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Olá, bem-vindos ao podcast "Redes Invisíveis". Todos os dias fazemos chamadas, ligamo-nos à internet, acendemos as luzes, carregamos equipamentos ou utilizamos serviços essenciais sem pensarmos nas redes, infraestruturas, equipas e operações que tornam tudo isto possível. Por trás dessa normalidade, existe um ecossistema complexo que tem que funcionar permanentemente com eficiência, rapidez e também capacidade de resposta. Há 27 anos que a Wondercom trabalha nos bastidores de algumas destas infraestruturas e operações, apoiando empresas e organizações em áreas como as telecomunicações, as tecnologias de informação, a energia, o field service e os serviços técnicos especializados. Para percebermos melhor estas redes invisíveis e a sua importância para a economia, conversamos hoje com Zuzana Fabianová, fundadora e CEO da Wondercom. Olá, Zuzana.
Olá.
Fundou a Wondercom em 1999, com apenas 24 anos, numa altura em que pouco se falava de empreendedorismo e a internet começava a transformar as empresas. Como é que nasceu a Wondercom e que oportunidade identificou no mercado português na altura?
Muito bem. Obrigada pelo convite. Foi um puro acaso. Nessa altura, quando tínhamos 24, tudo é possível, nada é impossível. Estava a trabalhar na Expo 98, como hospedeira no Pavilhão da República Eslovaca. Surgiu um boom no âmbito de telecomunicações. Ouviu-se dizer por aí que a Portugal Telecom perdeu o monopólio. Surgiram imensas empresas, novas operadoras, e de fato faltavam entidades, pessoas, empresas que conseguiam colocar estas ideias de novas tecnologias e de novos serviços ao terreno. E foi aí que encontrámos o espacinho e com a convicção que conseguimos fazer acontecer, surgimos como uma empresa e apresentámo-nos como uma alternativa para estes novos serviços, para esta nova tecnologia. E curiosamente, este ADN continua dentro de nós ainda hoje, e ainda hoje vivemos e trabalhamos com a convicção que é possível fazer acontecer.
Muito bem. Passaram 27 anos. O que é hoje a Wondercom e que papel desempenha nas infraestruturas e operações que fazem as empresas e a economia funcionar, Zuzana?
Até agora, nós sentimos que quando ninguém fala de nós, e ninguém se apercebe da nossa existência, é que nós efetivamente estamos a trabalhar bem. Como eu disse no início, e muito bem, nós estamos nos bastidores. Os nossos clientes, as operadoras de telecomunicações, os fabricantes de energia, o Estado, as bancas, as diversas empresas têm suas necessidades, têm suas ideias, têm necessidades de colocar tecnologia ao serviço dos seus clientes ou dos seus colaboradores. E aí nós ganhamos o papel importante e efetivamente estamos por detrás destas ideias e conseguimos executar. E eu acho que ao longo do ano foi precisamente isso que nós tivemos de aprender. De alguma forma, antecipar as necessidades dos nossos clientes, antecipar a tecnologia, adaptar-nos a ela, fazer com que a organização se adaptasse, o conhecimento e as competências das pessoas se adaptassem, e depois a execução. Execução com qualidade e em escala.
Que dimensão tem atualmente o grupo, Zuzana, em volume de negócios, número de colaboradores, áreas de atividade, presença geográfica e também operações realizadas?
Essa é a pergunta muito fácil de responder, porque aqui vou me basear naquilo que efetivamente são os números. Hoje em dia somos cerca de 600 pessoas internas. No total, empregamos cerca de 1000 pessoas, 600 internas, 400 nossos parceiros muito próximos, que estão conosco na execução diária dos serviços. Ano passado faturamos cerca de 50 milhões de euros. Este ano vamos dar mais um passo gigantesco de crescimento, se Deus quiser, na ordem dos 20%, e vamos nos aproximar aos 60 milhões de euros. Como disse, e muito bem, estamos no âmbito de telecomunicações, estamos no âmbito de tecnologias de informação e comunicação, e também no âmbito da energia, prestando serviços de outsourcing especializado, field service. E temos uma equipa muito forte que está a ajudar os nossos clientes na elaboração das propostas e das soluções técnicas aos nossos clientes. Depois, mais tarde, temos capacidade não só de as desenhar, como as implementar e como fazer o respectivo suporte.
Ao longo deste percurso, Zuzana, quais foram os momentos mais exigentes para si enquanto empresária e também para a afirmação da Wondercom no mercado português?
É difícil responder isto. A verdade é que nós encaramos muitos momentos mais complicados, mas na altura nunca podemos admitir que são complicados e que são difíceis para não desmoralizar ninguém. Já por si, fundar a empresa com 24 anos e ser mãe ao mesmo tempo, é uma tarefa bastante desafiadora.
Então tem dois filhos com a mesma idade?
Tenho dois filhos com a mesma idade, exatamente. E às vezes é difícil. Na altura era difícil qual atender primeiro, provavelmente aquele que chora mais alto. Mas também acho que o desafio aqui é crescer de uma forma sustentável, porque começamos do zero. Não perder a qualidade, garantir a escala, não perder entidade, não perder proximidade com os nossos clientes. E depois há crises económicas, há pandemias, há situações onde efetivamente temos de reinventar um pouco a nossa atividade, porque a verdade é que temos que estar todos os dias presentes no terreno e temos, dentro dos níveis de serviço acordados com o cliente, garantir que efetivamente o serviço acontece tal como o cliente imaginou.
A Wondercom cresceu, diversificou-se para áreas como as telecomunicações, as tecnologias de informação, energia, field service e outsourcing especializado. Susana Fabianová, esta evolução resultou de uma estratégia definida ou da capacidade de antecipar as necessidades dos clientes?
Ambas as coisas, diria. Porque a estratégia efetivamente tem de existir e de alguma forma pauta o caminho das nossas equipas. Mas uma das coisas que faz parte da nossa estratégia, como eu já disse inicialmente, é manter a proximidade, capacidade de escutar, de perceber os sinais. Portanto, se o cliente efetivamente identificar uma nossa necessidade, é uma oportunidade gigante também para a Wondercom de se continuar a desenvolver e incluir no seu portfólio coisas que fazem sentido para os nossos clientes. Um exemplo concreto, aliás, dois. Eu não sei se aqui podemos mencionar os nomes concretos dos nossos clientes, nomeadamente a Vodafone tinha a necessidade de passar, não só garantir a conectividade, como também alargar o seu portfólio no âmbito de tecnologias de informação. Desafiou-nos para lhes apoiarmos tanto na competência da elaboração das soluções relacionadas com tecnologias de informação, como soluções de segurança, como soluções de Wi-Fi, videovigilância, hospitality TV, entre outras soluções. Nós hoje em dia temos equipa capaz de responder aos clientes dos nossos clientes, elaborar uma proposta técnica e depois responsabilizar-nos pela implementação, pelo rollout e pela respetiva monitorização e manutenção do serviço. Aproveitando muito bem todos os processos e procedimentos que tivemos no field service, apercebemo-nos que este processo pode ser transportado para outros negócios e outras áreas de mercado, nomeadamente as energias. Apesar de facto que o know-how é muito diferente, o processo do field service continua igual. E nós assim aventuramo-nos a entrar no mundo da energia com as equipas de field service, capaz de implementar os serviços no âmbito da solar fotovoltaica ou mobilidade elétrica.
Muito bem. Qual foi a decisão estratégica mais importante para diferenciar a Wondercom e conquistar a confiança das grandes organizações, Susana?
Eu acho que eu vou parecer um disco estragado aqui. Mas vou novamente repetir. Não importa apenas o preço e não importa apenas um caderno de encargos bem respondido. O que é mesmo muito importante é zelar pela relação e pela proximidade e carregar os nossos clientes com a confiança que pode ficar descansado quando nos entrega as operações críticas.
A maior parte deste trabalho, do vosso trabalho, permanece invisível para o consumidor. O que é necessário garantir diariamente em pessoas, tecnologia, capacidade operacional, para que estas infraestruturas e serviços, Susana, não fechem?
Cada vez mais é importante garantir a capacidade de continuidade do negócio e para isso, independentemente dos sistemas, do software, do processo que nós podemos ter implementado, faz diferença realmente as pessoas. As pessoas dedicadas, que vestem a camisola, que estão todos os dias no terreno e que são os embaixadores nossos e os embaixadores nos nossos clientes, junto dos seus clientes, a mostrar efetivamente que estamos cá para aquilo que for necessidade de cada um, dentro do âmbito daquilo que está contratado, obviamente.
Susana, Portugal é um mercado relativamente pequeno. A internacionalização faz parte da ambição da Wondercom ou o crescimento continuará a passar sobretudo pelo reforço da presença nacional e pelas parcerias com grandes operadores tecnológicos? Qual é o caminho?
Nós já demos alguns passinhos. Tivemos pontualmente serviços e solicitações fora de Portugal, tanto em Espanha como na Holanda, por exemplo, ainda recentemente em Espanha, no âmbito do field service e no âmbito da implementação das soluções dos nossos clientes junto das operadoras ou junto dos seus clientes finais. Mas aquilo que nós sonhamos e achamos que faça sentido, nós desenvolvemos um software Que basicamente ajuda-nos a gerir diariamente, a nós, nomeadamente, 300 mil intervenções técnicas por ano. Milhões de transações na logística. São 27 anos de conhecimento, ou 28 anos de conhecimento. É um software que nos ajuda muito na nossa operação do dia a dia e nós achamos que se efetivamente ajuda ao nosso field service a correr sem dificuldades, eventualmente poderá ser um produto ou uma solução interessante de oferecer a outras empresas com field service que possam querer ter uma ferramenta que lhes ajuda a gerir as operações do dia a dia. E talvez é este software que nos eventualmente permitirá no futuro de sair das fronteiras de Portugal.
Quando olhamos para os próximos anos, que transformações, da inteligência artificial à automação, à transição energética ou à crescente necessidade de resiliência, que transformações, Susana, terão maior impacto neste setor e na evolução da Wondercom?
A inteligência artificial, uma excelente serva, um péssimo senhor, costumo dizer eu, mas uma excelente serva e uma excelente ferramenta, ajuda-nos em prevenção de algumas avarias, de servir melhor aos nossos clientes, suportar-nos nas decisões para efetivamente conseguirmos aproximar-nos ainda mais daquilo que são eventuais problemas dos nossos clientes. A transformação tecnológica por si é uma oportunidade de negócio e transição energética também, porque vai haver muita necessidade de alterações na infraestrutura. Nós temos o field service e conseguimos estar lá presentes para os nossos clientes a implementar soluções que eles próprios entendem que fazem parte da estratégia delas. E nós, como empresa, deixamos de ser apenas um puro executor e passamos a ser uma empresa com capacidade de se integrar melhor, de prever melhor as soluções e de ser ainda mais próxima do que é até hoje.
Susana Fabianová, muito obrigado por nos ajudar a tornar visível o trabalho, as equipes e também as infraestruturas que permitem que empresas e serviços essenciais funcionem todos os dias.
Muito obrigada eu.
No próximo episódio vamos falar sobre as infraestruturas críticas de energia e a conectividade, e perceber como é que se garante a sua otimização, resiliência e continuidade operacional. "Redes Invisíveis" está disponível no site do Observador e nas principais plataformas de podcast. Até para a semana.