O Brasil está a preparar a sua primeira emissão de dívida pública na China, que poderá ser lançada na próxima semana, num valor de até 1,5 mil milhões de dólares, noticia esta quarta-feira a agência Bloomberg.
De acordo com a agência de informação financeira, responsáveis das finanças brasileiros estão na China a acertar os pormenores da venda de dívida denominada em renminbi, que poderá ser lançada após as eleições presidenciais que se realizam este domingo no Brasil.
O vencedor das eleições não deverá influenciar o processo, escreve a Bloomberg, citando uma fonte conhecedora do processo, uma vez que a preparação da emissão de dívida está praticamente concluída.
A confirmar-se, esta emissão de dívida pública tornaria o Brasil o primeiro país latino-americano a entrar no mercado chinês de panda bonds, o nome usado para caracterizar emissões em moeda chinesa, e poderia ajudar a definir valores de referência para empresas brasileiras.
O Tesouro do Brasil afirmou num comunicado que tem vindo a realizar reuniões na China, bem como uma ronda de apresentações aos investidores, mas salienta que não há uma data definida para a operação financeira.
Flávio Bolsonaro é aliado do Presidente dos EUA, Donald Trump, e defende laços mais estreitos com Washington, pelo que uma vitória sua poderia travar a estratégia mais ampla do governo de expandir as emissões do Brasil na China.
Já uma reeleição de Lula da Silva provavelmente reforçaria os esforços para aprofundar os laços financeiros com Pequim, nota ainda a agência de informação financeira.
O Brasil angariou cerca de 10 mil milhões de dólares (8,9 mil milhões de euros) nos mercados globais desde janeiro, na tentativa de diversificar o seu endividamento para além do dólar e aumentar gradualmente a percentagem da dívida externa no seu financiamento global.