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Este é o som da conferência de imprensa da Rádio Observador. Todos os dias, a equipa das manhãs 360 destaca histórias, artigos da imprensa nacional e internacional para partilharmos consigo. Paulo Ferreira, onde nos levas hoje?
Hoje levo-vos ao Metaverso. Já ouviram falar do Metaverso?
Muito, tanto se tem ouvido falar nos últimos tempos.
Muito. E vai ser a próxima grande coisa da internet. E vamos lá através do Eco, o jornal online que nos dá uma lista de profissões que ainda não são inventadas, se quiserem, mas que vão ter muita procura em 2030, precisamente por causa do Metaverso. O Metaverso não existe ainda, não se sabe muito bem como vai evoluir, o que aquilo será, mas é certo que vai mudar a forma como trabalhamos, também os empregos que conhecemos. No fundo, é uma espécie de um mundo virtual, que replica o mundo real, como é evidente, através de dispositivos digitais. Já há algumas plataformas e jogos que de alguma maneira podem ser vistos como pequenos ensaios daquilo que pode ser o Metaverso. Espera-se é com grafismo melhor. Fala do Second Life, do Roblox ou do Fortnite. Quem tem adolescentes ou miúdos em casa a jogar estas coisas, deve ir espreitando para saber o que se passa por lá. No fundo, é um espaço coletivo virtual compartilhado, onde nós temos o nosso avatar, fazemos compras, temos profissões e por aí fora. Portanto, vai haver muita réplica daquilo que é o mundo real. E o Eco fala-nos de 11 empregos, profissões que ainda não existem, que deverão ter muita procura em 2030. A lista foi feita pela Adecco Portugal, que é uma empresa de recrutamento. E vamos aqui só olhar para algumas. Por exemplo, designers de vestuário para avatares. As pessoas vão querer bem investir. É verdade, alguém tem que isso fazer.
Sim, claro.
Para depois tu chegares lá à plataforma e escolheres aquele casaco.
Aquele que lhe assenta melhor no avatar.
Alguém tem que desenhar isso. Outra profissão: caçadores de dados. Os dados, já sabemos, são o petróleo, se quisermos, ou o ouro do século XXI. Vamos tendo notícias disso quase todos os dias e estes caçadores, estes especialistas, terão uma componente jurídica forte na extração de dados, saber aquilo que podem utilizar e o que não podem utilizar. E os dados são fundamentais para as empresas. Vai haver metamédicos, isto é, os nossos dados biométricos e físicos estarão disponíveis, os nossos reais. Aliás, tu, Carla, com esse smartwatch, já tens muitos dados biométricos teus aí nessa maquineta.
E é só transferi-los, é só clicar.
Exatamente. Portanto, o Metaverso vai ter essas indicações nossas e deverá haver especialistas médicos, no caso, profissionais de saúde, que vão, através dos dados que lá estão, que são os nossos dados, poder fazer diagnósticos à distância, testes à distância, e perceber se a nossa tensão arterial está demasiado alta ou demasiado baixa. Às vezes, sem nós percebermos isso. Arquitetos do Metaverso, obviamente. Se aquilo é um mundo virtual onde vai haver casas, ruas, lojas, espaços e por aí fora, terá que haver pessoas que saibam desenhá-las. Há de haver também diretores de eventos no Metaverso, isto é, pessoas que organizem, de facto, concertos, exposições, conferências.
Eu estou fascinada e incrédula.
Se há 10 anos ou há 15 anos dissessem que ia haver um gestor de redes sociais, ninguém acreditaria.
É verdade.
É verdade. Criadores de ecossistemas, cá está. Vai haver aqui ecossistemas em sentido lato, não necessariamente na área da natureza, mas de cidades e de núcleos sociais. Criadores de mundos também.
Criadores de mundos?
De mundos. Nós aqui já somos transportados muito para aquilo que é a ficção científica. Os filmes e a literatura de ficção científica vivem muito da criação de mundos, de alguma maneira. Ou, por exemplo, bloqueadores de anúncios, mais uma profissão que em 2030 pode estar aí.
Pode até pode vir mais cedo.
Exato. Aliás, já há algum software que nos permite bloquear anúncios na internet. Enfim, não é muito saudável para quem vive da comunicação social e de receitas publicitárias, mas isto deverá acentuar-se daqui a 11 anos no Metaverso, porque as empresas vão querer estar lá, vão fazer publicidade e vai haver muitos utilizadores que não querem ver esses anúncios e, portanto, a forma como podem bloquear os anúncios vai ser também uma profissão. São algumas, são 11 no total. Falamos aqui de seis ou sete.
É todo um mundo novo, é uma coisa impressionante.
É todo um mundo novo.
Isso é para 2030.
É para 2030.
A indicação é 2030. Então, 2030 passamos para amanhã, pode ser para as eleições internas do PSD. Foi o que eu escolhi, obviamente, que a imprensa nacional acompanha isto. Parei no Público, e parece-me que é um pouco esse o pretexto, já que nunca houve um debate direto entre os dois candidatos. O Público colocou 16 perguntas iguais aos dois candidatos, sendo que são perguntas para resposta curta, algumas muito ao estilo daqueles inquéritos de verão, outras um pouco mais políticas, mas uma forma ligeira de ir apurando algumas diferenças ou semelhanças, porque tanto se pergunta sobre livros, filmes ou músicas, como a quem se vai, por exemplo, pedir conselhos se for eleito, ou se é a favor da eutanásia, ou como votou no referendo do aborto. Parei só nalgumas ideias e nalguns contrastes e outros nem tanto. Jorge Moreira da Silva escolhe os clássicos quando lhe perguntam livros, desde "Se isto é um homem", às "Memórias de Adriano", "Os Miseráveis". Nos filmes, vai de "Pulp Fiction" a "Citizen Kane". Luís Montenegro escolhe nos filmes, "A Lista de Schindler" e "Africa Minha". Dos livros, fala da biblioteca do pai e de outros clássicos portugueses, "Os Maias" ou "Quando os Lobos Uivam". Uma pergunta colocada neste inquérito do Público é: o que é que pensou depois de ver no dia 30 de janeiro que o PS tinha maioria absoluta? Jorge Moreira da Silva diz que pensou logo que era uma oportunidade para refundar o PSD. Luís Montenegro pensou: "Acabou-se a boa vida, não posso ficar quieto." Uma resposta mais impulsiva. E se for eleito, vai pedir conselhos a algum líder? A qual, em primeiro lugar? Luís Montenegro diz que vai ouvir vários, mas primeiro será ou Pedro Passos Coelho ou Cavaco Silva. Jorge Moreira da Silva é mais cauteloso. Obviamente, vai reunir-se com todos os ex-líderes. Outra pergunta curiosa: qual o líder do PSD mais inspirador? E não vale dizer Sá Carneiro, o que também é uma boa ressalva.
Boa pergunta.
Uma boa pergunta. Luís Montenegro diz que, nesse caso, Cavaco Silva foi o chamamento para a política e Passos Coelho foi com quem mais aprendeu. Jorge Moreira da Silva, mais reservado outra vez, diz que admira todos os líderes. Já tenho pouco tempo, mas os três erros mais graves de Rui Rio, é perguntado. Luís Montenegro aponta três erros: perceção errada da subjugação ao PS, a incapacidade de conviver com a crítica interna e entender que o poder não se ganha e que se perde. Jorge Moreira da Silva diz não falar do passado nem fazer política de terra queimada. Última pergunta: guilty pleasure. Luís Montenegro não se lembra. Jorge Moreira da Silva diz que é o chocolate.
Então guilty é que não se lembra.
Muito bom. Júlio, tu também queres falar de eleições.
É, eleições no Brasil, são notícias fresquinhas, são de hoje, vêm na Folha de São Paulo, saem hoje na imprensa brasileira, são da Datafolha, e indicam que Lula abriu 21 pontos de diferença para Bolsonaro, ou seja, no primeiro turno tem 48 e Bolsonaro 27. O Ciro Gomes, que é o terceiro, tem só 7% e aparecem depois quatro candidatos com 2%. Portanto, no Brasil a luta vai se concentrar. Pelos vistos, os brasileiros estão se a preparar para uma luta a dois, para um polarismo só entre os dois
O que é engraçado é que para o segundo turno, o Lula abre uma vantagem ainda maior, ficará com 58% e Bolsonaro com 33%. Mas se fosse Ciro Gomes e Bolsonaro, ganharia também o Ciro Gomes segundo esta sondagem, com 52% contra 38% no segundo turno. Claro que os adeptos e os ministros de Bolsonaro já vieram chamar duendes, Pinóquios, tudo o que vocês possam imaginar aos responsáveis por estas sondagens. Lá como cá, quando há sondagens que não são boas, ninguém gosta, quando são boas, são meras sondagens, enfim, ninguém gosta. Mas está aberto este processo eleitoral no Brasil e há uma polarização clara. O que eles dizem é que o que vai valer é a rejeição do povo brasileiro, ou seja, não vai ganhar nem um, nem outro, vai ganhar aquele que for menos rejeitado, como quem diz: "Se pudéssemos, não votávamos em nenhum deles". Mas são os que há e, portanto, é o que se vai decidir no Brasil.
Foi a conferência de imprensa da Rádio Observador, sempre antes das 20:00 e a qualquer hora em podcast.