Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
É hora de conhecermos o tema do Contracorrente. Para participar, só tem de ligar 910 0241 85, mas também nos pode deixar a sua mensagem nas redes sociais, no site do Observador, ou então enviar-nos o seu áudio através do WhatsApp. 910 0241 85. Carla. As sondagens continuam a dar indicações contraditórias, mas os sinais de alarma há muito que soaram na campanha de Marques Mendes e entre as estruturas dirigentes do PSD. Um resultado abaixo dos 20% seria o pior resultado de sempre de um candidato apoiado pelo partido, um resultado que coloque Mendes atrás de Cotrim de Figueiredo e muito atrás de André Ventura, rompe com o paradigma de 50 anos de democracia, rompe com a regra de que, à direita, a maior força política é sempre o PSD. Será que vai acontecer? Será que Mendes fica mesmo de fora da segunda volta? Um deslace que o primeiro-ministro considerou ontem que seria uma manifestação de masoquismo político. No Contracorrente de hoje, vamos não só discutir estes cenários, como tentar perceber até que ponto os partidos, e em especial o PSD, ainda mandam nos seus eleitorados, no limite, se esses eleitorados ainda existem. Bom dia, José Manuel.
Bom dia.
Um mau resultado de Marques Mendes pode ferir politicamente o PSD e o próprio Luís Montenegro.
Eu creio que sim. E se não fosse assim, não teríamos visto ontem Luís Montenegro tão empenhado na campanha. Uma campanha que os candidatos dizem que há muito apoio na rua, ou pouco apoio na rua. É muito indiferente o que se passa na rua. Há 30, 40 anos, o que se via na rua podia fazer a diferença, eram indicadores muito fortes. Eu fiz muitas campanhas nos anos 80, sobretudo, mas também nos anos 90, e sei como é que isso era. Agora, o apoio de rua são três ocasiões para as televisões terem os candidatos a fazerem umas palhaçadas e depois estarem rodeados de microfones a dar umas declarações. Portanto, não é isso que faz a diferença. Também nestas eleições, as sondagens, isso é outro tema, têm sido o que têm sido, mas eu creio que estamos perante duas situações que são preocupantes para o PSD. A primeira situação é o cenário de, entre os candidatos mais à direita, Marques Mendes ficar em terceiro lugar. Isto é, ficar atrás de André Ventura, o que hoje me parece quase inevitável. Acho muito pouco provável que isso não aconteça. Reparemos, não era isso que estávamos a discutir há mês e meio, mais ou menos. Ainda em dezembro, havia a possibilidade de ficar em primeiro lugar. E ficar mesmo também atrás de Cotrim Figueiredo, o que é um sinal de que os candidatos de dois partidos que elegiram os seus primeiros deputados apenas em 2019, portanto, há pouco mais de seis anos, conseguem colocá-los à frente de um partido que é fundador da democracia e que tem sido estruturante do espaço à direita do PS. Basicamente é isso, o único partido a ter fortíssimas maiorias absolutas acima de 50% e por aí adiante. Numa altura em que esse partido está no governo, e está num governo com uma maioria relativamente frágil. Portanto, além deste sinal, que é um sinal de transformação do eleitorado, e vais falar um pouco disso, o eleitorado português nunca foi como o eleitorado de outros países europeus, no sentido de ser um eleitorado ideológico e coerente, um eleitorado que vota quase sempre da mesma forma. Mas demorou mais tempo que os eleitorados de outros países europeus a se tornar indisciplinado, coisa que começou a acontecer, sobretudo no espaço à direita, em alguns países já há uns anos valentes. Agora parece completamente que cada eleição é uma eleição e, portanto, vamos a isso. Mas além desse aspecto, há outra questão que eu coloco o seguinte ponto de interrogação, e que ontem se começou a debater de vá lá, ou começou a ser referido nas campanhas, que é: se na segunda volta estiver André Ventura e António José Seguro, o que é que faz Luís Montenegro? Se apoiar André Ventura, que é provavelmente aquilo que preferiria uma boa parte do seu eleitorado, não todo, acabou a legislatura, diria eu, porque vai ficar nas mãos de André Ventura e de um Partido Socialista que não voltará a votar orçamentos, porque achará que tem ali uma oportunidade de dar uma espécie de golpe de misericórdia no PSD. Se apelar ao voto em António José Seguro. António José Seguro não é Mário Soares, não é uma segunda volta, é uma primeira volta. É complicado. Como costumo dizer, é complicado.
E achas que poderá não apoiar ninguém, nenhum dos candidatos?
Mas também não é bonito. O PS já o fez algumas vezes. António Costa, que já navegou, mas António Costa tem aquela forma flutuante de estar na política que às vezes lhe permite flutuar sem se comprometer. Portanto, ele, na prática, foi o que fez naquela eleição, na última eleição, que não apoiou formalmente Marcelo Rebelo de Sousa, mas deixou a liberdade ficar pelas mãos de Amargura, Ana Gomes, que era a representante do Partido Socialista e teve 14%, que é uma votação miserável. Mas era a reeleição de um presidente, já havia uma tradição antiga de muitas vezes os partidos, na reeleição, não se empenharem tanto e, portanto, a coisa era um pouco diferente. É uma situação complicada.
Agora é diferente.
Agora julgo que é diferente Isto que está a acontecer a Marques Mendes, pode ser que estejamos enganados e daqui até domingo ainda aconteça qualquer milagre, porque há muita gente indecisa ainda, porque habitualmente nós não apanhamos os indecisos nas sondagens, não apanhamos pessoas a escrever nos jornais que estão indecisas e estamos a apanhar. Estamos num cenário fora do comum e pode ser que daqui até domingo ainda aconteça muita coisa. Mas um cenário de uma votação de 15% ou abaixo de 15% de Marques Mendes, isto não só traduz a forma como o PSD durante décadas se foi autodestruindo, porque nós temos gente do PSD muito importante em muitas candidaturas, sobretudo na candidatura do Almirante, mas também na candidatura de Cotrim Figueiredo. No limite, também há pessoas na candidatura, porque já houve muita gente do PSD que foi para o Chega. Não muitos quadros dirigentes, mas eleitores às pazadas. Isto será também um sinal. Acho que vale a pena falar disto. Vamos guardar o balanço da campanha para amanhã, porque amanhã é o dia de levar os cestos. Porque a vindima é domingo.
Isso mesmo. Até já.
É o contrário. Habitualmente primeiro é vindima, depois lavam-se os cestos, mas amanhã lavamos os cestos para depois a vindima.
Até já. Ligue 91 002 41 85 e dê-nos a sua opinião em direto no "Contra Corrente", depois do jornal das 10. Tem também as nossas redes sociais, o site do Observador e pode sempre enviar-nos a sua mensagem de voz por WhatsApp. O número é sempre o mesmo, 91 002 41 85.