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Conferência de imprensa da Rádio Observador. Passamos em revista os destaques de imprensa nacional e internacional. Eu sou o Carlos Pedro, a edição de hoje é da jornalista Marta Caramelo Nobre. Bom dia, Marta.

Bom dia, Carlos.

Vamos começar com a manchete do Diário de Notícias, que traz uma nova sondagem do barómetro DN/AXIMAG sobre a polémica decorrente da digitalização e correção dos exames nacionais.

A maioria dos portugueses não confia na capacidade do ministro da Educação para conduzir as próximas fases das provas. Mais de 50% dos inquiridos classifica como má ou muito má a gestão da equipa de Fernando Alexandre. Apesar do pedido de desculpas do governante e da garantia de que nenhum aluno será prejudicado, 70% dos participantes dizem ter pouca ou nenhuma confiança na correção dos exames. No que toca à atribuição de responsabilidades, mais de 70% dos inquiridos culpam diretamente o ministro, o primeiro-ministro e o governo, enquanto apenas 12% apontam os professores e os sindicatos enquanto culpados. O estudo indica ainda que mais de 80% dos portugueses consideram as falhas no processo um assunto importante ou muito importante, num barómetro em que o Executivo regista uma avaliação mais negativa desde a tomada de posse.

Vamos seguir com a manchete do jornal Público, que revela detalhes de uma denúncia que terá dado entrada na Polícia Judiciária sobre suspeitas de corrupção e tráfico de influências na nomeação de árbitros para a primeira liga de futebol.

O jornal teve acesso exclusivo a um documento de cerca de 20 páginas, entregue às autoridades, que descreve fugas de informação sobre nomeações de árbitros antes de serem oficiais, bem como contactos entre responsáveis da arbitragem e dirigentes de clubes. Entre as suspeitas apontadas estão crimes de corrupção e tráfico de influências, num processo que detalha episódios ocorridos no final da época passada, com alegadas pressões e promessas de permanência de juízes na primeira categoria. O documento reúne ainda mensagens, chamadas telefónicas e relatos de reuniões internas na Federação Portuguesa de Futebol, que envolvem o presidente do Conselho de Arbitragem, o Luciano Gonçalves, e outros dirigentes desportivos. E descreve ainda o conhecimento antecipado de nomeações de árbitros para jogos cruciais da Primeira Liga, envolvendo encontros e alegadas pressões para favorecer a permanência de clubes no principal escalão.

Vamos fechar a imprensa nacional com o Jornal de Notícias, que revela que as empresas portuguesas estão cada vez mais dependentes dos alunos do ensino profissional.

As associações empresariais como a Confederação Empresarial de Portugal, ouvidas pelo Jornal de Notícias, apontam uma procura crescente por perfis técnicos e pedem para estar mais envolvidas na elaboração dos programas educativos, por forma a alinhar os cursos com as necessidades do mercado de trabalho. Apesar de mais de 100 mil alunos frequentarem o ensino profissional, o jornal nota que esta via continua a ser vista com preconceito, funcionando muitas vezes como uma segunda escolha face ao ensino regular. Isto apesar de em áreas como a indústria e digitalização, os salários de entrada no mercado de trabalho chegarem a ser 30% superiores aos dos alunos recém-licenciados.

Marta, vamos à imprensa internacional. O destaque do jornal francês Le Monde vai para a gestão do governo francês perante os incêndios que lavram no sudeste do país.

O fogo em Gironda já consumiu mais de 40 mil hectares. É um dos mais devastadores em França desde a Segunda Guerra Mundial. Para reforçar o combate às chamas, o governo francês ativou, no final da semana passada, o mecanismo de proteção civil da União Europeia, que incluiu a mobilização de dois aviões enviados por Portugal, a par de meios aéreos e humanos de outros países europeus. Apesar desta mobilização de mais de 1400 bombeiros e cerca de 1500 militares, o Executivo francês está sob forte crítica dos autarcas locais, que acusam o governo de falta de meios aéreos e de falhas na preparação do combate aos incêndios. Dar nota ainda de que o presidente Emmanuel Macron convocou para hoje uma reunião do gabinete de crise para avaliar os prejuízos e coordenar a resposta no terreno.

Vamos fechar com o espanhol El País, que faz manchete também com o cenário dramático de incêndios que afeta o centro de Espanha.

São três grandes incêndios nas regiões de Ávila, Madrid e Toledo. Já queimaram praticamente 80 mil hectares, obrigando à evacuação ou ao confinamento de cerca de 90 mil pessoas. O fogo de Ávila, que consumiu já 50 mil hectares, tornou-se o maior da história do país, com as autoridades a confirmarem que este incêndio em específico teve origem no uso proibido de maquinaria pesada, tendo a guarda civil espanhola já detido um suspeito. Perante a gravidade da situação, a resposta às chamas tem sido marcada por uma forte cooperação entre o governo central de Pedro Sánchez e os governos regionais, enquanto milhares de operacionais continuam no terreno a combater os vários focos ativos.

Os destaques da imprensa nacional e internacional com a jornalista Marta Caramelo Nobre.