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É um dos momentos mais aguardados das campanhas eleitorais. Estamos, obviamente, a falar do Caça ao Voto, que regressa para mais uma temporada, que se extingue já no próximo dia de reflexão. No Caça ao Voto, olhamos diariamente para a campanha, neste caso, campanha das autárquicas 2021. Temos análise com Miguel Pinheiro e Rui Pedro Antunes. Todos os dias vamos fazendo o balanço de quem ganhou e perdeu votos nas últimas 24 horas. E vamos ainda à estrada, ao encontro dos jornalistas do Observador, que estão a acompanhar as campanhas eleitorais. Temos também fact check, as verdades e falsidades que se dizem por estes dias, uma história do baú de autárquicas passadas com a Judite França, e fechamos em grande com os hinos à criatividade da propaganda política. Verdadeiros hinos como os de Toi, que vamos ouvir hoje na abertura. Este Caça ao Voto regressa e começa agora. Dia um da campanha eleitoral, um arranque em força com milhares de candidatos nas ruas de todo o país. Dia um, dia de esperança, mesmo quando o prognóstico não é o melhor.

É mais fácil ganhar estas eleições do que o Euromilhões. Apesar de tudo. Mesmo com a distância. Não, nas eleições da Guarda é mais fácil. Não, estou a dizer, mesmo com a distância, que o PS tem mais 63 câmaras. Distância enorme, mas cá estamos. Mas mesmo assim é mais difícil ganhar o Euromilhões.

Rui Rio, o líder do PSD, esteve na Guarda numa altura em que o PS tem 181 autarquias contra 98 dos social-democratas. Em Aveiro, o cabeça de lista do Bloco de Esquerda à Câmara, Nelson Peralta, arrancou a campanha eleitoral com um tijolo na mão, um tijolo que representa a falta de habitação pública e as inaugurações eleitoralistas. No Seixal, houve queixas de xenofobia contra o PSD por causa de um cartaz que mostra Mao Tsé-Tung acompanhado destas frases: "45 anos a comer arroz" e "Mao Mao Maria". A Comissão para a Igualdade e contra a Discriminação Racial recebeu duas denúncias contra a candidatura social-democrata, encabeçada por Bruno Vasconcelos, acusando-a de xenofobia contra o povo chinês. O candidato, Bruno Vasconcelos, diz que está de consciência tranquila e acusa os queixosos de intolerância. Também arrancou, e em força, a campanha em Lisboa e no Porto. Por isso, está na hora de saber, afinal, quem ganha e perde votos nestas primeiras horas de campanha. Conosco temos Miguel Pinheiro, diretor executivo do Observador, e Rui Pedro Antunes, editor de política. Sejam bem-vindos e bem regressados ao Caça ao Voto, meus senhores.

Muito obrigado.

Muito obrigado.

E como estamos aqui carregados de entusiasmo, hoje é o dia um, o primeiro dia, vamos começar por quem ganhou votos. Miguel, dou-te honras de abertura.

Quem sou eu? Não mereço isso. Quem ganhou votos foi o PCP. A guerra psicológica dos comunistas está a resultar. O secretário geral do PCP começou a apertar nos últimos dias, começou a dizer que o PS ia chantagear os eleitores, aconselhou que António Costa tivesse mais tento e mais cuidado ao falar dos autarcas comunistas e que não devia fazer tantas críticas. Ter mais tento é uma grande expressão, não haja dúvida. Estas ameaças resultaram porque António Costa decidiu que durante a campanha eleitoral não vai passar por nenhuma das câmaras. Acho que há uma exceção, talvez, nenhuma das nove câmaras que o PS tirou ao PCP e à CDU há quatro anos. E não quer incomodar o PCP em vésperas de negociação do novo orçamento de Estado. E depois hoje, o PCP também usando uma outra tática de guerra psicológica, está a lançar a confusão nas hostes de Medina. Tivemos Jerónimo de Sousa a dizer que não estava a ver que houvesse uma coligação, um acordo pós-eleitoral. Eu não tenho agora as palavras rigorosas, mas aqui o Rui Pedro Antunes tem, certeza, mas que não haveria um acordo.

Aliás, o Rui Pedro costuma decorar todas as palavras que Jerónimo de Sousa diz.

Tudo.

Que ele disse que formalmente não existirá.

Formalmente não existirá.

É por isso que o temos conosco.

E isto lançou, depois veio João Ferreira falar, e isto lançou a confusão entre as pessoas do PS em Lisboa. "Afinal podemos contar com o PC, não podemos contar com o PC?" Está a ser divertido ver o PC como aquela personagem do Asterix que só lançava confusão.

Zaragata.

Exatamente. E está aqui o bocadinho a fazer esse papel. Por isso o PC, do ponto de vista puramente da tática de campanha, está a ganhar votos hoje.

E Rui Pedro Antunes, para ti, quem ganhou votos neste arranque de campanha?

Estou sempre em contraciclo com o Miguel.

Ainda bem, é para isso que nos pagam. Exato, é para isso que cá estás.

Para mim, quem ganhou votos foi Fernando Medina, porque eu acho que ele conseguiu ganhar votos até em ações onde não teve. Às 7h45 da manhã foi inaugurada a estação de Arroios, que é muito importante em Lisboa. Estava fechada, imagine-se, desde julho de 2017.

Há quatro anos, para umas obras rápidas.

Sim, estava previsto que reabrisse no primeiro semestre de 2019, portanto nem sequer há aquela desculpa da pandemia. A pandemia atrasou, porque já devia estar nessa altura.

Ali foi o empreiteiro que falhou.

Exatamente, é que falhou. E portanto, mesmo com o falecimento do empreiteiro, havia vários dias do ano e da semana para calhar. Mas coincidência das coincidências, o dia escolhido para inaugurar é Não só 2021, não só o mês de setembro, como o dia do arranque oficial da campanha das eleições autárquicas. Aqui, de fato, Fernando Medina tem uma sorte desgraçada como presidente da Câmara de Lisboa e como tendo grandes queixas na zona do Intendente, de Anjos, de Arroios, da Alameda, em todas aquelas zonas e estações que dependiam daquilo, pessoas que vivem naquela zona, teve esta sorte de ser hoje.

Tem tanta sorte que era capaz de ganhar o Euromilhões.

É verdade. E mais do que isso, eu acho que ele ganhou hoje por isto, onde não esteve e depois onde esteve, porque ele está confortável lá no seu castelo. Mas há pouco eu estava a falar em personagens do Asterix, eu acho que o Fernando Medina foi um bocadinho uma mistura de Sport Billy com Speedy Gonzales. Foi a todo lado, calmar ativistas.

Só referências à alta cultura.

É verdade. E portanto, conseguiu aqui ganhar votos Fernando Medina, tem essa ajudinha do Metro de Lisboa. Não esteve lá, mas não precisa, portanto aquilo que era um grande transtorno na cidade foi resolvido e continua a ganhar votos nesse sentido e portanto aí Fernando Medina, para mim, é quem ganhou votos.

No dia em que o metro voltou a parar em Arroios, que é uma frase que quem anda de metro em Lisboa já decorou: este comboio não para em Arroios. Já passou a parar. Vamos então a quem perdeu votos neste primeiro dia, Miguel?

Parece-me claramente que foi Carlos Moedas, que parece não estar com muita pressa, nem com grande urgência.

Qual é a pressa?

Qual é a pressa? Não há aqui pressa nenhuma. Fernando Medina andou muito mais quilômetros hoje do que Carlos Moedas, parece estar a querer fazer as coisas devagarinho, ou então achou que o vídeo de apoio que foi gravado pela presidente da Câmara de Madrid era uma bomba tão grande que não era preciso fazer mais nada, o dia estava ganho e que só aquilo iria provocar um terremoto no eleitorado lisboeta. Quando eu presumo que, não quero falar em números, mas devemos ser rigorosos, e eu diria que 99% dos eleitores lisboetas ou não sabem quem é, ou terão que ir ao Google para confirmar quem é. Sabendo quem é, estar-se-ão relativamente nas tintas para saber se apoia ou não apoia Carlos Moedas.

Estamos a falar de Isabel Ayuso?

Precisamente, que foi a grande estrela nas últimas eleições.

Em Madrid.

Em Madrid, em Espanha, a estrela em ascensão na direita espanhola, mas em Portugal não me parece que mobilize muitas pessoas. E Fernando Medina menorizou também esse apoio, mas realmente parece-me ser um sinal da bolha onde às vezes os políticos se deixam aprisionar. Parece-me que Carlos Moedas achou mesmo que isto era um grande trunfo eleitoral para começar a campanha.

Não sei se já viste o vídeo, Rui Pedro.

Sim, já vi o vídeo. De facto, não é a primeira figura internacional que apoia Carlos Moedas e os adversários aproveitaram para dizer aquilo que normalmente dizem: "Nem sequer vota cá, quantos votos é que vale? Nem sequer o dela." E portanto, daí abriu o flanco e concordo que o dia não está a correr bem a Carlos Moedas. Vai ter um comício às 18h30, por sinal, o único evento do dia, e portanto concordo em absoluto que estará a esta hora, a hora em que nós falamos, está certamente a perder votos.

Ia agora perguntar-te exatamente isso: quem é que para ti perdeu votos neste caso?

Neste caso, concordo com o Miguel que Carlos Moedas perdeu votos, mas iria dizer uma coisa que discordo do Miguel.

Isto é perseguição. Concordo discordando.

Não. Eu concordo com o Miguel na parte em que o PCP, a nível global, parece estar a ganhar fôlego para estas autárquicas e até o PS parece até já dar como perdidas algumas câmaras que antes tinha ganho. E aí há uma estratégia muito boa de Jerónimo de Sousa, mas há aqui um outro ponto: é que está a sacrificar em parte a credibilidade de João Ferreira perante alguns eleitores de esquerda, que acreditavam que mesmo aqui, não havendo a questão de geringonças, e portanto um voto vale um voto, mas que acreditando que Fernando Medina não tem maioria, podiam votar ou no PCP, ou na CDU, ou no Bloco de Esquerda e portanto ir buscar algum eleitorado de pessoas que votaram no Bloco de Esquerda. E João Ferreira tem feito esse caminho, mas Jerónimo de Sousa, para não sacrificar a nível nacional e outras autarquias, vem ser uma espécie de polícia mau, quando João Ferreira é o polícia bom. Esta confusão nos eleitores que acham que é igual votar no Bloco ou no PCP, porque irão governar e influenciar a governação da cidade. Ora, isto não resulta. Portanto, quem quiser influenciar a governação da cidade não votando no PS para um acordo de coligação pós-eleitoral, já sabe que com João Ferreira será muito difícil. Quer dizer, quer pelouros, mas não quer acordo. Ou usar um termo ou um provérbio que Jerónimo de Sousa tanto gosta: quer sol na eira e chuva no nabal. Isso não é possível em política.

É isso mesmo que vamos ver já daqui a instantes com a Mariana Lima Cunha. Isto porque arrumada que está a contabilidade de quem perdeu e ganhou votos neste Caça ao Voto, vamos pra estrada. E já nesta primeira edição do Caça ao Voto, vamos ao encontro das jornalistas Mariana Lima Cunha, que esteve em Lisboa, e da Inês André Figueiredo, que no Porto andou à procura de abrigo por causa da chuva. Em Lisboa, o candidato do PCP arrancou então a pedalar, depois de Jerónimo de Sousa ter dito que não aceita coligações. João Ferreira veio acrescentar que uma coisa são coligações, outra são pelouros para vereadores, isto deixando aqui a porta aberta a entendimentos. Mariana, isto é caso pra dizer que uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa?

É isso mesmo, Ricardo. Parece que hoje o João Ferreira teve de fazer aqui uma espécie de leitura, fez de intérprete de Jerónimo de Sousa, para quem ouviu a entrevista de Jerónimo de Sousa à Renascença e ficou confuso. E nós sabemos que o PCP nem sempre é fácil de ler. A verdade é que o PCP se tem mostrado muito disponível, sempre. Eu ia usar uma expressão que o Rui Pedro ainda agora usava. João Ferreira tem sido um bocadinho o polícia bom de Medina nos debates, em grande sintonia, tem se mostrado muito disponível para acordos com o PS. E portanto, Jerónimo de Sousa, aparentemente, veio aqui pôr um bocadinho de água na fervura para que não pareça que o PCP está tão disponível, que não vai ser um negociador duro e que não vai impor condições. Agora, como já há uma piada que corre um bocadinho à esquerda, que para o PCP talvez seja mais ou menos a mesma coisa que chamar nova fase da vida nacional à geringonça ou posições conjuntas aos acordos parlamentares, que é outra terminologia para, no fundo, dizer uma coisa um bocadinho parecida, que é estar disponível para acordo.

Mariana Lima Cunha, isso foi durante a manhã. Estiveste a acompanhar as pedaladas de João Ferreira, que hoje andou de bicicleta à tarde. Estiveste com a campanha do Bloco de Esquerda, que falou de habitação.

Sim, o Bloco de Esquerda esteve hoje com a presença de Catarina Martins a visitar uma das casas que vão ser entregues para habitação acessível, o que é um dos argumentos do Bloco, porque propôs um programa deste gênero, mas também é um dos pontos fracos, porque em termos de execução, esse programa ficou muito longe dos números que era suposto atingir. E portanto, eu diria que aqui a Beatriz Gomes Dias, a candidata, esteve um bocadinho mais apagada e a Catarina Martins atacou forte o PS. Aliás, atirou a responsabilidade inteira para o PS da falta de execução desses programas. Os partidos à esquerda parecem que estão aqui numa competição para quem é que consegue marcar mais divergências com o PS sem fechar a porta a acordos, porque na verdade os dois querem influenciar a governação da cidade.

Mariana Lima Cunha, jornalista do Observador em Lisboa. Avançamos para o Porto, onde está a Inês André Figueiredo. Inês, a chuva hoje obrigou a cancelar várias ações de campanha previstas para esta tarde, não foi?

É isso mesmo. O tempo aqui no Porto não está propriamente agradável. Chove muito, esteve a trovejar e este tempo levou ao cancelamento de duas ações de campanha, uma da CDU, outra do Chega. Tanto Hilda Figueiredo, candidata da CDU, como António Fonseca, do Chega, não chegaram a estar nas ruas neste primeiro dia de campanha, mas estas ações podem vir ainda a realizar-se. A CDU já disse que este contacto com os moradores vai acontecer noutra data e André Ventura, que estaria presente nesta arruada aqui no Porto, vai procurar espaço na agenda para não terminar esta campanha eleitoral sem uma presença aqui nas ruas da Invicta.

Inês, neste primeiro dia, o candidato a autarca, Rui Moreira, começou a campanha cheio de confiança.

Sim, é verdade. Arrancou de forma muito tranquila a campanha aqui de Rui Moreira no Porto e com dois objetivos muito claros logo à cabeça. Rui Moreira quer manter a maioria absoluta que tem no executivo, mas quer conquistá-la também na assembleia municipal, porque o atual presidente da Câmara acredita que com a maioria absoluta nestes dois órgãos, é possível cumprir objetivos mais depressa. Além disso, Rui Moreira quer roubar a Junta de Freguesia de Paranhos ao PSD, já que Alberto Machado, o atual presidente da Junta, termina agora a possibilidade de se recandidatar. E o movimento de Rui Moreira está a apostar tudo na conquista deste local. Muito rapidamente, só explicar que este primeiro dia oficial de campanha contou com uma arruada que começou na Avenida dos Aliados, depois da apresentação do programa eleitoral. Passou-se no Mercado do Bolhão, que ainda se encontra fechado, com papel a tapar as janelas e tudo mais, ao contrário do que era previsto. Rui Moreira atribuiu o atraso à pandemia e disse até que realmente preferia estar a inaugurar aquela obra antes do arranque da campanha eleitoral. Esta arruada seguiu por muitos locais icônicos do Porto. Rui Moreira esteve sempre muito tranquilo, recebeu muitos elogios, mas vamos ver, foi apenas a primeira arruada e crê-se que o atual presidente da Câmara Municipal do Porto e recandidato ao cargo deverá voltar às ruas nos próximos dias, talvez com um bocadinho mais de animação e, quem sabe, de oposição nas ruas do Porto, que faltou neste primeiro dia de arranque da campanha oficial.

E com menos chuva, não é, Inês? Com menos chuva.

Espero que com menos chuva.

Inês André Figueiredo, jornalista do Observador, que no Porto acompanhou o arranque da campanha de Rui Moreira. Já a seguir recebemos o nosso verdadeiro caçador de aldrabices. Vamos ao Fact Check. Até o final da campanha contamos com o olho de falcão de Pedro Rainho no Fact Check. Bem-vindo, Pedro.

Olá!

Vamos começar em Coimbra, pela secretária-geral do PDR, o Partido Democrático Republicano, também conhecido como Partido de Marinho Pinto. Ela é candidata à Câmara, chama-se Inês Tafula e encabeça a lista da coligação Coimbra É Capital, que junta MPT e PDR.

Precisamente, vamos ouvir se calhar uma frase dita por Inês Tafula no debate sobre Coimbra na RTP a 12 de setembro.

De um partido que faz parte da coligação do Juntos Somos Coimbra e que está irregular, ilegal, que já foi então transmitido ao Tribunal Constitucional e estamos à espera dessa decisão, porque não apresenta as contas à entidade de contas há três anos e segundo a lei

Um partido que não apresenta as suas contas vai ser imediatamente extinto.

Inês Tafula estava num ataque à candidatura do ex-bastonário da Ordem dos Médicos, José Manuel Silva, e a frase em causa é esta que ouvimos: o partido Nós Cidadãos está ilegal porque não apresenta as contas à Entidade das Contas há três anos e, segundo a lei, um partido que não apresenta as suas contas vai ser imediatamente extinto, se a lei se aplicar.

Mas as coisas podem não ser bem assim, não é, Pedro Rei?

Temos que olhar aqui para várias questões. Uma delas é a Lei dos Partidos Políticos, no seu artigo 18º, que diz que o Tribunal Constitucional decreta a extinção de partidos políticos quando não apresentem as contas durante três anos consecutivos ou cinco anos interpolados durante uma época, e pode fazê-lo a pedido do Ministério Público. Portanto, olhávamos para isto e à partida, tudo ok, está certo. Problema: o Nós Cidadãos terá mesmo as contas anuais por apresentar. Nós falámos com o partido e também com a Entidade das Contas e a informação que temos é que não, não há contas por apresentar, pelo menos da forma apresentada por Inês Tafula. Não há três anos consecutivos de contas por apresentar. E depois, também é preciso perceber que aquela forma que Inês Tafula usou para se expressar, dizendo que um partido é imediatamente extinto, não corresponde à verdade. E por quê? Porque é preciso que os processos decorram na Entidade das Contas. É preciso que um partido, de facto, não apresente as suas contas.

Ou seja, não é uma coisa automática.

Não é automática. Há um processo judicial que é aberto, que é analisado, é dado o direito ao contraditório, ao partido visado, e no final desse processo, se o partido não se pronunciar, se as contas não forem apresentadas, então sim, é uma possibilidade que o partido seja extinto por decisão judicial.

Vamos então ao carimbo. Pedro Rei, esta declaração é...?

É enganadora.

Agora vou pedir à Mariana uma ajudinha. Mariana! A Mariana vem aqui, porque a letra ainda não aprendi, porque a música há dois dias eu escrevi, mas agora ela está aqui. A música já decorei, só a letra é que eu não sei.

Esta é a voz de Toy, na apresentação da candidatura de André Martins, da CDU, à Câmara Municipal de Setúbal. Toy é o autor do hino que vamos ouvir a fechar esta edição do Caça ao Voto. Antes, vamos ainda regressar no tempo até 1993. Do baú das autárquicas passadas, retiramos a história de uma corrida, em 93, entre Loures e Lisboa, numa altura em que Odivelas ainda não era concelho e exigia a ligação de metro a Lisboa. Judite França.

O burro e o Ferrari. Parece o início de um conto para crianças, mas não. Foi mesmo uma ação de campanha que o Partido Socialista organizou nas eleições autárquicas de 1993. Em outubro de 93, António Costa era candidato à Câmara de Loures e insistia, para tema de campanha, nos acessos a Lisboa. O percurso era um calvário, obrigando a todos que queriam entrar na cidade pela zona Norte a depararem-se com a enorme dor de cabeça que era a Calçada de Carriças. Para o candidato socialista, nada melhor do que mostrar de forma clara e gráfica como as manhãs dos habitantes de Loures eram um inferno e servia para mostrar que a sua exigência de prolongar a linha de metro até Odivelas era o melhor remédio. Para isso, para chamar a atenção, criar buzz, como hoje se diria, António Costa lembrou-se de uma ação de campanha que opunha no ringue dos acessos a Lisboa um burro e um Ferrari. E resultou. Há reportagens em todos os jornais e televisões que fizeram peça para o horário nobre. De um lado, um burro pachorrento, do outro, um carro que todos cobiçam. Os dois aquecem os motores. Mas o Ferrari podia deixar barulho, muita poluição, mas sem qualquer efeito prático, porque calçada acima o engarrafamento caótico deixou o Ferrari sossegadinho no lugar, em marcha lenta, num para arranca, a miar como um gatinho. Em compensação, lento e despreocupado, o burro lá foi andando devagar, devagarinho, montado por um cavaleiro. O asno fez o percurso em cinco minutos. Ainda teve de esperar que o Ferrari chegasse. A partida foi com pompa e circunstância. Burro e carro alinhados. Uma bandeira de xadrez deu o sinal de partida e lá foi o burrito cinzento pelo meio dos carros, desviando-se do trânsito. Ainda deu para parar a meio do caminho e tirar fotografias ou posar para as câmaras de televisão. Antes da partida, os curiosos que passavam na rua tanto estranhavam ali o burro como o Ferrari e queriam saber o que se passava. Explicada a ação de campanha, as apostas fizeram-se logo a apostar no burro, claro. Afinal, era apenas um burro contra 300 cavalos, mas a alta cilindrada de pouco vale naquele acesso a Lisboa.

Há poucos a apostar no Ferrari. Eu aposto no burro, sem dúvidas.

Vamos lá ver, pelo menos, isto é uma coisa rápida.

O jovem que conduziu o burro previa uma coisa rápida. E foi, porque o burro chegou com um avanço de 10 minutos e lá ficou à espera do Ferrari e de António Costa.

Este quotidiano é um quotidiano que não é suportável no final do século XX, chegar-se a este absurdo de um burro poder vencer um Ferrari.

A campanha foi esperta. O episódio do burro versus Ferrari passou em todo lado. Ainda hoje é recordado como uma ação de campanha bizarra. Costa perderá aquela eleição para os comunistas. Demétrio Alves, da CDU, foi reeleito e cumpriu um segundo mandato à frente de Loures. António Costa não ficou nada preocupado com isso. Já estava bem lançado na política.

Uma corrida entre um burro e um Ferrari na Calçada de Carriças em 1993. Hoje, Odivelas já tem metro e já é concelho, mas os problemas no trânsito, nas horas de ponta, esses mantêm-se.

Setúbal está feliz na cidade. É para o país exemplo da vantagem.

Toy é o autor do hino de campanha da CDU em Setúbal. Aqui vamos ouvi-lo num comício com letra ainda bem fresca e escrita no papel. Setúbal princesinha, ainda vais ser rainha, com o André.

Setúbal princesinha está de pé. Ainda vais ser rainha, com o André.

O Caça ao Voto regressa amanhã.

Setúbal tem a cor de mil jardins. Por isso temos tanto o André Martins. Setúbal princesinha está de pé. Ainda vais ser rainha, com o André. Setúbal tem a cor de mil jardins. Por isso temos tanto o André Martins. Por isso temos tanto o André Martins.

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