada. Vamos falar de sustentabilidade e tudo isto é falar muito mais do cumprimento de metas. Eu aqui fiz uma introdução também um bocadinho a falar sobre isso, mas tudo isto abrange outras áreas, a gestão de recursos mais sustentáveis. Temos empresas que já estão a trabalhar em tudo isto, neste panorama, já com muita intensidade, não é uma coisa nova de todo.
Sem dúvida. É verdade que quando se falava muito em sustentabilidade, a conversa estava muito centrada no que era o cumprimento dessas metas, de alguns objetivos, e continua a estar. Mas efetivamente, hoje temos que olhar para a sustentabilidade já não como um nice to have, mas como um must have, não só por via daquilo que é as imposições legais, do cumprimento de um conjunto de diretivas, mas como algo que permita às empresas ter uma vantagem competitiva a vários níveis, porque não só do ponto de vista da atração de talento, não só do ponto de vista da inovação, da competitividade, não só até também com a questão do acesso ao financiamento, e cada vez mais vai ser exigido às empresas que elas tenham uma conduta transparente, através daquilo que são os seus relatórios de sustentabilidade, vai haver métricas comparáveis, e por isso essa transparência também vai permitir aos consumidores que possam escolher com mais informação, com mais critério, e eu acho que ela já era, de alguma maneira, agenda para muitas empresas. Hoje vai ser cada vez mais central. Obviamente que há aqui alguns avanços e retrocessos, e temos que reconhecer que nestes últimos ano e meio, tem havido aqui algum abrandamento, mas as empresas continuam, muitas delas, a fazer o seu caminho.
Já vamos falar desse abrandamento, das dificuldades que tudo isto implica, mas a Rita decorreu num ponto que eu gostava de recuperar também, porque às vezes a exigência para cumprimento dessas metas, de questões de sustentabilidade, não vem só da legislação. Portanto, hoje os consumidores, os clientes, têm também um papel muito importante na garantia dessas métricas.
Sim, sem dúvida que a regulação tem esse papel muito importante e, por exemplo, a União Europeia foi conhecida como o tsunami legislativo, que começou a sair e as empresas, de facto, ficaram muito preocupadas. Mas, por outro lado, também alguma dessa legislação acelera a transformação, como sabemos, como houve grandes mudanças, não só neste tipo de áreas, mas que efetivamente fizeram uma pressão para que houvesse mudança. Agora, sejam pequenas empresas, PMEs ou grandes empresas, elas todas vão ser impactadas, nem que seja porque as pequeninas estão na cadeia de valor das grandes. Os consumidores, sabemos que são sensíveis ao preço. Eu acho que é importante, sobretudo determinado tipo de bens de consumo mais acessíveis, este ainda é um tema muito presente. Por outro lado, os consumidores, lá está, se puderem fazer uma escolha mais sustentável, se tiverem cada vez mais acesso a essa informação das empresas, eles, à partida, irão escolher essas opções. Mas temos também o report, cada vez mais que vai ser o report financeiro e não financeiro, e onde até os investidores e o acesso a tal financiamento que falávamos há pouco, pode haver benefícios para as empresas que cumpram determinado tipo de critérios e metas, pelo menos a nível da União Europeia, isso já começa a acontecer. Depois, por outro lado, temos tudo o que é a sua cadeia de valor e esse impacto, que, por exemplo, eu aqui tenho vários chapéus quando estou aqui a falar. Por um lado, o chapéu do Grupo Nabeiro, onde somos clientes, também temos clientes, estamos aqui nos dois lados da barricada e temos que cumprir, por um lado, e temos que prestar contas a quem nos pede essas informações. Por outro lado, nós também fazemos pressão para a restante cadeia. Mas diria que muita coisa está a mudar, apesar dos avanços e retrocessos, mas que as empresas estão a perceber que o caminho há de ser este, mais depressa, mais devagar, mas que está a ser trilhado.
Muito bem, Tiago, já falamos aqui que está tudo a mudar. Há muitas mudanças, há retrocessos. O que está a acontecer em Portugal nesta altura e o que tem acontecido nos últimos anos nesta área?
Sim, a Rita falava que realmente, no fundo, vê-se uma procura por fazer transformação do domínio da sustentabilidade das empresas também, dependendo de alguns movimentos. No fundo, o processo legislativo gerou uma onda muito grande, depois com o Omnibus, gerou um aligeiramento, mas muitas máquinas pesadas, muitas empresas grandes já estavam com um movimento que não quiseram interromper. Claro que outras que estavam tentadas a arrancar, tiveram um contra-incentivo de dar aqui um espaço. Agora, parece-me que é comum a ideia de que este é o caminho. Claro que nós não vamos mudar o mundo a fazer relatórios de sustentabilidade, mas Ter uma empresa estruturada para conseguir agregar os dados da sua eficiência ambiental, social, de governança, é o caminho para se ter um sistema de gestão que permita trilhar um caminho. Hoje a sustentabilidade é vista cada vez mais como um fator de competitividade. A nossa capacidade de produzir com um critério de produção ecológico, socialmente aceitável, é hoje em dia importante. É importante por causa dos consumidores. Pode ser o consumidor final, mas nós vemos muito também, e hoje é um dos principais fatores de motivação para as empresas, é o consumidor empresarial, o chamado B2B. Hoje nós vemos que no processo da gestão da cadeia de valor, temos grandes cadeias de valor, muitas delas globais, que pelas exigências que colocam na sua cadeia de valor, induzem que as empresas tenham que mexer.
Tenham que dar resposta.
Tenham que dar resposta, porque nós temos vários casos de empresas interessantes portuguesas que num determinado ano, um determinado grande cliente, por exemplo, do retalho, lhes diz: "Vocês têm que ter neste rating classificação de X". No ano a seguir, esse X aumenta. Isto é um caminho. Por outro lado, também é verdade que do ponto de vista empresarial, no fundo, os empresários estão muito orientados para aproveitar oportunidades, para fazer crescer. E há uma frase conhecida no mundo dos negócios que é: nunca se desperdiça uma boa crise ou uma boa disrupção. E isto é também uma disrupção, ou seja, a alteração das leis de jogo, que podem ser regulatórias, podem ser o comportamento, ela trará oportunidades para os mais preparados. Isto é quase um processo darwinista. Ou seja, os mais preparados sobrevivem e proliferam. E portanto, a transição de sustentabilidade nos produtos, nos processos, no sistema de gestão, pode ser a oportunidade de empresas que são pequenas passarem a médias, de médias passarem a grandes e de grandes passarem a muito grandes. Nós temos que aproveitar isso. E o nosso posicionamento português, em que muitas vezes estamos expostos a concorrência em cadeias globais, mas temos um mercado europeu muito significativo, pode ser uma oportunidade, porque nós temos boas condições do ponto de vista de produção de energia renovável, temos proximidade a mercados interessantes, como o mercado europeu. Eu acho que é o desafio de nós olharmos para isto como uma oportunidade. Claro que há dor, claro que há custos adicionais, claro que há novos desafios que nos tiram do dia a dia, que já tínhamos controlado. Mas para um empreendedor, eu acho que isto é visto como uma oportunidade. E há vários casos disso, de empresas que têm feito este caminho.
Eu, por acaso, depois disto que o Tiago disse, eu parece que vou dar aqui uma nota muito pessimista, mas não é esse o caso. Mas mudando aqui o rumo da conversa, Rita. Tem a sensação que a sustentabilidade hoje está no centro da mesa quando se tomam decisões estratégicas e governativas, nem sempre isso acontece. Qual é a sua visão?
Eu gostava que estivesse mais. Fala-se muito de sustentabilidade e efetivamente houve uma altura, houve um determinado momento, se calhar há dois anos, que a sustentabilidade estava realmente a ganhar muito espaço. Acho que hoje há outros temas, e como sabemos que estamos a viver um conjunto enorme de crises geopolíticas, sociais, questões tecnológicas, muitas disrupções a vários níveis, e isso obviamente desfoca do que é o tema, e que não é só ambiental, porque quando estamos a falar da questão da sustentabilidade, ela tem várias dimensões. E por isso, seria importante que tivéssemos muito mais o que é a análise de risco, dos impactos, das oportunidades também, porque a verdade é que quando endereçamos e percebemos que a inovação e quando estamos a pensar em otimizar, por exemplo, até numa determinada indústria, do que é que podemos fazer pra aproveitar o desperdício, e quando pensamos de raiz em poder estudar determinado tipo de produtos, até pode haver valor acrescentado. Mas no caso concreto, por exemplo, de decisões políticas, e vimos este ano com a tempestade Christine no início do ano, o que é que aconteceu? E não estamos preparados porque há um tema que também temos que endereçar, que é o tema das alterações climáticas, e que é bastante disruptivo do ponto de vista não só das infraestruturas, dos negócios, de muita coisa, e que pode ter um impacto. Se conseguimos prever tudo, obviamente que não, mas também a questão de olharmos a sustentabilidade como um chapéu global, ela ajuda a criar um radar de tudo o que são este tipo de riscos a endereçar, não só o que é este mapa do que são não só os impactos que a empresa recebe, mas vice-versa. Isso é válido e esse mapa também pode ser feito até por países, para determinado tipo de instituições, etc.
Claro, porque temos esses fatores que são muito imprevisíveis e que também é preciso ter em conta em todos estes processos. É uma pergunta um bocadinho ingrata, mas qual é o maior obstáculo que identifica à inovação sustentável em Portugal hoje em dia? É o quê? É tecnologia, regulação, cultura empresarial?
Por um lado, também a cultura empresarial. Muitas vezes também o tema do investimento, obviamente que para conseguirmos inovar, há uma parte que quando falamos de sustentabilidade, estamos logo a falar de otimização. E essa parte é os quick wins. Que conseguimos otimização energética, eficiência hídrica, etc. E aí estamos já a ganhar quando até falamos de melhorar as nossas operações. Por isso, até pode haver um benefício de custos. Depois quando começamos a querer subir e evoluir no que é a parte da inovação e da competitividade, obviamente que exige algum tipo de, não só tempo, recursos humanos, investimento, e muitas vezes até a parte da preparação das próprias equipes, das pessoas. E eu acho que aí temos ótimos exemplos, empresas que já têm essa estrutura, que conseguem fazer Coisas bastante interessantes, mas, por outro lado, também temos muito do nosso tecido empresarial, como sabemos, quase 99%, são PMEs. Muitas vezes são pequenas empresas que não têm essa capacidade, estão muito focadas naquilo que é a gestão do dia a dia e por isso não conseguem olhar para o lado e tentar perceber que há aqui outro tipo de caminho que as pode ajudar até também a crescer. Eu acho que estes são alguns dos desafios, mas também obviamente vemos exemplos de empresas a inovarem, a fazerem coisas diferentes. Nós no BCSD temos alguns exemplos. Mais de metade das nossas mais de 200 empresas são grandes empresas. E temos exemplos desde economia circular, por exemplo, a Lactogal tem um projeto que é o Cowater, que tinha muito desperdício da matéria-prima com o leite e também tinha a questão do uso da água e com o aumento do consumo da água. E então conseguiram transformar esse retente de produção em água para a própria produção, por exemplo. O caso da inovação a nível de diesel da Prio, com parcerias, que também acontece. E eu também poderia dar exemplos próprios, mas que não vou fazer, mas no nosso caso também do grupo teríamos isso. Mas a Prio e a LPR acabaram por criar soluções de biodiesel para baixar as emissões. Este tipo de parcerias são muito salutares, por exemplo, uma associação como a BCSD, que consegue criar às vezes estas pontes e partilha de boas práticas, que eu acho que é isso também que nós queremos.
Claro, facilitar esse processo e essas sinergias. Mas, Tiago, a mesma pergunta. Portanto, quais são os obstáculos principais que encontra neste momento, olhando para o panorama em Portugal?
Eu subscrevo um pouco o que a Rita dizia. Ou seja, por exemplo, nesta altura em que os custos com a mobilidade, com a energia estão muito altos, isto é um incentivo grande em que há este alinhamento de que se melhorar a eficiência energética, é um ganho de sustentabilidade e é um ganho económico. Portanto, neste tipo de domínio, nós vemos aí muitos avanços e também temos aí muitas tecnologias com níveis de maturidade muito altos. Ou seja, hoje em dia, é muito comum a produção de energia própria, através, por exemplo, de painéis solares, que é uma tecnologia madura, cujo retorno sobre o investimento tem um período curto e que isso é um contributo real. Mas nós depois também temos desafios regulatórios. Por exemplo, hoje em dia, há uma oportunidade grande nas comunidades de energia renovável, que nós até temos alguns autoconsumos, mas do ponto de vista de realmente trabalho em comunidade, ainda se contam pelos dedos da mão, aqui em Portugal, estas oportunidades. Aliás, a Fundação Gulbenkian atenta a isso, lançou agora um programa para incentivar a criação destas comunidades. O que isso traz? Traz uma eficiência através do coletivo. Claro que isto tem desafios regulatórios, que também já estão mais aligeirados. Também as próprias equipes que gerem esta responsabilidade burocrática já estão mais treinadas para o fazerem. Mas nós precisamos, naturalmente, que os nossos empresários olhem para o ecodesign, para a incorporação de matéria proveniente de resíduo, como uma oportunidade. E claro, a legislação tem que ir permitindo. Tem que ir trabalhando, por exemplo, a desclassificação dos resíduos em determinadas categorias para que ela possa ser utilizada com mais facilidade. Mas nós vemos aí, naturalmente, empresas já com resultados interessantes.
Muito bem. Rita, o BCSD fez uma carta às empresas do futuro. Na verdade, é um documento dirigido às gerações empresariais de 2050. E eu queria que nos falasse um bocadinho sobre isso. Que mensagens é que lá estão para quem nos está a ouvir, é empresário e, portanto, neste momento precisa, se calhar, também de um incentivo neste período.
Explicar que o BCSD surge há 25 anos. Fazemos este ano 25 anos e, de facto, foi um grupo pequenino de grandes empresas, na altura, que se uniram para criar esta associação, para endereçar a sustentabilidade no âmbito empresarial. E foi graças a esse sonho e essa iniciativa que algumas empresas tiveram há 25 anos, que hoje há uma rede grande de partilha, há exemplos já claros de avanço e de inovação, e já há um caminho feito. Mas também é preciso sonhar os próximos 25 anos, sobretudo, obviamente, como falamos há pouco, em um contexto complexo, mas temos que perceber de que forma é que podemos começar a pensar esses próximos 25 anos. E é por isso que lançamos esse desafio da carta às empresas do futuro, para que com os nossos membros, os nossos associados, nos ajudassem a começar a pensar este desafio, e como é que o podemos construir em conjunto. E por isso, isto não é algo só que é construído em uma sala. Temos que envolver as várias partes, porque se queremos criar transformação, esta transformação tem que ser de alguma maneira sistêmica, porque há muita correlação entre várias áreas. Por isso, não queremos só ficar fechados no setor empresarial. Temos que unir o setor empresarial à área acadêmica, ao setor público, à parte educativa, e obviamente até a parte legislativa, porque é fundamental para fazer essa transformação. Nós o que queremos é lançar estas sementes, daqui a 25 anos, quem estiver cá, que olhe para trás e que também consiga perceber que as empresas de hoje fizeram o caminho para que, mesmo no ambiente disruptivo como estamos a viver hoje em dia, as coisas mudaram e avançaram. E é isso que nós, com este desafio de pensar os próximos 25 anos, também queremos lançar à nossa rede, e não só.
E traçaram alguma meta concreta? Nada.
Algumas das metas que têm que ver com, obviamente, que se pensássemos no mundo ideal, teríamos que pensar em empresas que mais do que extrair, estão a regenerar aquilo que tira, porque tudo aquilo que nós consumimos, estamos a tirar do planeta. Então como é que nós podemos não só pensar em modelos mais circulares, como falávamos há pouco do ecodesign, como é que pensamos as equipes, as pessoas no centro de tudo, e com os desafios que temos com a inteligência artificial que estão aí Tudo isto, obviamente, é muito complexo. Vamos ter que ir partindo o elefante às postas, perdoem a expressão, mas temos essa ambição de começar. Ou seja, não estamos aqui a ambicionar a perfeição, mas acima de tudo dizer que estamos aqui, que queremos continuar ou, no limite, se tudo corresse bem, o BCSD deixava de ter a sua função, porque teria cumprido a sua missão, que é colocar a sustentabilidade no centro e transformar a economia em benefício do ambiente e das pessoas. Seria isso. Em vez de termos negócios mais extrativos, no fundo, muito mais regenerativos. E é essa a ambição.
Mas não é curioso pensar que há 25 anos as questões eram completamente diferentes? E hoje em dia temos aqui desafios distintos e já estamos a dar resposta a muitos deles. Tiago, temos esta perspetiva. E 25 anos não é assim tanto tempo. Muito mudou.
Não. E a história ensina-nos que quando nós estamos unidos, quando nós temos um desafio comum, nós conseguimos dar boa resposta. Hoje é um tema polémico, porque o preço do combustível está muito alto, mas nós ainda hoje usamos a expressão de gasolina sem chumbo. O chumbo era um problema global que nós tínhamos nos anos 60 e conseguimos, em conjunto, dar resposta a isto. Nós hoje temos um desafio grande, que está muito associado também às alterações climáticas, com as emissões, e que as soluções estão a acontecer. Quer dizer, na Aliados, nós temos uma calculadora de carbono que está a ser utilizada já por várias empresas para calcular as suas emissões e para criarem ideias de descarbonização. No âmbito do BCSD temos imensas empresas que se uniram, a Aliados foi uma delas, em torno de uma visão, uma carta mobilizadora, que tem este propósito de todos nos comprometermos uns com os outros também. Há uma frase do Caminho de Santiago que eu gosto muito, que é: "Sabemos que vai doer, mas vai valer a pena". E eu acho que nós temos todos essa responsabilidade, que é cada um na sua dimensão, nas suas funções, na sua área de negócio, trilhar este caminho positivo com as suas pessoas, com os seus clientes, também com os seus proprietários. E encontrarem soluções para termos empresas melhores, que contribuem, que adicionam à sociedade, não apenas extraem. Isto é o certo. É difícil, às vezes. Uma lei nova é um custo adicional, mas nós pelo menos temos este conforto, que sabemos que estamos na direção certa.
E acho que as empresas têm que ter a humildade de tentar perceber onde é que estão. E a questão, às vezes, dos relatórios tem que ver com isso. Nós não podemos definir onde é que queremos ir, se não sabemos onde estamos. E com base nessa informação, poder perceber, poder ser algum tipo de barómetro para definir alguma direção. Mas não é preciso, às vezes, muito para começarmos. E se pensarmos, sobretudo com as pessoas, há uns anos atrás nem sequer havia, se calhar, este tipo de relatórios. Já havia empresas que se preocupavam com os seus colaboradores, que já tinham determinado tipo de práticas, que já pensavam em como é que poder reaproveitar o seu desperdício. E agora, obviamente, que há uma pressão maior, por várias razões, mas há aqui um propósito que muitas vezes está enraizado e temos que partilhar as boas práticas, porque as boas práticas é aquilo que nos inspira, é aquilo que nos faz avançar. E claro que temos às vezes muitas notícias negativas e tudo aquilo que vai mal, mas o contágio positivo também é aquilo que nos faz avançar e é aquilo que eu vejo e tenho tido o privilégio de assistir no BCSD com bons exemplos, em que uns copiam os outros, porque é um lado pré-competitivo, porque estamos aqui a colaborar e porque queremos o melhor e queremos mais, queremos melhor. Obviamente que há muita coisa a fazer. Sentimos que por muito que se faça, ainda estamos com muito caminho pela frente e que o tempo, aí isso é uma questão relevante, o tempo está a esgotar-se, porque nós sabemos que a questão das emissões são, de facto, críticas, porque a questão da descarbonização é importante e já vemos exemplos na China, muita parte do que são os automóveis, toda a parte de eletrificação, e eles conseguiram resolver problemas graves de poluição, por exemplo. Nós já temos as soluções, muitas das soluções. Agora, tem que haver a vontade, não só política, mas também de todos, e a capacidade de investimento para as implementar, e estamos a ver, porque estamos a entrar num ponto muito difícil de não retorno a nível climático, e que as consequências, se não fizermos agora este investimento, o custo, a fatura a pagar daqui a uns anos será cada vez maior, fora o outro tipo de impactos. E as empresas fazem parte do problema, sem dúvida, mas também têm que fazer parte da solução. E obviamente que aqui, o BCSD, o papel é ajudá-las a fazer parte da solução.
Muito bem, Rita. É assim que terminamos este episódio do Aliados do Futuro by Aliados Consulting e Observador Lab. Os outros episódios estão também disponíveis em podcast nas plataformas habituais, este também lá estará daqui a pouco, e em observador.pt. A nossa convidada de hoje, Rita Naveiro, a presidente do BCSD Portugal, o Conselho Empresarial para o Desenvolvimento Sustentável, também administradora executiva do Grupo Naveiro e CEO da Vega Maior. E o Tiago Ferreira também esteve aqui connosco, partner e coCEO da Aliados Consulting. Obrigada aos dois.