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8.7. E começa agora mais uma conferência de imprensa da Rádio Observador. Trago um artigo da revista Time. Não sei se isto acontece convosco ou com alguém lá em casa, mas quantas vezes não estão na fila do supermercado ou à espera do elevador e não têm nem um minuto e ainda assim pegam no telemóvel e começam a navegar no Instagram, a ver mensagens no WhatsApp ou a ver notícias?
Eu pecadora, me confesso.
Quase sempre.
Para os especialistas que estudam a relação das pessoas com a tecnologia, dizem que isto não é nem um desejo, não é intencional, é só automático. E as pesquisas mostram que há muita gente a fazê-lo. Por exemplo, um estudo de 2022 revela que apenas 11% deste pegar no telemóvel eram em resposta a uma notificação. Nos outros 89%, as pessoas verificavam os telefones totalmente sem terem razões para isso, sem serem solicitadas, muitas vezes sem pensar no motivo pelo qual o estão a fazer. É aquele hábito.
Automático, nem pensas.
É automático, não estás a fazer nada.
Nem que seja em meio minuto. E por que isso acontece? No mundo ultraconectado, estamos tão acostumados à estimulação constante que nos sentimos desconfortáveis quando não estamos a fazer nada, mesmo que seja apenas lá estar por alguns segundos. E os telefones parecem ser bons a aliviar esse desconforto. É por isso que um professor da Universidade do Texas lhes chama de chupetas adultas. Assim como as crianças pequeninas andam sempre com um brinquedo ou um cobertor para se sentirem seguras, os adultos sentem-se confortáveis com a presença constante e já familiar dos seus telefones. Como lutar contra isto e parar de pegar no telemóvel de 10 em 10 segundos? É preciso querer cortar com este hábito. Parte do processo passa por se habituar a ficar sem o telefone. Não basta tê-lo perto de nós, virado para baixo, sem som. Muitos estudos mostram que essa proximidade é o suficiente para nos distrair e ter aquela vontade e curiosidade de ver se há alguma coisa nova. Depois, não é preciso pararmos de repente. Aliás, algumas pesquisas sugerem que esse tipo de desintoxicação digital repentina, abrupta, pode desencadear ansiedade. Para facilitar, a ideia é começar por ficar sem o telefone por períodos de tempo definidos, como quando estiver a trabalhar ou quiser dar toda a atenção ao seu amigo ou familiar. Com o passar do tempo e à medida que nos acostumamos a ficar sem a tal chupeta, vai ficando mais fácil resistir à tentação constante de pegar nele. Às tantas, pode até acabar por descobrir que quer deixar o telefone para trás com mais e mais frequência. Isso aconteceu nas férias. Peguei tão pouco no telemóvel que às tantas me esqueci onde é que eu tinha deixado e não ficava com muita curiosidade de voltar a pegar nele. Faz falta para tirar fotografias, mas esse também é o problema do telemóvel, nos fazer tudo e mais alguma coisa. O artigo é longo, mas numa altura em que se fala cada vez mais da dependência dos mais novos, e nós sabemos que não é só os mais novos, vale a pena ler, está na Time Magazine.
Eu vou a um artigo do El País, que é uma história para animar aqueles trabalhadores que se sentem explorados pelo patrão. Olá, bom dia a todos. Sabem quando alguém mete baixa e o trabalho é feito por um colega, que é a questão de não se contrata alguém para o lugar e empurra-se acima.
Acumula-se.
Alguém vai fazendo. E depois há outro funcionário que se vai embora e o trabalho passa para o mesmo colega e não se contrata ninguém. E depois o patrão habitua-se que uma pessoa faça o trabalho de três e está tudo bem. Foi isto que aconteceu, mais ou menos, a um funcionário da Câmara Municipal de León, em Espanha. Mas este funcionário teve agora uma boa notícia. O tribunal decidiu que deverá receber uma indenização de €150 mil por sobrecarga continuada de trabalho. Esta situação começou em 2014 e afetou um funcionário do gabinete jurídico da Câmara. Eram três advogados naquele gabinete. Um deu baixa, depois acabou por morrer, e a Câmara não contratou ninguém para o seu lugar. Entre 2016 e 2019, outro funcionário também esteve de baixa durante períodos prolongados e foi sempre o terceiro funcionário a assumir as tarefas dos outros dois, além das suas próprias tarefas. Em 2022, foi a vez deste funcionário meter baixa e só aí a Câmara contratou dois estagiários para ocupar os lugares em aberto. Ou seja, entre 2014 e 2022, este funcionário, cujo nome não é revelado no artigo, fez o trabalho de três e agora o tribunal decidiu que tem de ser pago por isso. Para a sentença, contribuiu o facto deste advogado ter alertado por várias vezes as chefias para aquela situação, sem que fosse tomada qualquer medida. Contudo, os €150 mil são apenas metade do valor que ele reclamava, porque ele é que fez a própria defesa, aliás, é advogado. Diz ele que o valor dos €150 mil nem chega à metade do que a Câmara poupou ao não contratar ninguém para aqueles lugares deixados vagos pelos outros funcionários.
Portanto, compensou.
Para a Câmara compensou, claramente, porque é uma grande diferença, para além de todos os custos que isso implicaria. E a Câmara, mesmo assim, vai recorrer desta decisão, porque alega que o funcionário assumiu a realização das tarefas de forma voluntária, o que este contesta, porque diz que tinha obrigações que não podiam deixar de ser cumpridas em nome, não dos seus interesses pessoais, mas dos interesses da entidade empregadora, que depois ficaria sem representante legal nos diversos processos que estavam a decorrer. É uma notícia que está no El País, é uma boa notícia e um bocadinho inspiradora para quem ainda tem esperanças de vir a ser ressarcido. Para outros, não será assim tanto.
Não será assim tanto. Vamos então ao Reino Unido agora. O país berço da Revolução Industrial tornou-se esta semana o primeiro do grupo do G7, das grandes potências econômicas, a deixar de depender do carvão. Não há qualquer central de carvão no Reino Unido. Foi nesta segunda-feira, 142 anos depois do nascimento da Revolução Industrial. Fechou-se este ciclo e a última central de energia elétrica produzida a partir do carvão já não está a funcionar. É a central de Ratcliffe-on-Soar. Foi aberta em 1967, nas Midlands, exatamente no local onde a Revolução Industrial arrancou no século XIX, mas claro que o carvão já era explorado há décadas no Reino Unido. Agora, esta central vai ser convertida num hub de energia de neutralidade carbônica e os 154 trabalhadores conseguiram encontrar outro emprego ou entraram em projetos e formações profissionais, ou então aceitaram indenizações descritas como substanciais, aquelas que até os sindicatos consideram que foi um bom acordo. É um momento muito simbólico. Há um responsável por este processo que disse: "O berço do poder a carvão está a virar as costas ao carvão para sempre." É um processo que começou no início do século XX
E que é um sinal para o G7, precisamente, onde se esperava que a dependência do carvão terminasse mais depressa. As metas eram mais apertadas, mas têm surgido cada vez mais obstáculos muito conhecidos e que têm a ver muito com a geopolítica. Por exemplo, a Alemanha, só para termos uma ideia, continua a depender da energia a carvão em mais de 25% da eletricidade que precisa. Com a guerra na Ucrânia, com as sanções às importações do gás natural russo, forçaram o país a reabrir centrais de carvão que já tinham sido encerradas. Há, por isso, muitas dificuldades, mas este exemplo do Reino Unido, que se espera que possa ser repetido por alguns, embora o artigo que eu li no Expresso diz que as dificuldades vão ser ainda muitas.
Ainda muitas. Já agora, o carvão, nós aprendíamos na escola, em História, que uma das causas para a Revolução Industrial ter acontecido naquele momento na Inglaterra era precisamente a existência dessa matéria-prima.
Exatamente. Muito explorada.
Muito explorada e que dava gás, não literalmente gás, mas que impulsionava as máquinas de todas as formas.
As máquinas a vapor. Entretanto, foi considerado o pior de todos os combustíveis fósseis, pelo enorme impacto ambiental, pelos riscos e pelas consequências que tiveram também, não só na saúde do planeta, mas na saúde humana. O Reino Unido dá o exemplo, abre a porta, agora vamos ver quem segue e que consequências é que terão as alternativas que estão a ser estudadas.
Ainda tenho tempo?
Tens, um minuto.
Um minuto.
Pensavas que era curtinha.
Se calhar, fica pra próxima.
Há emonga.
Depois acabei por esticar.
Então, está bem. Então fica pra próxima. Entusiasmaste.