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Está no ar a conferência de imprensa das manhãs 360. É sempre por volta desta hora que destacamos artigos ou histórias da imprensa nacional ou internacional. Bruno, vamos ao internacional.
Vamos ao internacional, ao "El País", e é o assunto que toda a gente fala, pelo menos quem se interessa por estas coisas da cultura, dos prêmios, dos Oscars. Carla Sofía Gascón, a atriz espanhola protagonista do narcomusical "Emilia Pérez", fez história ao ser a primeira mulher transexual, o primeiro transexual nomeado para um Oscar nas categorias de representação, mas entretanto pode já ter hipotecado qualquer hipótese de vencer a estatueta. E o que é que fez? Nada. Ou melhor, já tinha feito, porque reemergiram uns tweets polêmicos publicados pela atriz há uns anos e que geraram uma série de reações até das coprotagonistas do filme. A internet nunca esquece, sobretudo quando não se apagam as publicações. E havia aqui declarações polêmicas nestes tweets, quando ainda não era uma estrela famosa, sobre George Floyd, o homem cuja morte pela polícia norte-americana desencadeou o movimento Black Lives Matter, sobre os muçulmanos também, ou até sobre Selena Gomez, com quem, ironias do destino, Carla Sofía Gascón fez o filme que agora lhe valeu a nomeação. E com isto tudo, e por terem sido revelados, não é bem o termo, alguém foi à procura do que ela tinha escrito.
Surgiram, surgiram agora.
E voltaram a ser divulgadas e assim reduziu praticamente a zero as possibilidades não só de ganhar um Oscar, mas até do filme ganhar algum Oscar, porque até aqui há umas semanas era o grande favorito para vencer pelo menos em algumas categorias. É o filme mais nomeado, com 13 nomeações, à beira de um recorde mundial de nomeações para os Oscar. Só o "Titanic", creio que o "Ben-Hur" e qual é que é o outro? O "Eva", "All About Eve", têm mais nomeações, com 14. Portanto, 13 nomeações, indiciava aqui pelo menos um forte concorrente. Só que com esta polêmica, é muito provável que o filme não venha a ganhar nenhum Oscar. A Netflix, que comprou os direitos de distribuição do filme para os Estados Unidos, entrou em modo de gestão de crise. O mesmo fez a atriz, que ainda se viu prejudicada por ter dito numa entrevista ao jornal brasileiro, à Folha de São Paulo, que Fernanda Torres e a sua equipa estavam a fazer tudo para a denegrir. Isto também se juntou à onda negativa a abater-se sobre Carla Sofía Gascón e o filme. Mas aquilo que está mesmo a manchar a reputação da atriz são aqueles tweets. E o jornal pergunta: não houve ninguém atento a essas publicações? Nenhum agente ou assessor de imprensa teve o cuidado de ir confirmar o que Gascón tinha escrito nas redes sociais há uns anos? Porque é preciso perceber que nos Estados Unidos estas coisas têm um impacto mesmo muito grande. Isto não é a Europa, onde se diz alguma coisa e passa mais ou menos ao lado.
Tu não digas que os Oscars, afinal, não são atribuídos apenas pela qualidade artística.
Não sei se estavas ainda à espera disso, Carla. Lamento desiludir-te.
Não sei, estou chocada.
Lamento desiludir-te, mas é assim. Há outras coisas que pesam e, aliás, os votos ainda não foram efetuados. A votação é até dia 18 de fevereiro, o que significa que-
Tudo pode acontecer
...tudo pode acontecer e o mais provável que aconteça é que o filme não venha a ganhar nenhum Oscar. Mas parece que não, o jornal responde a esta questão. Parece que não houve ninguém da assessoria a ter a atenção, a perceber que havia estas declarações e essas mensagens polêmicas. E a resposta agora também não tem sido a melhor. A reação de Carla Sofía Gascón não tem sido a melhor. É verdade, pediu desculpas, mas continua a dizer que quer ela, quer o filme, são vítimas de uma campanha de ódio. Acabou por fechar a conta no X e no Instagram dirigiu-se aos cerca de 200 mil seguidores a dizer que, no fundo, muitos daqueles posts eram, afinal, brincadeiras e que foram citados sem contexto. Lá está, nos Estados Unidos, onde estas coisas têm uma enorme importância, houve reações de líderes da comunidade muçulmana e toda a gente aponta as escassas possibilidades de o filme vir a vencer algum prêmio, como já tinha dito, depois de ter sido o darling de muita imprensa, até porque parece que irritava Donald Trump pelos temas, mas irritava muita gente. Também no México não foi bem recebido, apesar da ação do filme decorrer no México. Há também aqui um problema para a revista "Variety", que costuma organizar mesas-redondas com os nomeados de cada categoria antes da cerimônia, mas que agora terá alguns problemas para juntar as nomeadas, que não querem ser vistas ao lado de Carla Sofía Gascón. Agora é tóxico. O jornal diz que uma das principais prejudicadas por esta onda negativa será a atriz Zoe Saldaña, que é protagonista também do filme "Emilia Pérez", está nomeada para a categoria de melhor atriz secundária e agora as suas hipóteses também ficam reduzidas. E nos últimos dias, Zoe Saldaña tem feito tudo para se distanciar de Carla Sofía Gascón. Tem criticado, mas sem jamais referir o nome de Carla Sofía Gascón. Portanto, agora é tudo a tentar minimizar os estragos e a ver se ainda tem alguma hipótese de ganhar uns prêmios. A notícia está no "El País". Carla Sofía Gascón é uma atriz espanhola, daí ter escolhido este artigo.
Depois da Carla Sofia a Carla Maria. Eu li no Observador uma espécie de "querido, mudei o escritório". Como Donald Trump redecorou a Sala Oval. Estas coisas são importantes, não são à toa. Há muita leitura política sobre.
Estão nas histórias aqui.
Com certeza. E sabemos que cada presidente deixa a sua marca em relação à forma como é decorada a Sala Oval. Trump optou por uma grande renovação no escritório, e há um pormenor logo no início deste artigo do Miguel Pereira Santos, é que Joe Biden ainda estava na Casa Branca, quando os funcionários da manutenção começaram a fazer mudanças na Sala Oval. A maior parte desta redecoração foi feita no espaço de horas, no dia 20 de janeiro, no dia em que estava a decorrer a cerimónia da tomada de posse de Donald Trump como o atual presidente dos Estados Unidos. Grandes mudanças. Em cima da lareira, saiu o retrato do presidente democrata Franklin Roosevelt e entrou o de George Washington, que de resto já tinha estado no primeiro mandato de Trump, mas desta vez tem novos acompanhantes. Os antigos presidentes que são escolhidos foram diferentes: Thomas Jefferson, o terceiro chefe de Estado do país, Andrew Jackson, o sétimo, e ainda Alexander Hamilton, que foi também um dos pais fundadores dos Estados Unidos. Depois há uma história sobre aquela secretária que todos nós conhecemos, a Resolute Desk. Tem uma história que eu não fazia ideia. O Bruno já se ri. Foi oferecida pela Rainha Vitória em 1880. Já sabias disto?
Não sabia.
Estavas com um-
Estava com cara de quem sabia.
Não sabia. Pensei que fosse uma história relacionada com o John Kennedy.
Não, podia ser. Não está no artigo essa parte. Aqui é importante porque é das poucas coisas que não muda na Sala Oval. Só que desta vez Donald Trump quis mudar o tapete, que era o escolhido por Biden. Era de um azul escuro e ele quis mudar agora para um tom mais neutro e tiveram que desmontar a secretária. Não sei se apareceu lá alguma coisa. Deve haver muitos mistérios. A secretária teve de ser desmontada. Nas costas da secretária há também uma mesa de apoio onde podemos ver muitas fotografias. Já lá está a marca de Trump, muitas fotos de família, a mãe, o pai, a irmã mais velha, todos eles já falecidos, fotos depois dos filhos quando eles eram pequenos. Na outra extremidade da mesa, Trump colocou também um conjunto de cerca de 30 emblemas de várias organizações e instituições, cada uma delas também com a sua leitura e interpretação. Trouxe de volta também as bandeiras dos vários ramos do exército do país, que foram removidas durante o mandato de Joe Biden. Há também mudanças nos bustos. O busto de Winston Churchill regressa ao escritório presidencial depois de ter sido removido por Biden. Já o busto de Martin Luther King, que Trump não quis manter no primeiro mandato, foi recuperado por Joe Biden. Agora vai continuar e, de resto, Trump citou Martin Luther King no discurso do dia da inauguração. Portanto, houve aqui uma alteração, uma mudança. Para ficarmos mais descansados, o famoso botão da Coca-Cola, aquela que Trump carrega sempre que quer a sua bebida favorita, é algo que vai continuar na Sala Oval.
Bem que gostava de ter uns botões desse aqui.
Era Coca-Cola Zero.
Era diet.
Não, a minha era zero. É só com gelo.
Chama a atenção, não.
Podemos manter isso. Vou falar com o Nuno Serra Fernandes.
Exatamente, porque não?
Tens aí tantos botões e não tens nenhum para isso.
Nem me traz Coca-Cola zero.
E uma palhinha logo pousada aí à volta.
Não, palhinhas não.
Podia ser. O artigo é no Observador.
Está muito interessante.