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E hoje, no Cabeça de Cartaz, recebemos Pedro Galhós, da organização do festival Lisboa Connection Fest, o primeiro festival de blues e rock. Pedro, muito boa tarde.
Olá, boa tarde.
É um festival que vai ocorrer nos dias 27 e 28 de setembro, portanto próxima sexta e sábado, no Palácio Baldaia, em Benfica, aqui em Lisboa, um espaço relativamente novo na cidade.
Sim, é um palácio que foi recuperado pela Junta de Freguesia de Benfica. A Junta de Freguesia de Benfica, neste momento, assume-se em Lisboa como sendo o bairro da música, e nada melhor que fazer um festival de blues e folk no bairro da música, dentro do Palácio Balai.
Muito bem, festival que vai acontecer na sexta-feira e no sábado. Vamos olhar para o cartaz. Dia 27, sexta, temos Martin Harley, Vítor Bacalhau e os espanhóis Chino & The Big Bet. Vamos começar pelo primeiro, Martin Harley. Quem é este músico? Creio que mude muito roots, não é?
Sim.
É mais blues ou mais folk?
É mais blues. Se bem que também pisca o olho ao folk. O Martin Harley é um virtuoso guitarrista de blues acústico e folk. É mestre na técnica chamada finger picking, que é tocar guitarra com os dedos, para quem não sabe.
Batendo no braço, não é?
No braço, e mesmo só tocar de dedos, sem palheta. A tática é tocar slide guitar também, e tocar sempre sem palheta. Ele é um músico do Reino Unido e está nomeado para melhor guitarrista acústico do ano. Portanto, ele toca às 18h, na sexta-feira, e vai ser incrível.
É a primeira vez que o Martin Harley vem a Portugal ou não?
Não, ele já esteve várias vezes em Portugal, nunca em festival. Em festival vai ser realmente a primeira vez, mas já tocou em vários teatros e auditórios em Portugal.
Muito bem. Depois, também na sexta-feira, Vítor Bacalhau, um português já conhecido da cena blues.
Mais rocalhão. É aquele blues mais elétrico, digamos. Essa foi a minha preocupação também com a programação. O blues é uma música de raiz, e eu tentei trazer ao festival um bocadinho da ramificação dessas raízes. Se começamos com o Martin Harley dentro de um som mais acústico, o Vítor Bacalhau é o inverso. É super elétrico, mais rock and roll, muito naquela linha do Gary Clark Jr. É um guitarrista fenomenal, é português, mas é bom em qualquer parte do mundo, garantidamente.
Muito bem. Depois, a fechar o primeiro dia do festival, Chino & The Big Bet. É uma banda que vem de Espanha. Que banda é esta?
O Chino é um guitarrista argentino, residente em Espanha, em Barcelona, e vem apresentar aquele blues, se calhar, mais tradicional, que as pessoas conhecem, o blues do Mississippi, como se costuma dizer. Também algum slide guitar, mas aquele blues mais de roots, mais carrancudo, e também vai passar por algum swing.
Portanto, no primeiro dia vamos ter virtuosismo, vamos ter blues a piscar o olho ao rock e, a fechar, raízes mais tradicionais do blues. No dia 28, portanto, já sábado, o festival abre com o Flávio Cristovão, que é um português que vem dos Açores.
Exatamente. O Flávio é um dos meus compositores portugueses preferidos, somos amigos. Foi o único português, que eu saiba, a ganhar o International Songwriting Competition, e ter um compositor que ganhou o International Songwriting Competition no meu festival é um orgulho poder ter o Flávio para tocar no festival.
Já que estamos a falar de um português, e estamos a falar de um português que é músico de blues, que é um género que não tem grande consumo e grande expressão em Portugal, o Flávio vive da música ou não?
Não, a onda do Flávio é mais folk e menos blues.
Ok.
Ele não vive da música, ele é guia turístico nos Açores, também. No entanto, a carreira do Flávio está a ser muito mais internacional do que nacional. Ele tem tocado já em imensos países: Inglaterra, Holanda, Bélgica, Polónia, assim que eu me lembro, pelo menos destes, ele já tem tocado. E agora acho que chegou a altura de Portugal também começar a olhar para um compositor desta qualidade.
Depois há Bayou Moonshiners, banda dos Estados Unidos.
Italianos.
Italianos, peço desculpa.
Os Bayou é um duo italiano, que vem fazer uma festa, porque a música deles, ao contrário de todos os outros, o instrumento principal não é a guitarra, mas sim o piano, e vem trazer aquele espírito New Orleans, aquele som mais festivo, em que as pessoas se podem levantar das cadeiras e dançar. É, portanto, uma festa.
Está marcado para que horas este concerto?
20h45. O Cristovão às 18h e os Bayou às 20h45.
Ok. E a fechar, Buda Power Blues.
A fechar, fechamos com a chave de ouro, provavelmente com a maior banda de blues portuguesa.
Que já ouvimos.
Que são os Buda Power Blues, acho que já começa a ser um habitué em tudo o que é festivais de blues em Portugal, pois o Buda também já anda cá há alguns anos e já vai deixando de ser um desconhecido. Começa já a ser o músico respeitado e conhecido de toda a gente.
Buda Gues, que esteve aqui ontem a falar precisamente sobre o Nova Arcada Blues Festival. É curioso termos aqui dois dias seguidos de blues na Rádio Observador. Pedro Galhós Eu li no vosso comunicado que este festival está desenhado para o público-alvo dos 35 aos 60 anos. Isto significa o quê? Significa que é preciso ter alguma maturidade para ser um consumidor de blues ou não?
A gênese do festival tem a ver com um sonho que me persegue.
Que sonho é esse?
Um sonho de fazer um festival de blues. Muitas pessoas sabem que eu gosto de blues, que eu também sou músico, e sempre me dizem: "Tu conheces tanta gente, devias fazer um festival blues". E eu disse: "Pois devia, mas tem que ter condições para o fazer". Felizmente, a Junta de Freguesia de Benfica abriu as portas para concretizar este evento, e cá estamos. Relativamente ao público, a faixa etária que mais consome blues são as pessoas que têm aqueles ídolos como Eric Clapton.
BB King.
BB King, até mais rock, se calhar, os Led Zeppelin, e por aí. E são pessoas já com uma certa maturidade. O que não quer dizer que não passem a mensagem a gerações mais novas, porque o blues é uma música muito económica de se fazer. Qualquer má guitarra serve para tocar blues. Portanto, é uma música muito popular, fácil de executar, e a mensagem que passa consegue chegar com facilidade ao coração das pessoas.
Falaste da guitarra, eu ia fazer uma pergunta, provavelmente é uma pergunta absurda, mas quando desenhaste este cartaz, este é um festival mais a pensar nos guitar lovers ou nos vocal lovers? Isto é mais blues e folk direcionado para quem gosta de guitarra ou para quem gosta de blues vocalizado com grandes senhoras em palco? É mais para amantes de guitarra?
Eu penso que sim. Eu sou também guitarrista e sou quase coleccionador de guitarras, é um instrumento que me fascina. E posso dizer que blues e guitarra não se conseguem diferenciar. Se nós formos ver todos os grandes músicos de blues, se nós começarmos aqui a desfolhar nomes, quase todos são guitarristas. Também temos quem toca piano e harmónica. Tudo bem que são aqueles três instrumentos, mas eu diria que 90% dos grandes nomes dos blues são guitarristas. Portanto, eu acho que os amantes de guitarra têm aqui uma oportunidade de ouro para vir a um festival ouvir grandes executantes das guitarras.
Muito bem, Pedro Galhos, da organização do primeiro festival Blues e Folk, Lisboa Connection Fest, no cabeça de cartaz. Pedro, muito obrigado por teres vindo à Rádio Observador. Está feito o convite, 27 e 28 de setembro, ou seja, sexta e sábado. Este festival de música blues e folk no Palácio Baldaia, em Benfica. A fechar esta conversa, deixo os Buddha Power Blues com este "I Wanna Please My Baby".