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Este é o som da conferência de imprensa, sempre disponível em podcast. Esta manhã trago-vos uma proposta de emprego para vocês. Eu sei que a idade já pesa, o horário também.

Está a olhar para mim.

Estou a olhar para os três. O calor aproxima-se e vocês não são bem. As temperaturas altas vão ficar muito embaixo depois do verão.

Obrigadinha.

Oiçam só se não é a vossa cara. O posto de correios mais a sul do mundo, o Port Lockroy, que está a celebrar 80 anos, está a contratar três funcionários para passar cinco meses a separar correspondência e a contar pinguins na Antártida. Não é bom para desanuviarem a cabeça? Um pinguim, dois pinguins, três pinguins.

Já estou farta de contar ovelhas, vamos agora contar pinguins.

Não têm de decidir já, só vão precisar de vocês de novembro a março do ano que vem. Além das cartas, e enganam-se se pensam que são poucas. O posto de correios recebe e envia cerca de 80 mil por ano, sobretudo dos passageiros de cruzeiros que param na ilha durante o verão. Têm de vender selos, tomar conta de uma pequena loja e, como disse, vão contar os pinguins de uma colônia que chega aos 1500. Têm de garantir que nenhum deles vai à sua vidinha, que nenhum se pira. Depois há só uns detalhezinhos, mas acho que não é isso que vos vai impedir de embarcar nesta aventura, ou não fossem vocês três bravos. Vão ter de viver sem água corrente.

O que é isso para nós?

Habituados, não é? À aventura.

Com o frio que vai lá estar, não é preciso.

E passar vários períodos sem telemóvel. Juca!

Vocês já não podem ir.

E sem internet.

Sei lá vou eu.

E sem internet. Eu sei que iam já amanhã. Uns aventureiros, uns Tom Sawyers. Mas só se pode candidatar quem vive no Reino Unido. Lamento, eu estou a sentir a desilusão nas vossas caras. Onde é que eu vi isto? No próprio site do Port Lockroy, na Antártida. As coisas quando acontecem.

E quanto é que se paga?

Isso agora só eles sabem.

Só eles sabem.

É chorudo, de certeza.

É um ordenado.

É um ordenadão. E contar pinguins não é para todos. São todos iguais, não é?

Pois, exatamente.

Quando és um, andas muita pressa, sabes lá se aquele não é o António e se o outro a seguir o Francisco e não é outra vez o António.

E podemos dar nomes aos pinguins?

Podem. Cada vez mais interessante essa proposta.

Agora sou eu, não é?

É.

Eu ia falar por causa de telemóveis. Foi só uma notícia ontem. Portugal, no ano passado, fez 1000 milhões de euros em venda de telemóveis.

Também vi isso, pois foi. Impressionante.

E por três mudei. Vamos falar, eu vi na sábada, estávamos a falar aqui do processo eleitoral em Portugal, agora dos votos a contar. Vêm aí as eleições na Índia, que vão arrancar a 19 de abril. E decorrem em sete fases. É impressionante o que se passa na Índia. Os cadernos eleitorais da Índia têm cerca de 970 milhões de eleitores.

970 milhões.

É verdade. Enquanto as assembleias de voto vão ser cerca de 1,1 milhão. As eleições começam a 19 de abril e decorrem em sete fases, até 1 de junho. Vejam lá, começa em 19 e depois vai até 1.

Ainda nós dizemos que o nosso processo eleitoral é longo.

A primeira fase deste processo de votação em massa, com 1,4 milhões de habitantes, vai ter início a 9 de abril. Seguem-se mais seis, 27 de abril, ou melhor, 26, 7 de maio, 13 de maio, 20 de maio, 25 de maio e 1 de junho. Dizem eles aqui que a contagem de votos só terá início a 4 de junho. É este exercício gigantesco da democracia. É o maior movimento eleitoral de pessoas e materiais do mundo. Serão mobilizadas mais de 5 milhões de máquinas de voto eletrónico. Os cadernos eleitorais da Índia têm cerca de 970 milhões de eleitores, já vos disse. Enquanto o número de assembleias de votos é de 1,1 milhão, é um novo recorde mundial para um país asiático, ultrapassou já o histórico de 916 milhões de eleitores chamados às urnas nas gerais de 2019. Diz-se que as autoridades eleitorais vão utilizar barcos, helicópteros, cavalos, elefantes e outros meios de transporte para chegar a todos os eleitores.

Que giro.

São mais de 1200 partidos que vão participar nestas eleições para eleger representantes para a Câmara Baixa.

Atenção ao fotocópio do CC.

É verdade. As forças políticas para a nomeação de novo primeiro-ministro, e é isto. Narendra Modi é o primeiro-ministro atual, vai tentar ganhar. Tem outro partido na oposição que pode fazer frente, mas depois há muitos outros partidos. Diz aqui: é o maior ato eleitoral do mundo.

É a maior democracia do mundo.

E é a maior democracia do mundo. É só.

Há países maiores, mas não se vota aí. A China.

Muito bem.

Na Economist desta semana, vi um artigo. Eu ando sempre à procura destas coisas sobre as gerações e o que nós achamos dos jovens. A propósito do lançamento de dois livros, no mercado editorial do Reino Unido, dois livros que, diz a Economist, se enquadram naquele padrão tradicional familiar de uma eterna preocupação com os jovens. Então perguntam: quão preocupados devemos nós estar com a geração Z? A geração Z são as pessoas nascidas entre meados da década de 90 e o ano 2010, portanto, têm agora entre a adolescência e os 20 e muitos.

Sim, e os jovens adultos.

25 para os jovens adultos. É curioso, o artigo arranca logo por nos dizer que em 1935, a revista "Harper's" publicou um artigo triste sobre os jovens americanos. Estamos a falar há quase 100 anos, 90 anos.

Portanto, os nossos pais avós.

Pais avós, exatamente. Os autores, na altura dois jornalistas, argumentaram que era uma geração que estava a apodrecer diante dos nossos olhos. A apatia e o desencanto tomavam conta deles, juntamente com a criminalidade. Até mesmo estudantes do ensino médio andavam com armas e estavam em busca do que pudessem conseguir. Os autores culparam, nessa altura, o desemprego em massa por esta tragédia e alguns, não estes autores, mas alguns dos seus contemporâneos, apontaram mesmo para as drogas para justificar esta apatia geracional dos jovens de há 100 anos. Cerca de 50 anos depois deste artigo, e diz a "Economist", 40 anos depois de a geração supostamente podre ter salvado o mundo do fascismo, as pessoas mais velhas queixaram-se novamente que os jovens estavam a errar, num livro de 1982, "O Desaparecimento da Infância". Neil Postman, que era um teórico educacional, argumentou que os adolescentes estavam a adotar vícios adultos, como o consumo excessivo de álcool e o crime, a praticar demasiado sexo, e a principal culpada disto, explicou ele, era, na altura, a televisão. Estávamos em 1982. Chegamos agora aos dois livros que acabam de sair, que foram publicados mais uma vez sobre os problemas e as falhas dos jovens. Não dizem quase nada sobre o desemprego, diz-nos a "Economist", sobre drogas ou sobre a televisão. Na verdade, eles nem concordam entre si sobre a razão pela qual os jovens estão numa situação tão complicada. As causas mudam, as medidas mudam, o que não muda é a certeza absoluta que nós temos que os idosos falam dos problemas da juventude. Que livros são estes? Um, traduzido também, "A Geração Ansiosa", descreve uma coorte que sofre de níveis sem precedentes de problemas de saúde mental. Um quinto dos estudantes americanos foram diagnosticados ou tratados para depressão em 2019, contra um décimo na década anterior. Há aqui uma duplicação, de facto, dos tratamentos para a depressão. E o autor, que é um psicólogo social da Universidade de Nova York, Jonathan Haidt, argumenta que isto não é apenas um sinal de maior fraqueza. Ele diz também que os suicídios também estão a aumentar, mais do que tendo duplicado entre as raparigas americanas dos 10 aos 14 anos, desde 2010. Ora bem, aqui a culpa é dos smartphones e das redes sociais, são apontados, de facto, como os principais vilões. Em vez de comunidades pequenas e estáveis do mundo real, os jovens, diz o livro, argumenta, juntam-se em comunidades virtuais, onde experimentam um tornado diário de memes, de modas, de micro dramas efêmeros, representados entre um elenco rotativo de milhões de pequenos jogadores. O outro livro, que se chama "Má Terapia", concorda que os jovens estão profundamente perturbados, mas discorda sobre a causa. A autora Abigail Shrier diz que o culpado não é a tecnologia, mas o que ela chama de indústria da saúde mental. Diz que quase dois quintos dos jovens americanos afirmam ter recebido ajuda de um profissional de saúde mental, o que lhes causou grandes danos, argumenta ela. Ela diz que eles nunca podem ignorar qualquer dor, por mais trivial que seja, porque os pais vão a correr com eles fazer terapia e diz que uma criança que seja declarada com alguma deficiência de aprendizagem ou neurodivergente, não tem o direito de ser simplesmente preguiçosa. O artigo é mais extenso, os livros em causa mais extensos ainda, mas o curioso aqui é que isto repete-se ciclicamente. Os mais velhos-

Acham sempre que a geração seguinte está pior. Tenho 30 segundos.

Está bem.

Porque tu estavas a falar nisso e eu fui a correr aqui, com a ajuda da internet, porque me lembrava que Sócrates, o filósofo, foi-lhe atribuído, sabemos que ele não deixou nada escrito, mas foi-lhe atribuído algumas frases sobre os jovens gregos da época clássica grega.

Há aí 500 anos, aproximadamente.

E ele dizia: "Os jovens de hoje gostam do luxo, são mal-comportados, desprezam a autoridade, não têm respeito pelos mais velhos, passam o tempo a falar em vez de trabalhar." Sócrates, o grego, antes de Cristo, já dizia isto. Acho que está tudo dito, não é?

É muito bom.