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Aliás, ontem terá ficado um pouco mais complicado.

Mais baralhado.

Porque a fazer fé no painel de sondagens que tivemos ontem, ou no barómetro, acontece que um candidato que está a apelar ao voto útil, e estou a pensar em Marques Mendes, neste momento pode estar a apelar ao voto, não em si, caso ele esteja no lugar nas sondagens que ontem aquele barómetro indicava, mas, por exemplo, a apelar ao voto em Seguro ou em Covilhã e Melo. Porque é quem está à frente. É claro, tudo isto acontece nas margens de erro, mas a questão do voto útil e o termo voto útil, o útil da questão, é usado pelos políticos quando apelam ao eleitorado para que vote em si, porque votando em si consegue eleger ou que seja escolhido para uma segunda volta aquele candidato que está mais próximo das suas convicções. Não é o candidato que prefere, mas é o candidato mais próximo das suas convicções, mas não se pode ignorar aquela figura determinante, e que é o eleitor. Do ponto de vista do eleitor, este voto não se chama útil ou não é útil, chama-se estratégico. E o eleitor pode associar ao voto, ou seja, para lá do poder do voto e do direito ao voto, ele descobre de repente que a aritmética eleitoral lhe dá um outro poder, que é o poder da influência. E aí pode acontecer tudo. Ele pode votar num candidato, ou não votar num candidato da sua área política, ou num candidato da sua área política, por exemplo, para derrotar uma parte significativa do seu próprio partido. Não estou a pensar necessariamente em nenhum partido em particular, mas estou a lembrar-me de um muito específico onde isto pode acontecer. Pode votar ou pode abster-se, por exemplo, para dessa forma conseguir esvaziar uma candidatura. Portanto, este poder da estratégia, se quisermos, da influência, do jogo, é algo que neste momento, nestas eleições, está completamente em cima da mesa. Nós, em geral, depreciamos o voto útil, mas há quem, pelo contrário, defenda que o voto útil dá uma nova centralidade ao eleitor, porque é o eleitor que é o dono do voto e não os partidos. A isto acresce, e eu acho que hoje o Contracorrente vai ser particularmente vivo, até porque tem havido cada vez mais dados, mais notícias, mais números, mais sondagens a dar uma nova versão a tudo isto. Há quem, como por exemplo um dos nossos convidados, o Paulo Treigo Pereira, posso já antecipar aqui, que defende até uma outra coisa: que estas presidenciais vão ter três voltas. A primeira, como é óbvio, a segunda e uma terceira daqui a cinco anos, porque ele acha que com tanto taticismo que vamos escolher para ir à segunda volta por voto útil, que vamos ter um Presidente da República que não cumprirá, como é habitual, os dois mandatos, mas que com tanto voto útil, estratégico, como se lhe quiser chamar, vamos ter de chegar a outra eleição daqui a cinco anos em que então se escolherá quem quer. Portanto, é assim, as utilidades ou estratégias, como lhe quiserem chamar, vão ser o assunto hoje do Contracorrente, com aquele tom particular dos dados dos barómetros de ontem terem trazido aqui uma questão: eles estão a apelar ao voto útil em quem?

Em quem? Pois é, baralhou tudo. Até já, Helena Matos. Vamos ter uma longa discussão.

Até já.

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