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Está na hora de tentar perceber quem está a ganhar e a perder votos à luz dos factos políticos mais recentes e o facto mais recente é o debate que ainda não terminou e que junta Mariana Mortágua, do Bloco de Esquerda, e Rui Tavares, do LIVRE. Aqui conosco estão o Miguel Pinheiro, diretor executivo do Observador, Rui Pedro Antunes, editor de política, o Bruno Vieira Amaral e a Judite França. Bruno, vou começar por ti para nos ajudar, que não estivemos a ver este debate. Rui, não está ligado o microfone. Querem calar, mas ao Rui ninguém cala, como ao poeta. Rui Pedro Antunes, perguntava que temas têm dominado este debate, que ainda não terminou, entre Mariana Mortágua e Rui Tavares.
Se no futebol se pode fazer comentários ao intervalo, aqui também não será um problema.
Foi quase no fim.
Tenho dúvidas.
Vai a prolongamento.
Tenho dúvidas. Mas para seguir a minha senda de me proteger quando o resultado está no intervalo, deixa-me dizer que, para já, me parece que o principal quem está a ganhar votos é Pedro Nuno Santos e passo a explicar: não me parece que venha dali um problema numa futura geringonça, que necessariamente terá que incluir o Bloco de Esquerda, eventualmente o LIVRE, se conseguir passar de um para dois ou para cinco deputados. Parece-me que tem ali dois parceiros que se dão muito bem, independentemente de terem depois a tal manha de tentarem aqui e ali mostrar as diferenças entre eles.
Porque discutem o mesmo eleitorado, à partida.
Disputam algo no mesmo eleitorado, eventualmente. Se quisermos um eleitorado mais urbano, de esquerda, que se sente mais à esquerda que o PS ou que acha que o PS é muito ao centro, embora em algumas matérias o próprio LIVRE até seja mais ao centro do que o próprio PS. Mas dito isto, parece-me que tem ali dois parceiros de coligação que estão desertinhos para fazer uma nova geringonça e que também acham que são potenciados pela expectativa de poderem fazer parte desse bloco à esquerda. Não bloco de esquerda, mas um bloco à esquerda. E eles sabem isso e por isso estão a tentar, com uma espécie de pacto de não agressão, de não se atropelarem um ao outro. Obviamente vão explorando algumas diferenças. Como é que eu hei de explicar isto? A própria Mariana Mortágua é mais perto do original do que procura uma pessoa naquele tipo de eleitorado. Por quê? Porque é mais à esquerda. O próprio Rui Tavares, quando tenta fazer uma diferença entre os dois partidos, lembra que ela é do GUE, portanto da parte da esquerda europeia, e que ele é dos Verdes Europeus. Mas a maneira como se posiciona o LIVRE em Portugal até é muito estranho nós pensarmos, por exemplo, nos Verdes alemães. Não devia ser, mas nesta perspectiva de geringonça à esquerda até acaba por ser. Dito isto, eu acho que apesar de tudo, o debate em si acaba por favorecer Pedro Nuno Santos, que tem aqui dois parceiros, ainda para mais quando pode perder um que é o PCP, que também poderá ser forçado e pode apresentar no futuro pós-eleitoral uma coligação com LIVRE, Bloco de Esquerda. As sondagens não apontam para aí, mas é sempre uma possibilidade e portanto nesse aspecto é o favorecido. E nesse aspecto mais à esquerda, eu creio que talvez Mariana Mortágua esteja, no momento que estive a ver e falta a parte final, ligeiramente à frente de Rui Tavares, embora estejam muito equilibrados, porque consegue pegar de uma forma mais clara naquilo que é as bandeiras da esquerda. Numa postura de divisão, se pensarmos assim, talvez esteja ligeiramente à frente.
E apesar dos pontos convergentes que podem existir entre Bloco de Esquerda e LIVRE, Miguel Pinheiro, há aqui um ponto no que toca à venda de casas a residentes não habituais. O Bloco de Esquerda quer proibir e Rui Tavares disse que essa proibição é um erro político. Olhando aqui para temas concretos deste debate.
Duas grandes divergências na habitação entre Mariana Mortágua e Rui Tavares. Um é esse, o outro é que Mariana Mortágua fala da avó e Rui Tavares fala da mãe.
Conta-nos, que nós não estivemos a ouvir.
Eu vou contar-vos tudo. Naturalmente, o debate começou com uma pergunta da moderadora a Mariana Mortágua sobre o caso da avó. Para relembrar, a Mariana Mortágua quando estava a debater com Luís Montenegro, lembrou a Lei Cristas e como os mais velhos ficaram em sobressalto com a Lei Cristas e disse que se lembra do que a avó sentiu. Depois, entretanto, as pessoas começaram a dizer: "Mas se a avó tinha mais de X anos, estava protegida. Afinal, que idade tinha a avó?" E hoje perguntaram-lhe sobre isso, claro. E Mariana Mortágua não respondeu. Foi-lhe perguntado duas vezes.
Isso eram questões particulares.
Exatamente. A sua avó cumpria ou não os requisitos para lhe subirem a renda por causa da chamada lei.
Não vale a pena falar de questões particulares.
Exato. Depois disso não faz muito sentido discutir as questões particulares. Ora, quem trouxe uma questão particular foi Mariana Mortágua no debate. Eu acho que é um erro, devia deixar a avó em paz e não a meter nestas coisas. Mas de facto, fez isso. E ao não responder, atenção, isto não é nenhuma invasão de privacidade da avó de Mariana Mortágua, isto é uma questão política, e ela sai daqui como alguém que usou a avó politicamente para puxar ao sentimento, quando se calhar, na realidade, as coisas não eram bem assim. Quer dizer, eu sou forçado a retirar a conclusão que não era bem assim. E depois, não querendo ficar atrás e vendo esta desgraça, Rui Tavares, pelos vistos, achou que era boa ideia trazer um familiar para o debate e disse que hoje é dia de pagar rendas e eu sei que mais logo quando falar com a minha mãe, e ficou assim umas reticências. É de quem não aprende.
Se calhar até podia ser quando falar com a minha mãe, ela está a passar os recibos às suas arrendatárias.
Não sei, mas quer dizer, deixa os familiares em paz.
As pessoas têm uma geringonça com um filho de empresário, um filho de arrendatária e uma neta também de uma arrendatária em dificuldade.
Enfim, não há emenda. Depois, essa questão dos não residentes. De facto, aqui é a tentar descobrir Um motivo para discutir. Acontece às vezes com alguns casais, mas está se à procura de um motivo para discutir qualquer coisa. Qualquer motivo é bom naquele dia para discutir, porque na realidade, de facto, eles estão de acordo com tudo. A própria Mariana Mortágua disse que têm objetivos comuns, que têm diagnósticos comuns e até se deu uma coisa, para nos mantermos aqui nas questões familiares, que foi Mariana Mortágua adotou o megamilionário do Dubai de Rui Tavares. Rui Tavares trouxe o megamilionário do Dubai para o debate com o Rui Rocha e hoje Mariana Mortágua só falava do megamilionário do Dubai. Portanto, adotaram um megamilionário, os dois. Eu suspeito que vão falar dele durante muito tempo, mostrar fotos, como os pais. Mostrar as fotos do megamilionário. Vejam os truques que ele já faz agora. Pronto, foi o que eu consegui tirar do debate. Desculpem.
E tu, Judite?
Basicamente, de facto, nunca tinha visto Mariana Mortágua sorrir tantas vezes, que é sempre um ponto que mostra que estavam ali entre companheiros.
Contrariamente ao que aconteceu no debate com Luís Montenegro.
Exatamente.
O Rui Tavares também sorriu muito.
O Rui Tavares também sorriu muito e há bocado, a primeira coisa que eu tinha escrito era que era um pacto de não agressão, como dizia o Rui Pedro, mas eu acho que é mais do que um pacto de não agressão, porque eles entraram em acordo de serem amigáveis. São dois amigos a trocar umas ideias sobre o assunto em que discordam aqui. E ele diz: "Cuidado, não residente não pode ser, porque a legislação europeia e tal. Só o caso da Dinamarca". E ela mete outra coisa qualquer: "Pois, tá bem, mas o teu IMT também não é muito bom. Subir o IMT, sobretaxa do IMT também não é uma ideia muito boa". E portanto, se discutem o mesmo eleitorado, assim ficaram, porque não alteraram rigorosamente nada. E eu acho que o ponto pior para Mariana Mortágua foi a questão da avó. Percebeu-se que a avó só sofreu sobressaltos porque recebeu cartas, porque de resto não sofreu coisa nenhuma. E de facto, Mariana Mortágua diz que o sobressalto é a maior das crueldades. Não, a maior das crueldades foi as pessoas que foram de facto pra rua. Isso foi a maior das crueldades. O sobressalto não é a maior das crueldades, como é evidente. E Rui Tavares, a dada altura, disse precisamente que se os partidos de esquerda estivessem só a disputar o eleitorado uns dos outros, não conseguiam crescer. Pois, eu não sei se Rui Tavares, com este tom amigável com Mariana Mortágua, conseguiu disputar algum tipo de eleitorado, mas eu duvido.
Bruno Vieira Amaral, quem é que ganhou, quem é que perdeu votos?
Perderam os dois. Para mim foi o pior debate até ao momento e isso é uma proeza, dado que já vimos um debate entre Paulo Raimundo e Inês Sousa Real.
Não viste os últimos cinco minutos.
Pois, não vi. Pode ter havido uma surpresa, podem ter reservado o melhor pro fim, mas do que vi, foi o pior debate. Houve logo de início a união no ataque a Montenegro, comprovando que Luís Montenegro cometeu um erro crasso ao recusar participar nos debates e mandar Nuno Melo para os debates com o LIVRE e com o PCP. Portanto, o debate até começou num ambiente festivo e a partir daí foi uma tragédia, começando logo Mariana Mortágua com aquela justificação, a explicação do caso da avó. Depois, sim, Rui Tavares falou da mãe, voltou o multimilionário do Dubai. Esforçaram-se muito por encontrar diferenças. Rui Tavares falou da Europa. Mortágua mais tarde falou do rendimento básico incondicional. E aqui, na questão das vendas de casas a não residentes, há divergências, mas também tentaram atenuá-las. Mariana Mortágua contra aquilo que são as normas da União Europeia, quer proibir, o Bloco de Esquerda quer proibir as vendas. Rui Tavares tem uma ideia um pouco menos radical. E que se nós olharmos para o impacto que a compra de casas por não residentes tem na nossa economia, podemos perguntar se Mariana Mortágua não prefere aproveitar, por exemplo, os quase 30 mil milhões de euros em 2022, que esse investimento representou, não quer aproveitar uma parte, tal como Rui Tavares sugere, para essas políticas de habitação por parte do Estado. Onde eu acho que os dois falharam redondamente foi quando a moderadora lhes pediu soluções para o crescimento da economia. Não têm. A única coisa que Mariana Mortágua disse é que a direita não sabe como fazer crescer a economia. E Rui Tavares disse uma coisa que é sair do paradigma de que jogar pelo empate é que é bom. E foi isto, em termos de ideias para o crescimento da economia. É muito pouco.
O pior debate aqui para o Bruno Vieira Amaral. Entretanto, já temos reação de Luís Montenegro à questão dos debates, à polêmica dos debates. Temos aqui muito pouco tempo, mas Rui Pedro Antunes, Montenegro recusou debater com Pedro Nuno Santos nas rádios.
Pedro Nuno com Montenegro?
Pedro Nuno. Sim, peço desculpa. Entretanto, Luís Montenegro queria dar como substituto para os debates com a CDU e com o LIVRE, Nuno Melo. Queria que fosse substituído por Nuno Melo. Entretanto, vem Luís Montenegro dizer que não quer entrar em mais polêmicas e questões que não interessam às pessoas, diz que não tem medo de qualquer debate, que o PSD foi convidado para 10 e que aceitou todos. Se houver alguma alteração, teremos de resolver.
Pronto, é uma saída airosa para ver se coloca pressão em Pedro Nuno Santos. Acho que o que Luís Montenegro podia eventualmente fazer era dizer: "Ok, já que os partidos têm tantos problemas com isto, eu vou no lugar de Nuno Melo e falo com Nuno Melo pra ele mais tarde ter outras formas de intervenção". Deixe-me já dizer que dentro de cerca de meia hora teremos aqui uma entrevista a Nuno Melo, em que ele poderá falar pela primeira vez sobre isto e também o podemos questionar.
Na Vista a Face.
Na primeira vez que a Vista a Face está neste formato das tardes política, que começa às 19h, e portanto, mais ou menos às 19h30 começa a entrevista a Nuno Melo. Vamos ver também a reação dele. E Luís Montenegro está disponível. Agora pode ser que Pedro Nuno Santos, se estava disponível para um debate com Gonçalo da Câmara Pereira e com Nuno Melo, talvez afinal não tenha nenhuma questão de agenda e possa voltar atrás na questão da rádio, a Rádio Observador sendo uma das quatro rádios, tem todo o gosto em, obviamente, participar nesse debate e organizar esse debate entre Luís Montenegro e Pedro Nuno Santos.
Miguel Pinheiro, só em 30 segundos, que a Vanessa já está aqui a fazer-me sinal que estamos muito próximos das 19h. Perdem votos Pedro Nuno Santos e Luís Montenegro com esta questão dos debates?
Sim, acho que é um problema desnecessário. Não consigo perceber por que isso não se resolve de alguma maneira. Perdem os dois, sim.
Caça ao voto com o Miguel Pinheiro, com o Rui Pedro Antunes, o Bruno Vieira Amaral e a Judite França. Amanhã voltamos a ver quem é que andou a perder ou a ganhar votos nesta pré-campanha eleitoral.