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Caça ao Voto na Rádio Observador, o nosso podcast dedicado à campanha eleitoral, aqui com a ajuda do Miguel Pinheiro, diretor-executivo do Observador, e Rui Pedro Antunes, o editor de política do Observador. Vamos tentar perceber quem anda a ganhar e a perder votos. Eu sou o Ricardo Conceição. Bem-vindos, Miguel, Rui Pedro. Miguel, começo por ti. Quem é que ganhou votos hoje?

Eu diria que a Iniciativa Liberal. A Iniciativa Liberal nesta campanha está fora, de alguma forma, das duas principais campanhas, Lisboa e Porto. Decidiu entrar em coligações alargadas em Lisboa com Carlos Moedas, no Porto com Pedro Duarte. Mas há sítios onde a Iniciativa Liberal vai sozinha. Um desses sítios é a Amadora. Hoje perguntaram à Mariana Leitão sobre isso e Mariana Leitão disse com grande diplomacia que cada realidade tem o seu próprio enquadramento econômico, político e social. E na Amadora, onde o PSD tem Susana Garcia como candidata, a Iniciativa Liberal entendeu que não fazia sentido. Ela não disse assim, ela disse que a Iniciativa Liberal ia coligada nos sítios onde fazia sentido. Como na Amadora não vai coligada, eu presumo que não faça sentido. Na Amadora fizeram-lhe esta pergunta porque hoje Pedro Passos Coelho e Manuela Ferreira Leite vão à Amadora participar de um jantar de campanha de Susana Garcia. Enfim, eu acho que não vale a pena estar aqui a perder muito tempo. As pessoas podem ir ao Google, os que não conhecem Susana Garcia podem ir ao Google e terão lá muitos vídeos.

Vão encontrar muitos vídeos.

Muitas intervenções de Susana Garcia em programas de daytime da televisão, programas da manhã, programas da tarde e, portanto, poderão educar-se.

Sobre aquela realidade.

Sobre a candidata. Eu diria apenas que acho que, de facto, a Iniciativa Liberal ganha ou devia ganhar votos por ir de forma autónoma na Amadora.

Rui Pedro, quem é que está a ganhar votos?

Eu acho que em Oeiras fizeram também por uma questão ética e depois em Gaia não fizeram, isso foi crítica interna. A Iniciativa Liberal vai tendo alguma visão para além disso, embora em Gaia não tenha sido exatamente assim. Só para complementar aquilo que o Miguel estava a dizer, Susana Garcia é uma espécie de Ventura que não saiu do PSD. E hoje vai ter Pedro Passos Coelho na-

E Manuela Ferreira Leite

...e Manuela Ferreira Leite na sua apresentação.

E já lá teve Luís Montenegro e já lá teve Miguel Pinto Luz.

Ah, sim.

Quando falou do seu plano para acabar com a Cova da Moura, Miguel Pinto Luz foi lá muito obedientemente no dia seguinte deixar-se fotografar.

E deixa-me dizer que quem está a ganhar votos, tal como a Iniciativa Liberal, é alguém que não vai diretamente a votos em alguns pontos, neste caso, acho que não irá em nenhum. Que é Sebastião Bugalho. Por quê? Nesse dia que o Miguel está a falar na Amadora, ele estava ao lado de Luís Montenegro. O próprio Luís Montenegro disse que o PSD tinha muitos quadros e que, na verdade, Sebastião Bugalho era um deles e que tinha que ser aproveitado e que ele não podia estar indo a Copenhague, que é onde esteve nesses dias, tinha que se fazer representar. E eu olho aqui pra agenda de campanha, 28 de setembro, Bugalho, Hugo Soares, dia dividido. Dia um de outubro, Hugo Soares apenas. Dia dois de outubro, que é hoje, Sebastião Bugalho apenas. Isto dá-lhe um estatuto que Luís Montenegro está a querer dar a Sebastião Bugalho que eu nunca vi, tendo em conta que ele não tem nenhum cargo. Eu lembro-me que Marco António Costa fez a campanha durante o período em que Pedro Passos Coelho era primeiro-ministro, mas ele era vice-presidente do PSD.

Era o coordenador autárquico também.

Porque, na verdade, creio que o Jorge Moreira da Silva já tinha saído nessa altura. Ou se não tinha, ele era um dos vice-presidentes do PSD, isso tenho a certeza. Até há pouco estava a ver aqui uma notícia do Jornal do Centro que diz: "Sebastião Bugalho e José Luís Carneiro separados por cinco quilômetros", que é um eurodeputado e um líder partidário. Mas isto para dizer o quê? Que nós já tínhamos escrito aqui em agosto que o próprio Sebastião Bugalho estava a ir a uma série de capelinhas pra ser figura principal e aproveitar as autárquicas também, um bocadinho, às vezes, puxado pela direção do PSD, outras de convites diretos pra crescer dentro do partido e ir tratando do futuro. E parece-me que está lhe a ser dada essa oportunidade também. Não deixa de ser um sinal relevante é que é ele que lidera a volta, por exemplo, hoje, dia dois de outubro.

Portanto, ganha votos claramente.

Não é nada que não tivéssemos já antecipado num artigo em que ele estava a fazer esse caminho, mas agora é validado pelo próprio.

Está a fazer a rota da carne assada.

Exatamente. Ele substitui Luís Montenegro neste momento. A reação da campanha do PSD à flotilha, à lei dos estrangeiros, enfim, o que surgir hoje, é Sebastião Bugalho a falar e, no máximo, passo o caso como terceira figura informal, a seguir ao Hugo Soares e a Luís Montenegro, do partido, uma espécie de terceira figura midiática. E, portanto, acho que é ele que, nesse caso, acaba por ganhar votos. Não sei se isso é benéfico ou não pro PSD, depois as votações dirão.

Vamos então a quem perdeu votos, Miguel?

Eu fiquei aqui um bocadinho perplexo, até estou a gaguejar. Fiquei aqui um bocadinho perplexo com a reação de Bruno Mascarenhas às sondagens que foram muito conhecidas.

Eu também

Como?

Ele também.

Pois, pelos vistos a sondagem dá-lhe 16% em Lisboa. Nas legislativas, o Chega teve 22,8, por isso seria aqui uma queda. E Bruno Mascarenhas respondeu àquilo de duas maneiras contraditórias. Primeiro, ele diz que estas sondagens estão completamente adulteradas, que não fazem sentido, que tecnicamente estão mal feitas, matematicamente estão mal concebidas, estou a citar. Depois não deu detalhes sobre isto, e portanto, não sei exatamente o que está matematicamente mal, mas o ponto dele é: isto não reflete a realidade. Esta sondagem não reflete a realidade, isto está malfeito.

Porém?

Porém, depois disse-nos que se tem cruzado com pessoas que lhe dizem que estão muito de acordo com o Chega, que gostariam de votar no Chega. Eu vou citá-lo, é melhor citá-lo pra não parecer que sou eu que estou a dizer isto. Ele diz: "Eu tive pessoas ontem que me disseram: 'bem, eu já fiz um negócio com o engenheiro Moedas. Estou muito de acordo com aquilo que o Chega diz. Gostaria de votar no Chega, mas como o conheço e como já fiz negócios com ele, Carlos Moedas, não vou votar em ti, vou votar nele'." Então, mas afinal, as pessoas vão votar em Carlos Moedas? E se vão votar em Carlos Moedas, a sondagem então está bem. São pessoas que até simpatizam com o Chega, se calhar votaram no Chega nas legislativas, mas agora vão votar em Carlos Moedas porque fizeram negócios com ele. Então se é assim, a sondagem está certa. Ou então a sondagem está errada e ele só se cruza com pessoas que dizem que vão votar nele, Bruno Mascarenhas. Agora, se ele só se cruza com pessoas que lhe dizem que vão votar em Carlos Moedas, então se calhar a sondagem tem alguma coisa de certo, está a retratar de alguma forma a realidade, porque a sondagem não divide as pessoas que vão votar em Carlos Moedas naquelas que vão votar em Carlos Moedas, porque fizeram negócios com ele, ou aquelas que vão votar em Carlos Moedas por convicção. Por isso acho que Bruno Mascarenhas tem que optar.

E também confessa que não estava à espera de ser tão reconhecido como está a ser.

Certo. Eu também não estaria. Se ele estiver a ser muito reconhecido, eu também fico surpreendido. Mas enfim, eu só achei que nestas coisas é preciso optar: ou uma explicação para as coisas que não agradam, ou outra. Quando se junta duas explicações contraditórias é que, pelo menos eu, começo a fazer curto-circuito. Mas sou eu, eu tenho limitações, e então isto começa a fazer curto-circuito aqui em cima.

Este é o momento "o problema não és tu, sou eu", de Miguel Pinheiro. E Rui Pedro Antunes?

Olha, muito rapidamente, para dizer que não queria voltar a bater na cegonha quando já tinha colocado o Carlos Moedas a perder votos, só pra dizer que ele entretanto marcou. Para já, hoje não tem evento nenhum, sem ser o debate com todos. Também não lhe será muito positivo, porque são todos a atacá-lo. Ainda são mais desta vez, embora depois também não fique muito tempo pra cada um. E parece-me que há dificuldades estruturais na campanha de Carlos Moedas, de queixas de flyers que não chegam para os candidatos às juntas. Fraca mobilização. Desafio-vos a perguntar quantos outdoors de Carlos Moedas é que viram nos últimos tempos na cidade. Acho que houve aqui um excesso de confiança ou as coisas não estão mesmo a correr bem. O que eu queria dizer aqui é que há uma tentativa, parece-me, de inversão. Amanhã já foram marcados mais dois eventos, um deles uma arruada com Mariana Leitão, que é a líder da Iniciativa Liberal, e também um encontro com a juventude. Parece-me que Carlos Moedas percebeu que tem que dar ao pedal, apesar de ele não poder ser na ciclovia de Almirante Reis, que não é a favorita dele. Tem que dar ao pedal e perceber isso é o princípio pra parar de perder votos. E uma nuance, por isso é que era um dos que eu não queria só voltar ao Carlos Moedas, que era por causa do carpool da Rita Matias. A certa altura, perguntam-lhe se ela vai viver para Sintra e ela: "Não, vou viver aqui no concelho ao lado, que lá viver aqui." Isso era a Edite Estrela, que fazia estradas pra casa dela. E depois também com um problema que eu não sei se é o principal em Sintra, da questão dos hijabs e da imigração, não sei se será o principal problema, embora ela depois também tenha, no nosso carpool, algumas ideias para limitar o turismo excessivo na vila de Sintra, bem como os acessos, no geral os acessos entre Sintra e Lisboa. Mas de qualquer das formas, acho que nunca é bom pra ninguém que quer ganhar uma autarquia dizer que não quer lá viver e que não vai viver lá. Mesmo que isso seja verdadeiro, eu acho é que ela se calhar não queira ganhar as eleições.

Já que estamos a falar em carpool, e o carpool está disponível no observador.pt, Miguel?

Deixa-me só corrigir. Em Lisboa cidade, o Chega teve 14,5% nas legislativas. Apesar disso, Bruno Mascarenhas não está contente com as sondagens. O ponto das sondagens mantém-se, mas só corrigir aqui.

Averiguamos o que diz a grande sondagem do dia 12 de outubro.

É a sondagem que interessa.

É a sondagem que interessa. Vamos também chamar à conversa a Inês André Figueiredo, que anda nas ruas do Centro Histórico do Porto a acompanhar uma arruada de Pizarro.

É verdade que ainda não começou. Está aqui tudo a preparar-se para começar, mas ainda não começou essa arruada pelo centro histórico, que começa no ponto central Piolho. Sendo esta uma zona histórica e muito turística, há aqui ou haverá uma dificuldade acrescida que todos os candidatos têm tido em falar com possíveis eleitores do Porto. Há muito mais turistas do que eleitores do Porto. Vamos tentar perceber também, dentro de pouco tempo, como é que Manuel Pizarro vai lidar com isso. Deixar aqui uma nota de reportagem importante, porque pela primeira vez desde este arranque oficial de campanha, está aqui presente também Tino de Rans, que já foi candidato presidencial e que desistiu da candidatura em julho, em favor de Manuel Pizarro, e marca aqui presença nesta ação de campanha. Noutro período deste dia Miguel Corte-Real esteve também numa longa arruada durante a manhã. Começou na Praça 24 de Agosto até à Praça Velásquez e parou especificamente em frente ao Hotel Nav- que está desativado, para alertar para o problema dos edifícios devolutos que estão a ser ilegalmente ocupados no Porto. Na opinião do candidato do Chega, é função da Câmara resolver este problema, impedindo que estas pessoas permaneçam nestes locais. De resto, depois de Pedro Duarte ter voltado a falar sobre segurança, de ter tornado essa a prioridade das prioridades, como lhe chamou na apresentação do programa, Miguel Corte-Real voltou a acusar o adversário de estar a usar o tema apenas para a campanha e sugeriu até que Pedro Duarte precisou de fazer estudos para perceber que a segurança está a preocupar os cidadãos do Porto e que deve, sim, ser uma das prioridades. De resto, continuamos a aguardar a chegada de Manuel Pizarro. Já vemos vários dos vereadores que estão na lista. O número dois de Manuel Pizarro, como sabemos, é Fernando Paulo, um vereador que estava com Rui Moreira até então. Vamos perceber em breve como é que esta ação de rua vai decorrer.

Inês, como diz o outro, já fui feliz no Café Piolho no Porto. Vamos agora ao encontro do Miguel Pereira dos Santos, que esteve a acompanhar em Lisboa ações do Chega e agora vai mudar de lado, vai acompanhar a da CDU. Como estão os ânimos das campanhas em Lisboa, Miguel?

Boa tarde, Ricardo. Estão bastante agitados com a sondagem de ontem à noite. Tanto CDU como o Chega vieram reagir à sondagem para a descredibilizar. Nomeadamente João Ferreira veio descredibilizá-la, comparando-a com a situação de há quatro anos, dizendo que dessa vez quase todas as sondagens se enganaram com o resultado da CDU, que acabaria por ser de 10%. Mas ainda assim, João Ferreira, se há uma coisa da sondagem que ele quis assinalar, é que a CDU está a crescer. Portanto, em comparação com a sondagem anterior, a CDU passa de cinco pontos percentuais para seis pontos percentuais. De um lado desvalorizando, mas por outro lado, assinalando esse crescimento nas sondagens.

Obrigado, Miguel. Miguel Pereira dos Santos é um dos jornalistas d'O Observador que estão na estrada a acompanhar as diversas ações de campanha eleitoral, que se vai prolongar de amanhã a oito dias. As eleições são no dia 12. Dia 11 temos o dia de reflexão, que terá de ser obrigatoriamente observado com aquele silêncio habitual que o dia de reflexão implica. O Observador está em força na estrada a acompanhar tanto as caravanas dos líderes como os principais candidatos, um pouco por todo o país, de norte a sul, para trazer tudo sobre estas eleições autárquicas. Recomendo também os carpools, aquelas entrevistas em andamento em que os candidatos apanham boleia do carro d'O Observador e vão viajando pelas ruas e estradas dos concelhos e conversando com os nossos jornalistas. Até ao final da campanha eleitoral, vamos ter na Rádio Observador, de segunda a sexta, entre as 17h30 e as 18h, o Caça ao Voto.