Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
Este é o Caça ao Voto da Rádio Observador. André Ventura não se poupa em entrevistas e hoje estará em Zurique, na Suíça, junto da comunidade portuguesa. Sabemos como o voto da imigração é importante para André Ventura e para o Chega. António José Seguro tem uma ação esta tarde em Lisboa, no Museu de Lisboa. Daqui a pouco vamos tentar perceber o que disse nos noticiários. Eu sou o Ricardo Conceição e comigo está a Judite França.
E como sempre, no Caça ao Voto, começamos a fazer contas a quem anda a ganhar e a perder votos, com o diretor executivo do Observador, Miguel Pinheiro, e com o editor de política, Rui Pedro Antunes. Miguel, começo por ti. Quem é que anda a ganhar votos?
Nós acabámos de publicar uma notícia que confirma que, de facto, Marques Mendes vai declarar o apoio a António José Seguro. É verdade que a quantidade de personalidades de centro-direita que têm corrido para declarar apoio a António José Seguro, a dada altura, tudo aquilo se transforma em ruído de fundo. Porque são uns a seguir aos outros e algumas dessas personalidades, imagino que mobilizem o seu próprio voto, talvez. Mas Marques Mendes acho que é diferente. Acho que Marques Mendes foi um candidato nestas eleições, teve um número reduzido de votos, a candidatura acabou por ser um fracasso. Houve ali um momento em que parecia que era possível, mas depois, quando se começou a falar sobre os negócios, aquilo descambou e nunca mais se endireitou. É verdade que André Ventura vai dizer: "Olhem, olhem, o facilitador de negócios apoia António José Seguro, já viram? Olhem, que maravilha." Mas a verdade é que houve muita gente que, apesar de tudo, um número razoável de pessoas que votaram em Marques Mendes. Marques Mendes não é dono dos votos, ninguém é dono de votos nenhuns, mas está a dar um sinal aos seus apoiantes e acho que isso é importante para António José Seguro. Este nome acho que se destaca dos outros.
Vamos ao encontro do nosso enviado especial à Europa Central. Algures na Europa Central está Rui Pedro Antunes, em movimento, editor de política do Observador. E Rui Pedro, onde é que estás agora? Podemos saber?
Olha, agora estou na Alemanha, porque esta Europa é sempre muito complicada em termos de logística, principalmente.
Pois é, isso é verdade.
E a rede na Alemanha não é grande coisa.
A Alemanha é um país de terceiro mundo, claro.
A rede 5G não é grande coisa. Agora vamos tentar recuperar aqui a chamada com o Rui Pedro Antunes. Vamos ver se já melhorou. Se ele estivesse num país civilizado, a rede não ia abaixo. Vamos ver agora Rui Pedro. Agora sim.
Ricardo, eu concordo com o Miguel Pinheiro. Acho que o apoio de Marques Mendes não tem a ver com o rol de apoios e com as dezenas de pessoas que até agora apoiaram António José Seguro. Há algumas que até fazem essa declaração de apoio mais por uma questão quase exibicionista própria, por uma afirmação no espaço público e que, como o Miguel dizia, conta basicamente o seu voto. Um dos candidatos que foi opositor tem, de facto, essa relevância. Também de outra forma, que outros candidatos que tenham perdido, já percebemos que João Coté Figueiredo não vai tomar essa posição, mas, por exemplo, quando o almirante Gouveia e Melo tomar posição ou para António José Seguro ou para André Ventura, também será relevante, porque é um dos candidatos que enfrentou na primeira volta e, portanto, isso tem um valor expressivo. Portanto, eu concordo em absoluto que António José Seguro ganha votos porque é uma figura que foi um candidato que tinha a representação do PSD. Depois das várias críticas pelo facto de o próprio PSD como partido e o primeiro-ministro não tomar posição, acho que fica absolutamente claro, pelo menos o candidato Marques Mendes gostaria que aqueles que votaram em si, embora ele não quisesse fazer essa relação por se considerar que não era dono dos votos, votem em António José Seguro, e isso acho que é positivo. Lá está, como dizíamos ontem, o grande objetivo é alargar a base e alargar com critério. De repente, começar a receber apoios e isso contar como uma espingarda e isso ter um grande efeito, porque às vezes até há apoios que têm o sentido contrário e que acabam por afastar um determinado tipo de eleitorado, o que não é o caso. Ou seja, Marques Mendes contemporizou um bocadinho, pelo que percebemos pela nossa notícia, também chegou a ponderar logo na noite eleitoral fazê-lo, mas queria fazer essa diferenciação. E eu acho que é positivo, não há forma de não ser positivo para António José Seguro este apoio do Luís Marques Mendes, mesmo que tenha ficado em quinto lugar e tenha tido cerca de 11% dos votos, acaba por ser sempre um apoio positivo e dá essa ideia de alargar de base eleitoral para António José Seguro.
Miguel Pinheiro, quem é que anda a perder votos?
Eu diria que também António José Seguro.
Está se a tornar repetitivo, Miguel.
Porque José Sócrates apareceu. Ontem apareceu António Costa, hoje apareceu José Sócrates. Eu bem sei que José Sócrates não declarou apoio a António José Seguro, não foi por isso que Sócrates apareceu. Sócrates apareceu mais uma vez em Bruxelas, penso eu, para apresentar a sua queixa contra o Estado português, recorrer à ONU, enfim, tudo. Só falta recorrer à grande assembleia intergaláctica para tentar que os alienígenas também o venham ajudar a repor o Estado de Direito em Portugal. Mas as pessoas olham para as televisões, ouvem a rádio, leem os jornais e pensam: "Ah, pois é. Olha, já viram aqui o José Sócrates." E além de José Sócrates aparecer, o que já é mau por si para António José Seguro, António José Seguro arrisca-se a que lhe perguntem diretamente: "Oiça lá, o que tem a dizer sobre este ex-primeiro-ministro do Partido Socialista e ex-líder do Partido Socialista, o que tem a dizer sobre isto?" E daquilo que nós percebemos na primeira volta, António José Seguro não quer falar sobre José Sócrates, não quer falar sobre António Costa, não quer falar sobre nada que seja incômodo.
Não quer falar sobre o passado.
Nada. Sendo que atenção, não estou a equiparar José Sócrates com António Costa, como é evidente, são duas coisas totalmente diferentes. Mas realmente António José Seguro está a caminho de fazer bingo. Acho que falta aparecer Augusto Santos Silva a dar uma conferência de imprensa e depois Ferro Rodrigues. Acho que se eles forem assim, um por dia, realmente António José Seguro arrisca-se a ter um problema.
Isso é mau para António José Seguro?
É terrível. Acho que António José Seguro gostaria, acho eu, que todas as figuras socialistas fossem de férias. Fossem ali para Quarteira durante uns dias, ficavam lá, arranjava-se lá um apartamento.
O chamado êxodo de Quarteira.
Sim, arranjava-se ali um T3 para meter toda a gente, porque ele precisa evitar que se volume o voto irritado com o PS e que vê em André Ventura um mal menor. Mas realmente o PS não está a ajudar.
Vamos ver o que é que diz também Rui Pedro Antunes. Rui Pedro, quem é que para ti anda a perder votos?
Olha, Ricardo, apesar de entre o caso ao voto de ontem e de hoje ter havido a questão do CDS não se posicionar, e portanto eu acho que André Ventura também ganha votos por isso, até porque a posição de André Ventura quando atacou o binômio do candidato democrata e o antidemocrata, dizendo que André Ventura não é um candidato antidemocrata e portanto essa posição de uma figura, que é o líder parlamentar do CDS, tem esse peso e portanto ele aí ganhou, mas eu ia colocá-lo a perder votos por algo de hoje, do dia, que tem a ver com o facto de só ter para já conseguido um debate televisivo. Claro que eu espero que os dois depois participem no debate das rádios, como está planeado e agendado, e que seja possível esse debate, o que levaria a dois confrontos. Mas o que é certo é que André Ventura tinha definido na sua estratégia, e tinha atirado isso pro ar, ter três debates, não sei se televisivos, mas pelo menos três debates. E para já só tem garantido apenas um, porque António José Seguro só participa em um. Olhando para as duas figuras, sabemos que quem à partida sai mais favorecido, até para mostrar uma imagem de que é mais ativo, que é mais enérgico, que tem mais força, quem sairá mais favorecido eventualmente do debate é André Ventura. Ou mesmo que não saia, ele acha que sai. Portanto, na estratégia dele, ele acha que podia ter mais debates e ter mais essa confrontação direta com António José Seguro para mostrar as diferenças entre os dois, que ele acha que podem ser úteis, que não são apenas políticas. Até diferenças da forma, do tipo de presidente que cada um quer ser. Ele acha que nos debates vai conseguir demonstrar isso. Para já, vai existir apenas um em sinal aberto, foi também noticiado há pouco. Eu creio que isso, de alguma forma, André Ventura perde votos, porque quanto mais ele tiver essa presença televisiva em confronto direto, ou quanto mais tivesse, mais ia ganhar votos a António José Seguro. E a prova que ele acha isso é que estrategicamente era isso que ele desejaria e foi isso que ele pediu. E portanto, colocaria hoje o André Ventura a perder votos por esta razão de, em três que pediu, ter apenas um combate televisivo, que é um local em que ele se sente muito mais à vontade para impor o seu estilo do que António José Seguro, apesar de António José Seguro ter tido muitos bons debates na fase dos frente a frente, e apesar de ainda hoje, eu como pessoa que gosto de política, costumo às vezes cruzar-me e vou ver o debate que ele teve com António Costa, ou os dois debates que teve com António Costa nas direitas do Partido Socialista, e é de facto impressionante a maneira como António José Seguro conseguiu em vários momentos desses debates sair por cima contra um político muito hábil como era António Costa. Isso depois não lhe valeu a vitória nessa situação em concreto, mas que também não quer dizer que António José Seguro seja propriamente inábil em debates, parece-me é que quer ter menos e André Ventura queria ter mais, e por isso, como vão existir menos do que André Ventura desejaria, eu acho que eu lhe colocaria hoje a perder votos por essa razão.
Muito rápido, Miguel Pinheiro, concordas? É bom para António José Seguro, é preferível para António José Seguro só ter um debate?
Eu gostaria que não fosse preferível. Eu gostaria que António José Seguro não tivesse medo de debater com André Ventura. Eu gostava de ter um presidente da República, caso ele vença, que não sentisse a necessidade de se esconder. Tem que ser alguém com capacidade de ir ao choque de ideias, ir ao debate político e impor-se aos seus adversários. É isso que se espera. Se vamos ter como presidente da República alguém que tem medo de estar fechado num estúdio com outro líder político, acho que isso só o diminui. E acho que esta imagem que António José Seguro passou e está a passar, de que tem medo de debater com André Ventura, e vamos ver quantas entrevistas é que vai dar, mas que tem medo deste escrutínio, acho que só o diminui. Diminui-o enquanto candidato, diminui-o politicamente e passa a imagem de alguém que ou acha que já ganhou ou tem medo de perder.
O Caso ao Voto regressa amanhã