O Banco Central Europeu (BCE) decidiu nesta quinta-feira manter as taxas de juro de referência inalteradas, com a taxa mais importante para a política monetária – a taxa dos depósitos – a permanecer nos 2,5% apesar das pressões inflacionistas que existem na zona euro, com origem no aumento dos preços da energia. No comunicado que confirma a decisão, o BCE destaca que “os preços da energia têm continuado a subir, gerando riscos em alta para as perspetivas de inflação e riscos em baixa para as perspetivas de crescimento”.
A decisão corresponde àquilo que já tinha sido antecipado pela generalidade dos analistas, que advertem, no entanto, que se houver sinais de uma persistência da inflação ou de um contágio aos outros preços na economia, o BCE poderá voltar a subir as taxas de juro em dezembro – e, eventualmente, uma vez mais no início de 2027, o que elevaria os juros para 3%.
“Embora os efeitos completos do choque energético ainda se estejam a manifestar, a inflação subjacente tem-se mantido, de um modo geral, estável até à data, e os salários não apresentam uma resposta significativa nesta fase”, afirma o BCE no comunicado oficial. “O aumento da magnitude e da duração do choque energético, bem como as implicações para os efeitos indirectos e de segunda ordem, provavelmente impulsionarão a inflação e reduzirão o crescimento”, acrescenta-se.
O Conselho do BCE considera que “continua bem posicionado para lidar com a atual incerteza elevada” e irá adotar “uma abordagem baseada em dados, avaliados reunião a reunião, para determinar a postura adequada da política monetária”. Esta declaração está a provocar uma pequena desvalorização do euro em relação ao dólar (0,4%), com os investidores a considerarem menos provável que estejam iminentes mais subidas de juros.
A presidente do BCE, Christine Lagarde, poderá dar pistas sobre os planos da autoridade monetária na conferência que começa pelas 13h45 (hora de Lisboa). Será uma das últimas conferências com Lagarde, que esta manhã confirmou a intenção de sair do BCE em fevereiro, meses antes do mandato que terminaria em outubro.