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Começa agora mais uma conferência de imprensa das manhãs "360". Hoje trago a lista das ruas mais cools do mundo, aquelas que usam coletes refletores, segundo o ranking da Time Out. E há uma que é portuguesa: é a rua da Boa Vista, em Lisboa.

Não sei como.

Não sabes como?

A rua da Boa Vista é no Porto.

Mas esta é em Lisboa. Fica ali numa paralela. Também é muito cool. Fica ali embaixo, paralela à 24 de Julho, junto ao Cais do Sodré, vai da rua de São Paulo para o Largo do Conde Barão.

Sei muito bem. É muito paralelo essa rua.

É muito o quê?

O carro é muito paralelo.

Ah.

Isso, é paralelo.

Vai a pé.

Também já fui de carro.

É melhor pra andar a pé.

Mas eu gosto de andar de bicicleta, não dá.

De trotinete, não é? Tu és muito trotinete.

Problemas de trânsito, não há problema, há sempre um colete refletor.

Exato.

Está no sétimo lugar, numa lista em que a revista sugere os locais com mais modernismo, diversão, restaurantes, bares, uma personalidade muito própria. Foi o que aconteceu com esta rua da Boa Vista. Hoje em dia é um sítio de comércio local para fazer um brunch com a família ou jantar com amigos. Completamente revitalizada, esta artéria lisboeta passou de uma imagem decadente há uns aninhos, relacionada muito com a vida noturna, para ganhar agora toda uma nova vida e todo um novo estilo muito moderno. No site do Observador tem até algumas sugestões do que pode-se experimentar por lá. E depois, quais são as outras ruas cools que partilham esta lista com a de Lisboa? O primeiro lugar é dominado pela High Street em Melbourne, na Austrália. Já foram à Austrália? Não. Tu já. O Júlio já.

Tenho lá uma fábrica de chicletes. Por causa dos cangurus.

As coisas que ele se lembra, tem sempre resposta.

Nunca fui.

Nunca foste? Eu gostaria de ir.

É muito longe pra vir só de casa.

Pois é. Fica fora de mão.

Fora de mão, exato.

Esta rua pode-se experimentar várias culturas, desde a Casa Nata. Olha, ir à Austrália pra comer um pastel de nata. Se calhar, às vezes é mais fácil. Se calhar. E lojas vintage e vinhos locais. Hollywood Road, em Hong Kong, ocupa o segundo lugar. É uma das mais antigas da cidade. É uma via movimentada onde agora se pode encontrar um restaurante com estrelas Michelin, o Tate Dining Room, de comida chinesa, mas com um toque francês. Portanto, noodles com um toque nouvelle cuisine. Estão a imaginar? Assim só um coisinho de noodles. Deve ser muito interessante. Com uma florzinha. Por lá também se podem visitar galerias de arte, lojas de antiguidades. Em terceiro está a East 11th, localizada em Austin, no Texas. É a rua mais típica da cidade. Tem vários restaurantes, espaços de lazer, como a conhecida Vintage Bookstore and Wine Bar, onde se pode ler um bom livro enquanto se desfruta de um bom copo de vinho. E é melhor começar por esta ordem, começar a ler o livro.

Primeiro o livro. Sim, também diria que sim.

Senão o livro fica assim um cadinho. A lista das ruas mais cool do mundo não fica por aqui. As outras ficam na Argentina, Canadá, Malásia, Brasil, Japão e Espanha. Estão todas neste artigo que eu li no Observador, mas está noutros sites também, e tem fotografias das ruas deste top 10. Mas uma é lisboeta, rua da Boa Vista.

Rua da Boa Vista.

É tudo em Lisboa também.

Sempre que fala assim Boa Vista lembrava Avenida do Porto e não de Lisboa.

Eu confesso que quando vi rua da Boa Vista, pensei logo no Porto. Pois, mas no Porto é avenida.

Não, tem a rua que segue a avenida. Portanto, a rua da Boa Vista vai da Praça da República até a Rotunda da Boa Vista. Da Rotunda da Boa Vista até lá abaixo à Anémona, até à Foz, é a avenida da Boa Vista.

Estás a ver, depois dá a volta e vem para cima.

Agora estou a ver.

E isso é ir pra baixo. Pra cima é ao contrário. Pra cima é avenida Boa Vista, primeiro, e a rua da Boa Vista.

Isso é bastante surpreendente.

Exato. Depois sobe pra cima.

É impressionante.

E sobe pra cima.

Só no Porto.

Até à rotunda.

Mas só no Porto é que sobe pra cima. No Porto é que sobe pra cima. Aqui desce pra baixo.

Até à rotunda que tem lá uma estátua que é muito utilizada para analogias futebolísticas.

É, tem. É da Rotunda da Boa Vista, precisamente.

Muito bem. Eu li no Público, a história é da Reuters, que nos fala da Fontana di Trevi, em Roma, e das moedinhas que são por lá tiradas. Quem já foi a Roma, seguramente já foi lá, à célebre fonte, onde também se passou aquela cena da Anita Ekberg e do Marcello Mastroianni.

"Dolce Vita".

"Dolce Vita", do Fellini. Mas atenção, não é pra entrar lá dentro. Isso não se pode, é só atirar a moeda, porque já é proibido há muito tempo, é proibido entrar na Fontana di Trevi.

Mas há quem ainda o faça e depois lá se vê aquelas histórias.

Bom, atira-se então a moedinha de costas, é aquela tradição, desejos de amor, de saúde, dinheiro, de regresso a Roma. E depois, o que é que acontece àquelas moedas? É a grande questão. Elas são retiradas, senão basicamente aquilo já estava cheio. Acumulam-se ali durante vários dias. E esta história conta-nos, de facto, quem é que as tira, para quê. A extração de moedas é, só por si, dizem que neste artigo da Reuters, um espetáculo, envolve trabalhadores da concessionária ACA, que é uma empresa de eletricidade e gás. Portanto, são eles que têm essa tarefa. Eles equilibram-se ali à beira da fonte barroca, utilizam vassouras com cabo muito longo, mangueiras de sucção também para retirar as moedas. Depois das moedas terem sido varridas, retiradas, são levadas para os escritórios da Caritas e, portanto, são entregues à Caritas, na entidade social. E o funcionário Fabrizio Marchioni, deve ser sempre o mesmo que faz isto, porque ele é aqui referido explicitamente com o nome neste artigo da Reuters, ele espalha sobre uma mesa enorme pra secar, e não são só as moedas que são pescadas. Os trabalhadores retiram também tudo que por lá aparece: joias, dentaduras, medalhas religiosas.

Dentadura, está explicado.

E até cordões umbilicais Está aqui no artigo. As pessoas são capazes de tudo e quando é para pedir desejos, têm muita imaginação. Depois são secas, tudo isto é seco com secadores de cabelo e com secadores de talheres, são classificadas e são contadas. Imagino que apareçam também lá moedas de todo o mundo. Basicamente, os turistas levam no bolso. E fora da zona Euro, lá irão outras moedas. Depois, os baldes cheios de trocos financiam, de facto, um banco alimentar, uma cozinha comunitária e projetos de assistência social. Portanto, está descoberto aqui as moedinhas que vocês lá deixam na Fontana di Trevi, qual é o destino delas, e é um bom destino. Só em 2022, a Cáritas recebeu dali 1 milhão e 400 mil euros, portanto, é dinheiro. 1,4 milhões de euros. E espera ter arrecadado ainda mais em 2023. As contas ainda não estão feitas. Roma é uma das cidades, de facto, mais visitadas do mundo, com 21 milhões de turistas, portanto, muita gente ali a atirar moedinhas. E ao longo de várias décadas, também as moedas foram alvo de golpes ou tentativas de golpes. Por vezes, há tentativas de pesca com ímãs presos a uma vara. Como há muita imaginação para lá tirar coisas.

Para pôr, também há para tirar.

Também há para tirar. Está no Público esta história da Reuters sobre a Fontana di Trevi. Já foste feliz à Fontana di Trevi, de certeza.

Já fui. 10 lados.

10 cêntimos são meus.

10 cêntimos? Foi o que lá deixaste?

Foi.

Pensei que tinha sido a dentadura.

É um bocado preta.

Pumba! Com estes cêntimos, o que tu esperas ter de retorno?

Muita saúde. Que lindo. Pediste saúde?

Mr. Universo.

É o Mr. Universo.

Foi o pedido agora de Mr. Universo, muita saúde, muita paz.

Olha, ainda vamos a tempo?

Vamos, três minutos.

Pronto, então sou eu.

É, pois, anda sim.

Estava aqui tão aborrecido com esta história.

Do cordão umbilical.

Ora bem, isto foi lá em milhões também, devo-vos dizer que fiquei surpreendido também. Eu trouxe esta história. Já toda a gente falou disto. Não há problema, passa para frente. É só para fazer tempo também. Vamos falar da subvenção dos partidos das eleições.

Temas que interessam.

Eu nunca liguei muito a isto, que eu sou muito despreendedor de dinheiro. Mas o que é que acontece? Esta maior participação eleitoral faz subir o financiamento por votos e, portanto, devo-vos dizer que vamos todos pagar, a partir de agora, 20 milhões de euros por ano aos partidos.

Mas o valor altera-se em relação...

Altera-se. Quanto mais votos, mais subvenção. Portanto, isto é por votos. Vai aumentando.

Ou seja, como houve mais participação, pagamos mais.

Os votos aumentaram. Faz sentido. Eu, por acaso, fui surpreendido, sabes com o quê? É que como vos digo, também não ligo. Por acaso pensei que isto era, não pensei não, sabia. Os partidos recebem uma subvenção, são os votos. O que eu desconhecia.

Tinhas menos presente.

Tinha menos presente é que isto era anual. Até à próxima. Claro. Achavas que era de uma vez só por cada eleição. Fizeram X votos, recebem X. Mas aí os partidos eram premiados, quanto mais eleições houvesse, mais recebiam. Recebem X votos. Era um apelo, não direi que eles faziam, mas podia ser um apelo à instabilidade política e à multiplicação de eleições. Contas feitas, o ADN, que ultrapassou a barreira dos 100 mil, isto é a partir de 50 mil votos. O ADN vai receber, exatamente. Vai passar a receber por ano 339 mil euros. O ADN fez 100 mil. Isto foram 5 milhões de votos depositados. Só a CDU é que perdeu votos nesta eleição. Há aqui um pormenor entre o PS e o CDS, vão ter que fazer contas para ver quanto é que o CDS recebe, porque foram em coligação. E isto quer dizer que a AD vai receber números redondos. Não é redondos, é mesmo fixo. Vai receber anualmente 6.148.000 euros. O PS vai receber 5.975.000 por ano. O PS perdeu 900 mil euros pelo facto de ter perdido meio milhão de votos. O Chega, que atingiu 1.108.000, vai receber 3.774.000 euros. A Iniciativa Liberal, agora com mais 45 votos que em 2022, apesar de manter o mesmo número de eleitos, também vai ficar com o cofre recheado. Passou a barreira de 1 milhão de euros, 1.006.000 euros. Quem pode sorrir, diz aqui a multiplicar por quatro deputados e a votação por quase três, foi o Livre, que assim recebe pelo menos 678.000 euros. O Bloco recebe 930.000, o PAN 402 mil e a CDU é que viu resíduos, mas vai receber mesmo assim 686 mil euros por ano. A estes valores está aqui soma-se um pelo número de deputados eleitos, que é pouco mais de 2.000 euros por ano. Fiquei surpreendido com estes números, por acaso devo-vos dizer. É considerável. Eu acho que nós os quatro devíamos formar um partido, recolhemos assinaturas. Não, mas a democracia é um sistema caro.

Nós confiamos.

50.000 euros.

E neste ano, isto é de livre.

A democracia é cara, mas eu acho que compensa pagar ainda assim. Sim, eu também, claro.

Estamos de acordo.

Pronto, mas está bem, mas é dinheiro isto.