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Bem-vindos ao "Cálcio ao Voto" neste segundo dia de campanha. Nos próximos minutos vamos conversar com Miguel Pinheiro e Rui Pedro Antunes para saber afinal quem anda a ganhar e a perder votos nestes dias. Vamos à estrada, ao encontro de dois jornalistas do Observador que estão a acompanhar as campanhas eleitorais: Gonçalo Correia, que está na Figueira da Foz com Santana Lopes. De resto, é também sobre Santana na Figueira que vamos falar hoje no baú das autárquicas, mas isso é mais à frente. Vamos ainda ao Porto conversar com a jornalista Maria Martinho, que está com Vladimir Feliz, a aposta do PSD para a cidade. E não é de propósito, Vladimir Feliz é também a estrela, hoje convidada do Fact Check. A fechar, o hino de campanha que nos chega de Vilela, no Conselho de Paredes. A coligação PSD/CDS, Viver Vilela, inspirou-se no "Simply the Best" de Tina Turner. Este "Cálcio ao Voto" começa agora. E ao segundo dia houve queixas em Estrasburgo sobre a campanha eleitoral em Portugal.

O plano é para relançar a economia, para relançar as empresas, para dar oportunidades aos jovens, para ter solidariedade intergeracional. Não é para pagar as despesas correntes do orçamento, como em parte está a acontecer em alguns países, incluindo no meu. E não é para ser usado como arma de campanha eleitoral, como está a fazer agora todos os dias o primeiro-ministro português.

Paulo Rangel a queixar-se a Ursula von der Leyen, a presidente da Comissão Europeia, no dia do discurso do Estado da União Europeia. A queixa é em relação ao PS e a um discurso socialista sobre o PRR, que lembra que o governo tem na mão o livro de cheques da bazuca. Rui Rio já veio dizer, entretanto, esta tarde, que está realmente preocupado com o interior e acusa António Costa de prometer milhões que não vai cumprir. Hoje, Paulo Portas também deu um ar de sua graça, deu uma ajuda na campanha do CDS em Vale de Câmara, terra com tradição no CDS, e a habitação continua como tema de debate na campanha em Lisboa. E nestas eleições, muito se fala de obra feita e também obra por fazer. Por isso, vale a pena ouvir aqui Pedro Santana Lopes, que de regresso à Figueira, reconhece que a praia da Figueira da Foz, essa não é obra dele.

Quando eu olho para a Figueira aqui por esta janela, a maior parte do que aí está fui eu. Não a praia, não é? Isso foi Deus Nosso Senhor. Mas os campos de futebol, as passadeiras, sei lá, a iluminação, fui eu que fiz há 20 anos.

A praia foi Deus Nosso Senhor, já as passadeiras, isso Pedro Santana Lopes reclama como obra feita. Já vamos voltar à Figueira da Foz e a Santana Lopes mais à frente. Agora está na hora de saber quem anda a ganhar e perder votos nestas horas de campanha. Conosco temos Miguel Pinheiro, diretor executivo do Observador, e também Rui Pedro Antunes, editor de política. Bem-vindos, meus senhores.

Olá.

E Rui Pedro, vou começar hoje por ti. Ontem começámos pelo Miguel. Vamos então aqui à nossa habitualidade.

É justo.

Equidade.

Mas esse é o meu lugar.

Ontem começámos por quem ganhou votos, hoje vamos a quem perdeu votos.

Olha, quem perdeu votos, a meu ver, até agora, foi Tiago Barbosa Ribeiro. O candidato do PS no Porto não teve nenhuma ação ontem. Hoje teve uma pequena ação, é verdade, mas pelo caminho, aquilo que se tem visto é uma espécie de campanha caixinhas. Rasgaram uns cartazes, pois, normalmente, quando há até alguns membros dos Super Dragões que apoiam Rui Moreira, eu acredito que muitos deles não fiquem, não estou aqui a acusar os Super Dragões de estarem a rasgar cartazes. Mas isso acontece nas campanhas, portanto, os cartazes desaparecem, são rasgados, etc. É lamentável, mas acontece de facto. Depois, puseram a foto de um candidato nosso num jornalzinho de campanha que deve chegar para 100 pessoas, porque depois ninguém pega naquilo e só serve para servir de base para qualquer coisa. E o que eu diria é: vamos ver se de facto não fica Tiago Barbosa Ribeiro mal nessa história, porque todo o e-mail e toda a queixa está escrita de uma forma: "bom, há uma cruzinha lá em cima que diz Rui Moreira e aparece a foto do nosso candidato sem consentimento".

E isso é uma queixa, porque o Rui Moreira e o Movimento Rui Moreira apoiam, numa freguesia do Porto, o candidato do PS.

Exatamente, na freguesia de Campanhã. Mas nesta estação em específico, estação de Campanhã, que é muito conhecida essa freguesia, precisamente pela estação de comboios, parece-me que Tiago Barbosa Ribeiro está a passar um bocadinho como um caixinhas. A campanha não está a conseguir dar a volta, não tem aquele peso ainda. Acredito que com a ida de alguns governantes que está prevista, consiga dar ali alguma volta e ele precisa de ter mais de 25% para ganhar o direito a ser candidato ou pelo menos chegar próximo dos 30 de Manuel Pizarro para poder ser candidato daqui a quatro anos. E eu acho que até agora não conseguiu fazer mais nada a não ser fazer queixas de Rui Moreira. E, portanto, nesse aspecto, eu acho que ele está a perder votos. E se me permites, muito rapidamente, Manuel Machado em Coimbra, toda esta história do PS abster e depois não se saber se o Tribunal Constitucional vai ou não para Coimbra, a forma como Coimbra até está a ser, pelo menos na perceção pública, destratada por alguns juízes do Tribunal Constitucional, nada disto fica bem ao incumbente e fica bem ao PSD, que está a travar esta batalha para que o tribunal seja deslocado para a cidade dos estudantes.

E Miguel Pinheiro, vamos então, na tua opinião, quem perdeu votos?

Olha, eu propunha irmos ao quem ganhou, que precisamente liga-se com o que disse o Rui Pedro e dá um bocadinho Um bocadinho esta noção do jornalismo em movimento. Vamos mudando isto, porque precisamente acho que quem ganhou votos foi Rui Moreira, porque nenhum dos adversários está a conseguir criar uma campanha minimamente eficaz contra Rui Moreira. Estão a ficar nos detalhes dos detalhes que sinceramente não mobilizam ninguém. O Rui Pedro falou aqui da campanha queixinhas de Tiago Barbosa Ribeiro, mas também tivemos a campanha queixinhas de Vladimir Feliz, que tentou entrar no Museu Romântico do Porto com os jornalistas. Apareceu lá e falou com o senhor ou com a senhora da bilheteira e queria entrar assim, sem ter nada combinado. E obviamente a pessoa da bilheteira, coitada, disse-lhe: "Olhe, mas não pode ser, isto tem que ser em grupos de X pessoas, tem que ter as coisas marcadas." E Vladimir Feliz veio queixar-se que não o estavam a deixar entrar no Museu Romântico do Porto com os jornalistas e que isso era um sinal de que havia ali uma menor democracia na cidade e a prometer que quando for presidente de câmara as pessoas vão poder entrar à vontade com os jornalistas todos que quiserem nos museus todos. Quer dizer, vamos lá ver, não há ninguém que mude o sentido de voto por causa disto. Ainda por cima Rui Moreira assumiu que houve um problema na forma como foi gerida esta nova exposição no Museu Romântico do Porto. Pediu desculpas pela forma como tudo isto foi feito. Por isso não se percebe muito bem para onde é que os candidatos no Porto querem caminhar. Ontem foi o último debate e também não houve ali nada de muito. Sempre que havia alguma coisa que podia ser difícil para Rui Moreira, havia alguém para o defender. Por isso cada um para seu lado, o que é normal, mas esta incapacidade de pegar num tema que efetivamente faça mudar os votos faz com que Rui Moreira esteja cada vez mais confortável e se não acabar isto com uma maioria absoluta, eu ficaria muito surpreendido.

Vamos então a Rui Pedro. Sim.

Sim, deixa-me só dizer, Miguel, que normalmente as avançadas e a preparação das campanhas fazem-se precisamente para evitar isto. Mesmo quando se faz aquelas viagens de comboio, há uma pessoa da campanha, onde vão jornalistas todos, que antes compra bilhetes para todos os jornalistas, quando não são os próprios jornalistas a comprar, para garantir que de facto conseguem entrar no comboio, porque apesar de ser uma ação partidária, não deixa de ter as mesmas regras.

Vamos, entretanto, Rui Pedro, a quem ganhou votos para ti.

Sim, eu vou remeter para um dos sons iniciais que ouvimos. Para mim, quem ganhou votos foi Paulo Rangel. Há outros candidatos que não os candidatos autárquicos a jogarem nestas eleições autárquicas. Acho que me repeti muito. E uma das pessoas que joga, que é Paulo Rangel, será favorecido quanto pior for o resultado do partido que ele vai pegar. E portanto, eu não estou a dizer que o PSD está a perder terreno, eu até acho que não. Eu até acho que há aqui algumas situações que estão a correr melhor ao PSD, nomeadamente Coimbra. Mas Paulo Rangel veio um dia depois, eu penso que nem passaram 20 horas, nem sequer 24 horas, nem sequer 15 horas, que Rui Rio disse o seguinte, sem ninguém lhe pedir para falar nisso: que não era momento de guerras internas, nem para projeções pessoais, porque era um momento de estarem todos unidos em torno das candidaturas do PSD, neste caso. Ora, isso é logo quem vem dizer: "Epá, não se metam comigo nesta altura". Isso revela que quem está confiante não precisa dizer isto. Mas de qualquer forma, Paulo Rangel não só não respeitou isso, como no momento europeu que é o Estado da União, aquilo é o State of Union.

É um momento solene.

É o nosso Estado da Nação, com a Ursula von der Leyen, virou-se para a Ursula e até chegou a apontar o dedo e tudo, e disse à presidenta da Comissão Europeia: "Atenção que o PRR não é para gastar de qualquer maneira. O PRR é para gastar", foi o som que ouvimos, "não é para andar a usar como arma eleitoral como o primeiro-ministro faz todos os dias". Rangel ainda nem sabe se vai conseguir ser líder do PSD e já está a fazer oposição e de líder a oposição direta ao governo. E portanto eu acho que ele de alguma maneira ganha votos porque conseguiu aparecer e Rui Rio andava com o maior protagonismo nos últimos dias, porque é mesmo assim, anda numa volta à líder. O Paulo Rangel ainda é só chefe da delegação, pode ser provavelmente candidato e portanto conseguiu se mostrar um bocadinho e no meu entender ganhou votos por isso.

Miguel, não sei se queres dizer alguma coisa sobre isto que o Rui Pedro acabou de dizer ou se queres avançar já para quem perdeu votos.

Não, posso avançar. O tempo é curto, temos mais que fazer e escusamos de ficar presos nisto. Quem anda a perder votos são os candidatos em part-time, e temos muitos. Nós no Observador estamos com muita gente na estrada, temos muitos jornalistas na estrada a cobrir o máximo possível de campanhas. E a verdade é que há muitos candidatos que até parece que não estão a precisar de votos. Vemos muito isso em Lisboa. Ontem tivemos o caso de Carlos Moedas e hoje também. Eu imaginaria que ele tivesse 20 ações de campanha por dia, que saísse de casa às seis da manhã e só voltasse à meia-noite e que andasse o dia todo porta a porta. Aliás, ele prometeu porta a porta, rua a rua, freguesia a freguesia, numa retórica churchilliana. Vamos combatê-los nas praias. E depois começa a hora do trabalho e onde é que está? Não o vemos. Sim, senhor, hoje há um debate, o último debate de Lisboa à noite. Tem que se preparar para o debate, mas sinceramente, se ainda não está preparado para esse debate ao fim de tantos debates e tantas entrevistas, é preocupante.

Há uma coisa curiosa, Miguel, é que ele amanhã já tem uma agenda mais preenchida, parece que nos ouviu, porque de facto ontem e hoje uma ação em dois dias é de facto muito pouco. E tem uma coisa curiosa que amanhã às 08h45 diz o seguinte: apresentação candidatura a Belém. Carlos Moedas ainda não ganhou a Câmara de Lisboa, já quer passar para a Presidência da República. Naturalmente que é a apresentação da candidatura dele à freguesia de Belém, mas tem graça a forma como é apresentado.

Eu também li três vezes quando vi a agenda. Miguel, conclui, por favor.

Não, fica só um apelo. Mexam-se, façam qualquer coisa. Se querem votos Tratem disso, façam pela vida, porque ninguém vos vai fazer o favor de ir votar daqui a uma semana ou mudar de voto. Assim não vão muito longe.

Miguel Pinheiro e Rui Pedro Antunes regressam amanhã no "Caça ao Voto" para esta contabilidade sobre quem perdeu e ganhou votos nas últimas horas. Agora está na hora de ir para a estrada. Neste Caça ao Voto Autárquicas, vamos agora ao encontro dos jornalistas Gonçalo Correia e Maria Martinho. Começamos pelo Gonçalo, que está na Figueira da Foz, onde Santana Lopes está confiante. E Gonçalo ainda anda a recolher louros da obra feita há 20 anos?

É isso, Ricardo. Olá. É precisamente isso. E de algum modo, vai concentrando muitas das atenções, porque até pelas duas sondagens que já saíram aqui sobre as eleições na Figueira da Foz, há um destaque bastante notório, porque uma dessas sondagens dava a Santana Lopes um resultado não muito superior ao do PS, mas em vantagem, em primeiro lugar. O PS tem como candidato Carlos Monteiro, que é o atual presidente da Câmara aqui da Figueira da Foz, mas a outra sondagem mais recente dava-lhe uma vitória próxima da maioria absoluta, portanto, já bastante mais adiantada e mais folgada. Nós temos, por um lado, aquilo que se vai assistindo por aqui, que é Santana Lopes a defender essa obra, fazer obra, aquilo que ele deixou na Figueira da Foz entre 97 e 2001, antes de sair para se candidatar à Câmara Municipal de Lisboa. E temos o atual presidente de câmara, Carlos Monteiro, a defender aquilo que fez no último mandato, a defender uma coisa que é curiosa, que é as contas certas do PS na Câmara face à dívida deixada nos anos anteriores, sobretudo por Pedro Santana Lopes, e a vincar também uma coisa que é o estatuto de figueirense, de alguém que nasceu e cresceu na Figueira da Foz, que é uma coisa que vai sendo apontada maioritariamente em bocas ouvidas nas campanhas adversárias sobre o Santana Lopes não ser da Figueira da Foz e ter decidido vir para aqui agora numa fase final. Basicamente, temos o PS a defender a gestão dos últimos anos, temos todos os outros candidatos a apontar o dedo ao PS e a apontar o facto da Figueira da Foz hoje ter menos gente, menos dinâmica, ter menos vida, ter menos atratividade económica. E depois, paralelamente a essa luta, temos PS e PSD a tentarem distanciar-se um pouquinho de Santana Lopes e do seu modelo de governação do passado.

E Gonçalo, só aqui para rematarmos a conversa. Quim Barreiros foi o artista convidado ontem à noite para o arranque da campanha, foi isso? Houve baile?

Foi isso. Houve baile, nós tivemos direito, Ricardo, aos êxitos todos. Posso dizer-te que O Melhor Dia para Casar, que é o 31 de julho, abriu o concerto. Ainda se ouviram outros grandes êxitos do cancionetismo popular, Garagem da Vizinha, O Mestre da Culinária, Insônia, Quinta dos Animais, enfim, uma série de grandes pérolas musicais portuguesas. De facto, a campanha para o Santana Lopes arrancou ontem à noite com esse concerto de Quim Barreiros. Nós tivemos a campanha do PSD a arrancar mais cedo, na manhã de ontem, com algumas visitas a empresas e até à zona industrial da Figueira da Foz. E o PS, que tem a Câmara, só começou hoje, porque ontem foi dia de Assembleia Municipal, o presidente da Câmara esteve na Assembleia Municipal, mas hoje foi fazer já uma arruada com muitas pessoas, a ir ao mercado, neste caso mesmo porta a porta e rua a rua, a entrar nas lojas, nas farmácias.

E vamos continuar atentos aí, Gonçalo Correia, na Figueira da Foz. Esta é uma das lutas eleitorais mais interessantes destas autárquicas. Um abraço, Gonçalo. No Porto, a recuperar já de uma arruada feita há pouco, junto à Casa da Música, está a Maria Martinho, que acompanha Vladimir Feliz, candidato do PSD. E hoje, Maria, já ouvimos esta história. Afinal, o que é que aconteceu? O candidato não conseguiu entrar no Museu Romântico?

Boa tarde, Ricardo. É verdade. Trata-se de um episódio até um pouco insólito e eu passo a explicar. Estava uma hora marcada, Vladimir Feliz tenta entrar no museu acompanhado com Miguel Poiares Maduro e com alguns elementos da sua comitiva e na recepção perguntam-lhe se tem alguma visita agendada, alguma visita guiada ou sem ser guiada, se tem algum encontro, se tem ali algum momento agendado. Dizem que não. E o que respondem na recepção é que então teriam que pagar bilhetes. Eles dizem, obviamente, que sim e que teriam que se organizar por grupos de 10 pessoas. Ora, havia vários jornalistas que já estavam a tirar da carteira a sua carteira profissional para não pagar esta entrada no museu, quando breves segundos depois, o candidato sai da porta e diz que não podemos entrar, que não nos deixam entrar. Nós confirmamos essa informação e de facto, acompanhado com os jornalistas, Vladimir Feliz, nem Poiares Maduro, nem outro elemento da comitiva do PSD, poderia entrar neste museu. Ora, o candidato cá fora, mesmo à porta, falou deste caso insólito, diz estar numa cidade entaipada, onde a liberdade está restringida e diz que este é um episódio vergonhoso, o que aconteceu nesta quarta-feira, e promete que caso seja eleito à Câmara do Porto, episódios destes não se voltarão a repetir.

Maria, vamos aqui rapidamente, porque ontem estiveste com Vladimir Feliz nos bastidores a assistir à preparação para o debate da RTP sobre o Porto, de ontem à noite, e publicaste esse texto ontem à noite. Dá-nos aí dois ou três pormenores de como foram esses bastidores da preparação deste debate.

Foram algumas horas que eu e o fotógrafo Rui Oliveira passamos em casa do Vladimir Feliz. Percebemos que ele não teve qualquer ação marcada para esse dia. Dia de debate é um dia de recato, de reconcentração, de família, de momentos também a sós. O candidato aproveita para reler algumas entrevistas, tanto dele como dos seus adversários, para se reunir com o grupo de conselheiros, come ovos cozidos, uma grande fonte de proteína antes de entrar em confronto e como tem muito medo de chegar atrasado ao debate por causa do trânsito que se faz sentir na cidade, hoje o dia está melhor, mas nos dias de chuva o trânsito é de facto muito complicado. Há um plano B, que é alguém ir buscá-lo de mota a meio do caminho para conseguir chegar mais rapidamente ao local do debate. E, portanto, ovos cozidos, um plano B para não chegar atrasado. Foi também ontem a primeira vez que Vladimir Feliz levou apontamentos digitalizados. Nos outros debates levava sempre tópicos manuscritos pelo próprio. Ontem arriscou, mudou de estratégia e passou tudo a computador para poupar tempo e memorizar os conteúdos de outra forma. E, portanto, foram algumas novidades no seio familiar nesta preparação caseira do candidato do PSD ao Porto para aquele que foi o último debate televisivo desta campanha.

E são pormenores que a Maria Martinho descreve, e muito bem, num texto que publicámos ontem à noite aqui no Observador. A Maria Martinho, jornalista que está a acompanhar a candidatura de Vladimir Feliz no PSD à Câmara do Porto. Já a seguir vamos continuar a falar deste candidato no fact-check. Até ao final da campanha eleitoral vai ser assim. Contamos com a lente apurada de Pedro Rainho no fact-check. Bem-vindo, Pedro.

Olá, Ricardo.

Vamos ao Porto. Vamos olhar em pormenor para uma declaração de Vladimir Feliz. É isso, Pedro?

Sim, um rápido contexto. Rui Moreira apresentou o seu programa às eleições de 26 de setembro e Vladimir Feliz não perdeu tempo, veio logo acusar o presidente da Câmara do Porto de plagiar as ideias com que ele próprio se tinha apresentado às eleições. O que é que o social-democrata diz? Diz que Rui Moreira ignorou a educação dos portuenses, que cobra ao máximo as taxas no município, um determinado imposto, e também que já recebeu um puxão de orelhas por causa do preço que é cobrado pela água no município.

Ou seja, uma acusação em três pontos: não fez nada em relação às creches, cobra taxa máxima de IRS e o regulador recomendou a redução do preço da água e nada.

E nada. Há aqui três questões com resultados algo diferentes.

Vamos a eles, vamos aos resultados.

Vamos a isso então. Em relação às creches, importa dizer que esta é uma competência da Segurança Social, que as autarquias até podem, por exemplo, ceder terrenos ou infraestruturas, mas é depois a Segurança Social que contratualiza os serviços com as IPSS, não com as câmaras, não com as juntas de freguesia. As autarquias podem destinar dinheiro para a manutenção de espaços, para as creches. A Câmara do Porto até o faz, na ordem dos €200 mil por ano. Podia fazer mais? Bom, isso é uma discussão política. Não faz nada, como Vladimir Feliz argumenta, isso é errado.

Então vamos à questão do IRS.

Ora, o argumento é o de que a Câmara cobra a tarifa máxima. Esta é uma questão bastante mais simples. A tarifa máxima é de 5% e, de facto, a Câmara Municipal do Porto cobra na totalidade aos seus munícipes. A título de comparação, Lisboa cobra 2,5%. E também em termos de contexto, há 140 municípios em Portugal que cobram a taxa máxima e vários deles são capitais de distrito. Portanto, é verdade o argumento de Vladimir Feliz.

Carimbo verde aqui. No último ponto, vamos à questão do preço da água e do puxão de orelhas do regulador.

Também é verdade, já estou a fazer spoiler, é um parecer de 2021 da Entidade Reguladora dos Serviços de Águas e Resíduos. O que é que eles dizem nesse parecer? Que deve ser equacionado, e isto é dirigido à autarquia, uma revisão tarifária para que o valor do preço a cobrar pela água seja reduzido para não onerar injustificadamente os utilizadores. Portanto, é clarinho, também aí este parecer é um verde.

E aqui chegados, temos então três carimbos hoje. Vamos ao primeiro, que é um vermelho, pode ser eu a pôr.

Faça favor.

E dois verdes para ti.

Muito obrigado.

A voz é de Vitória Silva, apoiante da lista Viver Vilela, encabeçada pela atual presidente da junta, Mariana Machado Silva, que tenta mais um mandato. E sim, é mesmo a música "Simply the Best", de Tina Turner. Deixamos os hinos lá mais para o final, porque está na hora de ir ao baú desenterrar uma história do passado, mas esta cheira assim mesmo a presente. Judite França, conta-nos lá então esta história de um oásis na Figueira da Foz.

A Figueira da Foz já foi um oásis, nas palavras de Santana Lopes. Puro show-off, dizia a oposição. A população, essa, chamada de novo às urnas, parece ter um déjà vu. Habituada às críticas, Santana Lopes nunca deixou de ter o apoio da população. Na última ação de campanha, ouviu-se mesmo que se Santana fosse embora agora, continuava a ganhar as eleições. Mas o que levou a tal popularidade depois de dois mandatos à frente da Figueira? Simples. Santana decidiu construir um oásis na praia, rodeado de palmeiras, com um pequeno palco e um bar com esplanadas. Quando autarca, em 1997, o antigo primeiro-ministro não deixou o turismo por mãos alheias. Há quase 30 anos, Santana prometia pôr a Figueira na moda, atrair turistas, fazer com que as praias começassem a entrar nos circuitos do turismo, nacionais e estrangeiros. Por isso, o povo ficou-lhe grato. Não era para menos. O presidente da Câmara da Figueira não escolheu a data ao acaso e profissionalizou o processo. Deu a campanha a uma empresa de marketing e apostou tudo na forma de atrair turistas para o Conselho de Coimbra, aproveitando a Expo 98. E se a intenção era essa, Santana cumpriu. No ano seguinte, decide então construir o tal oásis. Na fronteira entre as praias da Figueira e Buarcos, havia máquinas a trabalhar na área para plantar palmeiras, um largo artificial e a certeza de que a cidade não seria mais monótona. Sempre conhecido por saber como fazer uma festa, o Oasis deu azo a piadas nos jornais, mas os figueirenses aplaudiram. A praia passou a estar iluminada durante a noite, foram instalados campos de futebol, vôlei e basquete e até um campo de ténis. Esses em pisos sintéticos, claro. Na altura, mesmo candidato à Câmara das eleições seguintes pelo PS, confessava-se entusiasmado com aqueles projetos. O autarca era também o presidente da Ação Comercial e Industrial da Figueira da Foz e a promessa de fazer com que o verão de 1999 fosse ainda melhor deixava-o com sorriso. Na rota turística passa a entrar também a Lagoa da Vela, a norte da Figueira. A autarquia dragou o lodo numa área da lagoa e criou ali uma praia fluvial dotada de estacionamento, bares e parque infantil. A Figueira, aliás, já inspirou outros cantores. Por exemplo, Maria Clara, figueirense de gema, cantava esta música que temos estado a ouvir, mas não foi a única. Também Simone de Oliveira cantou a Figueira. Não há sol como o teu, Figueira. Os jornais diziam que esta interpretação de Simone no Festival da Figueira foi cantada com toda a pujança que caracteriza a cantora portuguesa. E como se pode ouvir, foi mesmo. Figueira!

A Figueira da Foz vai ser um dos pontos de interesse da noite eleitoral de 26 de setembro. Amanhã, a Judite França traz outra história do baú das autárquicas. E para acabar, como é hábito, neste Caça ao Voto Autárquicas, um hino.

Mariana à junta quer voltar. Vilela de novo vamos conquistar. António secretário e o Mota tesoureiro.

Vitória Silva é a voz do hino Viver Vilela. A música é da canção imortalizada por Tina Turner. Um apoio aqui à jovem presidente da junta, Mariana Machado Silva, que aos 33 anos tenta a reeleição naquela freguesia do Conselho de Paredes. No Facebook está escrito que foram pagos direitos de autor.

Nós confiamos em você. Vota para SD.

Eu sou o Ricardo Conceição. O Caça ao Voto regressa amanhã.

Formamos assim a nossa coligação. Viver Vilela é viver a coligação. Primeiro as pessoas. Juntos em união. Mariana a junta quer ganhar. Obrigada por ter ouvido este podcast. Se gostou, pode subscrevê-lo, pode partilhá-lo e também pode ouvir a Rádio Observador online em 98.7 em Lisboa e em 98.4 no Porto.