Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

É sempre por volta desta hora que conhecemos o tema do Contracorrente. Se quiser entrar em direto depois do jornal das 10, só tem que ligar para nós 910 002 41 85, mas também pode deixar a sua mensagem nas redes sociais, no site do Observador ou então enviar-nos a sua mensagem de voz através do WhatsApp 910 002 41 85. Miguel Cordeiro.

Hoje vamos falar sobre empresas e sobre burocracia. Registrar o nome de uma nova empresa, sobretudo se o futuro empresário não se contentar com uma das sugestões das listas oficiais, é hoje uma autêntica corrida de obstáculos. Há balcões sem agendamento ou com atendimentos condicionados no Instituto dos Registos e do Notariado, que fazem o registro de novas empresas atrasar-se por semanas ou até por meses. Para além disso, quando a empresa tem finalmente luz verde, encontra depois um inferno burocrático. O que se passa com a criação das empresas em Portugal? Helena Matos, bom dia. É este o tema do Contracorrente.

É este o tema do Contracorrente. Nós temos de fazer algumas contas. No ano passado, 2025, foram constituídas mais de 53 mil sociedades, 53.030, sobretudo em áreas como construção, imobiliário e tecnologias de informação, que são as áreas que mais crescem. No país não crescem todas por igual. Há zonas como Braga, Leiria e Porto que têm crescimentos muito mais acentuados até do que, por exemplo, Lisboa, e isso é particularmente interessante. Depois, também temos as empresas que fecham, mas há um saldo positivo para as que nascem. Ou seja, aqui não temos o mesmo problema da demografia. Nós temos mais empresas a serem constituídas do que aquelas que encerram. No ano passado, não terão chegado a 13 mil os encerramentos. Isto faz parte da vida normal das empresas, o seu encerramento, as suas falências, tudo isso. Agora, eu coloquei algumas questões. Vi que não foste sensível a uma das perguntas que mandei, que foi: se estivéssemos a registar uma nova empresa, que nome é que escolheríamos? Fugareiro Poeta.

Helena, eu fui consultar a lista.

E não estás em ti.

Não, posso confessar que tenho alguns amigos que no ano passado criaram empresas e explicaram-me esta situação dos nomes que estão disponíveis para acelerar o processo. Ainda hoje fui ler esta lista. O primeiro da lista, por exemplo, está por ordem alfabética, é Abordagem Cúmplice. Portanto, está aqui um nome perfeito para uma empresa, não é?

E o Olhar Balmilhado.

Sabes o que é interessante? Eclipse ganhou imensos nomes. Eclipse Brando, Eclipse Insurgente e Eclipse Vencedor estão nesta lista.

E o Acrobata. Vai lá saber-se porquê, também é uma designação que dá para todas as combinações. Aquilo a bem dizer parece um Kama Sutra de acrobática para as empresas. Mas temos o Gladío Misterioso, a Girafa Stridente, o Intervalo Heroico, ou seja, este é um dos aspetos para os quais eu confesso, comecei por ser alertada, porque as faturas dos Ubers e desses, passe a publicidade, começaram a aparecer-me com uns nomes verdadeiramente assombrosos. E depois, claro, fui tentar perceber e cheguei a essa lista, cuja leitura, aliás, recomendo vivamente. Para uma pessoa quando precisar de distrair do mundo, que não anda fácil, vá a essa lista. De qualquer forma, temos de perceber que Portugal até já foi um país muito destacado e recebemos até prémios internacionais porque criámos aquela figura da empresa na hora, mas uma investigação muito recente do Diário de Notícias, cuja leitura é possível e que está online, e recomendo vivamente, tal como a da lista dos nomes, chamou a atenção para uma coisa: a empresa na hora, agora é mais a empresa em semanas ou mesmo até em meses, porque para lá da dificuldade dos empresários que não querem seguir essa sugestão desses nomes, temos mesmo a questão do registar da empresa. Por exemplo, a forma mais rápida de registar uma empresa é, segundo o Diário de Notícias, apanhar um avião, ir até Ponta Delgada. Aí sim, consegue-se uma vaga. Se a pessoa não estiver com disponibilidade, seja de tempo, seja de dinheiro, para fazer essa deslocação, pode ter de esperar muito. Em Portalegre espera-se 79 dias, por exemplo, em Évora 66, em Loulé 70. Para lá dos balcões que não têm vaga, temos balcões que estão encerrados e temos balcões condicionados. É muito frequente na zona, por exemplo, de Lisboa. Os balcões só funcionam uma parte do dia. Depois, não sei se metem aquela tabuleta a dizer fechado, como se vê nos filmes, ou o que acontece, mas a verdade é que não se consegue. Efetivamente, a empresa na hora, agora parafraseando os nomes daquela lista, é a empresa quando puder ser. E temos também uma coisa que é muito importante, que é: finalmente, consegue-se constituir a empresa com o nome que for possível e o que é que vem a seguir? É também muito disso que queremos falar hoje no Contracorrente. O que é que vem a seguir? O que é que espera? Uma pequena empresa vai ter o mesmo tratamento e vai ser olhada, nomeadamente pelo fisco e pela burocracia estatal, como se fosse uma grande empresa? Porque não é apenas promover o aparecimento de empresas, é também ver qual é o ambiente que se dá a essas mesmas empresas. Portanto, é mesmo de tudo isso que nós iremos falar e eu continuo a saber se não devíamos mudar o nome do programa Contracorrente para Gladío Misterioso. Não sei porquê, está a dar-me que pensar.

Olha, Helena, vai ser um programa com recheio comovente, que é também um dos nomes disponíveis nesta lista.

Estás a ver? A dar por lá.

Ligue 910 002 41 85 e dê-nos a sua opinião em direto no Contracorrente depois das 10.