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Este é o Caça ao Voto, o podcast da Rádio Observador dedicado à campanha eleitoral. Começamos por fazer as contas a quem ganhou e a quem perdeu votos nesta quarta-feira, com uma convidada especial, a Maria João Vilas, que está aqui conosco.
Olá.
Olá, Maria João, bem-vinda. O Rui Pedro Antunes, editor de política do Observador e também a Judite França, que faz parte do painel da tarde política. Vamos medir o pulso às caravanas partidárias com os enviados especiais da Rádio Observador, com quem está a fazer a cobertura no terreno. E em cerca de 20 minutos, ainda temos tempo para recuperar uma história do Baú. A Judite França foi ao Baú. Este Caça ao Voto começa agora. E começamos com jantares pouco frequentados. Ontem à noite, dia do debate a oito na RTP, o Chega organizou um jantar em Tavira, um dos poucos jantares da campanha. Não constava o cabeça de lista Tanger Correia, o cabeça de lista do Chega. Não é de estranhar, a essa hora estava a acontecer o debate com todos. Mas hoje voltou a acontecer. A campanha do Chega anda pelo Alentejo, sempre liderada não pelo cabeça de lista ao Parlamento Europeu, mas sim por quem? Por André Ventura, pelo presidente do partido. Aliás, na Arruada de Beja, Tanger Correia nem sequer apareceu. Vamos perceber se tem sido um incômodo para André Ventura nesta campanha, com Maria João Vilas, a nossa convidada especial, que desde já agradeço mais uma vez estar aqui conosco nesta emissão especial do Observador. Contamos também com o Rui Pedro Antunes, editor de política do Observador, e com a Judite França. Antes de falarmos em vencedores e vencidos do dia, temos que começar por aqui, Maria João Vilas.
Podemos. Deixa-me só dizer que eu estou pessoalmente e profissionalmente muito contente de estar aqui neste evento dos 10 anos. Tenho uma camisola vestida que diz Observador, que tem 10 anos. E portanto estou muito contente e gostei muito que a doutora Teresa Patrício Gouveia tivesse acedido ao meu convite e portanto tinha que dizer isto.
Ia perguntar-lhe sobre Tanger Correia, porque falhou a Arruada em Beja, só esteve presente André Ventura. Estará ele arrependido desta escolha?
Não sei se ele está arrependido. Sei é que ele morre, ele fica sem ar se não ocupar o palco. Por um lado, porque já percebeu que o partido é muito ele, está muito assente nele, habituou desde os deputados aos espetadores da televisão, dos telejornais, até à rua, que ele, o André Ventura, acapara e ocupa. Suspeito que possa haver qualquer coisa. Agora, o embaixador Tanger tem uma coisa, é uma pessoa muito correta e muito bem-educada e portanto nunca viria cá para fora expor publicamente um desacordo ou uma desavença com André Ventura. Dir-lhe-ia, ou dir-lhe-á, ou não sei, posso estar é a fabular. Estou só a dizer que é uma pessoa muito correta e portanto nunca faria isso publicamente.
Também já deve ter percebido que André Ventura ocupa o espaço todo e que ele pode não lá estar.
Exatamente, que o menoriza. Isto é muito feio. E eu também gostava de dizer aqui outra coisa. Eu não faço parte do enorme, maioritaríssimo grupo de mídia, de colegas nossos portugueses, que numa escala de um a 100, falam 98 do Chega. Não é isso. Agora, também não quero falar, porque cada vez que eu falo, há mais 10 pessoas que votam no Chega por eu estar a falar, a criticar. Mas eu reparei, por exemplo, que o André Ventura participou, está no direito dele, é a escolha dele, tudo bem, numa reunião de partidos muito conservadores e de direita radical em Espanha, e não se eximiu, uma coisa que o embaixador Tanger nunca faria, de dizer: "Nós vamos aqui todos deitar abaixo o Pedro Sánchez, como eles já deitamos abaixo em Portugal o António Costa". Não se vai para um país que nos acolhe, ele estava em Madrid, dizer: "Nós vamos deitar abaixo o chefe do governo". Eu achei isso feíssimo. Quanto à campanha, que é o que nos interessa, acho que vai acontecer todo o tempo isso, porque eles percebem que não estão a ter o eco. Aqui a loucura dos 50 deputados os inebriou e os talvez terá habituado.
Mas as sondagens não são maravilhosas, não é?
Não são maravilhosas. E o André Ventura não hesita, vai para o terreno, ocupa o palco todo.
Vamos ter mais ou menos a estratégia que a AD adotou com o PPM, afastando da campanha.
Pois, não sei se será tão bem.
E é um cabeça de lista, é mais difícil fazê-lo desaparecer.
Eu acho que não há comparação possível, é muito mais difícil, exatamente. Ele não é um prestidigitador. E é feio. Porque foi convidar uma pessoa, desinstalou do seu habitat natural, do seu trabalho, que eu não sei se está reformado, se não está, como embaixador acho que sim, para ser sovado todos os dias na mídia e depois rouba-lhe o palco. É muito feio. Mas há outra pessoa que vai fazer isto, que está a fazer isto, que é o Pedro Nuno Santos. Uma coisa é Marta tem medo ser popular, ou pelo menos o PS achar que ela é, e ter sido escolhida justamente ou exclusivamente por causa disso, nacionalizando uma coisa que não é, que é europeia. Aliás, a AD, devo dizer, ao escolher Sebastião Bugalho, que tem imensa coisa que eu recomendo, imensas características e qualidades, mas foi obviamente uma escolha de uma pessoa que as pessoas conhecem e gostam. Eu acho que esta campanha tem sido um pouco nacionalizada e tem pena. Suponha que podia ser nacionalizada neste sentido. Uma medida do governo pode se transformar dizendo: "Nós ficaremos mais bem preparados agora se os professores ganharem mais". Ainda há pouquinho eu estava a falar com o Miguel Pinheiro disto. Ou vamos aplicar na Europa ou usufruir desta novidade política ou desta nova medida. E não, fazem-se muitas contas, se vai à frente, se vai atrás, em que isso influencia umas futuras legislativas. E eu acho que isto é Europa, caramba!
Ainda vamos no terceiro dia de campanha e perante esse diagnóstico que está a fazer, Maria João Vilas, algum partido está a ganhar votos nesta altura? Ou prefere olhar para quem estará a perder?
Não é bem competência. Não seria sério eu dizer, porque não tenho acompanhado. Estive estes três dias muito ocupada com um livro que estou a fazer, não acompanhei como deveria. Agora, há uma coisa que eu digo. Eu acho que João Cotrim Figueiredo, por exemplo, tem se destacado, fala bem, insere bem Portugal na Europa. Acho que vamos ter a presença obsessiva dos líderes na campanha, pelo menos no PS e no Chega, eu também não gosto. Acho que a campanha devia ser mais europeia. Repare que a Europa está em guerra, não vale a pena disfarçar. O mundo está tão incerto quanto preocupante. Podia só estar incerto e não haver uma grande preocupação, era só uma incerteza. Está muito preocupante e muito incerto. A Europa tem que arranjar dinheiro para uma quantidade de coisas ao mesmo tempo, que não tem. Está a estudar uma economia de guerra, porque está em guerra e vai estar mais tempo, conforme se viu ontem com a visita do presidente ucraniano. Há muita coisa ali, para além de outros assuntos que se sabe que Ursula von der Leyen tem em mente e do caderno de encargos dela, etc. Eu vejo isso sempre tratado numa perspectiva um bocadinho nacional demais. Gostaria que houvesse mais Europa.
Mas Marta Temido quer nacionalizar esta campanha, porque é nessa vertente que ela tem...
Eu acho que é nessa vertente que ela foi escolhida. Ela foi escolhida porque é um cabeça de cartaz.
E é uma cara conhecida.
Exatamente. E o Pedro Nuno Santos achará que ela é uma mais-valia nesse aspecto, que é uma popular.
Porque se fosse para ter alguém que tivesse uma grande competência do ponto de vista.
Então era o Francisco Assis. Claro, evidente. Mas esse eles não se atreveram a pôr, porque acharam que ele não é tão conhecido, quando, vou lhe dizer, o que vai salvar aquela barca de deputados socialistas na Europa é Francisco Assis, porque eles retiraram as pessoas que tinham anos de conhecimento, de prática, de intimidade com os assuntos com que ela vai conhecer.
E de conhecer os corredores, só isso é difícil lá.
Exatamente. E portanto, se não for Francisco Assis a ir ao leme daquela barca, não é uma barca que chega a grandes destinos. E portanto, tenho pena. Depois acho que as escolhas, não sei como é que foi nos últimos três dias, por isso pedi-lhe desculpa, não respondendo a sua pergunta, mas os deputados do Livre e do PAN pareceram muito inexperientes. Poder-se-á dizer o mesmo do Rugalo, que também não tem experiência. De fato, não tem nenhuma, mas tem outro treino, outra capacidade.
Mas já tem a experiência televisiva e da oratória.
Exatamente. Tem oratória, uma bela dialética e sabe argumentar, e é uma pessoa com uma grande capacidade, aprende depressa, estuda, etc. Eu notei uma enorme inexperiência na parte daquela extrema esquerda. E depois claro que o Bloco de Esquerda brilha, porque tem uma pessoa preparada, concorde-se ou não com as ideias dela.
Catarina Martins.
Exatamente, Catarina Martins, que essa sim, leva aquele barco para o sítio onde quer.
E não precisa de ninguém com ela em campanha.
E não precisa de ninguém. E depois também há outra coisa que eu tenho notado no PS, nacionalizando a campanha, que eu não gosto nada da palavra nacionalizando, mas ocupando-se mais do país do país do que da Europa, que é: há ali uma obcecação, quase neurótica, em confundir tudo com a extrema-direita.
Mas esse é o discurso do Partido Socialista.
Não, eu sei que é o discurso, mas às vezes aparece, mas então não aparece em Marta Temido.
Marta Temido tem usado isso muito, não é? Está constantemente a colar as duas coisas.
Mas há uma coisa que era preciso alguém desse mapa lhe dizer: é que nós não somos parvos. Qualquer pessoa normalmente constituída sabe que a AD não é um partido de extrema-direita. É um argumento tão pobre, tão básico, tão falso, tão ridículo, que só se vira contra eles, não mete medo a ninguém. Enfim, tenho me espantado um bocadinho.
Mas Rugalo tem tido dificuldade em desconstruir esse argumento quando entra na parte do aborto. Têm sempre a tirada cartada do aborto para cima da mesa.
Eu sei, mas sabem porque ele deve ter uma luta interna, que nós temos que conceder, que os cidadãos tenham. É católico, talvez seja ele pessoalmente contra o aborto, não sei, e, portanto, vê-se ali numa posição um pouco difícil. Agora, também não se pode, com a Europa como está, com os problemas que vamos ter à frente, que não são só de guerra, embora a guerra ocupe uma parte leão nesta história, com os problemas que se passam neste momento, a Europa dividida, uns que reconhecem a Palestina, outros que não reconhecem, uns são da NATO, outros não são da NATO. Quer dizer, vem aqui uma agenda de uma complexidade. Não me parece que seja o melhor palco, e o mais adequado, melhor dizendo, para discutir o aborto nesta altura. É só para entalar um candidato que Terá, não sei, algum problema. Percebe o que eu digo?
E queria ver mais Europa discutida nesta campanha, até porque é uma campanha para as europeias. Maria João Vilas, sei que tem de sair e muito obrigada por ter participado neste Caça ao Voto.
Mas gostei muito de aqui estar. E gosto muito da Rádio Observador. Essa é que é essa.
Obrigada. E em estúdio, em Lisboa, está o editor de política do Observador, o Rui Pedro Antunes. Rui, a Maria João Vilas já ajudou a fazer um ponto de situação sobre esta campanha. Quem é que está hoje a ganhar votos?
Obviamente, também me associo aos elogios à Rádio Observador e contribuo para o centralismo.
Exato, em casa própria.
Para o centralismo, em estúdio, a partir de Lisboa. Com base no que a Maria João Vilas estava a dizer, deixe-me só dizer que António Tanja Correia não se pode dizer que estava a ser escondido por não ter ido ao comício, porque estava num canal aberto ontem à noite. Hoje faltou a massa de manhã e, portanto, não se pode estar a dizer que se esconde uma pessoa se ela está em canal aberto na RTP.
Não era em relação a hoje.
Sim, hoje faltou a massa só de manhã, mas foi às outras todas. Claro que André Ventura, se pudesse, substituísse Tanja Correia, isso não há dúvida nenhuma, mas ela não pode ser candidata a tudo e, portanto, tem que se aguentar e ir gerindo essa situação. Também uma pequena aparte sobre a nacionalização da campanha, se ela fosse realmente uma questão de nacionalizá-la, aí João Oliveira ganhava, porque é o único que defende uma pulsão para as nacionalizações. Mas relativamente a quem ganha os votos, eu ontem no debate até tinha achado que Marta Temido ficou à frente de Sebastião Bugalho, não que tenha sido muito correto ela ter pegado na frase do dia de festa, do ponto de vista, se quisermos, do fair play, da cordialidade, até de honestidade intelectual, talvez seja demasiado, mas foi um truque pegar naquela frase isolada, mas aquilo resulta, porque de facto dizer a expressão dia de festa, quando estão a morrer pessoas e morreram na Ucrânia enquanto o Zelensky estava aqui em Portugal, não é uma expressão muito feliz. Só que hoje, Marta Temido veio dizer que não vamos fazer deste caso um caso. Para mim, mais do que um adversário que joga politicamente de forma ardilosa, o pior é um sonso. E dizer que não quer fazer de um caso, quando ontem fez tudo para fazer de um caso, é uma sonseice. E portanto, neste aspecto, acho que Marta Temido fez pior. Valia mais continuar a agressividade contra Sebastião Bugalho, e aí mantinha aquilo que tinha dito ontem. Dia de festa não era bom, foi uma má expressão, eu utilizava isso. Deixe-me dizer que Sebastião Bugalho também tem que, às vezes, moderar um bocadinho as palavras, porque a maneira como fala... Ele, por exemplo, diz o seguinte: a Marta Temido diz que tem que ir ao dicionário. Isto é uma coisa ultra agressiva. Acho que se forem por aqui, estamos no terceiro dia de campanha, considerando que-
Vai baixar o nível desta campanha.
Não, vão acabar de uma maneira que não vai ser confortável. Deixe-me dizer que também concordo que quem está a ganhar votos com a Maria João Vilas, que já não está aí a ouvir, mas que gosta muito da Rádio Observador, que na verdade ele foi extremamente eficaz ontem. Hoje acho que continua a ser. Ele percebeu que bater no Bloco de Esquerda, bater em Catarina Martins, era algo que lhe dava votos, continua a fazer isso com alguma intensidade. Também está a bater no Chega porque percebeu que a quebra do Chega lhe pode valer votos a ele e lembrou as posições pró-Putin e as suspeitas que ocorreram esta quarta-feira nas buscas no Parlamento Europeu e, portanto, foi extremamente eficaz nas intervenções que teve esta tarde. Portanto, eu diria que é João Cotrim Figueiredo que está a ganhar votos, e concordo com a Maria João, e diria que Marta Temido perdeu com esta sonseice de não quer fazer deste caso um caso. Quer, quis. E, portanto, é assumir. Ou arrepende-se e diz: "Eu não queria fazer daquilo um caso", ou então não. E Sebastião Bugalho tem que ter mais cuidado também na maneira como é agressivo. Ele pode achar e tem legitimidade de achar que sabe mais que os outros todos, mas tem que se conter em algum tipo de expressões como "ela que vá ao dicionário" e coisas desse gênero.
Análise aqui também do Rui Pedro Antunes neste Caça ao Voto especial. O Rui Pedro está em Lisboa, nós aí vamos ter mais logo Rui. E agora, depois deste quem ganhou, quem perdeu votos, temos de ir até à estrada ao encontro dos jornalistas do Observador que andam a acompanhar as caravanas partidárias. E cá está o motor do carro ligado. Vamos tomar esse pulso às campanhas eleitorais. Vamos ter com a caravana do Partido Socialista, que está a ser acompanhada pelo Luís Soares. Luís, hoje o líder do PS, Pedro Nuno Santos, juntou-se à campanha para deixar um aviso a Marcelo Rebelo de Sousa sobre as pressões orçamentais. Diz o líder do PS que há separação de poderes entre Belém e o Parlamento. Estava a falar sobre a pressão do Presidente da República para viabilizar o orçamento para 2025. Ficou aqui um ambiente tenso neste terceiro dia de campanha entre Belém e o Largo do Rato, Luís.
Eu estou aqui precisamente na estrada, não sei se nos ouves nesta altura.
Estou a ouvir, dá para perceber que estás em movimento.
Não consegui ouvir exatamente a tua pergunta, mas já conseguimos parar. E sim, Pedro Nuno Santos entrou novamente hoje na campanha de Marta Temido. Esteve lado a lado com a cabeça de lista do Partido Socialista, primeiro na docapesca, depois numa arruada pelas ruas de Portimão, mas trouxe esses temas mais nacionais para esta campanha, com os avisos a Marcelo Rebelo de Sousa relativamente à questão das pressões para aprovar o Orçamento do Estado. Pedro Nuno Santos sublinhou que o presidente tem que respeitar todos os grupos parlamentares, lembrou que há separação de poderes, mas também lembrou que o presidente da República podia ter evitado essas questões se não tivesse dissolvido a Assembleia da República numa altura de maioria absoluta. Mas Pedro Nuno Santos falou também de outro tema da atualidade, no caso, as propostas do governo para a saúde e o plano de emergência para a saúde. Pedro Nuno Santos falou mesmo numa desilusão, apenas num PowerPoint que nada traz de novo. Foi o que disse o secretário-geral socialista Pedro Nuno Santos, na primeira ação de campanha de Marta Temido, que hoje está pelo Algarve. Agora vamos em direção a Olhão, estamos praticamente a chegar a Olhão, onde a candidata socialista vai visitar obras do programa Primeiro Direito, obras para habitação. Habitação, que é um dos temas que tem sido central na campanha de Marta Temido nestas eleições europeias.
E amanhã, Luís, vão para onde?
Amanhã a campanha do Partido Socialista vai subir um pouco, vai estar mais na zona de Beja, sendo que a candidata vai visitar logo de manhã, a partir das 09h30 o Parque Mineiro de Aljustrel. Vai também fazer novos contactos com a população, que têm sido muitas as arruadas de Marta Temido nesta campanha, também em Aljustrel. Depois há também encontros relacionados com a Europa e as ações de campanha de Marta Temido amanhã acabam em Évora, também com mais um contacto com a população, com mais uma arruada.
Muitos quilómetros que tens para fazer também a acompanhar aqui a caravana do Partido Socialista. O Luís Soares, um dos jornalistas do Observador que tem estado atrás dos partidos para esta campanha. Temos ainda de abrir o baú. E hoje no baú, Judite de França, vamos recuar a 1987 e isto pede Táxi. Mas não temos Táxi.
Não temos Táxi. Vamos então a pé.
Não temos Táxi.
Vamos a pé e vamos falar de eleições e de elefantes.
Afinal temos.
Temos Táxi para nos acompanhar?
Não, não temos.
Temos, sim, elefantes e eleições. Eu sei que parece que não tem nada em comum, mas no verão quente de 87 houve espaço para tudo, até para duas eleições e duas campanhas. No mesmo dia, os eleitores votaram para o Parlamento Europeu e para o Parlamento Nacional. E nesse distante mês de julho, o CDS precisava de encher o Pavilhão Carlos Lopes, na altura o Pavilhão dos Desportos em Lisboa. Tinha um concerto dos Táxi, daí o meu pedido musical antes do comício eleitoral, que contava com os discursos do líder da Juventude Popular, era na altura Manuel Monteiro, do cabeça de lista às europeias, Francisco Lucas Pires, e do presidente do CDS-PP à época, Adriano Moreira. O que mais chamou a atenção nesse 9 de julho foram as quatro crias de elefante alugadas a um circo, com a bandeira do CDS no dorso e desfilaram pela Avenida da Liberdade. Eu diria que na altura funcionou, mas hoje não.
Hoje não, hoje não daria.
Hoje seria impossível. Com militantes a ocupar todo o pavilhão. Ainda houve comédia antes dos discursos. Nicolau Breyner tratou de atacar o PS e Vítor Constâncio, Manuel Monteiro lançou-se contra o PSD e Adriano Moreira fechou a noite.
"Não temos de esperar por um resultado eleitoral para sabermos o que queremos e não temos para o país. O nosso projeto está feito."
E no meio, falou Lucas Pires num elogio patriótico que procurava preparar Portugal para entrar na Europa. Na altura elogiou os clubes de futebol português, o Futebol Clube do Porto tinha acabado de ganhar a sua primeira Liga dos Campeões em futebol frente ao Bayern de Munique e, portanto, era a altura de celebrações. Também felicitou a indústria têxtil nacional e as mulheres portuguesas. Disse Lucas Pires que as mulheres portuguesas eram as mais bonitas e as mais fiéis da Europa, devendo, por isso, lutar mais pelos seus direitos e intervir na vida política. Na notícia que escrevia para o Diário de Lisboa, o jornalista Ribeiro Cardoso comentava que era um bom conselho, convenhamos, sejam ou não as mais bonitas ou as mais fiéis.
É mais uma história trazida aqui do baú pela Judite França, neste caso ao voto, que está de regresso amanhã. É o quarto dia de campanha, amanhã, para as europeias. Temos estado sempre de olhos postos nesta campanha, de segunda a sexta-feira, até nos feriados, há Caça ao Voto. Não pode perder amanhã, na rádio, depois do jornal das 18h e sempre em podcast.