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Bem-vindos ao "Caça ao Voto", de segunda a sexta-feira, a campanha eleitoral em destaque ao final da tarde. É um programa de rádio à tarde em direto, que é também um podcast. Neste "Caça ao Voto", começamos por quem está a ganhar ou perder votos, com a ajuda do diretor do Observador, Miguel Pinheiro, e do editor de política, Rui Pedro Antunes. Vamos também à estrada e hoje podemos dizer que vamos mesmo para a estrada, vamos a Santarém e ao Porto. E ainda há mais: tentamos perceber o que é verdade ou mentira no discurso político, no fact check com o jornalista Pedro Rainho. Hoje fazemos as contas ao que disse Marisa Matias ontem no debate com todos na RTP. E damos ainda um salto a um passado, desta vez, não muito distante. Vamos dar um salto de cinco anos. Vamos conversar com o candidato menos votado de sempre, desde 1976. Este "Caça ao Voto" começa agora. E ao terceiro dia de caça ao voto, podemos afirmar: temos campanha na estrada, mas não sabemos por quanto tempo. As candidatas mostraram-se hoje, falaram e sim, até Marcelo Rebelo de Sousa apareceu. Vamos aqui recuperar um pormenor que nos contou o jornalista Miguel Viterbo Dias, no jornal das 17h da Rádio Observador.

Boa tarde. Está a ser uma tarde sui generis. Isto por quê? Estamos nas Amoreiras a inaugurar um mural com uma imagem gigante de Ana Gomes e há cerca de dois, três minutos passou aqui de carro o presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa. E agora, quando estavas a chamar por mim, passou Rui Tavares, dirigente do LIVRE.

Miguel Viterbo Dias, num excerto de uma reportagem que fez em direto para o jornal das 17h. Marcelo Rebelo de Sousa, que teve luz verde para voltar a Belém, pegou no carro e passou pelas Amoreiras, onde estava Ana Gomes. Neste "Caça ao Voto", está na hora de chamar os nossos controladores de tráfego terrestre em campanhas eleitorais, Miguel Pinheiro e Rui Pedro Antunes. Bem-vindos.

Olá, Ricardo.

Tudo bem, Miguel. Ainda bem que apareceste.

Estou a aparecer. Está trânsito intenso neste momento.

Atenção que nas Amoreiras há muito trânsito esta tarde. Vamos começar a fazer contas a quem ganhou e quem perdeu votos. Vamos começar por quem perdeu. Rui Pedro, queres avançar?

Sim, o meu quem perdeu é Marcelo Rebelo de Sousa, o que pode parecer contraditório, uma vez que ganhou no debate de ontem e portanto acabou a noite a ganhar, mas hoje tem perdido por esta grande confusão que se tornou a sua condição de saúde. Ele não tem culpa disso, mas de qualquer das formas, não perde só votos quem perde por culpa própria. E eu acho que ele teve um teste negativo, depois um teste positivo, depois um teste negativo, depois outro teste negativo, depois ia ao debate, depois não ia ao debate, depois participou no debate e soube que tinha tido um contacto com uma pessoa aparentemente de risco elevado. Afinal, hoje há um comunicado do delegado de saúde a dizer que é de baixo risco. E a indicação que Marcelo Rebelo de Sousa tem neste momento, ao que sabemos, é não frequentar locais, portanto é vigilância passiva por 14 dias e não frequentar locais com aglomerações de pessoas. Ou seja, Marcelo Rebelo de Sousa não está em isolamento profilático. Está exatamente na mesma situação em que estava antes do tal teste positivo, sendo que esse teste não é irrelevante, que é quando foi a debates, quando deu declarações na rua a jornalistas. Portanto, na verdade, não há nada que o impeça de fazer campanha. Se for em cima de um palco ao ar livre, com cinco pessoas, com 10 pessoas. Aliás, tem sempre os meios digitais. E esta ausência do presidente da República e candidato, que é essa a condição que queria falar, é algo que o faz perder votos precisamente por isto, pela ausência deste debate político e por toda esta confusão que eu acho que o prejudica. Depois, na parte do ganha ou ganha os votos, já falarei.

Já lá vamos. Deixa ouvir agora o Miguel Pinheiro e saber, Miguel, para ti quem é que perdeu votos hoje.

Para mim também foi Marcelo, mas não pela parte de candidato, mas pela parte de presidente. Já se passaram uma série de horas desde que nós soubemos que o nosso Ministério Público andou a vigiar jornalistas, andou a fotografá-los, andou a investigar matrículas de carros que entravam em edifícios onde esses jornalistas estavam, andou a vasculhar as contas bancárias que movimentam os jornalistas. Soubemos que andou a transcrever conversas de jornalistas que nem sequer estavam a ser investigados. Já se passaram largas horas e o presidente Marcelo Rebelo de Sousa, que tem como principal obrigação ser o garante da nossa democracia, das nossas instituições democráticas, ainda não disse nada. Como diriam os seus adversários nesta campanha, fala sobre tudo, comenta tudo e não tem uma palavra a dizer sobre isto.

E quem ganhou, Rui Pedro Antunes?

Quem ganhou? Para mim, foi a Ana Gomes. A Ana Gomes tem sempre aquele estilo um bocadinho trapalhão, no sentido de às vezes parece que tudo lhe acontece, mas mesmo assim, vou dar aqui dois ou três exemplos. Foi à PSP em Santarém, antes de André Ventura lá passar por Santarém, e disse que estava preocupada com infiltrações da extrema-direita nas forças policiais. Bom, isso parece propriamente estar a dizer uma coisa desagradável no sítio onde vai. Mas de facto antecipou-se a André Ventura e foi a um local e a uma área que supostamente é dele. Depois, teve a coragem de, em Santarém, uma terra taurina, ouvimos a Rita Dinis falar ligeiramente sobre isto de manhã aqui na Rádio Observador, perguntou se não havia uma forma assim menos chocante de fazer as touradas. Eu lembro-me que Pedro Delgado Alves chegou a sugerir que as farpas fossem colocadas com velcro nos touros, nos animais. E portanto, perguntou e o presidente da Câmara de Almeirim respondeu-lhe que os 11 presidentes de câmara da zona de Alzira são todos a favor das touradas e a Ana Gomes insistiu: "Mas não há uma forma?" E ao que ele respondeu de forma seca: "Não." Ou seja, pelo menos Ana Gomes ganhou votos no sentido que teve a coragem de, mesmo sendo contra ou estando a jogar fora de casa, de colocar e falar sobre temas que eram difíceis de falar de onde estava. E depois ainda conseguiu ter ali uma ação que poderia ser normal, que é um mural nas Amoreiras que estava a inaugurar e teve algumas frases com graça, o que dá pra perceber que ela até tem algum jeito em campanha, a dizer que quando estava acolá o cartaz que lhe fazia lembrar os tempos do MRPP. Isto pode ler-se no artigo da Rita Diniz e, portanto, até tem algum jeito. A somar a isso tudo, para dar mediatismo a esse momento, e eu acho que ela aí até ganha votos, Marcelo Rebelo de Sousa passou de carro, que é um momento muito insólito, como ouvimos no início deste caso ao voto, o Miguel Vítor Dias a fazer referência a isso e depois ainda Rui Tavares. Quer dizer, melhor é impossível. Acho que lhe correu bem e parece-me ter algum jeito pra campanha, ao contrário da máquina da candidata, que parece não ter muito jeito por alguns relatos e que já fomos lendo nos artigos sobre a campanha.

Miguel Pinheiro, quem é que ganhou votos hoje?

Eu ponho João Ferreira a ganhar votos hoje, e literalmente ganhou um voto, o voto de Isabel Moreira, deputada do PS, e que foi tomar um café, ou pelo menos pedir um café e ter um café em cima da mesa com o candidato do PCP. Por causa da geringonça, o PCP está habituado a ver votos a irem no sentido PCP-PS e a perder votos para o Partido Socialista. Este é um daqueles casos raros em que os votos vêm na direção contrária, vêm o voto na direção PS-PCP. A geringonça tornou possível estas coisas, termos uma deputada do PS a apoiar um candidato comunista. João Ferreira andava a anunciar há muito tempo que ia revelar apoios que mostravam que a sua candidatura não era apenas uma candidatura pra fixar votos. E cá está este exemplo. Já sabíamos que Isabel Moreira o apoiava, mas agora concretizou-se, materializou-se o apoio.

Miguel Pinheiro, já há pouco falaste nessa questão da investigação a jornalistas, que incluiu vigilâncias, fotografias, até quebra de sigilo bancário. Marcelo Rebelo de Sousa ainda nada disse sobre o assunto, mas outros candidatos reagiram.

Sim, até Timor de Rãs reagiu. Portanto, de facto, Marcelo Rebelo de Sousa podia talvez, se calhar já era a hora de dizer qualquer coisa. Não lhe ficaria mal.

Rui Pedro?

Sim, sem dúvida. Os candidatos foram unânimes, mesmo admitindo que não conheciam bem o processo e com algumas cautelas. Tanto Ana Gomes como Marisa Matias condenaram tudo o que seja uma afronta à liberdade de imprensa e André Ventura disse que a PGR teria que dar mais justificações e mais explicações e até Vitorino Silva fez uma crítica a dizer que há uma liberdade que não pode ser afetada é a liberdade de imprensa. João Ferreira foi mais contido, mas também obviamente enalteceu aquilo que é um valor que não deve ser questionável em democracia, que é a liberdade de imprensa.

Rui Pedro Antunes, editor de política, e Miguel Pinheiro, diretor do Observador, marcamos já encontro para amanhã. Já a seguir, vamos pra estrada. E neste caso ao voto, vamos ao encontro dos jornalistas do Observador que acompanham as caravanas eleitorais. Rumamos agora a Santarém, depois da autorização para o fim do isolamento autoimposto, o candidato André Ventura anda hoje por Santarém, mais logo vai estar em Portalegre. Em Santarém está também o Miguel Santos Carrapatoso, do Observador. Ora, Miguel, boa tarde. Já há pouco o Rui Pedro falou nisto. Esta manhã em Santarém esteve Ana Gomes e no relato que está no texto da Rita Diniz, está escrito que Ana Gomes se antecipou a Ventura. Foi visitar a PSP e apresentou-se numa passadeira como a candidata cigana e com muito orgulho.

Viva, Ricardo. De facto, Ventura não deixou Ana Gomes sem resposta. Há pouco, no coreto da praça principal de Santarém, Ventura ironizou com esse momento, sugerindo de alguma forma que é uma contradição ter uma pessoa de etnia cigana ao seu lado e ao mesmo tempo elogiar a polícia. É esta a narrativa do André Ventura, é esta a mensagem que tem para oferecer. Uma pessoa não pode estar do lado da polícia se tem ao seu lado uma pessoa de etnia cigana e, portanto, André Ventura já respondeu também a Ana Gomes. Foi há instantes, acabamos de sair desse momento de campanha, num dia em que André Ventura inaugurou a sede do partido em Santarém, um espaço muito pequenino, ao lado de uma igreja evangélica, veja-se bem, e em que voltou a falar sobre o que é a sua campanha, a atacar Marcelo Rebelo de Sousa, atacou violentamente por ter faltado ao debate de ontem ou por não ter estado presente no debate de ontem. Voltou a responsabilizar Marcelo Rebelo de Sousa por opções que o governo tem feito, dizendo que o presidente da República é um cúmplice de António Costa. Enfim, tem mantido mais ou menos um discurso coerente ao longo destes três dias de campanha, que na verdade são dois, visto que ontem, terça-feira, não pôde participar.

E Miguel Santos Carrapatoso, agora estás em Santarém, mas mais logo há comício em Portalegre, distrito onde o Chega teve 1400 votos nas legislativas em 2019. André Ventura tem esperança em ter bons resultados no Alentejo, Miguel?

Tem sim senhor. E hoje teve uma frase muito engraçada e muito curiosa enquanto discursava no Coreto de Santarém. Eu estou a parafrasear, não estou a citar ipsis verbis, mas André Ventura sugeriu que, ao contrário do que aconteceu no passado, nós, e aqui o nós é a direita, vai herdar novamente uma crise às mãos do PS, mas desta vez, disse Ventura, não deixaremos que voltem ao poder. No fundo, a falar para uma espécie de pacismo que ainda está ressentido com o que aconteceu em 2015, e portanto, também aí a tentar captar votos junto de um eleitorado que se sente um bocadinho órfão de Pedro Passos Coelho. Foi uma nota muito interessante introduzida hoje por André Ventura e vai ser engraçado e curioso perceber se André Ventura vai manter esta mensagem, este foco no eleitorado que não se revê no PSD de Rui Rio, nem no CDS de Francisco Rodrigues dos Santos e que ainda sonha com o regresso de Pedro Passos Coelho. André Ventura hoje, de forma muito subtil, apontou diretamente ao coração desse eleitorado e, portanto, vamos ver se repete essa mensagem agora no discurso que terá em Portalegre.

Miguel, ainda tens uma longa viagem pela frente, mas vamos aos quilómetros. Como é que estamos ao nível do quilómetro?

Vamos já em 700 km. Tivemos em conta que André Ventura ontem esteve em Lisboa e hoje já passou por Santarém e ainda vai até Portalegre. Já tinha 450 km acumulados, portanto, já são muitos quilómetros de estrada.

Já deve vir na frente de todos os candidatos. Do Ribatejo vamos seguir para o Porto. Um abraço a Miguel Santos Carrapatoso. No Porto está Tiago Maia Gonçalves, o candidato apoiado pela Iniciativa Liberal esteve esta tarde com Rui Moreira, encontro à porta fechada. O Gonçalo Correia, jornalista do Observador, está no Porto. Gonçalo, boa tarde. Já se sabe do que falaram?

Olá, Ricardo. Sabe-se já do que falaram. Sabe-se que a pandemia foi o principal tema da reunião. À saída, houve declarações para os jornalistas e Tiago Maia Gonçalves, candidato apoiado pela Iniciativa Liberal, explicou exatamente qual era o objetivo da reunião. Disse que o propósito era perceber o que é que a nível autárquico e local estava a ser feito no combate à pandemia, as medidas em concreto, que é uma coisa que o candidato tem vincado muito, que é uma informação que falta, na verdade, da parte do governo central e das autoridades de saúde, e perceber também o que é que vai ser feito no contexto das eleições que se avizinham, qual é que será a ação da Câmara do Porto neste preparar, até na recolha de votos de pessoas confinadas, de pessoas em lares de idosos. Tem havido um contencioso entre Rui Moreira, que se tem manifestado muito crítico do governo e do ministro da Administração Interna, em particular, relativamente àquilo que Eduardo Cabrita considera possível que as autarquias façam nesse trabalho de recolha de votos. E Tiago Maia Gonçalves veio aqui ter esta reunião, que também não é um acaso. Na verdade, o Tiago Maia Gonçalves fez parte do movimento Porto, o nosso partido, que elegeu Rui Moreira, que apoiou Rui Moreira. Os dois conhecem-se há bastante tempo e aliás, depois à saída, primeiro o presidente da Câmara Municipal do Porto, Rui Moreira, disse que não vai declarar publicamente em quem vai votar, que não o vai fazer, portanto, que não toma posição enquanto autarca, mas depois disse, após uma pergunta, que ficava satisfeito por haver candidaturas do Porto e que de facto havia uma amizade e uma índole pessoal entre os dois. Simplesmente, isso era uma questão pessoal, que politicamente não se tencionava posicionar sobre isso, mas a pandemia marcou realmente a reunião e Tiago Maia Gonçalves usou-a para enaltecer as autarquias, criticando o governo central.

Gonçalo Correia, deixa-me pegar essa deixa por causa da questão da pandemia, porque Tiago Maia Gonçalves tem sido público e notório contra o estado de emergência. A pandemia é sempre tema na campanha de Tiago Maia Gonçalves, quer ele queira, quer não, não é?

É, e também porque o candidato também se tem posicionado assim, porque no dia de ontem tivemos a única ação que tivemos, umas declarações de reação à reunião no Infarmed. No dia de hoje tivemos esta reunião na Câmara do Porto, que também teve a ver com as eleições, com a pandemia e com o contexto do que é umas eleições presidenciais em pandemia. E agora, à noite ainda, teremos, por volta das 20h, a reação do candidato às medidas, àquilo que António Costa vier a descortinar sobre o que serão as próximas semanas. Mas há aqui um ponto também curioso, deixa-me só dizer, Ricardo, que embora o dia tenha sido muito à porta fechada, lá está, o Tiago Maia Gonçalves e a sua equipa vieram de Lisboa para o Porto esta manhã, almoçaram já no Porto, foram ter a reunião à porta fechada. Sabemos, por exemplo, um dado curioso que soubemos agora foi que pararam na mesma estação de serviço de Vitorino Silva, outro dos candidatos presidenciais.

Este tem sido um dia fértil em cruzamentos na estrada.

Ora bem, aqui não houve cruzamento, atenção. O Vitorino já tinha partido, mas de facto tinha parado naquela estação a caminho de Coimbra.

Vamos aos quilómetros, Gonçalo.

Vamos aos quilómetros, hoje um bocadinho mais com a deslocação de Lisboa para o Porto, para a Câmara Municipal e agora para o Hotel Boa Vista, onde o Tiago Maia Gonçalves falará às 20h. Temos já um total de 347,4 km.

Obrigado, Gonçalo. Gonçalo Correia no Porto, jornalista do Observador que acompanha Tiago Maia Gonçalves. Já a seguir vamos ao fact check, onde vamos fazer algumas contas e logo depois a história do candidato menos votado de sempre, desde 1976. Bem-vindo, Pedro Rainho, coordenador de fact-check do Observador.

Olá, Ricardo.

Hoje pegamos numa frase de ontem, do debate de Marisa Matias sobre os custos de internamento de doentes Covid no privado. É isso, Pedro?

É isso. Marisa Matias diz que quando começou a pandemia, os privados queriam cobrar € 13 mil por cada doente com Covid-19.

Quando começou a pandemia, os privados queriam cobrar € 13 mil por doente.

Olhando para esse momento do início da pandemia, o que nós percebemos é que os € 13 mil era um valor máximo e dizia respeito a doentes internados com ventilação por mais de quatro dias. E era um valor que ia desde o momento em que os doentes eram referenciados até ao momento em que tinham alta. €12.861, para sermos mais precisos. No caso dos doentes sem ventilação ou com ventilação até 96 horas, esse valor descia bruscamente para os €1.962. Também é importante dizer que estes valores só dizem respeito aos doentes que fossem encaminhados pelo SNS. E de resto, foram valores que foram revistos em novembro, Ricardo, para um intervalo entre os 8.431 e os 2.495.

Assim sendo, Pedro Rainho, sim, não ou talvez?

É um conteúdo enganador.

Isso implica usar aqui o carimbo cor-de-laranja.

Um carimbo novo, é verdade. Queres fazer as honras?

Se não te importas, hoje sou eu a carimbar. Vou aqui pôr o carimbo laranja.

Força!

Já a seguir, um regresso a um passado recente. Vamos ao baú das presidenciais contar a história do candidato menos votado numas presidenciais desde 1976. Lembra-se de Cândido Ferreira? Sim, em 2016 este foi mesmo um dos grandes sucessos. Os Dama cantavam: "Não dá, não dá, não dá, não dá". E não deu para Cândido Ferreira. O médico de Leiria lançou-se numa candidatura presidencial, mas ficou-se pelo pior resultado de sempre, desde 1976, para um candidato a Belém. Em conversa com o jornalista Miguel Viterbo Dias, explica que a mensagem não passou.

A história de Cândido Ferreira nas eleições presidenciais é relativamente recente. Há cinco anos, este médico e militante do Partido Socialista de Leiria avançou para uma candidatura independente que reuniu pouco mais de 10 mil votos. Sem o apoio de partidos, Cândido Ferreira diz que a mensagem acabou por não passar.

Muitas pessoas que me conheciam entenderam que eu me devia candidatar e arranjaram facilmente 12 ou 13 mil assinaturas. Hoje em dia, a situação é completamente diferente, porque de tudo aquilo que eu me propunha, ficou apenas o seguinte: eu, porventura, seria o candidato mais rico. Qualquer das mensagens que eu queria fazer passar não foi admitida pela comunicação social, não foi transmitida às pessoas.

As limitações na transmissão da mensagem levaram este médico a ser o candidato com menos votos de sempre numas eleições presidenciais. Ainda assim, diz Cândido Ferreira, conseguiu deixar uma marca.

Estou neste estúdio por respeito aos milhares de apoiantes que subscreveram a minha candidatura e me apoiam. Esta é a única atitude digna de alguém que pretende jurar sobre a Constituição e defender os valores da República, da democracia e da pátria portuguesa. Muito obrigado.

Como não posso convencê-lo a alterar essa sua posição.

Não tem hipótese nenhuma, muito obrigado.

Deixe-me só que tire o microfone. Tenho muita pena que não participe neste debate.

Ao abandonar o debate da TVI, moderado por Paulo Magalhães, hoje assessor de Marcelo Rebelo de Sousa, o médico e militante socialista diz que esta atitude teve reflexos no calendário de debates para estas eleições.

Não há nenhuma luta que não tenha alguns resultados. Um deles foi esse, conseguir que todas as candidaturas tivessem igual dignidade, porque todas elas são consubstanciadas em assinaturas de cidadãos que são igualmente válidos. E portanto, essa foi, de facto, uma das marcas que eu deixei ao negar-me submeter a debates em que tinha 11% do tempo de antena dos outros candidatos. Onze por cento.

Cândido Ferreira não se volta a aventurar numa candidatura presidencial, mas confessa que o leque de candidatos que se apresentam a votos agora, cinco anos depois, também não o convencem.

Neste momento, perante esta perplexidade, eu próprio ainda nem sei bem em quem vou votar.

E em 2021 há três repetentes destas eleições de 2016: Vitorino Silva, Marisa Matias e Marcelo Rebelo de Sousa, que venceu com 52% dos votos há cinco anos. A sonorização é do Bernardo Almeida. O "Caça ao Voto" regressa amanhã.

"Eu nem sei como começo, fica tão difícil pra mim. E digo coisas sem nexo. Perguntas por que estou assim. Eu nem sei explicar, nem vou contar, que o tempo parou a ver-te a colar. Esse teu jeito inocente, que me faz não te querer largar".

Foram os teus abraços, o sorriso maroto, o teu corpo desenhado. E eu desajeitado e tu sem me dar troco: "Fica mais um bocado". E ela diz que não dá. Não dá, não dá, não dá. E ela diz que não dá. Não dá, não dá, não dá. E ela diz que não dá. Não dá, não dá, não dá. Tu não estás bem quando estás sozinha. Eu não percebo se tu estás na minha. Mas vá lá, não fiques convencida. Só porque és mais gira do que querida. E então, eu sou um perdido e um achado. Tu às vezes pões de lado, mas queres. E então, eu penso em ti todos os dias, mas não sei se penso mais do que pedes. Foram os teus abraços, o sorriso maroto, o teu corpo desenhado. E eu desajeitado e tu sem me dar troco: "Fica mais um bocado". E ela diz que não dá. Não dá, não dá, não dá. E ela diz que não dá. Não dá, não dá, não dá. E ela diz que não dá. Não dá, não dá, não dá. Não dá, porque se nos teus olhos eu vejo que tu queres mais de mim, eu grito, mas tu não vens. Nem tens alguém que te provoque, te deseje, te toque, te faça rir, te espere, te leve no meu hipó. Quero ter-te por perto, vem ter comigo, és tu que escolhes. Nunca houve mais ninguém, tens o meu mundo nos teus olhos. Nada é incerto e tu és essa vontade de te ter, de te querer, de sentir, escrever e dizer que és aquilo que eu preciso. Então, eu sei que valia a pena, só não sei se são os meus abraços que te sabem a pouco e tu queres o teu espaço. Será que sou passado ou isto é só um jogo pra me teres ao teu lado? Mas ela diz que não dá. Não dá, não dá, não dá. E ela diz que não dá. Não dá, não dá, não dá. E ela diz que não dá. Não dá, não dá, não dá. E ela diz que não dá. Não dá, não dá, não dá. Tu, só tu, só tu. Que me faz ser eu. És tu, só tu. E o que aconteceu? És tu, és tu. E o que me deu? És tu, só tu. Tu, só tu, só tu.

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