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Estamos a cinco dias das europeias e este é o "Caça ao Voto", o podcast da Rádio Observador dedicado à campanha eleitoral. Começamos por fazer as contas a quem ganhou e perdeu votos com o diretor executivo do Observador, Miguel Pinheiro, com o editor de política Rui Pedro Antunes e também com a Judite França, que integra o painel da tarde política da Rádio Observador. Ainda vamos à estrada, ao encontro de duas das caravanas partidárias. Hoje, Partido Socialista e Bloco de Esquerda, e o "Caça ao Voto" fecha sempre com uma história do baú político nacional. Esta viagem começa agora. Em dia de debate nas rádios, os oito cabeças de lista começaram por ter, esta segunda-feira, esse mesmo ponto de agenda comum. E Miguel Pinheiro, sendo o último debate, pode ter ajudado a definir o voto dos indecisos ou nem por isso. Quem é que mais terá conseguido caçar votos? O micro.
Certo. Senti que foi mais uma oportunidade perdida por parte da AD para tentar caçar votos à direita. Tenho andado muito perplexo com esta estratégia da AD de parecer que não se incomoda com a aparente subida de votação da Iniciativa Liberal. Quer dizer, só no dia 9 é que os votos vão ser contados, mas os estudos de opinião, valendo o que valem, mostram a Iniciativa Liberal a subir ao longo da campanha e faz-me espécie, como se costuma dizer, que isso não leva a AD a fazer alguma coisa. Quer dizer, para a AD é indiferente. De onde é que a AD acha que vêm os votos da Iniciativa Liberal? Os votos da Iniciativa Liberal vêm de pessoas que estão indecisas entre a IL e a AD. E como diria alguém, se um voto vai para a IL, não vai para a AD. É muito simples, não é? São coisas muito fáceis de fazer. E esta desistência, parece que a AD desistiu de tentar ter votos à direita, desistiu de fazer um apelo ao voto útil, nunca quis explicar ao eleitorado de direita que se a AD ficar em primeiro lugar nas europeias, o governo aumenta a probabilidade de durar. Se o PS ficar em primeiro lugar nas europeias, o mais provável é no dia seguinte Luís Montenegro acordar com quatro facas nas costas, todas elas postas por Pedro Nuno Santos. Não entendo, vamos ver se há alguma coisa que muda nos próximos dias, mas eu não estou a ver. Assim, uma coisa dirigida a este eleitorado da Iniciativa Liberal, hoje tivemos o governo a dirigir-se ao potencial eleitorado que possa estar entre a AD e o Chega, mas dirigido à Iniciativa Liberal, não estou a ver nada e o tempo está a desaparecer.
E falavas precisamente do governo a dirigir-se ao eleitorado do Chega, com essa apresentação do plano para as migrações. Ainda está, a esta hora que falamos, a ser apresentado. Rui Pedro Antunes, este plano pode fazer a AD ganhar votos para estas europeias ou perder?
Sim, era aí que eu também queria ir, que eu acho que a AD acaba por ganhar votos com este plano, porque embora o plano já tenha críticas do próprio presidente do Chega, porque acha que é insuficiente, quer as portas mais trancadas ainda, o plano mostra mais uma vez a ação de Luís Montenegro. Na verdade, ninguém pode dizer que Luís Montenegro não está a fazer nada, porque desde que chegou, está a ir às áreas todas com que se comprometeu. Esta não era propriamente uma área prioritária quando a AD, de Luís Montenegro, começou a fazer o seu programa, mas era já uma área identificada e no momento em que esta discussão está, por exemplo, na campanha eleitoral das europeias, o primeiro-ministro e o governo em geral vêm apresentar aqui propostas que pelo menos tentam regular alguma coisa. Isto chama um bocadinho o voto preocupado. Eu não vou dizer que é o voto conservador, porque quando falo nisto vem sempre alguém dizer: "Na minha rua há um senhor idoso que vive preocupado porque não conhece ninguém à volta e porque muita gente são imigrantes, etc." Não estou a dizer que a preocupação relativamente a uma imigração sem... porque vamos lá ver, os partidos que têm preocupações sociais, que são todos, na verdade, cada um à sua maneira, também estão preocupados com a desumanidade que os imigrantes vivem por não haver condições para acolhê-los. E nesse aspecto, acho que, apesar de tudo, este tipo de matérias interessa mais a esse voto conservador e acho que nesse aspecto pode ajudar a que, aqui não propriamente por Sebastião Bugalho, mas pela ação de Luís Montenegro, a ir algum voto do Chega para a AD, até porque continuo a achar que o Chega não tem um candidato que acrescente votos, mas muita gente no momento da votação, quando olha para aquelas letras a dizer Chega, pensa em André Ventura, não tapa os olhos, mas olha para lá e vê a cara de André Ventura como se fosse uma eleição presidencial e, portanto, não pensa em Tânia Correia e nesse aspecto é sempre difícil perceber qual é a votação do Chega, porque acaba sempre por ser surpreendentemente superior àquilo que dizem as sondagens. Ainda assim, acho que foi aí que a AD pode ter ido buscar votos com esta ação do governo.
Temos estado aqui a falar mais da AD. Judite França, quem é que mais vai ter de pedalar, já que hoje é Dia Mundial da Bicicleta, para caçar votos agora nos dias que faltam de campanha?
Para pedalar, imagino que seja a esquerda ecológica, o LIVRE, o PAN. Esses são aqueles que mais pedalam, naturalmente. Acho, contudo, que no tempo que falta, e falta pouco tempo, alguns mesmo pedalando já não irão longe, nomeadamente Pedro Fidalgo Marques, se tivesse começado a pedalar assim como pedalou hoje há mais dias, talvez tivesse mais sorte. Dito isso, eu acho que Marta Temido não pode contar que isto sejam favas contadas, bem pelo contrário. E precisa, como se costuma dizer, já que estamos na metáfora do ciclismo, dar de perna. Tem que dar de perna, assim como tem Sebastião Bugalho, que hoje apareceu muito morno. Nenhum deles estava muito contente por estar a fazer este debate, porque a quatro dias de eleições, fazer um disparate e dizer uma frase que não é suposto pode ser mortal. Estiveram todos muito contidos exatamente para que nada fora do guião fosse dito. Acho que Sebastião Bugalho precisava de um rasgo qualquer até o dia 9, nestes quatro dias que faltam, para se sobressair. Não sei se está a contar que seja a máquina do PSD a fazer isso, a máquina do PSD, elementos do PSD, como o Carlos Moedas, aparecer mais vezes o Luís Montenegro, etc. É evidente que isso também é a estrutura do PSD que o alavanca, portanto, isso faz sentido. Enfim, aquele que acho que pode ir em velocidade de cruzeiro agora é Cotrim Figueiredo, que está, de facto, com uma boa prestação desde o início. Esse começou logo no ponto em que devia começar, não foi em aquecimento. Marta Temido hoje, por exemplo, parecia bem mais preparada do que é habitual, mas teve mais tempo para estudar. À medida que o tempo passa, também vai aprendendo mais coisas. É normal, é assim que acontece. Tanja Correia não precisa de fazer nada, pode continuar sem fazer nada, que os outros oponentes entretêm-se a atirar, a fazer todos contra Tanja, e isso é ótimo para António Tanja Correia, porque vive na vitimização, não tem que fazer nada e ele também está claramente cansado, não está com vontade de fazer grande coisa. E quem ganha nas eleições do Chega é André Ventura, que anda na rua, e que as pessoas nem sequer sabem que existe um candidato que não seja André Ventura. Esse também não precisa de fazer grande coisa.
Só muito rapidamente, posso fazer um perdeu votos por antecipação, que Augusto Santos Silva hoje vai estar no comício do PS em Santarém. Eu acho sempre que ele aparece, o PS perde votos.
Já hoje o António Vitorino, com a sua intelectual honestidade que lhe é conhecida.
Criticou a extinção de SEF. Disse que correu mal.
Arrasou com este discurso, que não só a ex-ministra Ana Catarina Mendes tem, mas Marta Temido também, como isto é um processo gradual, que vai aos poucos, afinal não é nada disso. Correu mal e ponto final, disse António Vitorino.
Percebemos, Miguel Pinheiro, que a AD não estará a conseguir ganhar votos. Alguém está claramente a perder?
Sim, acho que o PCP continua com problema, a CDU continua com problema. Eu acho que a única coisa que tem alguma tração, e temos visto nos últimos tempos, João Oliveira recorre cada vez mais a essa expressão, é não mandar os nossos filhos pra guerra. Esta ideia de que a guerra da Ucrânia vai escalar e os militares portugueses vão pra guerra, e portanto, os nossos filhos vão pra guerra, ainda é sim uma ideia que as pessoas conseguem compreender e quase conseguem ligar.
Acaba por ser a mesma do líder do ERC, ou do candidato do ERC, do juiz, não é?
Sim, mas na realidade, quem tem visibilidade é João Oliveira.
Certo, mas é a mesma ideia.
E acho que será também de Paul Révérber, e de muitos outros, e de Fidalgo Marques, enfim, será de muita gente, porque tudo o resto não está a pegar. As últimas sondagens mostram a CDU em grandes dificuldades. Se a CDU deixa de ter eurodeputados, isto começa a ser difícil.
E por falar em pegar, vamos ver se o motor pega. Os motores estão ligados. Vamos ao encontro agora das caravanas de PS e Bloco de Esquerda, neste caso ao voto. Vamos começar precisamente por aqui. João Francisco Gomes, estás a acompanhar a caravana do Bloco de Esquerda. Depois de uma paragem técnica em Lisboa, pergunto se já andas por Aveiro e pelo que ouvi dizer, a tua campanha aí está a cruzar-se com outra. Qual é que é?
Olá, viva, Vanessa. É verdade, estou aqui mesmo à beira da ria de Aveiro. Está um belíssimo tempo aqui, mas a caravana do Bloco de Esquerda ainda não chegou. Eu creio que ainda estará na autoestrada a acelerar desde Lisboa, depois de Catarina Martins ter estado na Feira do Livro ao início da tarde, ou melhor, a meio da tarde. Mas de facto, assim que estacionei aqui em Aveiro há alguns minutos, encontrei logo o autocarro da Iniciativa Liberal, porque efetivamente João Cotrim de Figueiredo também estará esta noite em Aveiro. Aliás, ambos os candidatos vão fazer comícios muito perto um do outro. Portanto, espero também encontrar aqui o Miguel Santos Carrapatoso, que anda a acompanhar a caravana da Iniciativa Liberal por todo o país.
João, o debate das rádios foi esta manhã. Também aí Catarina Martins cruzou-se com João Cotrim de Figueiredo. Está a ser um tema de conversa este debate durante este dia?
Catarina Martins esteve esta manhã em Lisboa para o debate das rádios, onde voltou a insistir em várias das bandeiras que tem repetido ao longo desta campanha eleitoral, incluindo a grande crítica que tem feito à direita tradicional e aos liberais pela sua aproximação à extrema direita. Esse tem sido, aliás, um tema forte da campanha de Catarina Martins e vamos ver se esta noite aqui no Centro de Congressos de Aveiro, onde Catarina Martins vai estar num comício com Luís Fazenda, um dos fundadores do Bloco de Esquerda, e também com a coordenadora do partido, Mariana Mortágua, para tentar perceber se essas mensagens vão voltar a ser repetidas aqui neste congresso que fecha este dia de campanha em Aveiro. E Catarina Martins ainda há de hoje ir até ao Porto, porque amanhã vai passar todo o dia de campanha na cidade do Porto. De manhã com uma ação de campanha sobre a habitação na sede de uma associação de moradores. À tarde vai visitar um centro tecnológico em Matosinhos e depois vai fazer mais um comício, já na cidade do Porto, ao final do dia para encerrar esse dia de campanha.
Um comício, o de hoje em Aveiro, vai ser à beira-ria. O João Francisco Gomes a acompanhar a comitiva do Bloco de Esquerda. Vamos agora ao encontro da caravana da AD. Há pouco eu dizia que era a caravana do PS, mas enganei-me. Rita Tavares, vamos sim ao encontro da caravana da AD e de Sebastião Bugalho. Este dia marcado por esse debate das rádios, foi tema de conversa aí na caravana?
Não foi tema de conversa, até porque ainda não houve muita oportunidade de conversa aqui pela caravana. Sebastião Bugalho hoje teve um dia muito reduzido, apenas com uma ação logo depois do debate, numa visita à embaixada da Ucrânia, que foi uma visita muito curta e o tema foi evidentemente esse. Depois, só aqui ao fim da tarde, em Alcântara, tem agora neste momento o encontro com jovens, está neste momento ao lado de Carlos Moedas. É a segunda vez que o presidente da Câmara de Lisboa e também mandatário nacional da candidatura da AD nestas europeias, aparece ao lado do cabeça de lista para falar. É um dia importante na medida em que o governo acaba de apresentar o plano para a imigração. Ainda não há nada que da candidatura tenha sido dito por esse tema, que é um tema que está muito em debate, e hoje de manhã no debate das rádios viu-se, sobre a imigração. Aqui neste momento, e até agora, fala-se sobretudo de emigração com E, na medida em que as intervenções vão muito na linha da preocupação com a fuga de jovens e de jovens qualificados para o estrangeiro e com o discurso da AD a tentar contrariar uma prática que associa aos oito anos de governação socialista.
Vamos aguardar por essa reação a este plano das migrações, o plano apresentado esta tarde pelo governo. Rita Tavares a acompanhar a caravana da Aliança Democrática. Obrigada, Rita, boa viagem. E nós agora vamos fazer um outro tipo de viagem no caso ao voto. Recuamos no tempo. Vamos ao baú com a Judite França.
Os debates sempre deram polêmica nas eleições, porque um dos candidatos recusa participar, porque os cabeças de lista não gostam do modelo apresentado pelas televisões ou porque há candidaturas que, pura e simplesmente, não querem participar. Como todas as premissas, há sempre negociações de bastidores, até chegar a um esquema que permita aos eleitores assistirem aos candidatos para mostrarem o que sabem. Aconteceu este ano, mas também em 2009. O PS recusou o debate da RTP. Na altura, Vital Moreira não queria participar num frente a frente com o candidato do PSD, Paulo Rangel. Aliás, um pouco à semelhança do que aconteceu este ano, quando Marta Temido recusou os frente a frente com os restantes candidatos na Rádio Observador. Rangel afirmava que o argumento de incompatibilidade de agenda não era compreensível, uma vez que os dois candidatos iam estar no Porto no dia em que a RTP propôs para o debate. Rangel e Vital Moreira já tinham estado em debate, mas os restantes candidatos, que acabou por se transformar em frente a frente, e num frente a frente bem quente. Mas para o candidato do PSD impunha-se mesmo que esse frente a frente acontecesse, o que Vital Moreira recusou. Rangel antecipava uma razão para a nega da candidatura do PS. Dizia Rangel que era porque o engenheiro Sócrates não deixava o candidato fazer um debate. Tinha medo do PSD porque o PS estava numa situação de desespero. Eu recordo que Vital Moreira entrou como grande vencedor dessa campanha e acabou como derrotado. Rangel dizia, no entanto, que Vital Moreira ia a tempo. Como ele muda de opinião muitas vezes e tem avanços e recuos, nós arranjamos tempo para debater.
Fica-lhe mal à viagem intelectualmente. E se se julga que me assusta com esse ar de militante armado, devo dizer que não me assusta.
Lá voltamos.
Já vi que continua com a técnica stalinista, portanto ainda precisa de fazer mais reconversão. Continua com a técnica stalinista, porque, não sei se reparou, a sua preocupação é sempre tentar desautorizar o adversário, não é contestar os argumentos.
Rangel dizia na altura que era preciso uma rebelião, porque domingo muita coisa podia mudar no país. A confusão entre país e Europa é um hábito nas eleições para o Parlamento Europeu, mas na altura vivíamos numa situação particular. José Sócrates era primeiro-ministro e dali a um mês jogava-se a eleição para o Parlamento Nacional. Por isso, as campanhas andaram de mãos dadas naquele verão de 2009 e ainda houve eleições autárquicas. Foram três eleições em menos de três meses e foi uma época política alucinante, como aliás se percebeu pelo tom do debate.
E é importante recordarmos isso mesmo. Também este ano há várias eleições em Portugal e estas europeias dia 9 de junho, próximo domingo. As caravanas na estrada, o caso ao voto na antena da Rádio Observador, sempre depois das 18h00, durante esta campanha eleitoral. Ficamos também sempre, já sabe, em podcast. Até amanhã.