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Bem-vindo ao "Calça ao Voto". Ao terceiro dia, a campanha não se liberta de temas nacionais. Nos próximos minutos vamos conversar com Miguel Pinheiro e Rui Pedro Antunes para saber quem ganhou e perdeu votos nas últimas 24 horas. Vamos à estrada, ao encontro de dois jornalistas d'O Observador que acompanham as caravanas. Hoje, Inês André Figueiredo, no Porto, e João Francisco Gomes, que esteve na Amadora. Temos ainda fact-check sobre um elevador alegadamente parado numa estação de metro reinaugurada no primeiro dia de campanha e no baú das autárquicas, um dinossauro, Valentim Loureiro. A fechar, fica a promessa de um hino de campanha, Sou da Póvoa, da Póvoa de Lanhoso, com cavaquinho e tudo. Este "Calça ao Voto" começa agora. E ao terceiro dia, a campanha local não se livra das questões nacionais. Rui Rio, o líder do PSD, diz que não está agarrado ao lugar.
Porque eu não estou aqui pra nenhum lugar em especial. Estou aqui pra ajudar a sociedade, pra ajudar o país. Querem, querem, não querem, não querem. Mas não vou fazer cálculos de cabeça lá pro futuro, fazer contas de saber o que é que vai acontecer pra tomar medidas que estão na minha convicção há muitos anos.
Rui Rio subiu ao palanque esta tarde em Estremoz para falar sobre a eventual ida do Tribunal Constitucional para Coimbra. A campanha eleitoral é sempre tempo de promessas, promessas e queixas, e queixas há muitas. Segundo a Comissão Nacional de Eleições, até 12 de setembro foram apresentadas 675 queixas e 55 pedidos de pareceres relativos às eleições de setembro. Os órgãos de comunicação social, o Facebook e o PS ocupam os três primeiros lugares no que toca aos alvos das queixas. O PS é o partido que reúne mais reclamações, mas também é aquele que mais queixas apresentou. Em Viana do Castelo, o Chega quer transformar o condenado prédio Coutinho no ícone da cidade. Já o PAN quer uma ciclovia paralela ao IC19, entre Lisboa e Sintra, e em Coimbra, o PSD quer um Parlamento da Cultura. Agora está na hora de ir à contabilidade, quem ganha e perde votos. Damos as boas-vindas ao Rui Pedro Antunes, editor de política, e ao Miguel Pinheiro, diretor executivo. Miguel, começamos por ti. Queres começar por quem ganhou ou por quem perdeu?
Podemos começar por quem ganhou, sempre numa nota de otimismo. Ou nem tanto otimismo, porque infelizmente, quem me parece que ganhou votos foi António Costa e com ele Manuel Machado, recandidato à Câmara de Coimbra. António Costa foi a Coimbra prometer que daqui a três semaninhas está resolvido o problema de uma nova maternidade na cidade, que se arrasta há anos. E infelizmente, eu acho que este tipo de promessas tem efeito, tem eficácia, e por mais que toda a gente olhe pra isto e perceba que é eleitoralismo do mais descabelado que se possa imaginar e que é uma coisa realmente típica de democracias menos sólidas, acho que resulta. Infelizmente, sou obrigado a dizer que acho que resulta. Acho que as pessoas ficam mesmo a achar que se ajudarem o PS a vencer as eleições em Coimbra, será mais fácil ter uma maternidade. Como querem ter a maternidade, olhem, vão lá votar.
E logo ter uma maternidade, logo mais bebés, de certeza. Vamos lá, Rui Pedro.
Claro.
Não, eu só queria aqui dizer que acho que aquilo é um projeto, e António Costa foi ao detalhe, em que são 700 metros pra um lado ou 600 metros pra outro, e é isso que nem sequer dá pra começar o projeto, porque há bato ali no PDM ou algo do gênero. E, portanto, acho que António Costa também estava a ser crítico com a tal burocracia do Estado e com a forma como o Estado é lento a resolver as situações. Portanto, também foi um bocadinho autocrítico.
E pra ti, quem é que ganhou votos nas últimas horas, Rui Pedro?
Eu, pra já, partilho da opinião do Miguel, que isto dá votos tanto a António Costa como a Manuel Machado, mas trago aqui um vencedor um bocadinho mais surpreendente pra aquilo que temos dito. Eu acho que quem tem ganho votos tem sido Rui Rio. Por quê? Ele vem provar mais uma vez que é bom em campanha. Eu estava a olhar pros últimos dois dias de uma campanha morna e reparei que os títulos que fomos tendo no nosso live blog eram muitas vezes atribuídos a Rui Rio, em que ele manda ou um bom soundbite, ou marca a agenda do dia com o tema que ele quer, seja o Tribunal Constitucional, pelo debate que ocorreu na Assembleia e a votação que vai ocorrer amanhã, seja por pequenos soundbites. Ainda hoje disse... Bom, António Costa tinha dito: "Macacos mordam se não consigo mais fundos comunitários". Rui Rio hoje com aquela graça dele, disse: "Bom, os macacos vão morder", porque de fato isto é um desplante e, portanto, soube usar aqui mesmo essa parte da campanha, que é aquele equilíbrio entre propostas que digam alguma coisa às pessoas e ter aqui soundbites que o ajudem. Acresce a tudo isto que de fato há aqui uma ideia no ar de que pode ganhar Coimbra e investe muito na cidade também, e nesta campanha em particular. E isto pode ser importante pra depois se agarrar a isso como boia de salvação. Há aqui um detalhe que é falado muito poucas vezes, é que o PSD tem 98 câmaras. Basta conquistar mais três ou quatro pra dizer que passou a fasquia das 100 câmaras. Aquela que serviu há quatro anos pra vir pra baixo, pode servir pra cima. Rui Rio com um discurso, ali meio apurado, pode vir dizer na noite eleitoral que vem. E parece-me hoje com uma pequena nuance que ele quer ficar, porque quando ele diz que tá desprendido pelo poder, diz: "Eu não vou fazer nada agora que me comprometa quando for depois mais tarde". Ele não tá a falar que comprometa como presidente do PSD, tá a falar que comprometa como candidato a primeiro-ministro. Portanto, eu acho que Rui Rio tem na ideia e deixa passar aqui nas entrelinhas que ele quer ir lá em 2023.
Miguel, queres acrescentar alguma coisa ou avançamos para quem perdeu votos?
Vamos embora.
Avança sem medos. Avança Miguel, tens aqui a tua gente.
Isso. Quanto mais o debate aquece, como é que é? Não sei o que é o PS.
Mais força tem o PS, não quiseste dizer. Estavas com medo que cortassem.
Quem é que perdeu votos? Acho que nestas últimas horas foram Bruno Horta Soares, da Iniciativa Liberal, e Nuno Graciano do Chega. Ontem tivemos o último debate da campanha na RTP e o debate não lhes correu nada bem. Por um lado, Carlos Moedas apostou muito na ideia de que ele é a única alternativa viável a Fernando Medina e ao mesmo tempo, a ideia de que está cada vez mais perto do candidato do PS, e isso dá força ao voto útil. Se ele de facto conseguir passar esta ideia de que quem quer tirar Medina do poder tem que votar nele, que ainda é possível fazer isso, reforça o voto útil nesta coligação do PSD com o CDS e com mais não sei quem, acho que há para lá mais uns partidos, parece, ouvi dizer. E além disso, além de Carlos Moedas ter estado bem ao apostar em passar essa ideia, Nuno Graciano parecia um amador a ler respostas de um papel. Além disso, ainda foi ultrapassado por outros partidos que lá estavam e que tinham um discurso ainda mais assoberbado sobre os temas do Chega e por isso acabou por ficar ali submerso. E Bruno Horta Soares, mais uma vez, não fez uma única intervenção que ficasse na cabeça.
Conseguiu não recorrer ao vernáculo.
Certo, menos mal, apesar da repetição dos ténis e das sapatilhas. Acho que fica provado que de facto Bruno Horta Soares foi o plano B, não há dúvida nenhuma. Está mesmo provado. Foi mesmo um candidato de recurso e não está a conseguir. A Iniciativa Liberal gaba-se muito de ter candidatos por quem ninguém dá nada no início e que depois vão crescendo à medida que a campanha vai avançando e gostam muito de dar o exemplo de Tiago Maia Gonçalves. Faz lembrar aquela frase célebre num debate, que é: "Eu trabalhei com o presidente Kennedy, o senhor não é o presidente Kennedy." Aqui dá vontade de dizer a Bruno Horta Soares: "O senhor não é Tiago Maia Gonçalves." Não parece que esteja a seguir o mesmo caminho.
Bom, também me parece que ele é Bruno Horta Soares, BHS, não tem a ver com as antigas cassetes. Podia ser Horta, BHS. Mas podia ser o plano S para ser uma letra mais longínqua do alfabeto. Mas para mim quem perdeu votos, e acho que era isso que querias que eu fosse, Ricardo, para avançarmos, é muito parecido com o Miguel. Ainda bem que eu te disse antes para o Miguel não dizer que eu copiei, mas tem a ver com o Chega. Vou alargar um bocadinho para o Chega, não só Nuno Graciano, como disseste, parece perder cada vez mais votos. Aliás, eu trouxe aqui um papelinho de casa, Ricardo.
Podes ler.
Posso.
Se demorar apenas 45 minutos a ler.
Nuno Graciano, candidato do Chega à Câmara Municipal de Lisboa, não tem jeito nenhum para a política, repete-se muito, prepara-se mal. Esta parte aqui enganei-me a escrever, mas fui eu que escrevi em casa. Bom, isto para mostrar a falta da preparação, mas hoje já deu para ler um bocadinho aqui as reportagens do Miguel Santos, que a repórter-se andou um bocadinho com ele, e ele diz frases interessantes como: "É dos carecas que elas gostam mais" e portanto de uma profundidade política que não é batível. E portanto ainda se cruzaram nessa ação com um poste que tinha uns autocolantes que não foram lá colocados pelo Chega. Garantem que tinha assim umas letras garrafais por cima, em Campo de Ourique, que é a freguesia onde o filho do António Costa é o presidente da junta, e dizia "socialismo", um inglês muito mau, não consigo ler e é melhor passarmos à frente, porque eu sou mesmo mau a ler papéis, acabei de me aperceber agora. Mas pronto, era para dizer isto. E depois aquilo que também referiste no início do programa, do candidato em Viana ao prédio que eu tinha, acho que era melhor demolir, não é para ser um ícone nem fazer um restaurante panorâmico, como ele diz. Acho que os candidatos do Chega andam um bocadinho perdidos e Nuno Graciano ontem foi mais uma prova disso. Quem perdeu votos foi o Chega.
E amanhã voltamos a fazer a contabilidade a quem ganhou e perdeu votos, com o Rui Pedro Antunes e com o Miguel Pinheiro. Já a seguir vamos para a estrada. Neste Caça ao Voto vamos ao encontro dos jornalistas que estão na estrada. Hoje começamos na Amadora, onde o João Francisco Gomes acompanhou a candidata do PS e presidente da Câmara, Carla Tavares. E a avaliar pelas sondagens, João Francisco, a vitória dos socialistas é algo de expectável. A candidata está assim confiante ou a candidatura ou o apoio do PSD a Susana Garcia pode embaralhar aqui um bocadinho as contas e a confiança?
Olá, Ricardo. A sondagem não dá apenas vitória, como dá vitória com maioria absoluta, portanto, o resultado parece muito confortavelmente encaminhado para que Carla Tavares, a candidata do PS, vá para um terceiro mandato à frente da Câmara da Amadora e para que o executivo municipal se mantenha mais ou menos na mesma. Agora, é verdade que a intervenção de Susana Garcia, do furacão Susana Garcia, era assim que a descreviam na campanha dela, que acompanhámos na terça-feira, veio aqui pelo menos introduzir um fator de grande ruído na campanha, que se tornou muito mais barulhenta, até literalmente. Portanto, as arruadas dela têm assim uma coisa com muitos carros Com música muito alta, muitos gritos. Ela própria aborda toda a gente a falar muito alto e hoje foi possível perceber que a resposta do PS e da atual incumbente a este estilo de campanha que vem ali causar um bocadinho de ruído, que não era habitual ali na autarquia, a resposta da atual presidente foi manter uma campanha muito discreta, porque nós hoje acompanhámos uma ação de campanha ali na zona central da cidade da Amadora, uma mera distribuição de panfletos por algumas ruas. E de facto foi possível perceber que tudo foi muito calmo, muito discreto, sem gritos, sem música. A presidente da câmara andou, entrou em algumas lojas, falou com algumas pessoas, tem obviamente os trunfos e os problemas do incumbente. Ouviu muitas críticas, ouviu muitas daquelas indignações relativamente à recolha do lixo ou ao estado dos passeios, uma série de outras coisas. Mas por outro lado, andou a distribuir uma pequenina revista, pequenina não, são 40 páginas, chamada Cumprimos, com uma série de coisas que foram cumpridas ao longo do mandato e, portanto, tem obviamente esse trunfo para apresentar aos eleitores.
João Francisco, Amadora é um concelho com problemas de segurança e esse também é um tema forte da campanha nesse concelho.
Sim, é um tema forte, sobretudo porque tem sido introduzido através de um discurso muito securitário por parte da candidata Susana Garcia. Todos nós já vimos aqueles cartazes célebres que estão a tornar-se muito conhecidos do Amadora vai tremer, os criminosos vão tremer, etc. E de facto, as grandes propostas de Susana Garcia para resolver os problemas da criminalidade, que de facto são identificados pelas pessoas que vivem na Amadora, são essencialmente de índole policial, uma nova super esquadra da PSP, mais reforço para a polícia municipal, portanto, uma série de medidas essencialmente de combate puro policial à criminalidade, enquanto outros candidatos, nomeadamente a atual presidente, mas também, por exemplo, a vereadora do Bloco de Esquerda, que se recandidata ao cargo, têm procurado passar uma mensagem diferente relativamente aos problemas da segurança, dizendo que é preciso resolvê-los, sim, mas através de políticas de educação, políticas de habitação, políticas que acabem com os problemas de segurança na raiz e não apenas do ponto de vista policial.
João Francisco Gomes, jornalista do Observador, que esteve hoje na Amadora a acompanhar a candidata socialista e aqui também a explicar-nos um pouco o que está em causa neste importante conselho da área metropolitana de Lisboa. Avançamos agora para o Porto, onde a Inês André Figueiredo esteve esta manhã com Rui Moreira, que entre segurança e habitação, também falou de cartas. É mais uma polêmica epistolar, Inês?
É, Rui Moreira tem andado a mostrar aquilo a que costumamos chamar de obra feita. Está agora a começar mais uma visita, desta vez aqui ao Parque Desportivo de Ramalde, que foi requalificado em 2019, mas pelo meio teve tempo para responder às queixinhas dos adversários, como o próprio recandidato à presidência da Câmara do Porto lhe chamou. Ora, a que é que Rui Moreira se referia? Depois de uma queixa do PS logo a marcar o início da campanha, também o PSD do Porto se queixou da Câmara e do presidente Rui Moreira ao dizer que este presidente e que a Câmara e o Executivo estavam a usar uma carta como propaganda eleitoral. O autarca não foi de modos e usou o próprio líder do PSD, Rui Rio, na altura, quando ainda era presidente da Câmara do Porto, como arma de arremesso ao próprio partido, ao PSD. Rui Moreira disse que era verdade, que tinha mandado aquela carta, que era algo que acontecia todos os anos e como presidente da Câmara, lhe cabia dar informação aos portuenses. E fez mais, disse que Rio tinha feito exatamente o mesmo em 2013. E fez, só um pequeno pormenor. Rio estava no seu último mandato e não era recandidato, ao contrário de Rui Moreira, que se recandidata agora a esse terceiro e último mandato. Cartas à parte, apenas uma questão engraçada. Rio, em 2013, e Moreira, em 2021, oferecem exatamente o mesmo aos estudantes do primeiro ciclo do Porto: uma garrafa de água reutilizável. Não sei se há aqui um atraso ou se Rio estava muito adiantado, mas...
Inês, entretanto, estiveste com António Fonseca, o homem bem conhecido aí no Porto, que é candidato do Chega e é o atual presidente da União de Freguesias do Centro Histórico do Porto. Como é que foi esta ação de campanha?
Assistimos à segunda arruada de António Fonseca nestes primeiros dias de campanha, acompanhámos aqui no Porto, e nota-se uma diferença abismal entre o centro histórico da cidade e as outras zonas que António Fonseca anda a visitar. A razão é simples: sabemos que António Fonseca foi presidente da junta do Centro Histórico do Porto por duas vezes, aliás, ambas eleito pelo movimento Rui Moreira, que deixou agora para se candidatar à Câmara pelo Chega. A verdade é que enquanto no centro da cidade todos o conhecem, principalmente no comércio e gaba-se disso, hoje esteve na zona da Avenida Fernão Mangalhaes e as respostas repetiram-se ao longo de toda a arruada. As pessoas ou não conhecem o candidato do Chega ou conhecem-no da televisão. Inclusive, muita gente disse: "Vi ontem ou antes de ontem no debate na televisão". Por isso, de facto, as pessoas não o conhecem. Seja como for, a estratégia de Fonseca está bem definida. O candidato do Chega está constantemente a procurar o erro de Rui Moreira e da Câmara Municipal, aquele que era seu aliado até agora, vamos relembrar, o que foi prometido e não foi cumprido, os apoios que faltaram na pandemia. É aí que António Costa faz a caça ao voto, para usar aqui o nome do nosso programa
Sim, conclui Inês.
Sim, estava a concluir. É aí que António Fonseca faz a caça ao voto aqui no Porto, é exactamente na procura do erro de Rui Moreira e das coisas que Rui Moreira, alegadamente e na sua visão, não fez.
Obrigado, Inês André Figueiredo, jornalista do Observador aqui no Porto. Já a seguir vamos ao fact-check. Bem-vindo, Pedro Rainho.
Olá, Ricardo.
Está na hora de caçar falsidades ou confirmar verdades aqui no fact-check. Hoje regressamos à estação de metro de Arroios, em Lisboa, depois de quatro anos fechada, abriu no primeiro dia de campanha eleitoral. Mas Pedro, o elevador não funciona, é isso?
É uma história um bocadinho insólita. Há um tweet publicado pela conta do Irmão Lúcia, publicado na terça-feira de manhã, que de facto dá conta de uma caixa de elevador com um cartaz à frente que diz que este elevador está temporariamente avariado. Isto depois ganha dimensão política. Por quê? Porque, por um lado, a CDU Lisboa replicou essa acusação no seu Twitter também e volta a animar do ponto de vista político, quando o deputado Duarte Marques, do PSD, também partilha o tweet original.
E vai daí, começa a investigação.
E vou te contar isto em termos muito simples, mas vais perceber o que andámos a fazer. Começámos pelo metro de Lisboa, obviamente, contactámos a empresa, queríamos perceber se os elevadores estão a funcionar, se estão avariados, se estavam a funcionar no dia da inauguração. Continuamos até esta hora sem resposta. Falámos com a CDU porque partilhou a tal ideia. O João Ferreira, o cabeça de lista à Câmara de Lisboa, fez uma referência numa intervenção em termos genéricos. Diz-se que tinha ouvido a história de que os elevadores estavam avariados, também não tinha confirmação. E depois falámos com Pedro Vieira, que é quem gere, no fundo, aquele Twitter do Irmão Lúcia. Aquilo que ele nos diz é que recebeu a foto, publicou-a, não confirmou se era factual ou não, tomou-a como certa. E por fim, Ricardo, vê onde é que fomos. Chegámos à estação do metro de Arroios, em pessoa, fisicamente. E andámos a testar, fomos aos elevadores, a todos os elevadores testá-los e na verdade, estavam todos a funcionar neste momento. Isto foi ao início da tarde e estavam todos a funcionar.
Hoje, dia 16, estão a funcionar. E a conclusão a que chegamos, Pedro?
Muito rapidamente, é uma conclusão a que raramente chegamos. É um fact check inconclusivo. Neste momento nós sabemos que os elevadores estão a funcionar. Há uma imagem de dia 14, pouco depois da inauguração, que os dá como avariados e nós não temos maneira de confirmar se naquele preciso momento eles estavam ou não a funcionar. Portanto, é inconclusivo.
Vamos hoje então usar um carimbo que tem tido pouca utilização aqui no fact check.
Está quase no vinho.
Está. Até tenho que lhe tirar o pó. Toma lá o carimbo amarelo, Pedro.
Aqui vai disto.
O doutor Macedo Barros, neste dia de eleição.
Música, letra e cavaquinho de Carlos Vaz. Sou da Póvoa. É o hino que vamos ouvir no final deste caça ao voto. Para já, está na hora de ir ao baú das autárquicas. Judite França, hoje olhamos para a história de um dos homens que entraram para a galeria dos dinossauros autárquicos, Valentim Loureiro.
É o eterno autarca de Gondomar. Candidatou-se tantas vezes quanto pôde. Gondomar é sinónimo de Valentim Loureiro e o major fez da cidade o que ela ainda é. A carreira à frente dos passos do concelho é longa. Em 93 foi eleito presidente da Câmara de Gondomar, renovou os mandatos em 97 e 2001. Com tantos anos na ribalta política e no futebol, não faltam histórias para contar. Por exemplo, ninguém esquece aquele momento em 95, numa campanha eleitoral para as eleições legislativas, em que milhares de militantes do PSD se juntaram em Gondomar para apoiar o candidato social-democrata Fernando Nogueira. Exaltado, animado, o major no púlpito gritava a plateia.
Guterres, Gondomar. Gondomar.
Guterres era precisamente o candidato contra quem Fernando Nogueira se candidatava, depois de Cavaco Silva ter deixado a liderança do partido. São percalços que não tiram o sono ao major. É um homem de muitos recursos e bom no improviso. Tantos recursos que ficaram famosas as campanhas da década de 90, com o major a calcorrear o concelho, a visitar feiras e mercados e a prometer torradeiras, frigoríficos e varinhas mágicas. Tudo para convencer os eleitores. Mas não seria a carreira militar, nem o jeito para o negócio que o tornariam famoso. Foi o futebol que lhe deu nome, ao conseguir transformar um pequeno clube de bairro num emblema europeu. O comerciante e industrial de sucesso foi, conforme se lê no site oficial do Clube da Pantera, o principal obreiro do Boavistão.
Senhor major. Diga, minha querida. O senhor acabou por dar cabo do Boavista. Eu? Sim. Por quê? O senhor acaba por ser acusado do crime de coação. Não, não é verdade. Eu não estou acusado de nada. Não acredita no que eu estou a dizer? Não sou eu que tenho que acreditar. Tem, você e todos aqueles que nos estão a ouvir. Isto é inqualificável.
À frente da Liga Portuguesa de Futebol Profissional, não lhe faltaram batalhas em terrenos hostis, o que não só não o incomodava, como o tornava ainda mais aguerrido. Tão aguerrido que o boneco do major no Contrainformação, um programa da RTP, era a encarnação do homem sem medo.
Quantos são? Quantos são? Treze? Todos de uma vez. Eles que venham, eu não tenho medo de ninguém.
Dizem que se mantém ligado ao Boavista através do filho João Loureiro, advogado, dirigente futebolístico e cantor. Quando era vocalista dos Bano, João Loureiro tinha sempre o incondicional apoio do pai, que não falhava os concertos da banda do Porto.
Está muito irreal. Imaginário, está muito irreal.
A história de Valentim Loureiro que figura na galeria dos dinossauros autárquicos. E para acabar, um hino.
Sou da Póvoa, sou da Póvoa, terra linda de muitas tradições.
Sou da Póvoa, hino de apoio a José Macedo Barros, candidato do Nosso Cidadãos à Câmara Municipal da Póvoa do Lanhoso. Aqui, a música, a letra, o cavaquinho e a voz são de Carlos Vaz.
Neste dia de eleição vai deixar aos povoenses nossa vila no coração.
A sonorização é do Diogo Casinha e da Beatriz Martel Garcia. Eu sou o Ricardo Conceição. O Caça ao Voto regressa amanhã.
Vou cantar à minha moda, vou cantar no dia das eleições.
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