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Uma hora. Este é o Jornal da Uma, com edição do Miguel Vilela. Miguel, depois do Livre, há pouco foi o Chega que anunciou o voto contra o orçamento na generalidade. Já vamos até ao Parlamento. Antes, o acidente ferroviário desta manhã em Espanha. Voltou a subir o número de mortos.

64 mortos é o número avançado pelo presidente do Governo regional de Castela-La Mancha. Ainda há registro de quase 180 feridos, o resultado de uma colisão entre dois comboios de alta velocidade. A bordo seguiam perto de 500 pessoas. O presidente da República, António José Seguro, já enviou uma mensagem de condolências ao rei de Espanha. O jornalista Hugo Afortunato de Oliveira continua a acompanhar este caso e as informações que vão chegando do lado de lá da fronteira. Hugo, sabemos, por exemplo, que as primeiras vítimas mortais já foram identificadas.

Para já são 30 corpos identificados. Todos os passageiros já foram retirados dos comboios. Os operacionais estão agora a remover os corpos dos escombros das carruagens. Estas que são informações avançadas pelo presidente da região de Castela-La Mancha. No local estão já três investigadores da Comissão de Investigação dos Acidentes Ferroviários. Nos dois comboios seguiam mais de 500 pessoas. A ministra espanhola da Saúde adianta que os hospitais das proximidades estão a libertar camas para receber os feridos. Segundo as primeiras informações, um dos comboios estava parado na linha quando foi atingido pelo outro. Duas carruagens descarrilaram e caíram por uma encosta. Quanto às causas, a principal hipótese é de erro humano na sequência de uma avaria no sistema de sinalização. Segundo o jornal "El País", um operador ferroviário terá dado ordem para retomar a marcha, sem se aperceber de que o outro comboio continuava parado na linha. A circulação na linha de alta velocidade entre Madri e Andaluzia continua ainda suspensa.

Hugo, continuam também a multiplicar-se as reações a este acidente.

Começamos por Pedro Sánchez, diz-se consternado. O chefe de Governo espanhol garante estar em contato permanente com o ministro dos Transportes e com o presidente de Castela-La Mancha. Também a Casa Real manifesta preocupação e consternação em Valência. O rei Felipe VI lamentou o acidente terrível e garantiu estar a fazer todos os possíveis para regressar a Madri e conseguir acompanhar a emergência no local.

"Em primeiro lugar, gostaria de lamentar profundamente esta terrível tragédia e de transmitir às famílias enlutadas as nossas mais sentidas condolências, solidariedade, apoio e carinho neste momento tão duro e difícil. Tive a oportunidade de falar com o presidente Peixe, de Castela-La Mancha, e espero regressar em breve para acompanhar de perto a situação de emergência e conhecer melhor as circunstâncias do sucedido. Quero ainda deixar uma palavra de ânimo, apoio e reconhecimento a todos os profissionais dos serviços de emergência que estão no terreno a prestar auxílio e a responder a esta situação."

Declarações de Felipe VI, o rei de Espanha, em Valência, porque o presidente da República também já reagiu. Segundo uma nota publicada no sítio oficial da Presidência da República, António José Seguro enviou uma mensagem ao rei de Espanha, a título pessoal e em nome do governo português. O chefe de Estado apresenta sentidas condolências às famílias enlutadas e a todo o povo espanhol. Também o primeiro-ministro Luís Montenegro, na rede social X, apresenta as condolências às famílias das vítimas e manifesta solidariedade e disponibilidade de Portugal. Entretanto, o governo português disponibilizou apoio à Espanha, nomeadamente para apurar as causas deste acidente ferroviário. Em comunicado, o Ministério das Infraestruturas e Habitação revela que disponibilizou serviços das entidades competentes na área das Infraestruturas de Portugal, CP Comboios Portugal e do Gabinete de Prevenção e Investigação e Acidentes Ferroviários para apoiar as entidades espanholas.

A ajuda é disponibilizada por Portugal às autoridades de Espanha, na sequência deste acidente que ocorreu às primeiras horas da manhã, colisão entre dois comboios de alta velocidade. O número de vítimas foi atualizado nos últimos minutos, 64 mortos.

Segundo dia de debate na generalidade do Orçamento do Estado para o próximo ano. Miguel, há mais um partido a anunciar que vai votar contra.

Sim, o Chega. Nada que ponha em causa a aprovação do orçamento na generalidade, depois da anunciada abstenção do Partido Socialista. Ora, seguimos sem demoras até à Assembleia da República. O segundo dia de debate na generalidade do orçamento está a ser acompanhado pelo jornalista do Observador, Miguel Viveiro Dias. Miguel, agora aqui com este voto contra do Chega, vota contra por quê?

Diz que é um orçamento que não dá resposta ao aumento do custo de vida, isto numa altura em que o governo coloca mais um membro do executivo a usar da palavra, neste caso, a ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, que poderá dar algumas respostas a estes anseios de André Ventura. O líder do Chega, só a poucas horas de votar o orçamento, é que comunicou aos jornalistas o sentido de voto. Diz que não existindo medidas para responder ao aumento dos combustíveis ou da habitação, o voto do Chega é contra.

É esta falta de empatia, esta falta de capacidade de ter medidas excepcionais para o momento excepcional em que estamos, que o governo parece não reconhecer, que leva a que o Chega vote contra este documento orçamental.

Decisão anunciada por André Ventura na última hora, nos Passos Perdidos, na Assembleia da República, no exterior da sessão plenária que vai decorrendo este segundo dia de debate do Orçamento do Estado, em que a votação vai decorrer da parte da tarde. Deixa-me também dar conta, Miguel, sobre o acidente em Espanha. O dia começou com uma mensagem, desde logo do ministro das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, que foi o primeiro membro do governo a usar da palavra, uma mensagem de condolências. Depois chegou a estar marcada uma comunicação de Paulo Rangel, ministro dos Negócios Estrangeiros, mas que foi adiada porque o governo estará ainda a recolher informação sobre a existência ou não de portugueses envolvidos neste acidente. E, portanto, para já, não há ainda hora marcada para essa declaração de Paulo Rangel, que está ainda prometida, porque o governo estará ainda a recolher informação sobre se há ou não portugueses envolvidos neste acidente.

Já provocou 64 mortos, número atualizado. A reportagem aqui em direto da Assembleia da República, do jornalista do Observador e coordenador da seção de política da Rádio Observador, Miguel Viveiro Dias, que acompanha estes dois dias de debate e votação na generalidade do Orçamento do Estado para o próximo ano. De resto, vamos ter uma emissão especial logo à tarde, João, para acompanhar esse momento da votação. Seguimos com justiça neste Jornal da Uma. O responsável por julgar a ação secundária da Operação Marquês, que tem como acusados José Sócrates e Carlos Santos Silva, recusa avançar com o julgamento.

Sim, é isso mesmo que noticia o Observador, num artigo assinado pelos jornalistas Luís Rosa e João Paulo Godinho, que acompanham de forma mais próxima os temas relacionados com este setor da Justiça. O Luís Rosa está aqui conosco. Luís, por que o juiz que deveria presidir este julgamento recusa avançar com esse mesmo julgamento?

Porque, na prática, deu razão ao Ministério Público e José Sócrates. É uma coisa que é estranha, mas é verdade, o Ministério Público e José Sócrates têm exatamente a mesma posição, ou seja, os autos deste processo secundário, em que Sócrates e Santos Silva respondem por três crimes de branqueamento de capitais, deviam ser enviados para o processo principal. O juiz Rúben Vieira deu-lhes razão. E por que lhes deu razão? Porque o crime de branqueamento de capitais, os três crimes que estão aqui em causa, têm como crimes precedentes, crimes de corrupção. Crimes de corrupção esses que estão a ser julgados no processo principal. Ou seja, há fatos que são comuns aos dois processos. E, portanto, para evitar, na prática, o contraditório de julgados entre todos os argumentos, ou seja, para evitar que existissem decisões diferentes, teoricamente diferentes, o juiz entende que a união dos processos, a apetição dos fatos no mesmo processo, que é o processo principal, é a única forma de salvaguardar a unidade e a coerência do sistema de justiça.

Consequência desta decisão?

A juíza Susana Seca vai ter que agora apreciar, vai receber os autos e vai ter que apreciar qual é a posição que a juíza Susana Seca já deu nos autos do processo principal. Os processos não podem ser juntos. Na altura, por quê? Porque estavam em fases diferentes. Na altura, o processo secundário estava na fase da instrução e o processo principal já tinha começado o julgamento, começou em julho de 2025. Ora, naquela altura, a juíza deu essa decisão, o Ministério Público interpôs recurso e esse recurso só vai subir depois do final do julgamento da Operação Marquês. Agora a juíza Susana Seca tem que tomar uma de duas decisões: ou mantém a sua posição e, portanto, recusa juntar os autos, recusa fazer a chamada apensação, e isso gera um conflito de competências, vai ter que ser julgado pelo Tribunal da Relação de Lisboa, vai ter que decidir qual é o juiz que tem razão, se é a Susana Seca, se é o Rúben Vieira, ou então a juíza Susana Seca muda de posição e tem fundamento para mudar de posição. Por quê? Porque neste momento os dois processos estão na mesma fase.

Já não estamos na fase de instrução. Exatamente.

Estão na fase do julgamento. Isso obrigará a refazer o julgamento do processo principal. José Sócrates muito provavelmente vai dizer que o processo tem que voltar à estaca zero, mas o próprio juiz Rúben Vieira e outros advogados entendem que, consultados pelo Observador, de que não é necessário fazer isso. Pode ter que ser refeita alguma prova, ou seja, repetido novos interrogatórios. Certamente que as defesas vão ter que contestar esta nova acusação, que são mais três crimes de branqueamento de capitais, mas o julgamento não tem que recomeçar do zero, voltar à estaca zero. Pode ter que ser refeita alguma prova, única e exclusivamente, atrasando o julgamento algum tempo. Enfim, agora vamos ver o que a juíza Susana Seca vai decidir. O certo é que temos mais um imbróglio na Operação Marquês.

Mais um obstáculo.

Não sei se será o milésimo, quantos imbróglio já tivemos, mas de fato é mais um.

Mais um obstáculo. Esta é uma notícia que pode ler em observador.pt, assinada pelos jornalistas Luís Rosa e João Paulo Godinho.

Uma hora e 10 minutos, Miguel, que outras notícias marcam a atualidade?

As eleições em Israel, por exemplo, a contagem de votos ainda não está fechada. O Likud de Benjamin Netanyahu segue na frente. O bloco liderado pelo Likud já alcançou 54 lugares, precisa de 61 para garantir a maioria absoluta. O bloco do principal opositor, Yair Lapid, tem 49 lugares no Knesset garantidos. Os partidos árabes já conseguiram 17 lugares, ou seja, podem ser determinantes quanto a uma solução de governo. Se se juntar Yair Lapid ou Benjamin Netanyahu, ou o bloco liderado por Benjamin Netanyahu, fica garantida uma maioria. O problema é que tanto Benjamin Netanyahu como Yair Lapid disseram antes das eleições que não se iam juntar aos partidos árabes. A ver, vamos, qual o desfecho do resultado eleitoral e qual as posições que vão ser assumidas pelos dois candidatos. Dar ainda conta que foi suspenso o sindicato que representa os revisores e trabalhadores das bilheteiras da CP, decidiu suspender a greve agendada para a próxima sexta-feira. Em comunicado, o Sindicato Ferroviário de Revisão Comercial Itinerante dá conta de avanços na resposta às reivindicações da organização sindical por parte do Ministério das Infraestruturas. Houve ontem uma reunião sem detalhar, o sindicato disse que há disponibilidade, por exemplo, para responder à exigência de aumentos de salários.