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Ladies and gentlemen.

Cabeça de Cartaz. A agenda e os agentes culturais em conversas a meio da tarde, para ouvir depois das 16:00, no Observador, com Nelson Ferreira.

E hoje no Cabeça de Cartaz é tempo de olharmos os 15 anos do Rock in Rio Lisboa, uma grande celebração que acontece este fim de semana, já a partir de amanhã. E o meu convidado para falarmos sobre isto mesmo é Rui Mancena. Muito boa tarde.

Olá, boa tarde, Nelson.

Rui, muito obrigado por ter vindo aqui ao Observador. Primeiro, é um prazer falar com quem defende as mesmas cores clubísticas que eu.

Ora, isso é que é falar. Muito bem.

Poderíamos já começar por— não, vamos passar esta parte à frente.

Não, como estamos a zero agora, tudo bem.

Sim. Olha, Rui, primeiro, antes de mais, muitos parabéns pelo trabalho que tens feito, até porque eu acho que tu és uma personagem na cultura portuguesa que tem de facto aproximado outros públicos de gêneros que não eram tão consumidos. E os teus discos têm feito muito bem esse trabalho. O último, III?

III, exatamente.

Ou III?

É III mesmo. É isso mesmo. É em numeração romana, mas é III.

Exato, depois de Solo e também de Ensemble, saiu no final do ano passado, mas não é bem isso que te traz a Lisboa este fim de semana. Já tenho visto aí nas televisões algumas imagens com a preparação deste mega espetáculo que é sinal dos 15 anos do Rock in Rio Lisboa. Como é que surgiu este convite e como é que foi também reunir esta orquestra para esta celebração?

Nelson, muito obrigado. É um prazer também estar aqui numa rádio que vai fazendo o seu caminho, muito bem. Surgiu com o convite da Roberta Medina, que me ligou, e a partir desse momento, a minha cabeça não parou de pensar no que seria este espetáculo. A Roberta sabia muito bem o que queria para esta celebração e passou por uma componente sinfônica, portanto, havia que juntar uma orquestra. E nós optamos por juntar uma orquestra exatamente com um perfil que incluísse, por um lado, seniores, as pessoas que estão habituadas a tocar no mundo das orquestras, então escolhê-las de alguma forma, enfim, grandes músicos. E, por outro lado, também incluir gente bastante jovem que tivesse já conhecido este fenômeno dos festivais, o fenômeno de um festival como o Rock in Rio, que tem um entendimento já, de alguma forma, muito livre em relação a isso, para poder, no momento da verdade, que é o momento do palco, que será amanhã à noite, que pudesse, no fundo, também transmitir essa energia às pessoas, a energia de acreditar nestas músicas, nesta história da música. E na celebração de um festival que, apesar de tudo, tem feito uma revolução também dentro do panorama do que é trazer música internacional a Portugal.

Rui, como é que estes mais de 50 elementos desta orquestra também reagem a esta tua intenção de os colocar em sonoridades que são mais ligadas à pop, até do que à clássica? Aqui lançam-se alguns desafios, alguns deles torcem o nariz a estas abordagens.

Eu não sei, eu ao telefone não consigo perceber isso. Mas eu começo é por mim, começo é pelas minhas próprias fundações, porque nós olhamos a música histórica sempre com muito respeito e temos que perceber uma coisa: que a orquestra é um instrumento e, portanto, a partir do momento em que é um instrumento, tudo aquilo que nós construímos para esse instrumento pode ser bem ou mal feito. E a nossa ideia é fazer bem feito e, portanto, a ideia de fazer música pop ou pop rock, que é aquilo que aqui se trata, é que é o grande passo mental. É, no fundo, pôr a orquestra ao serviço de um repertório que alimentou a história da música popular desde o final do século XX e que nós temos no nosso imaginário. Ouvimos todos os dias, é música mainstream, que ouvimos a todas as horas, que uma quantidade de milhares de milhões de pessoas ouvem e gostam. Então é trazer para isso as cores da orquestra, tudo aquilo que a orquestra, no fundo, pode proporcionar a esta música. E o grande trabalho foi pegar nela, escolher as músicas colegialmente que poderiam funcionar em palco e depois tratar de, através da possibilidade de cor que tem a orquestra, trazer uma melodia dos Queen, da Bohemian Rhapsody, com uma trompa, e as pessoas ouvirem exatamente a voz do Freddie Mercury, como ouvirem o Avicii tocado por uma flauta. E acho que esta questão de ser música instrumental vai permitir que as pessoas, naquele momento, se surpreendam quanto podem gostar de música instrumental.

Hoje é um aniversário, até se fosse vivo, Freddie Mercury faria hoje anos. Encontrei essa informação há pouco.

Na verdade, está vivo.

Sim.

E essa é que é a magia. Está como está o Mozart, está o Freddie Mercury, está o Avicii, estão todos, porque estão a ser revividos. Aliás, este é também o contexto da arte e das coisas que vão ficando na história.

Tu dizes, e muito bem, já aqui desvendando também algumas das bandas que vão ser revisitadas neste espetáculo. Vi um excerto no canal de televisão, o que me pareceu Bruno Mars.

Bruno Mars.

Também faz parte.

Faz parte e de que maneira. E foi um super entusiasmo trabalhar isto, porque nós encontramos, eu acho que ali uma orquestração que tira não só a música, mas tira todo o entusiasmo que o Bruno Mars põe nas suas canções. E nós vamos na orquestra, eu acho que vivê-la ao máximo e, portanto, é uma espécie de um funk disco, uma abertura absolutamente inesperada, com a orquestra também a assumir toda aquela energia que o Bruno Mars tem, que é uma energia dançante.

Uma altura, o Bruno Mars veio ao Altice Arena e eu fui entrevistar o artista que fazia a primeira parte do Bruno Mars e cruzei-me com ele, muito simpático. E ele é muito baixinho.

É o Bruno Mars.

É muito baixinho. E eu até comentei: "Bem, nunca pensei que o Bruno Mars fosse tão pequenino." E o Mayer Hawthorne vira-se pra mim e diz assim: "Little guy, big talent."

É verdade. Olha o Napoleão.

Sim.

O próprio Afonso Henriques.

Olha, então já percebemos que há Bruno Mars, há muitas outras coisas. Qual é que foi a banda ou o tema que te colocou mais desafios nesta revisitação que estás a preparar?

Olha, claramente aquilo que as pessoas conhecem bem é sempre o que traz mais desafios, porque tu não podes defraudar as expectativas, tu não podes mexer num arranjo como a Bohemian Rhapsody, por exemplo, que no fundo, nestes dias, por causa do filme, está completamente na cabeça das pessoas. E portanto, trazê-lo pra orquestra, dar-lhe a imponência que a orquestra pode trazer, é um grande desafio. Mas é claro que, por exemplo, se eu te disser que também o Bruno Mars, que acabaste de falar, ou os Muse com Supremacy ou Prelude, são obras que nós não podemos desfigurar. Porém, há outras que podemos. Como é que é a dos Black Eyed Peas?

I Gotta Feeling.

I Gotta Feeling, por exemplo, está desconstruída. E a beleza é encontrar nessa desconstrução, tu seguires o caminho de uma música que conheces bem, que é mais ou menos redonda, mas que depois ali através da orquestra, viajas um bocadinho atrás daquilo que tu conheces, à procura do que tu conheces. E aquilo não te vai dando sempre o que tu queres. Portanto, eu diria que todas as peças, são 17 ao todo.

Pensei que eram 15.

São 15 mais os hinos.

Ok.

É isso.

15 anos, 15 músicas.

Sim, exatamente. Mas depois vamos tocar os hinos do Rock in Rio. Eu considero, para mim, no palco são 17, mas são 15 músicas. Cada uma tem o seu desafio na conceção de orquestração, de arranjo. Todas elas têm esta vertente, exceto duas, a vertente de serem instrumentais. Eu acho isso muito importante, porque a música instrumental, tal como toda a música clássica, faz com que nós imaginemos tudo aquilo que conhecemos dela.

Estive a ver também fotos do palco que vão instalar na Torre de Belém. Primeiro, é uma coisa em cima da água, ficamos já a perceber, na frente da Torre de Belém. Depois, tem a forma de uma guitarra. Pareceu-me também, visualmente, uma coisa bastante impactante. Como é que tu olhas para este desafio de tocar num sítio como este, sendo que tu se calhar até estás mais habituado a grandes auditórios? Isto muda muito o teu mood para estar ao ar livre?

Claro que sim, é uma excelente observação. Claro que muda. Para já, é um palco sem cobertura, onde o teu cenário não é a cobertura do palco, é a torre. Quando nós vimos todos a imagem da guitarra instalada, era uma coisa impensável. Nesse aspeto, acho que a equipe do Rock in Rio é supercriativa. Aliás, eu tenho lidado com a equipe e acho que eles têm muito interesse em servir o objeto artístico, têm muito interesse em construir o objeto artístico bem. Ou seja, todas as sugestões que as pessoas das equipes artísticas vão dando, eles vão acolhendo, vão tentando materializar. A produção está preocupada com isso. Eu acho que este palco, além de uma questão estética, é também uma afirmação artística. O próprio desenho do palco é uma afirmação artística. Eu acho que é para isso, porque neste espetáculo o lado visual também é muito importante. Nós vamos ter uma equipe de video mapping do cubo a trabalhar imensos conteúdos na torre e temos uma equipe de pirotecnia a trabalhar conteúdos sincronizados com a música, conteúdos artísticos. Todo este espetáculo tem uma componente visual muito forte, mas é de uma sincronia artística, de muita gente a trabalhar nisto, muito difícil de conseguir.

E para que isto se reúna numa peça só, não é?

É isso. Mas isso é importante referir, porque é um objeto artístico trabalhado. O palco que tu falas também faz parte. Não é só imagem, é um objeto artístico.

Rui, nestes 15 anos de Rock in Rio, foram muitos os concertos, serão ainda mais anos de Rock in Rio original, há 15 anos em Lisboa. Lembras-te de algum nome ou de algum concerto que tenhas falhado e que tenhas imensa pena de ter falhado?

Tenho, o do Stevie Wonder.

Ok.

Eu acho que era o concerto que eu gostava de ter visto, porque Stevie Wonder é uma referência para músicos de todas as gerações, de todos os gêneros. Isso é que é incrível, um homem com uma deficiência visual, com uma insuficiência visual, mas com uma magia musical que atravessa gerações, atravessa gêneros. Tal como todas as coisas intemporais, são aquelas que ficam. São aquelas que não se condicionam apenas a uma altura ou ao nosso tempo, ou ao tempo dele. E o Stevie Wonder, tenho imensa pena de não ter assistido. Mas a harmônica dele vai tocar amanhã.

É?

Vai tocar. Isso é garantido.

Gosto muito dessa-

Não sei se ele vai poder estar presente, mas a harmônica vai tocar.

Gosto muito dessa ideia. Rui, aproveitando que aqui estás, queria te perguntar também por onde andarás nos próximos tempos. Fora este espetáculo, já amanhã, dos 15 anos do Rock in Rio, vais continuar a promover o "13", há aí coisas na calha?

Agradeço teres falado nisso. Eu tenho um espetáculo dia 27 de setembro, um espetáculo solidário no Theatro São Luiz, para a Fundação Rui José de Castro, angariação para a pesquisa da doença oncológica pediátrica, pesquisa e acompanhamento às famílias, é uma ação solidária. Gostava que as pessoas fossem. Eu vou tocar a solo, é piano solo, é um espetáculo até que eu nem costumo fazer neste momento, mas que vou começar a fazer. Tenho Santarém, tenho várias casas. Fora, tenho também um concerto em Paris em 16 de novembro, em Bruges, depois Japão. Estamos a andar com a questão da internacionalização desta minha música. A minha música também é instrumental. É nesse aspecto também que tu defendes a música instrumental, porque a música instrumental não tira nenhuma beleza. Todas as músicas têm beleza. A instrumental tem a capacidade de tu imaginares a letra, de imaginares o conteúdo, de viajares com o conteúdo. E é muito isso também que eu quero para a minha música, que as pessoas façam o seu próprio percurso. Claro que eu dou-lhe um título. Eu tenho um título nas músicas, mas esse título penso que tem abrangência suficiente ou latitude suficiente para que cada um imagine. Mas este concerto, para mim, dia 27 de setembro, é bastante importante, porque se em todas eu gosto de ter casa cheia, neste, pelas razões óbvias, eu gostava que a casa estivesse cheia, sem dúvida.

Fica aí esse convite. Podem acompanhar a agenda e as canções do Rui Massena também nas suas redes sociais. "13" é o seu último álbum. Ele veio aqui ao "Cabeça de Cartaz" do Observador também promover este espetáculo de amanhã. É o 15º aniversário do Rock in Rio, Lisboa. Amanhã, em frente à Torre de Belém, Rui Massena vai passar em revista muitas das músicas que fizeram estes 15 anos de Rock in Rio em Portugal. Depois, no sábado, há concerto dos James e no domingo de Ivete Sangalo. São estas as propostas para esta celebração à beira rio. E tens que me prometer uma coisa, se vais a Bruges, é uma das minhas cidades favoritas no mundo, bebe uma belga por mim e pelo nosso Porto.

Podes crer que além de ter gosto, isso não farei esforço nenhum.

Combinado. Foi um prazer receber-te aqui na rádio Observador.

Obrigado, Nelson. Obrigado a vocês também.

Olha, fechamos aqui esta conversa, já agora, com os James, que estavam aqui à mão e que no próximo dia 13 também vão estar no Parque da Pasteleira, no Porto. Para a semana, há um "Cabeça de Cartaz" especial com os James a falar desse concerto na cidade Invicta. Um abraço, Rui, e até à próxima.

Obrigado, um abraço a todos.

I sing myself to sleep. A song from the darkest hour. A secret I can't keep inside all the day. Swing from high to deep. Extremes of sweet and sour. Hope that God exists. I hope, I pray. From by the undertow, my life is out of control. I believe this weight will bear my weight, so let it go. Oh, sit down, oh, sit down, oh, sit down, sit down next to me. Sit down, down, down, down, down in sympathy. Now I'm relieved to hear that you've been to some far out places. It's hard to carry on when you feel all alone. Now I've swung back down again, it's worse than it was before. If I hadn't seen such riches, I could live with being poor. Oh, sit down, oh, sit down, oh, sit down, sit down next to me. Sit down, down, down, down, down in sympathy. Those who feel the depth of sadness, sit down next to me. Those who find they're touched by madness, sit down next to me. Those who find themselves ridiculous, sit down next to me. In love and fear and hate and tears, in love and fear and hate and tears, in love and fear and hate and tears, in love and fear and hate and tears. Down. Down. Oh, sit down, oh, sit down, oh, sit down, sit down next to me. Sit down, down, down, down, down in sympathy. Oh, sit down, oh, sit down, oh, sit down, sit down next to me. Sit down, down, down, down, down in sympathy. Down.