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Este é o Quanto ao Voto da Rádio Observador, o penúltimo da primeira temporada Presidenciais 2026, porque tudo indica que haverá uma segunda temporada Presidenciais 2026. O nosso podcast dedicado à campanha eleitoral, com análise do Miguel Pinheiro e do Miguel Santos Carrapatoso, quem anda a ganhar e a perder votos. Eu sou o Ricardo Conceição e comigo está a Judite França.

Bem-vindos, Miguel Pinheiro e Miguel Santos Carrapatoso. Miguel Santos Carrapatoso, quem anda a ganhar votos?

Estamos a correr o risco, pelo menos eu, o Miguel Pinheiro obviamente não, mas estou a correr o risco de ser um pouquinho repetitivo. Obviamente, é mais um dia marcado pelo caso que está a afetar a campanha de João Cotrim Figueiredo. Então, obedecendo essa lógica e olhando para aquilo que são as sondagens, devo dizer que quem está a ganhar votos é Luís Marques Mendes, precisamente porque está a acabar a campanha e nós sabemos como são importantes as retas finais de campanha. Está a acabá-la com um momento positivo e o seu rival mais direto no momento menos positivo. Nós não sabemos, e acho que é importante dizer isto às vezes de forma imprecisa, não sabemos o impacto eleitoral que isto terá na candidatura de João Cotrim Figueiredo. É muito difícil medir o efeito deste tipo de casos. Há gente, seguramente, com quem eu tenho tido a oportunidade de conversar, por exemplo, da área do PSD, que acha que isto vai acabar por beneficiar Cotrim Figueiredo, que tem um efeito de agregação em torno do candidato liberal, e há quem entenda que vai prejudicar a campanha de Cotrim Figueiredo e o resultado no dia 18 de janeiro. Mas, para lá de todas as análises que podem ser feitas nesse prisma, de facto, Luís Marques Mendes acaba a campanha num tom mais positivo, as coisas estão a correr melhor nesta reta final, e só por essa lógica digo que é Luís Marques Mendes que está a ganhar votos.

Miguel Pinheiro.

Eu diria que André Ventura. Acho que ele percebeu nesta campanha que pode ganhar votos sem ser o centro da campanha. Enquanto os outros candidatos da direita se destroem um ao outro, ele continua no seu carreiro, fidelizando os eleitores que já votaram Chega em eleições anteriores. E mesmo hoje, que Govê Emelo criticou André Ventura por uma ação de campanha, um anticombatente ofereceu um casaco militar a André Ventura. André Ventura vestiu o casaco.

Vestiu um camuflado.

Discursou com o casaco. O Govê Emelo disse que era uma espécie de injúria a um símbolo nacional, porque só aqueles que serviram à pátria é que podem usar uma farda e que André Ventura nem sequer fez o serviço militar obrigatório. E perante isto, André Ventura ficou muito calmo, disse qualquer coisa como: "Já fiz o discurso para os portugueses e é isso que me interessa. Dia 18 os portugueses escolherão. E que se se preocupassem menos com picardias e mais com o país, os meus adversários, talvez tivéssemos um país diferente." E portanto, o ritmo cardíaco nem se altera com isto.

Nem sai dos 65.

E esta capacidade, esta disciplina que André Ventura está a ter, está a ajudá-lo. Acho que o está a ajudar até, principalmente, numa eventual segunda volta, porque na segunda volta André Ventura vai precisar de votos de fora do universo do Chega. Mesmo que não ganhe, precisa desses votos para ter um resultado melhor. Eu acho que ele quererá, vamos imaginar que numa segunda volta ele perde, mas perde conseguindo 40%. É um feito. Já poderá dizer: "É possível chegar aos 40%, vamos a isto." 40% já é quase uma maioria absoluta em legislativas.

Exatamente.

Miguel Santos Carrapatoso, quem é que anda a perder?

João Cotrim Figueiredo.

É porque, Miguel, desculpa, não encontramos paralelo para uma situação destas nas eleições de 1986, não é? Neste caso, na acusação que pende sobre João Cotrim Figueiredo.

De memória, não acho que haja nenhuma situação semelhante. Mas sim, João Cotrim Figueiredo, foi um dia muito difícil para o candidato liberal. O comunicado da sua antiga assessora veio trazer um dado novo ou dar mais corpo, pelo menos, ao caso. Mais uma vez, estamos aqui ainda numa fase muito delicada. Não sabemos exatamente o que aconteceu, como aconteceu, quando aconteceu Temos que gerir as palavras com pinças, mas Cotrim Figueiredo, claro, por essa razão teria sempre um dia difícil. O que acho que não tem conseguido é ajudar-se a ele próprio.

Precisa de nervos de aço pra lidar com isto.

Vimos as declarações e ouvimos as declarações de Cotrim Figueiredo, que fez críticas à comunicação social. E atenção, não há mal nenhum em fazer críticas à comunicação social. Ninguém está acima do escrutínio, nem os jornalistas, e não estou aqui a tentar rebater essas críticas. E tem todo o direito a fazê-las. O que eu quero sublinhar é a insistência de Cotrim Figueiredo numa espécie de teoria da conspiração, numa cabala que foi montada contra a sua campanha. Qual é o meu ponto? Se João Cotrim Figueiredo tem provas concretas de que há uma conspiração ou de que houve uma cabala que agora já se estende também à comunicação social, portanto, começou por ser o governo, a AD, a campanha Luís Marques Mendes e agora também envolve os jornalistas. Se João Cotrim Figueiredo tem provas disso, deve apresentá-las, porque de outra forma, responder a uma suspeição que existe sobre ele lançando suspeições generalizadas sobre todos os outros, não me parece a atitude mais inteligente. Eu bem sei que estará seguramente numa situação emocional muito difícil e que é difícil gerir os nervos, como dizias, mas é preciso que alguém que o esteja a acompanhar na campanha da sua equipa o oriente nesse sentido.

As declarações são muito inflamadas, as declarações desta tarde, por exemplo.

Sim, pode haver aí lado estratégico, admito que sim, de vitimização, até de fazer um apelo emocional aos seus apoiantes e simpatizantes para que cerrem fileiras em torno dele. Admito que sim, que isso possa até ser pensado politicamente e pode ser isso que está na cabeça das pessoas da campanha de Cotrim Figueiredo. Agora, esta permanente tentativa de lançar uma suspeição generalizada sobre a origem deste caso não me parece que jogue muito a favor de Cotrim Figueiredo.

Miguel Pinheiro, quem é que anda a perder votos?

Sim, será inevitável falarmos de Cotrim Figueiredo. Acho que há aqui muitos pontos diferentes, como é natural. Em primeiro lugar, eu já disse quando isso surgiu, eu acho que a maneira como esta história apareceu na campanha não foi boa e, portanto, acho que não foi bom a maneira como isto foi feito. Agora, surgindo a história na campanha, há aqui dois pontos que era preciso esclarecer. O primeiro é a alegação. Temos uma pessoa a alegar que Cotrim Figueiredo terá feito determinadas coisas, esse é o primeiro ponto, e a alargar. O segundo ponto era o que a Iniciativa Liberal soube ou não soube há dois anos. E o primeiro ponto é muito difícil, como é evidente. Acho muito complicado, a não ser que haja provas irrefutáveis, é muito complicado. O segundo ponto também é muito complicado, mas, apesar de tudo, Cotrim Figueiredo apelou que os jornalistas fizessem o seu trabalho e os jornalistas estão a fazer o seu trabalho. Isso pode não agradar à Iniciativa Liberal. O Público hoje conta que a autora de um livro sobre o Me Too, que contou nas redes sociais há dois dias que no lançamento do livro a denunciadora ia ter com elas e tinha dito que tinha sido vítima de assédio na Iniciativa Liberal. O Público conta hoje que estava lá na apresentação do livro e que a viu a ir falar com as autoras e que viu outras pessoas que até apoiam vítimas a irem falar com a autora, que ela estava muito emocionada e, portanto, o público comprova que este episódio existiu e há pouco o DN falou com uma das outras pessoas que foi ajudar a pessoa que agora fez esta alegação e que diz que ela lhe disse, na altura do lançamento do livro, não foi hoje, que tinha contado no partido o que se estava a passar e que isso tinha sido ignorado. Ou menorizado. Portanto, somam-se os relatos de que a autora da denúncia já tinha falado disto há muito mais tempo, e não apenas na campanha eleitoral, e que terá falado dentro do partido. Por isso, os jornalistas estão a fazer o seu trabalho e estão a tentar no tempo que existe. Atenção, nem é o tempo que existe. Esta história será, obviamente, independente.

E o partido diz que não tinha conhecimento de nada, não é?

Claro, com certeza que sim. Com certeza que diz. Depois, finalmente, há este ponto dos jornalistas enquanto Cúmplices do sistema, que não vem de hoje. Cotrim de Figueiredo adotou esta narrativa desde o início da campanha, de cada vez que não era convidado pra uma determinada coisa, de cada vez que havia uma promo numa televisão pra um debate e ele não aparecia, de cada vez que não o convidavam pra uma conferência, de cada vez que ele se sentia menorizado pela comunicação social, ele denunciava a imprensa como fazendo parte do sistema. Deste suposto sistema, do tal deep state. O sistema quer travar-me, os jornalistas são cúmplices do sistema e estão a ajudar o sistema a travar-me. E, claro, se isso já existia antes destas polêmicas, mais ainda agora. E qualquer coisa que ele veja na comunicação social é a prova pra ele de que, de fato, existe uma cabala na qual estão envolvidos os jornalistas pra o travarem, porque ele é um grande perigo pra o sistema. Ele é que fala em nome do povo, ele é o representante do povo. E o sistema está contra o povo. E o sistema não admite que o verdadeiro representante do povo possa vencer as eleições. Nós já ouvimos isto em outros lados, não é? Pronto, já ouvimos isto em outros lados pouco recomendáveis. Mais uma vez, eu também percebo que este momento seja complicado de digerir, com certeza, claro que sim.

Logo Mariana Leitão vai entrar na campanha.

Que até agora esteve em silêncio.

Que vai ser questionada sobre isto. Resta saber se vai ou não responder aos dois.

Porque essa é outra questão também importante de explicar a quem nos ouve, que é o Observador e seguramente outros órgãos de comunicação social têm tentado ativamente falar com Mariana Leitão na qualidade não só de presidente do partido, mas também de antiga chefe de gabinete do grupo parlamentar da IL à altura dos supostos fatos. O que temos tido até agora são respostas institucionais do partido e não em nome de Mariana Leitão. E portanto, isso também cria aqui uma dificuldade objetiva de ouvir aquilo que Mariana Leitão tem pra dizer. Lá está, em fazer o contraditório, que é o nosso dever e aquilo que estamos a tentar fazer desde o primeiro momento. Portanto, é de esperar que hoje Mariana Leitão fale finalmente e dê a sua versão dos fatos, porque é muito importante haver um esclarecimento. Sabia, não sabia, o que assistiu, presenciou alguma coisa ou não.

Miguel.

Vamos avançar para as caravanas?

Peço desculpa, mas eu fiquei aqui sem escuta. Deu um piparote nos meus headphones e fiquei sem ouvir. Vamos avançar pras campanhas. Obrigado, Miguel Pinheiro e Miguel Santos Carapatoso. Vamos ao encontro da Nadine Soares, que está a acompanhar a candidatura de Henrique Gouveia e Melo. E Nadine, onde é que andas?

Estou na Rua das Flores, no Porto, numa arruada. Pra já ouvimos silêncio porque Henrique Gouveia e Melo visita agora o Museu da Misericórdia e entretanto os bombos pararam. Esta arruada vai ter como destino final a Alfândega do Porto, onde depois vai haver um jantar comício.

E agora, hoje ouvimos Henrique Gouveia e Melo dirigir-se ao eleitorado mais velho. Como é que o almirante tentou abordar esse eleitorado?

A poucos dias das eleições, Gouveia e Melo continua a focar o discurso muito nos idosos, principalmente através de ações de rua, mercados e feiras. É reconhecido muitas vezes pelo processo da vacinação e muitas vezes é abordado nas ruas sobre este assunto e são sempre idosos a agradecer por todo esse trabalho de gestão das vacinas. Nas ruas, o almirante tem uma boa taxa de aceitação junto desta faixa etária e por isso nesta reta final continua muito a insistir nesta narrativa de que vai mais uma vez proteger esta parte da sociedade. Nesta campanha até chegou a pessoalizar o tema, a dizer num comício em Alcobaça que, por exemplo, o magoava pensar que um dia podia acabar num lar sozinho ou, como descreveu, um depósito de idosos. Aproveita também muitas vezes este tema dos idosos pra atacar os adversários. Dou como exemplo esta manhã, na Furada, onde ouvíamos críticas de Gouveia e Melo direcionadas a António José Seguro, é um adversário que pode roubar votos nesta fatia de idosos e por isso o almirante apresenta-se como a figura organizada, a disciplinada, que quer por tudo em ordem e associou até o nome de António José Seguro ao período da Troika, onde na altura Seguro era secretário-geral do Partido Socialista. O almirante que lamentava esse corte de pensões, que tenha sido apoiado por alguém da esquerda quando não era necessário, porque existia uma maioria PSD-CDS na Assembleia da República, uma expressão utilizada por Gouveia e Melo esta manhã. E nesta leitura, o almirante prometia que se chegar a presidente, esse cenário nunca mais vai voltar a acontecer, porque iria utilizar poder de veto em qualquer decreto de lei que fosse ao encontro desse tipo de cortes. É uma tentativa do almirante descolar o candidato socialista, que até tem aparecido bem posicionado nas últimas sondagens, deste papão da Troika, que é um tema que ainda assusta o eleitorado mais velho.

E Nadine, onde é que vai terminar o dia?

Como dizia, agora estou na Rua das Flores, vamos descer esta rua até a Alfândega do Porto. É uma festa comício, onde vão estar previstos os discursos de Manuel Pizarro e também do mandatário nacional Rui Rio.

E é uma das mais encantadoras ruas do Porto, a Rua das Flores.

Mas esperemos que essa festa comício seja dentro de portas.

Vai ser. Até porque tem chovido bastante este dia e então quiseram assegurar essa parte logística pra os jornalistas e também o próprio candidato não estar à chuva.

Muito obrigada, Nadine Soares. Vamos agora ao encontro de Vasco Maldonado Correia, que está com o candidato António Filipe. Vasco, por onde andas?

Judite, eu estou no Porto também, na Praça da Batalha e estou ao ar livre.

Estão perto um do outro.

Então não estás muito longe.

E estou ao ar livre e sem chuva, nesta altura.

Está um belo fim de tarde, imagino.

Por enquanto, sim. Sem nuvens.

Pronto, mas com frio, aposto.

Muito frio.

Hoje ouvimos António Filipe fazer um apelo contra o voto útil, Vasco.

Contra o voto útil e especialmente aos indecisos, a apelar aos indecisos, o que por si só já é digno de registo, porque se reconhece que existem muitos indecisos, e foi isso mesmo que disse, também é porque está atento às sondagens. E são as sondagens que dizem que há quase 20% de indecisos e isso já marca uma diferença para o que tem sido o seu discurso em relação a esses estudos de opinião, porque até agora ia dizendo que a única sondagem que valia era a sondagem do dia 18. Agora já fala em indecisos, ou seja, já fala em sondagens, mas também com o apelo que diria que é importante para que as pessoas não liguem às sondagens, porque influenciam. Diz António Filipe que não votam, mas influenciam muito e acertam pouco. Por isso, há aqui uma mudança de registo, diria, que também penso que não será abusos dizer que é um reconhecimento também de que António Filipe percebe que está atrás e que tem que fazer pela vida, porque há sondagens, por exemplo, que o mostram atrás de Jorge Pinto, mostram atrás de Catarina Martins e até muito ligeiramente à frente de Manuel João Vieira, o que seria uma derrota ou um resultado digno de derrota e que seria também motivo de reflexão, não só para António Filipe, mas também para quem está por trás, a CDU.

E o jantar vai ser aí, Vasco?

O jantar vai ser em Braga. Há um comício em Braga às 21h, sendo que daqui a cinco minutos, ou seja, já mesmo daqui a bocadinho, começamos a descer a Rua de Santa Catarina.

Um clássico das campanhas eleitorais. O "Caça ao Voto" regressa amanhã, no último episódio da primeira volta.