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Bem-vindos ao "Caça ao Voto". Daqui a pouco vamos conversar com o Miguel Pinheiro e com o Rui Pedro Antunes para saber quem anda a perder e a ganhar votos nesta campanha eleitoral. Vamos também à estrada, ao encontro de dois jornalistas do Observador que estão a acompanhar esta campanha no terreno. Hoje, a Inês Ameixa em Lisboa e a Rita Penela no Porto. Temos ainda fact check. Hoje uma declaração de Catarina Martins sobre a refinaria da Galp em Matosinhos, um dos temas fortes desta campanha. E no baú das autárquicas, recordamos a história da fuga de Fátima Felgueiras para o Brasil e uma cadeira de presidente de câmara que ficou vaga. A fechar, o hino de campanha de um dos candidatos a Odivelas, o ex-árbitro que promete mostrar um cartão vermelho. Este "Caça ao Voto" começa agora. Numa campanha marcada por queixas e mais queixas, a Comissão Nacional de Eleições revela ter recebido cerca de meia dúzia de queixas de cidadãos contra a utilização do PRR no discurso da campanha eleitoral por parte de António Costa. Ontem à noite, na Madeira, o secretário-geral do PS e primeiro-ministro, referindo-se à fatia do PRR que vai para a Madeira, disse isto:
Portanto, não vale a pena ameaçarem-me com a Comissão Nacional de Eleições, porque eu não tenciono vir aqui fazer a propaganda do governo regional, a dizer onde é que o governo regional decidiu, bem ou mal, é lá com ele, investir os €697 milhões que nós negociámos e que atribuímos à Região Autónoma da Madeira.
António Costa ontem à noite na Madeira. E Hilda Figueiredo anunciou hoje que se candidata pela última vez à Câmara do Porto pela CDU.
Será a última vez que serei candidata à Câmara e que espero ter o apoio da população da cidade para, nos próximos quatro anos, continuar a defender os direitos dos moradores. A alma do Porto são as pessoas.
Esta é a quarta e última vez que Hilda Figueiredo se candidata à Câmara Municipal do Porto pela CDU. Vamos a contas, quem anda a ganhar e perder votos com Miguel Pinheiro, diretor executivo do Observador, e Rui Pedro Antunes, editor de política. Bem-vindos, meus senhores. Rui Pedro, hoje começamos por ti. Quem anda a ganhar votos?
E é por ganhar logo, assim?
É. Pois é.
Olha, para ganhar vou ser um bocadinho breve. Se calhar vou insistir aqui um bocadinho num tema que já temos falado, mas quem anda a ganhar votos é Marta Temido. Nós demos aquele caso no fim de semana, que já falámos aqui ontem, da questão da afixação do carro, mas parece que a popularidade da ministra é à prova de bala. Portanto, todos os autarcas têm solicitado a ministra. Ontem foi a vez de Fernando Medina, e não foi apenas aparecer lá e fazer de bibelô, foi ter uma intervenção política, foi atacar Carlos Moedas qual política profissional. E já hoje ficámos a saber que também na Figueira da Foz, onde Pedro Santana Lopes está bem posicionado pra roubar a Câmara ao PS, a ministra Marta Temido amanhã vai participar numa ação de última hora pra dar esse forcing final para ajudar o candidato do PS a conseguir vencer Pedro Santana Lopes. Portanto, nada abala esta popularidade de Marta Temido, depois de uma pandemia que acabou por ser dura para os políticos e para toda a gente no geral, naturalmente. E, portanto, ela está imune a isto, a casos que têm uma relativa gravidade, mas mesmo assim continua a ganhar votos, ou pelo menos o PS está convicto dos tais focus group que Marta Temido traz muitos votos.
Miguel Pinheiro?
Quem ganha, como é fácil de perceber pelos-
Até agora pensei que ias dizer: quem ganha é você.
Isso fica pra último.
Exato.
Como foi fácil perceber pelas gargalhadas que ouvimos no som há bocado, é António Costa, que pode dizer aquilo que entender e não lhe acontece nada. Já veio deixar o aviso para a Comissão Nacional de Eleições também se manter quietinha e não o vir chatear. E de facto não vai chatear. Ficámos a saber que a CNE recebeu finalmente queixas, porque a CNE só age se receber queixas. Portanto, o primeiro-ministro pode estar todos os dias nos telejornais a violar os seus deveres de neutralidade, que é aquilo que estará em causa aqui, porque a CNE não vê telejornais. Os membros da CNE só ligam o televisor pra ver telenovelas. E por isso, agora que têm queixas de cidadãos, vão analisar e na quinta-feira à tarde, depois temos ainda a sexta-feira de campanha e o dia de reflexão, irão tomar uma decisão. Por isso, será no fim da campanha que a CNE tomará uma decisão. Estou curioso pra ver qual será, mas está aqui provado, António Costa faz o que quer e, portanto, dirá o que quiser e tentará ganhar votos desta maneira.
E vamos então a quem perdeu votos, Rui Pedro.
E aí Rui Rio tem uma especial responsabilidade de ter feito logo queixa e não quis, pra não parecer aquela imagem de queixinhas.
Exatamente.
Portanto, esperaram que os cidadãos fizessem queixa, não é?
O Rui Rio disse que não valia a pena, não é?
Não valia a pena, porque já estava mais que provado que o primeiro-ministro estava a fazer isso. Na verdade, António Costa pode lhe chamar coiso, dizer: "O coiso vai dar milhões pra construir o IC não sei o quê". E, portanto, sexta-feira se calhar vai ser assim, se a CNE não interromper. Quanto a quem perdeu votos, eu diria Catarina Martins ou o Bloco de Esquerda, porque veio falar já do orçamento, que é muito difícil, com a tal da história do costume, das negociações difíceis. E eu percebo que Catarina Martins fale a nível nacional, porque em Lisboa o PCP tem um candidato forte, que é João Ferreira, mais parece estar a se sair melhor do que a candidata do Bloco de Esquerda, continua a não conseguir suplantar aquele que é o maior adversário à esquerda do PS. No Porto, Sérgio Aires ninguém sabe quem é. Não me parece que seja desta que o Bloco conquista lá. Não falamos de outras cidades, como Gaia, onde foi o caso Luís Monteiro, que saiu. Enfim, foi toda uma preparação e um resultado que tem sido mais ou menos catastrófico por parte do Bloco de Esquerda. Não é que tenha acontecido nada de particularmente mau, mas também não aconteceu de bom. O Bloco de Esquerda, que é um partido que a nível nacional discute orçamentos de Estado Que chega a ser, em algumas circunstâncias, o terceiro partido mais votado no país. Tem 12 vereadores e antes disso tinha oito, e não se prevê que ganhe mais do que estes 12. Aliás, tinha dois em Salvaterra de Magos, que foi a única câmara que alguma vez teve, e que também se prevê que não consiga, se calhar, ter a mesma votação. Pode manter Joana Mortágua em Almada, mas será sempre curto. Nunca será um partido de implantação autárquica. As pessoas confiam no Bloco de Esquerda a nível nacional e até em termos de europeias, mas não confiam no Bloco de Esquerda como partido autárquico. E esta campanha vem provar isso. Serve pra Catarina Martins defender os seus interesses a nível nacional, não serve pro Bloco conquistar posições a nível local. Eventualmente, nas assembleias municipais, tem um papel de intervenção política e cívica importante, mas não mais do que isso. Acho que o Bloco de Esquerda a nível autárquico será sempre um partido de segunda e com esta particular agravante que o PCP prova mais uma vez que é a terceira potência autárquica e que tem muito mais poder do que o seu grande adversário à esquerda, que é o Bloco de Esquerda.
Miguel?
Quem perde, acho que é Fernando Medina, que precisamente por causa da participação de Marta Temido ontem no comício, foi criticado por Carlos Moedas, que disse que Fernando Medina tem uma visão ideológica da saúde e a resposta de Fernando Medina, na linha, aliás, daquilo que tem sido o mantra de várias pessoas neste governo, é: "Sim, a nossa visão pra saúde é claramente diferente da proposta da direita e dos seguros." E eu pergunto: Fernando Medina quer acabar com os seguros de saúde? Só pra nos entendermos, ele acha mal haver seguros de saúde. Portanto, por ele, acabava com os seguros de saúde. Só pra ficar claro. E já agora, a DSE é um seguro de saúde ou não é? Já agora, acabava com tudo e quem tivesse algum problema, ia pra porta de um hospital público, também acabava com os hospitais privados. Ia pra porta de um hospital público e víamos o que é que acontecia. Realmente, tem muito estes slogans vazios, contra os seguros. Fernando Medina é contra os seguros de saúde?
Mas isso cola ou não cola junto-
Desde 2014, Miguel, que o PS é contra o seguro.
Isso cola ou não cola junto do eleitorado, Miguel?
Acho que cola esta coisa de criar um papão.
O nós e eles.
Eu só tenho pena que Fernando Medina não seja obrigado a explicar-se até às últimas consequências. Eu gostava que ele me explicasse o que é que pensa sobre seguros de saúde. Olha, pra mim, é a grande pergunta que fica, e aliás, lanço daqui um apelo sincero e lancinante a Fernando Medina. Por favor, explique antes do dia de reflexão, qual é a sua visão dos seguros de saúde. É pra acabar isso? Só pros eleitores saberem.
Fica o desafio neste quem ganhou e perdeu votos nas últimas horas nesta campanha eleitoral, com Miguel Pinheiro e Rui Pedro Antunes. Avançamos neste caça ao voto pra estrada. E partimos sem demora ao encontro da Inês Ameixa, que em Lisboa tem acompanhado CDU e Bloco de Esquerda. Esta manhã, Inês, estiveste com Jerónimo de Sousa, que esteve em campanha em Lisboa, mas Jerónimo de Sousa esteve sem o candidato João Ferreira. Foi avançada alguma explicação pra isso ou não?
Boa tarde, Ricardo. Não, quer dizer, deu uma explicação, mas não deu. Jerónimo de Sousa prestou declarações aos jornalistas, foi de facto questionado sobre se faria ou não sentido o líder andar com o candidato do município que visita, como é de resto habitual nos líderes partidários em eleições autárquicas, vão a determinado município, vão sempre acompanhados com o respectivo candidato e questionado pelos jornalistas sobre essa questão, sobre essa matéria, o secretário-geral do PCP afirmou apenas que são opções de campanha. Foi mesmo esta expressão dada por Jerónimo de Sousa. Disse que foi assim definida a forma da campanha e ressalvou também que enquanto líder do partido, tem feito o país de lés a lés. Também foram estas as palavras utilizadas por Jerónimo de Sousa, que acabou assim por desvalorizar esta questão, de certa forma levantada pelos jornalistas. Surgiu numa ação de campanha em Lisboa. De resto, não estava acompanhado, neste caso, pelo candidato João Ferreira. O que é facto é que Jerónimo de Sousa apareceu efetivamente sozinho nessa ação de campanha. Aliás, o candidato da CDU só começou as ações de hoje há cerca de uma hora, às 17h30. Essa foi uma ação, de resto, na Quinta das Conchas, no Lumiar, em que Jerónimo de Sousa conversou com os pais sobre o alargamento de creches gratuitas e deixa-me dizer-te, Ricardo, que eu senti-me mais numa campanha pras legislativas do que pras autárquicas. Isto porque de facto acabou por ser essa medida das creches, do alargamento das creches, que marcou esta ação de campanha de manhã, com Jerónimo de Sousa a adiantar que vai propor essas creches gratuitas para todas as crianças, independentemente do escalão do rendimento. E, portanto, foi essa a grande notícia que saiu desta ação de campanha esta manhã. Não sei se, de facto, Jerónimo de Sousa está ou não a fazer uma campanha arriscada. A verdade é que o líder comunista não apareceu com o candidato João Ferreira, falou de orçamento do Estado e pouco ou nada disse especificamente sobre as eleições autárquicas.
Inês, ouvimos passar aí um avião. Estás em Campolide, em Lisboa, agora a acompanhar a campanha do Bloco de Esquerda. Beatriz Gomes Dias fez mais uma arruada aí em Campolide, desta vez acompanhada por um deputado de renome do Bloco.
Um deputado, não só um, vários. Uma arruada de peso com algumas caras bem conhecidas do partido: Pedro Filipe Soares, Mariana Mortágua, Jorge Costa, Isabel Pires. Todos estão aqui a acompanhar Beatriz Gomes Dias em mais uma ação de campanha, neste caso, essa arruada aqui em Campolide. Está prestes a terminar essa ação de campanha, durou cerca de meia hora. Não há nada a destacar desta ação. Beatriz Gomes Dias foi entrando nos restaurantes, nos cafés, nas lojas, foi cumprimentando os lojistas, foi distribuindo flyers e, de certa forma, nota-se aqui alguma pouca experiência ainda em arruadas por parte da candidata Beatriz Gomes Dias. Não consigo destacar nenhum ponto alto desta ação de campanha. Vai jogando pelo seguro, vai cumprimentando, vai ouvindo, de certa forma, algumas queixas dos habitantes. Ouviu também muita gente que disse que não votava em Lisboa, mas sempre com um sorriso na cara, foi cumprimentando as pessoas. De resto, o que há mesmo a destacar desta arruada em Campolide, Ricardo Termino, já é de fato esses dirigentes de peso que aqui estão a acompanhar Beatriz Gomes Dias.
E se a arruada foi morna em Campolide, em Lisboa, como descrevia a Inês Ameixa, vamos perceber como é que as coisas estão a correr no Porto. Vamos ao encontro da Rita Penela, jornalista do Observador, que tem estado no Porto a acompanhar os partidos à esquerda, PS, CDU e Bloco. Rita, vamos começar pelo Bloco, que tem a ambição de conseguir pela primeira vez um vereador no Porto. Ouvimos aqui a Inês a descrever uma arruada morna em Campolide. Como é que está o ânimo da campanha aí no Porto, do Bloco?
Oxalá fosse morno, Ricardo. Não chega ao morno. Aliás, acho que o único momento até agora, e tendo em conta que já hoje é terça-feira, em que a coisa chegou ao morno, foi no domingo com Catarina Martins no comício, em que disse: "Vamos lá, é desta, agora que conseguimos um vereador". Mas sinceramente não sei se acreditou muito nisso ou se foi só aquele ânimo que faltava e que até parecia ser um virar de página, porque foi no domingo, portanto, à entrada da última semana de campanha. Nesse mesmo dia à noite, os jornalistas receberam um e-mail em cima da hora a avisar que no dia seguinte haveria arruada com Francisco Louçã. Toda a gente ficou empolgada. "Será? É desta, isto arrancou mesmo." Mas de facto, nem morno, nem frio, congelado mesmo. Um ambiente confrangedor até para quem estava, porque notava-se um desconforto tão grande, quer em Francisco Louçã, quer em Sérgio Aves, que foi muito difícil sequer gerar ali algum ambiente.
E entretanto, como ouvimos no arranque, a eterna candidata da CDU, Hilda Figueiredo, candidata ao Porto, anunciou que esta seria a última vez, a quarta vez. É notícia, porque Hilda Figueiredo é quase sempre a candidata da CDU ao Porto, não é?
E porque assume que à partida não será. Vamos ver. Hilda Figueiredo, aliás, que faz 173 anos no próximo mês, ela é da idade do presidente da República, mas mesmo assim continua a ser uma candidata que tem à esquerda, pelo menos, das campanhas mais exigentes. Ela que está sempre na rua, portanto, a CDU aqui claramente a fazer uma campanha para manter o eleitorado que é garantido, para ter a certeza que não perde. O Bloco ainda sonha crescer, aqui a CDU a tentar manter a vereação de Hilda Figueiredo, ela que joga muitas vezes aquele trunfo: "Eu sou a única vereadora que à segunda-feira à tarde tenho o gabinete de portas abertas para receber todos" e que agora começou a intensificar mais, a apelar à quebra ou à tentativa de bloquear aqui a maioria absoluta de Rui Moreira, que preocupa a CDU no sentido em que houve muitas coisas, ela ontem a admitir inclusivamente isso numa declaração aos jornalistas, muitas coisas que Rui Moreira não levou para frente neste mandato, que atirou para o próximo, cheio de confiança na reeleição, naturalmente, mas questões como o alojamento local, que são muito caras à cidade e a regulamentação, e Hilda Figueiredo agora a usar isso para pedir aqui um bloqueio à maioria absoluta e ao voto útil na CDU, que é um dois em um. Garante aqui a continuidade da CDU e a tentativa de bloquear a maioria absoluta de Rui Moreira.
Rita Penela, jornalista do Observador, que está no Porto a acompanhar as campanhas do PS, Bloco de Esquerda e também CDU. Falamos também com a Inês Ameixa, que tem função semelhante em Lisboa, neste caso anda a acompanhar a CDU e o Bloco de Esquerda. Já a seguir vamos para o fact-check. Bem-vindo, Pedro Rainho.
Olá, Ricardo.
Hoje olhamos para uma frase de Catarina Martins sobre um assunto que tem sido um assunto quente desta campanha, a questão da refinaria da Galp em Matosinhos.
É um assunto quente da campanha e não é propriamente um assunto novo, porque é um despedimento coletivo anunciado no final de 2020, que depois foi concretizado ao longo deste ano. Ora, António Costa, e é aqui que o assunto renasce, disse que o processo de encerramento da refinaria de Matosinhos somou e multiplicou disparates e que a empresa merecia uma lição exemplar. E foram essas palavras que levaram a Catarina Martins a reagir com críticas também duras e a dizer que uma empresa que tem lucros no momento de crise pandémica não pode despedir. Esta foi a posição do Bloco de Esquerda, que o Partido Socialista rejeitou.
E essa tem sido a posição que o Bloco tem defendido nos últimos anos?
Pelo menos desde 2012 que o Bloco defende esta posição. Voltou a apresentar uma medida nestes termos nas negociações para o orçamento do Estado de 2021, e essa proposta abrangia empresas que tivessem tido lucros nos últimos seis meses e que beneficiassem de apoios públicos para a manutenção do emprego e da sua atividade corrente. A ideia do Bloco de Esquerda era que as empresas fossem obrigadas a manter o nível médio de emprego dos últimos 12 meses. E essas obrigações sobre o emprego incluíam obrigações sobre trabalhadores permanentes, que não podiam ser despedidos, contratos de outsourcing e prolongamentos de contratos a termo. Qual é que foi o resultado desta proposta? Não houve acordo com o governo e a proposta nestes termos caiu.
E aqui chegados Carimbo?
À partida seria um carimbo verde, Ricardo, mas temos aqui só umas nuances.
Vamos a elas.
Nuance número um: a Galp não teve lucros em 2020, apesar de ter distribuído dividendos. Depois, a proposta do Bloco de Esquerda significava, na prática, um forte constrangimento àquilo que é a iniciativa, a liberdade empresarial. Ora, o governo o que é que acabou por fazer? Inscreveu no Orçamento de Estado uma penalização nos incentivos fiscais para o investimento durante 2021 nas empresas que tivessem tido lucros em 2020 e que não mantivessem o tal nível de emprego. Portanto, é um contexto que não pode ser ignorado e que, na verdade, nas palavras de Catarina Martins, foi um pouco secundarizado. Dito isto, o veredito é um praticamente certo.
É um verde?
É um verde um pouco mais disfarçado.
Toma lá o carimbo.
Obrigado, aqui vai, Ricardo.
E já daqui a pouco o hino de apoio ao candidato do PSD, CDS, Aliança e PDR a Odivelas, o ex-árbitro Marco Pina, que promete cartões vermelhos ao PS.
Vamos, vamos, vamos. Os poderosos não nos irão calar. Só um árbitro os vai expulsar.
Mas, para já, vamos ao baú das autárquicas.
Nesta altura, já Francisco Assis tinha tirado os óculos porque sabia o que aí vinha. Uma turba de militantes socialistas de Felgueiras seguia atrás do então presidente da Federação Distrital do Porto, com empurrões e insultos. As imagens nas televisões são difíceis de esquecer. Nesse 16 de maio de 2003, Francisco Assis era uma espécie de inimigo número um de Felgueiras e sentiu na pele quando se deslocou ao município depois de ter retirado a confiança à autarca Fátima Felgueiras. Na altura, estava fugida no Brasil depois de lhe ter sido decretada a medida de coação de prisão preventiva no processo em que era arguida por motivos de corrupção. A Federação do PS Porto tinha solicitado aos restantes vereadores socialistas que se demitissem, de forma a provocar a dissolução da Câmara Municipal e assim convocar eleições intercalares e eleger um novo presidente. Mas os vereadores recusaram e Assis retirou-lhes a confiança política. O resultado foi este. Os apelos à calma de nada serviram e Assis foi várias vezes agredido no trajeto até à sede do partido. Seguiu sempre, mostrando não ceder perante o comportamento criminoso dos militantes e felgueirenses que se uniram com o único objetivo de dar uma sova ao líder da distrital. Acabou por ser retirado da cidade pela GNR depois de ter estado refugiado num edifício nas proximidades, onde ficou retido durante 15 minutos, até à chegada ao local dos efetivos da guarda. O dirigente socialista acabou por deixar Felgueiras num jipe da GNR, que abandonou o local a grande velocidade, não sem antes explicar bem porque ali estava e porque razão faria tudo de novo.
Sempre que há situações dessa natureza, em que há violência, são situações totalmente inaceitáveis num Estado de direito democrático como é aquele em que vivemos. De qualquer das formas, eu tinha a obrigação de vir aqui.
Apesar das agressões, dos pontapés, dos insultos e até de ter levado com caixotes do lixo, Assis não apresentou queixa formal e coube ao Ministério Público abrir um inquérito, uma vez que se trata de um crime público. Dois anos depois, nas eleições autárquicas de 2005, Fátima Felgueiras regressa do Brasil e concorre pelo movimento independente Sempre Presente. É reeleita para a Câmara de Felgueiras com maioria absoluta.
A jornalista Judite França. Amanhã trazemos outra história do baú. O atual presidente da Câmara de Felgueiras, eleito por uma coligação PS Livre, é recandidato nestas eleições. E agora, para acabar, um hino.
Minha querida Odivelas, o que fizeram contigo? As pessoas aqui trabalham no duro, mas os jovens não têm futuro.
Marco Pina é candidato a Odivelas, apoiado pelo PSD, CDS, Aliança e PDR. O ex-árbitro de futebol usa o hino de campanha para afirmar que quer expulsar os socialistas do poder.
Agora o socialismo vai ter fim. Chegou o Marco, vamos confiar. Vamos, vamos, vamos. Nada para um povo quando quer mudar.
A sonorização é do Diogo Casinha e da Beatriz Martelo Garcia. Eu sou o Ricardo Conceição. O Caso ao Voto regressa amanhã.
Os poderosos não nos irão calar. Só um árbitro os vai expulsar. Chegou o Marco, vamos confiar. Vamos, vamos, vamos. Nada para um povo quando quer mudar. Chegou o Marco, vamos confiar. Vamos, vamos, vamos. Vinte anos é tempo de parar. Odivelas, é hora de mudar.
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