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Este é o som da nossa conferência de imprensa, altura em que destacamos histórias ou artigos da imprensa nacional e internacional. Esta manhã trago uma notícia que li na revista Visão. É assinada pela jornalista Sara Borges dos Santos, sobre o medo extremo que muitas mulheres têm da gravidez e do parto e como isto impacta a vida de milhões de possíveis futuras mães. Este medo excessivo tem até um nome, chama-se tocofobia, vem do grego "tókos", parto, descendência, e "phóbos", medo. Pode até não nos dizer nada, mas é bem mais comum do que se possa pensar. Um estudo realizado numa universidade dos Estados Unidos e publicado, entretanto, numa revista de medicina, cerca de 40 milhões de americanas, 62% da população feminina, têm esta fobia. 40 milhões. E são várias as explicações para estes números. Todos esperam que uma mulher esteja feliz da vida quando está grávida, que planeie um parto fantástico, mas depois há quem não sinta nada disto. Muitas sentem pânico de entrar em trabalho de parto e ter complicações. Depois, há também quem se preocupe demasiado com o que vai mudar depois do bebê nascer e de perder o controlo.

Quase nada.

E de perder o controle sobre as rotinas que tinha até ser mãe.

É melhor não descontar.

Então, o que é que despoleta esta tocofobia? Podem ser traumas do passado, como perder o bebê durante a gravidez ou problemas durante o parto. Outras causas incluem histórias de abuso ou até de violação, que podem levar depois a sentimentos de vergonha associados à gravidez. Mas este medo extremo também pode surgir em mulheres que nunca estiveram grávidas. Alguém que tenha, por exemplo, ouvido falar de uma experiência traumática de parto de outra pessoa, mesmo que não lhe seja próxima. Por exemplo, há uns anos, a atriz Helen Mirren disse numa entrevista que começou a sofrer de tocofobia depois ter visto, aos 13 anos, um vídeo demasiado gráfico de um parto, que a traumatizou até hoje. Diz que foi por isso que não teve filhos e que ainda hoje não consegue olhar pra nada que tenha a ver com partos. É mesmo incrível. Porque isto é aos 13 anos.

Não é um espetáculo bonito de se ver.

Claro, e aos 13 anos pode ser mesmo traumático.

E foi marcante, foi traumático. E tudo isto, como imaginam, tem forte impacto nos relacionamentos. Há muitos casais que se separam por este medo que as mulheres têm de engravidar. Como ultrapassar? É não tentar evitar a fobia, mas sim lidar com ela, eliminar aos poucos o medo. Se estiver grávida, frequentar aulas de parto pode ajudar a diminuir as preocupações. Também é importante conversar com pessoas que tiveram experiências de parto positivas e é essencial ter aconselhamento psicológico. Depois, claro, contar com familiares, amigos, grupos de apoio, que também pode ajudar a sentir mais conforto e segurança. Está na revista Visão, com muitas histórias, muitos relatos em primeira pessoa. Nos Estados Unidos, 40 milhões de mulheres sofrem de tocofobia, este medo extremo da gravidez.

Esse número é imenso.

É mesmo assustador, 62% das mulheres.

Imagino que uma boa parte dessas seja uma fobia relativamente leve e ultrapassável. É imenso.

Há uma experiência que é quando duas mulheres se juntam ao pé de uma grávida, as histórias, os relatos de parto são todos aterradores.

Aterradores. Eu tenho convivido com algumas grávidas nos últimos tempos e sempre que estão comigo, em vez de me contarem as coisas boas, só me dizem que: "Isto é assim, é horrível, vais passar um horror."

E normalmente dizem: "Tive uma depressão pós-parto."

Ou isso também.

Isso nunca apanhei tanto. Agora, histórias de partos horríveis.

Mas tudo isto contribui pra que depois isso aconteça.

E mesmo os pais: "Acabaram-se as tuas noites, não vais dormir durante uma série de tempo. Já foste ao cinema a última vez?"

Exatamente.

Não ouçam os pais que gostam de pintar o quadro negro.

Pensem só se vossos pais tivessem pensado a mesma coisa. Vocês não estavam aqui.

E tu, Paulo, como estás hoje?

Coisas muito mais importantes. Jeans americanos.

Estão bem feitos mesmo nos Estados Unidos?

A peça não é esclarecedora sobre isso, mas estamos a falar de sustentabilidade, de fato. E já agora, o sítio onde são produzidos tem a ver com a sustentabilidade também, por causa do transporte. Mas está no Público. O texto original é do Washington Post, que o Público publica porque tem os direitos, obviamente, ao abrigo do exclusivo com o Washington Post. E de fato diz-nos que os jeans americanos estão a renascer, mas mais sustentáveis. Começa por nos dizer que a maior parte das calças de ganga que se usam atualmente em nada são parecidas àquele par rígido de índigo profundo que Jacob Davis e Levi Strauss introduziram em 1873. Calças de trabalho, basicamente. Trabalhadores no campo, minas, cowboys, por aí fora. Portanto, trabalhos pesados, desafiantes também pra roupa. Hoje são mais macias, são mais finas, têm uma cor mais clara, são elásticas muitas vezes, isso torna-as, de fato, mais confortáveis, mas também faz delas uma das peças de roupa mais poluentes e que consomem mais recursos. Mas há esperança de que este impacto ambiental possa ser reduzido. As calças de ganga atuais começam com o mesmo tecido de sarja que o par original da Levi's, tingido de azul e cravejado de De rebites, aqueles rebites para segurar as costuras naqueles pontos mais sensíveis. Mas os 3 bilhões de pares atualmente existentes no mercado requerem mais água, mais produtos químicos e mais energia para serem produzidos. O processo de tingimento de um único par pode consumir cerca de 100 litros de água, e frequentemente essa água depois acaba nos rios sem ser tratada, portanto, é despejada para fora. Quando são lavados, os novos modelos de calças de ganga têm, de facto, maior probabilidade de libertar microfibras, o que também não é bom. Aqui estamos a falar da pré-lavagem. As calças de ganga contribuem para a pegada ambiental da indústria de vestuário, claro, que é responsável por cerca de 8% a 10% das emissões mundiais de gases de efeito de estufa. Em Portugal, o setor têxtil representa cerca de 4% de todos os resíduos urbanos. Isto de acordo com a Agência Portuguesa do Ambiente. E conscientes deste problema, são várias as empresas que estão a redesenhar as calças de ganga para reduzir a pegada ecológica. Algumas promessas são apenas manobras de marketing e, como tal, é fundamental saber como identificar onde é que acaba o marketing e começa a realidade, de facto, de reduzir o impacto ambiental. Tal como as camisetas ou as calças de fato de treino, a maior parte das calças ganga começa com algodão. Embora essa ganga incorpore frequentemente outros materiais sintéticos, as calças de ganga com 98% a 100% de algodão são as mais duráveis, geram a menor quantidade de emissões de carbono durante a vida, mas nem todo o algodão é igual. Por exemplo, o algodão orgânico gera menos 48% de emissões de dióxido de carbono do que o algodão cultivado convencionalmente e utiliza menos 91% de água, portanto, consegue reduzir quase a totalidade da água. E o algodão reciclado, que é feito através da trituração de fio ou do próprio tecido, poupa água e poupa materiais. De qualquer forma, as calças de ganga com demasiado deste algodão perdem alguma resistência e durabilidade. Estamos aqui, ganha-se um lado perto do outro e obviamente depois têm que ser substituídas com mais frequência e lá vão mais recursos ser consumidos. Por outro lado, tingir um par de jeans com métodos tradicionais requer um índigo sintético, requer cerca de oito cubas de água para mergulhar a peça. Há vários caminhos a ser seguidos neste mercado. Depois, esta peça do público original do Washington Post leva-nos também a um guia para escolher melhor as calças de ganga, mas depois deixo aqui duas ou três notas. Se as calças de ganga estiverem com aspeto gasto, considere a hipótese de as reparar. Se tiver a certeza que já não precisa delas, tente revendê-las e se está à procura de um par novo, considere a hipótese de o comprar em segunda mão. Isto aqui reduz sempre o impacto ambiental.

Juca, a tua história pode ficar para amanhã.

Já estamos em cima? Alonguei-me aqui.

Não, Paulo.

Não, não te esticaste nada. Está ótimo.

Falar se fala à vontade. Foi bom.

Mas as calças de ganga é uma coisa que nos diz a toda a gente. Eu usava calças de ganga- Elas foram muito grandes, o par era muito grande.

Era.

Ok. Tinhas uma história importante?

Não, fica para amanhã.

Mas é verdade a diferença das calças de ganga do que era para o que são hoje.

Sem dúvida.

Eu ainda usei calças à boca de sino.

E sapatos com tacão alto.

Sim, de tacão alto. Em Angola usava.

Anos 70.

Aí andávamos todos contentes com aquilo. Cada vez que vejo uma fotografia .

Só acredito nisso quando publicares uma fotografia nas tuas redes sociais.

Eu vou te dizer como era. Tinha sapatos de tacão alto. No Natal tínhamos uma prenda. Calças à boca de sino e cabelo à Beatles.

Não te consigo imaginar.

Eu vou te mostrar uma foto.

E as camisas?

Ai, as camisas.

Com umas grandes golas.

Grandes golas até aqui.

Bicudas.

Era um espetáculo. Mas era só no Natal.

Natal, mas depois andavas com aquilo todo o dia.

Era assim. E quando me davam uma camisola, aquilo era um calor e eu andava sempre de camisola para mostrar a camisola.

Claro. Então, roupa nova e a malta não mostra. Olha que uma grande vantagem da ignorância.

Paulo, também davas tacão?

Não, eu nessa idade não era nascido.

Não, vocês são muito novos para isso.

Diz lá. Vocês também vão para anos, deixem-se estar.

Não era nascido. Já passei essa fase, agora a sério.

Ah, é? Mas ainda vais a tempo.

Ainda uso esse tacão.