Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
São 08h20, vamos conhecer o tema do Contracorrente desta segunda-feira. Depois, para entrar em direto, já sabe que basta ligar 91 002 41 85, número que também pode usar para nos enviar a sua mensagem de voz pelo WhatsApp. Carla. Há um velho aforismo popular segundo o qual "perdoa-se o mal que faz pelo bem que sabe". É possível que no passado o azeite também enfiasse esta carapuça, afinal de contas é uma gordura e a gordura tem má fama. Mas há muitos anos que sabemos que esta é uma gordura boa, não apenas no paladar, não apenas boa por integrar a nossa dieta mediterrânica, também boa por ter compostos que ajudam a prevenir doenças. Razão porque hoje é uma gordura que os nutricionistas recomendam. A procura de azeite tem aumentado em todo o mundo. Há não muitos anos, a produção nacional estava a decair tanto que tínhamos de importar de Espanha, mas esses tempos são passado. Hoje já somos exportadores líquidos e é até possível que venhamos a ultrapassar em breve outros grandes produtores, como a Itália e a Grécia. Isso deve-se muito a termos passado das formas tradicionais de cultivo do olival, um olival de sequeiro, com árvores bastante espaçadas, para a forma de olival intensivo ou mesmo superintensivo, com regadio e com muita mecanização. E também com muita polêmica, aqui em Portugal é sempre assim. No Contracorrente de hoje vamos querer saber o que se está a passar com a cultura do olival, porventura mesmo com a revolução do olival. José Manuel, bom dia. Tens ouvido as críticas que fazem às novas explorações? São críticas do velho restelo?
Eu creio que em muitos aspetos são. Há pessoas que acham que se nós voltássemos a viver como se vivia há uns séculos atrás, vivíamos melhor. E isso não é verdade. E eu acho que o azeite é um bom exemplo disso. O que é tradição? Eu vou dar um exemplo talvez mais conhecido que o azeite, porque o azeite acho que ainda estamos a fazer a transição. Há duas, três, quatro décadas, havia um mito de que o vinho português era o melhor do mundo, o que era completamente falso. A maior parte dos vinhos portugueses eram fraquinhos, para ser generoso, eram baratos, mas eram fraquinhos. No entanto, as pessoas tinham, e tinham depois aqueles vinhos que faziam na terra e que traziam da terra e que misturavam umas uvas que nem quero qualificar. Tudo feito com muito pouco profissionalismo, mas dizia-se que era o melhor vinho do mundo. Não era, como é óbvio, não era. As pessoas já todas perceberam isso. E eu creio que com o azeite, em muitos aspetos, se está a passar o mesmo. Nós hoje, por exemplo, aquele azeite que antigamente vinha, eu acho que são circuitos que ainda existem paralelos, em que se compra um garrafão, que vem de um sítio onde supostamente é um azeite mais puro, essas coisas todas, muitas vezes não é o melhor azeite e a pouco e pouco o gosto do cliente, de quem compra, está a evoluir e os preços também vão dando sinais. Dão sinais, porque se formos ver os preços do azeite, eles já não estão caríssimos como há uns tempos atrás, mas há um grande leque de preços, que pode ir desde €6, €7 o litro, até €30, €40, €50, €60 o litro, azeites portugueses, porque se forem azeites de importação, os preços podem ainda disparar mais. E isso tem justificações e há agora em Portugal também uma produção muito mais profissionalizada. E ao contrário do mito, é evidente que o olival intensivo, é um olival que exige ser regado, ao contrário do olival extensivo, que ficava ali à espera que chovesse ou fizesse sol. A consequência disso é que Espanha, que é o maior produtor mundial, 40% da produção mundial, teve uma crise de dois anos seguidos de produção por causa da seca e os preços dispararam em todo o mundo. Não foi só em Espanha, foi em todo o mundo. Vimos isso em Portugal.
Sim.
Em Portugal, a nossa produção é menos suscetível à seca, precisamente porque já temos muito olival regado. É uma rega, no entanto, muito moderna, muito profissional e consome muito pouca água. Para as pessoas terem uma ideia, eu estive a comparar com, por exemplo, a rega dos citrinos no Algarve. A laranja do Algarve e o olival, mesmo superintensivo, consome menos de metade para a mesma produção. E se fizermos a comparação entre as citrinos do Algarve e esse fruto maldito, que temos para aí associações a dizer mal dele, que é o abacate. Não se pode plantar abacate. O abacate é ligeiramente menos solfro que a laranja do Algarve, portanto, ainda consome um pouquinho menos de água que essa plantação. E também, um pouquinho como o azeite, também é um daqueles alimentos que estão na moda, porque têm qualidades nutricionais muito particulares, a que agora toda a gente dá importância. Mas vamos falar um pouquinho disto, porque nós às vezes vemos que estão transformações profundíssimas nos campos portugueses e que não damos por ela. Quer dizer, houve uma altura em que se arrancavam oliveiras, houve uma altura em que se arrancavam vinhas. E de repente, estamos, quer numa área, quer na outra, com produções recorde e com uma qualidade inimaginável ainda há poucos anos. Mas falemos disso depois melhor.
José Manuel, porque o Contracorrente hoje vai ser feito da Feira da Agricultura de Santarém.
É verdade, neste momento estou a caminho de Santarém. Ainda não cheguei a Santarém, estou aqui parado.
E é um ótimo pretexto.
Mas estou a caminho de Santarém e estarei em Santarém na Feira Nacional da Agricultura.
Então até já e vou desligar.
Até já.