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Este é o Caça ao Voto da Rádio Observador, o nosso podcast pop-up especial em tempo de campanha eleitoral. Com a ajuda do Miguel Pinheiro, diretor executivo do Observador, e Rui Pedro Antunes, editor de política, aferimos quem anda a ganhar e a perder votos na campanha. Tivemos agora dois dias de campanha sem Caça ao Voto, porque foi fim de semana. Agora recuperamos esta edição que termina na próxima sexta-feira. O Caça ao Voto tem sempre duração limitada e Rui Pedro Antunes, hoje vou começar por ti, o editor de política do Observador. Vamos começar por quem ganhou votos nestes dois dias e hoje também.

Ricardo, gostei que tu dissesses que era um programa pop-up, porque estás a tentar ir um bocadinho atrás de como o pop-up foi premiado pela Sociedade Portuguesa de Autores.

Exatamente. É o programa de rádio do ano para a Sociedade Portuguesa de Autores, o pop-up da Rádio Observador, mas é no sentido também daqueles corners pop-up que vão surgindo.

Eu percebo, é tipo o Ricardo Araújo Pereira quando vê a "Ixi Isso Faz-se", foi a mais ouvida, vai se aproveitando. Eu percebo isso. Diz para o ar para ver se conseguimos ficar com alguma realce.

Temos que trazer ao Caça ao Voto também.

Olha, também. Não, mas quem ganha votos é Alexandra Leitão, e vou explicar por quê. Eu acho que Mariana Mortágua até tem altas junto das pessoas do Bloco de Esquerda e mais à esquerda do PS, mas eu tenho o entendimento que Alexandra Leitão atingiu mais ou menos o teto à esquerda, que é João Ferreira não desce muito mais daquele valor, 4%, 5%, eventualmente, se é que é esse o valor dele, porque há uma outra sondagem que lhe dá um bocadinho mais. E quem vai votar em João Ferreira e já decidiu votar em João Ferreira, vai votar nele e já não vai fugir para Alexandra Leitão. E os eleitores do Bloco de Esquerda estão convencidos, ou seja, não têm melhor em quem votar, a não ser em Alexandra Leitão. Estando esses eleitores convencidos, Alexandra Leitão, se quiser ir buscar mais um, dois, três, quatro pontos, tem que ir a algum sítio. E eu suponho que eles confiem nos estudos que ela tem tentado sempre moderação. Então, aparecer Mariana Mortágua com um lenço Arafat no comício de hoje à noite como grande estrela, quase ofuscando, talvez, Alexandra Leitão entre os vários líderes, poderia ser mau para a ideia de moderação, porque o que ia sair, que o PS quer vender de moderação, se tem estudos de que é por aí, e parece-me pelo crescimento limitado que há à esquerda neste momento, porque o eleitorado de esquerda não estica e parece diminuído em Lisboa, seria mau para Alexandra Leitão ter Mariana Mortágua recebida em grande apoteose, ia se tornar a protagonista daquela sessão e, além disso, ia chamar a atenção para que aquela, sim, é uma candidatura que não é do Partido Socialista, é também do Bloco de Esquerda, o que não ajuda é ela ir ao tal centro moderado, que alguns socialistas acham que outros nomes como Pedro Siza Vieira e outros mais moderados poderiam atingir facilmente e que Alexandra Leitão não consegue chegar lá, mas continua a tentar vender essa imagem que não é radical, que não é moderada. É verdade que Mariana Mortágua chegou como uma superstar ao aeroporto. Do ponto de vista da promoção da própria Mariana Mortágua, o movimento correu-lhe bem junto daquela área ideológica, mas não é exatamente a área de votos que Alexandra Leitão quer captar.

É uma franja, não é?

O que eu acho é que os votos do Bloco de Esquerda já estão garantidos em Alexandra Leitão. Ou seja, ela não precisa dessa exaltação dos votos para ganhar.

Não sei. Achas que não haverá potenciais votantes do Bloco de Esquerda que estão seduzidos pelo João Ferreira, pelas propostas do João Ferreira e pela combatividade do João Ferreira? Não estou certo disso.

Eu acho que essas pessoas, se não gostam de Alexandra Leitão, não é por Mariana Mortágua agora aparecer ao lado delas. E acho que a tal imagem que eles tentam contradizer da moderação cairia por terra.

Não, claro, mas eu estou de acordo. Para mim também quem perde votos é Alexandra Leitão.

Mas para o Rui, quem ganha é Alexandra Leitão.

Ok, então discordo totalmente de ti.

Exatamente, é isso.

Porque, de facto, ela tem aqui um problema, vai ter que andar a fugir de Mariana Mortágua até o fim da campanha. Aliás, hoje, Alexandra Leitão já teve que fazer um exercício de contorcionismo a dizer que a Palestina não é um tema autárquico. Ela enquanto cidadã acha muito bem a Palestina, mas enquanto candidata não é um tema autárquico, mas enquanto não sei o quê, já acha outra coisa. Tudo aquilo já é uma enorme confusão e por isso eu não sei como é que ela conseguiu que Mariana Mortágua não fosse hoje.

Está a recuperar. Mariana Mortágua está a recuperar.

Pois, e admito que seja verdade. Agora vamos ver. Quer dizer, Mariana Mortágua esteve fora este tempo.

Estamos a falar de um jantar-comício que vai ter lugar.

Hoje ao fim do dia.

É segunda-feira.

Mariana Mortágua, eu percebo que esteja muito cansada, percebo perfeitamente. Foi uma experiência, imagino, fisicamente esgotante, emocionalmente esgotante, tudo isso. Dou de barato, mas esteve fora este tempo todo. Estamos na última semana de campanha. Há um grande jantar-comício que junta as lideranças da coligação de esquerda ou de parte da esquerda em Lisboa Vai estar lá José Luís Carneiro, Rui Tavares e Inês de Sousa Real.

E ela é substituída por Mariana Mortágua por Mariana Mortágua.

Mariana Mortágua que está em Lisboa, não consegue ir lá? De facto, só aumenta as dúvidas sobre se Mariana Mortágua quer mesmo ser líder do Bloco de Esquerda. Atenção, mais uma vez, compreendendo perfeitamente que deve estar esgotada. Se fosse comigo, eu não me levantaria da cama durante três dias, não teria resistência pra isso, mas eu não sou líder de um partido.

Miguel, nós estávamos a ver quem ganhou votos. Não sei se queres incluir todas essas pessoas em quem perdeu votos hoje ou se queres-

Tudo, vai tudo incluído aqui.

Então quem é que ganhou votos?

Olha, nesta semana quem ganhou votos é o voto útil. O professor Adriano Moreira gostava de dizer que o voto útil só é útil pra quem o pede. E tinha uma certa razão.

Isso é porque ele era de CDS.

Claro. O empate nas sondagens faz com que esta vá ser a semana do voto útil, realmente. Alexandra Leitão deveria passar estes dias a dizer: "Vejam lá, só há duas pessoas que podem ser presidente da câmara: ou eu ou o engenheiro Carlos Moedas. Não há um terceiro. Gostam muito do João Ferreira? Esqueçam, nunca vai ser presidente da câmara. Ou eu ou ele. Chegou a altura de tomar uma decisão adulta e vocês vão ter que tomar uma decisão adulta". E além disso dizer: "Gostam muito do João Ferreira? Olhem, se eu for presidente da câmara, eu vou trabalhar com ele. Mas se Carlos Moedas for presidente da câmara, João Ferreira bye bye. Por isso, se gostam do João Ferreira, vocês querem ter-me como presidente da câmara". E Carlos Moedas deveria dizer, não tanto o espelho disso, mas deveria passar o tempo a dizer: "Bem, vocês se querem evitar que uma aliança radical, onde está Mariana Mortágua, tome conta da Câmara de Lisboa, votem em mim. Vocês podem não gostar muito de mim, mas preferem Mariana Mortágua com Alexandra Leitão? É isso mesmo que vocês querem?"

Por isso é que ela não apareceu lá.

Certo. Mas isso até pode ajudar Carlos Moedas, ele pode dizer: "Vejam, estão a escondê-la. Vejam lá se no dia 13, de repente, a Mariana Mortágua não aparece a entrar pelos passos do conselho e a dizer que é preciso Lisboa ter que cortar todas as relações com Israel. Vejam lá o que vos aparece na segunda-feira". Por isso vai ser a semana do voto útil. Vamos ver. Ou deveria ser. Vamos ver se vai ser.

Rui Pedro, quem é que perdeu votos?

Olha, quem perdeu votos, como isto é uma figura que potencialmente ganha sempre, é o novo PCP, que é o André Ventura e o Chega, porque vão ganhar imensos votos e vão ter votação e pode-se olhar pro número global de votos no país, que são às centenas de milhares, certamente, e um crescimento galopante do Chega, do qual já falamos aqui. Mas há aqui um ponto fundamental que é: e se o Chega não ganhar nenhuma câmara? É que o Chega estando próximo de poder ganhar e ter algum poder autárquico a nível de presidentes de câmara, que é o que realmente interessa, e se o Chega for zerado, e eu, aqui o perdedor de votos, mais uma vez estou a ser estritamente factual, que é, estava a olhar pra última sondagem que saiu de Faro, em que o PS e o PSD tão separados por 0.8 pontos percentuais, com uma ligeira vantagem do Partido Socialista sobre a coligação liderada por Cristóvão Norte. E o Chega aparece sete pontos atrás do PSD, do segundo classificado, e com cerca de 15%. E sendo que é Pedro Pinto, uma das figuras mais conhecidas e líder parlamentar do Chega.

Mas nesse contexto particular, tem sido muito criticado pelo fato de ter aparecido agora só pra campanha, praticamente, não é?

Sim, ser paraquedista, mas independentemente disso, se depois não ganha em Faro, não ganha Sintra e por qualquer razão não consegue ganhar naquelas autarquias do Alentejo em que há a expectativa que as pessoas tenham uma mudança efetiva, isso poderá levar André Ventura a ter zero autarquias. Claro que também pode ter 10. Mas parece-me esta sondagem diz claramente que tá mais difícil em Faro, e portanto, não é assim tão líquido que a vitória, que será sempre vitória, porque crescerá sempre em número de vereadores, presidentes de junta, de eleitos, isso não tá em causa, mas saberá sempre a pouco se André Ventura não conseguir conquistar uma única autarquia. E até direi mais, será pouco se conquistar menos autarquias que o CDS-PP, que é capaz de conquistar cinco ou seis, que normalmente conquista, não sei se desta vez conseguirá. E portanto, nesse aspecto, antecipando já muitas vitórias do Chega daqui pra frente e quem sabe alguns ganhar votos nestes caça ao voto até o fim, eu hoje, tendo por base até essa sondagem que saiu no fim de semana em Faro, colocaria o Chega a perder votos.

Já agora também, só num minuto, Rui Pedro, até aproveitando que estás aqui. Esta semana vamos obviamente assistir ao intensificar das campanhas, dos comícios, das arruadas, é expectável. Portanto, um aviso aos nossos ouvintes, se encontrarem uma campanha esta semana, isso é perfeitamente normal.

Sim, não só as campanhas dos próprios candidatos, como há alguma intensificação também da agenda dos líderes. Até agora só se conhece a agenda de, por exemplo, Luís Montenegro até quarta-feira, mas é ele próprio a assumir a agenda e desta vez já não delegou nem o Hugo Soares, nem a Inês Costa e Bugalho, aquilo que era a representação da volta nacional. Portanto, há um envolvimento. E depois, quinta-feira, espera-se grandes comícios nas grandes cidades, até porque na sexta-feira as televisões já não podem aproveitar, já não vive muito tempo um comício à noite, embora eles também vão existir, e aquelas caravanas finais, como se vê nas autarquias. Mas sim, é o tempo agora do tudo ou nada, e estas eleições, estando tão renhidas como nunca, as pessoas têm que sair pra rua e creio que

Provavelmente as pessoas desde que saiam à rua vão se cruzar com qualquer campanha esta semana.

Obrigado, Rui Pedro. Rui Pedro Antunes e Miguel Pinheiro aqui na análise no Caça ao Voto. Vai ser assim até à próxima sexta-feira e depois desta análise avançamos para a estrada, ao encontro dos jornalistas que estão a acompanhar a campanha eleitoral. E a jornalista Nadine Soares segue de autocarro com João Ferreira, na zona do Campo Grande. Nadine.

João Ferreira dedicou este dia de campanha ao tema da mobilidade e dos transportes. Começou numa paragem do Colégio Militar, apanhou esse autocarro até Telheiras. Essa viagem já entretanto terminou. Isto tudo para mostrar os atrasos e o tempo que se perde nos trajetos dentro de Lisboa. O candidato da CDU distribuiu vários panfletos, apresentou-se aos passageiros. Fazia questão de explicar com detalhe que é preciso investir na Carris e explicar a proposta de laço da CDU que quer implementar no metro, que defende que aumenta a mobilidade em zonas como, por exemplo, Telheiras e Odivelas. João Ferreira defende que a proposta da autarquia dessa linha circular de transportes é um erro e por isso fez questão de explicar os contras dessa medida em todas as viagens que fez. Isto porque depois de apanhar esse autocarro e sair em Telheiras, utilizou o metro para se deslocar até Campo Grande e parava em todas as placas e sinais para detalhar essa medida. Nota-se aqui um esforço de João Ferreira de mostrar que faz esse trabalho de casa para mostrar que conhece os problemas dos transportes, dos lisboetas e para apontar que os candidatos rivais podem não estar tão preparados para vencer esta autarquia da capital. É um esforço aqui de se afirmar como opção nesta corrida. São críticas aos adversários Alexandre Leitão e Carlos Moedas, já no final desta viagem aqui em Campo Grande, onde acusou os candidatos de falta de estofo, de preparação, especialmente por fugirem ao debate. João Ferreira deu vários exemplos de debates que aconteceram noutras rádios e estações de televisão, onde Moedas e Leitão falaram da CDU e de João Ferreira e de encontros onde precisamente João Ferreira esteve presente, mas os rivais faltaram ao painel. João Ferreira disse mesmo que nesta campanha é um ausente presente e obviamente que também foi questionado pelo tema que está a marcar este dia de campanha, a flotilha humanitária e a libertação dos ativistas portugueses. O grupo onde estava incluído Mariana Mortágua e João Ferreira discordou completamente de Alexandre Leitão, que diz que este tema não é autárquico. Para o candidato da CDU, não se deve afastar dos valores universais, mesmo em tempo de campanha autárquica. São os destaques destas críticas deixadas por João Ferreira no final desta ação. Já daqui a pouco, pelas 17h15, há outra ação de campanha marcada, desta vez no Metro de Arroios, onde mais uma vez João Ferreira vai querer mostrar que conhece as dificuldades dos lisboetas.

E confirmamos aqui que a Nadine Soares está no Campo Grande, em Lisboa, porque ouvimos o avião a passar muito perto de ti, Nadine. Foi bem audível. E pela primeira vez André Ventura está com o candidato do Chega a Lisboa. Vamos tentar perceber como está a correr o dia a caravana do Chega. Vasco Maldonado Correia acabou há pouco com uma arruada em Oeiras, com outro peso pesado do Chega, com Pedro Frazão.

Com Pedro Frazão. Está a ser um dia de muitas emoções para André Ventura. São cinco ações de campanha no mesmo dia, um sprint final para a vitória. Foi assim que lhe chamou esta manhã, ainda na Moita. Este dia de campanha, lembro que não vai ser sempre assim. Amanhã, por exemplo, só há três pontos na agenda. Há pouco, Ricardo, o Rui Pedro Antunes perguntava pela hipótese do Chega não ganhar nenhuma câmara municipal. André Ventura foi questionado sobre isso hoje de manhã e disse que o partido vai ter uma vitória. A partir de que momento é que se pode declarar esta vitória? Ora, Ventura não avança com números, mas deixa essa certeza. Não ganhar nenhuma autarquia é uma derrota. Ganhar uma autarquia já é simbólico, porque o partido não tinha nenhuma. Mas de resto, também o que se tira deste, Ricardo, é a aposta de André Ventura em locais importantes. Importantes são todos, mas centros urbanos maiores onde ainda não tinha estado: Lisboa, Sintra, Oeiras.

Tem pesos políticos diferentes, como é óbvio.

Obviamente. Além da Moita e daqui a pouco Torres Vedras e com esses pesos pesados que tu falavas, Pedro Santos Frazão, Rita Matias, de manhã também Bruno Mascarenhas, e com garantias ou votos de esperança de que a vitória vai chegar em cada um deles. Em Lisboa sabemos que esse cenário é mais complicado. O próprio André Ventura o reconhece. Foi também em Lisboa onde teve o único incidente do dia, uma discussão com uma mulher de etnia cigana sobre se trabalhavam ou não, se todos os ciganos trabalham ou não, e que acabou com esta senhora a chamar racista a André Ventura por fazer essa generalização. Depois, em Sintra, foi mais, diria, e passo a expressão, coloquial, um passeio para André Ventura. Passou por Algueirão-Mem Martins, é a terra natal. Foi também a primeira vez que esteve ao lado de Rita Matias e encontrou pessoas que já o conhecem desde pequeno. Uma senhora que conhecia a família de Ventura, que o viu brincar em pequeno e que se lembrava com saudades dos tempos em que Ventura estava no seminário. De resto, e à medida que vai subindo no mapa, lembrando que no fim de semana ainda estava no Algarve, nos próximos dias vai estar já a norte de Lisboa, na região centro litoral, Ricardo, continua a notar-se, à exceção de um ou outro episódio, como eu referi há pouco, uma adesão considerável às ideias do Chega, à figura de André Ventura. Já o tinha dito antes, mas a presença do líder do Chega nas ruas é como a passagem de uma celebridade. Agora aqui em Oeiras, há pouco aproximaram-se dele várias crianças, que eu diria que andam à volta dos 12, 13 anos, em uniformes da escola e que vêm a correr ter com Ventura, fazer vídeos no telemóvel, tirar selfies e vê-se que já o reconhecem. E não sei se é possível dizer isso sobre os restantes líderes partidários.

Obrigado, Vasco Maldonado Correia, a acompanhar a caravana do Chega. Até ao final da campanha eleitoral, vamos ter na Rádio Observador, de segunda a sexta, entre as 17h30 e 18h, o Caça ao Voto. Afinal, quem anda a ganhar e a perder votos na campanha?