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Já a seguir vamos estar à conversa com as nossas convidadas de hoje, a Marta Carvalho e a Elisa. São finalistas do Festival da Canção. No dia 7 de março, em Elvas, vão subir ao palco para defender a música que vamos ouvir agora. Chama-se "Medo de Sentir".
Qual é a saída? Eu acho que já não sei amar. E se o amor me convida, agora não consigo aceitar. Parece que é rotina, a minha solidão teima em voltar. Eu não era assim, mas agora tenho medo de sentir. Pergunta ao tempo, ele sabe tudo sobre mim. Pergunta ao tempo, ele sabe tudo sobre mim. Pergunta ao tempo, ele sabe tudo sobre mim. Se me deres a tua mão, eu não sei como vou reagir. Se falas de coração, parece que estou outra vez a ouvir mais uma ilusão, que não tarda muito em partir. Eu não era assim, mas agora tenho medo de sentir. Pergunta ao tempo, ele sabe tudo sobre mim. Pergunta ao tempo, ele sabe tudo sobre mim. O que ele guarda diz tudo o que eu sinto por ti. Eu já tentei mudar, mas a vida levou o melhor que eu tinha em mim. E se um dia eu voltar, esperarás por mim? Eu não era assim, mas agora tenho medo de sentir. Pergunta ao tempo, ele sabe tudo sobre mim. Pergunta ao tempo, ele sabe tudo sobre mim.
A música chama-se "Medo de Sentir", é uma das finalistas do Festival da Canção. Conosco estão a Elisa e a Marta Carvalho. Eu liguei o microfone várias vezes pra tentar interromper a música, mas não tive coragem. Bem-vindas! Muito bonita. E muitos parabéns!
Muito obrigada!
Boa tarde!
Isto ainda parece um sonho ou não? Vocês já estão conscientes que estão na final do Festival da Canção?
Acho que já, pelo menos eu já. Não?
Eu ainda não. Eu acho que eu só preciso começar nos ensaios gerais e estar no palco pra entender, porque foi isso que aconteceu na primeira semifinal. Eu ainda não tinha a noção e só depois de estar lá é que mentalizei.
Pra quem nos está a ouvir, a Elisa interpreta esta canção. A letra e a composição é da Marta Carvalho. Marta, como é que tu foste autora convidada do festival? Como é que depois surgiu esta ligação com a Elisa?
Foi muito interessante, porque eu conheço a Elisa há muito pouco tempo, há uns quatro a cinco meses. Foi mais ou menos na altura em que recebi o convite e numa altura em que descobri um vídeo dela a cantar na RTP, uma música linda em inglês, lá na Madeira. Eu fiquei: "Uau, imenso talento numa pessoa só". E na altura fiquei completamente apaixonada pelo talento dela. E dias depois recebi o convite do Festival da Canção, então não pensei duas vezes em escolhê-la. E é muito engraçado que depois na altura da criação da canção, estávamos as duas na sala e foi através de uma conversa que o tema da canção surgiu, porque reparamos que somos muito parecidas a nível de personalidade, o que é lindo. Então estamos a ter esta experiência as duas, que é ótimo para as duas, mesmo a nível pessoal.
É engraçado, a rádio não tem imagem, mas eu gostava que tivesse agora neste momento, que olharam as duas uma pra outra com ar muito encantado.
Há uma ligação.
Há mesmo.
Que idade vocês têm? Eu sei que isto não se pergunta às senhoras, mas qualquer coisa.
Eu tenho 20.
Eu tenho 21.
Como é que surge esta ideia do Festival da Canção? O Festival da Canção é uma coisa antiga, não é?
Sim.
Virou moda o Festival da Canção ou não? Ou vocês já eram seguidoras deste tipo de espetáculo?
Eu acho que éramos as duas. Éramos as duas, desde pequeninas que víamos. Eu pessoalmente tenho noção que o festival nos últimos anos se reinventou e isso ajudou muito a que se tornasse mais moda, como tu estás a dizer.
Exato.
É mais fácil agora dizer-se que "vou estar no palco do Festival da Canção" do que seria há 15 anos atrás, é isso?
Não sei.
Na vossa geração, estou a falar um pouquinho na vossa geração.
Pronto.
Porque nós temos muitos espetáculos, temos muitos programas de música, onde novos talentos surgem. E hoje em dia voltamos outra vez a ter um Festival da Canção em que surgem talentos e não há esse problema em aparecer nestes palcos, não é?
Sim, mas eu falo por mim e também por ti, porque acompanhamos o festival desde sempre. Mas eu tenho imensos amigos que só começaram a acompanhar depois de ganharmos a Eurovisão, depois do fenómeno Salvador Sobral. Mas para mim, e talvez pra ti também, Marta, pra nós até é normal haver jovens a concorrer. Por exemplo, eu lembro-me de falarmos nisto
Uma performance que nos marcou no festival foi a da Filipa Azevedo com o tema "Há Dias Assim", eu acho que foi em 2010. Ela era superjovem, tinha 18 anos. Por isso acho que não nos choca tanto. Acho que é mais pro pessoal que não segue o festival e que depois o Salvador começou a seguir, é que começou a ter a noção: "Espera, isto era o festival..."
"Não existe o Festival da Canção."
Exatamente, onde tinha ido a Simona Oliveira e foi também Paulo Carvalho, e começam assim a fazer as coisas e entender.
Era isso. A minha ideia era um pouquinho essa, que o festival durante uma série de tempos esteve apagado, nomeadamente nas novas gerações, e depois o Salvador acaba por trazer outra vez o festival aos palcos e toda a gente acaba por ir. Antigamente falavas: "Fui ao Festival da Canção", mas falavas assim um pouquinho em voz baixa. Agora já se pode .
Tu cantaste Salvador Sobral, não foi, Elisa? "Algures" no programa da RTP, não foi?
Lindamente.
Nós temos isso aqui, vamos ouvir se calhar um pouquinho.
Ótimo.
Eu até achava que era isto que tu tinhas visto, Marta. Nós temos este registro porque eu pensava que esta história de teres visto a Elisa na RTP tinha sido nesta atuação.
Não foi, mas esta eu acho que ainda é melhor.
Mas podia ter sido.
Sim.
Vamos ver se entretanto.
Não acredito que isto está acontecendo.
Pois é. A Elisa a cantar a marcha pelos dois. É engraçado, porque estes formatos televisivos não são uma novidade para as duas, não é? Porque Marta, tu tiveste no The Voice.
Sim.
E tu, Elisa, estiveste no Ídolos?
Sim, mas foi muito breve. Não cheguei às galas.
Certo, mas queres ouvir a tua prova no Ídolos ou não?
Adoro!
Adoro.
Boa noite. Viva, bem-vinda! Como é que se chama?
O Pedro buscou.
Maria Elisa. Vem de onde? Da Madeira. Que idade tem? 15. 15. Como é que se inscreveu aqui pro Ídolos? A minha mãe é que inscreveu.
As mães estão em força. Mamã.
A sua mãe confia em si, não é? Sim, confia. O que é que nos vai cantar? "While My Guitar Gently Weeps", dos Beatles. Deixa eles acabarem de falar. Desculpe, Maria Elisa.
Estou aqui um episódio na prova, porque ninguém se cala. Viva!
Pode ser Elisa?
Chamam a Elisa. Sim. Já acabaram ou não?
Não.
Desculpe.
E continua o outro, vai mais um pouquinho. O que é que vais cantar?
A gente recomeça. Então vai.
Isto foi há cinco anos, Elisa.
Uau!
Mas já soavas tão bem.
Mesmo.
Foi a tua mãe que te inscreveu na altura.
Foi.
Portanto, esta questão da competição dos formatos televisivos, que agora vocês também estão novamente incluídas no Festival da Canção, não é uma novidade, ou vocês ainda sentem a pressão de participar?
Não sei, acho que tivemos as duas experiências um pouco diferentes nesse sentido. Eu sinto que sinto menos um pouco de pressão. Eu acho que ela sente um pouco mais, mas também é natural, porque agora também é intérprete. Eu posso falar um pouco de barriga cheia, porque não estou a cantar o tema. Mas eu também estou a tentar ao máximo dar-lhe imensa força e fazer com que ela acredite nela, porque ela tem todos os motivos pra fazer um brilharete incrível. Ela faz aquilo como ninguém e eu continuo a dizer vezes sem conta que só ela é que poderia interpretar este tema, portanto, ela devia se agarrar a isso, e acho que se agarra sempre.
Marta, tu és a compositora e também és intérprete. É mais fácil escrever pra ti ou escrever pra outra pessoa, neste caso? E não estou a dizer só exatamente pra ela, aliás, tu já escreves pra outras pessoas, não é? Esta não é a primeira vez.
Sim, é interessante. Apesar de ter estado no The Voice enquanto intérprete, eu entrei na indústria e fui escrever pra outras pessoas. E essa pergunta é interessante, porque uma coisa é gostar mais de fazer isso ou ser mais fácil. Gostar mais, eu gosto mais de escrever pra mim, porque lá está, sou mais ligada a essas experiências, mas é mais fácil eu escrever pra outra pessoa, porque lá está, quando sou eu, chegou uma altura em que eu tinha escrito tantos gêneros, desde fado a pop, a R&B, a soul, etc, que quando me sentava pra escrever pra mim, sentia-me um pouco perdida, porque estava sempre a escrever gêneros muito diferentes. Então eu, como também escrevia pra outras pessoas, era muito exigente comigo mesma. E nesse sentido, é um pouco mais difícil escrever para mim, porque tenho esta mente perfeccionista a tentar que fique tudo muito bem. Mas gosto mais de escrever pra mim.
E depois, quando passas o que escreveste para alguém cantar, vais lá e diz: "Olha, o que eu queria dizer com isto, a forma como eu queria que tu cantasse" ou não?
Depende das canções. Eu acho que há canções e canções. Se for uma canção em que eu claramente faça para o artista, em que o artista me peça: "Marta, quero falar sobre isto", desligo-me um pouco mais. E à medida que o tempo foi passando, fui me desligando a nível geral cada vez mais, porque antes eu agarrava mais músicas e eu: "Gostava tanto desta música e agora este artista vai fazer." É um pouco, ao início era. Só que depois comecei a pensar: "Eu pra semana vou fazer mais 10." Então comecei a me desligar um pouco, porque senão ia andar sempre a sofrer, porque as minhas músicas estando o tempo todo aí pra outros artistas, eu não podia estar sempre a sofrer.
E depois, quando eles as cantam?
Eu gosto de dar a liberdade ao máximo ao cantor, porque lá está, eu não quero que a interpretação seja minha, eu apenas pus em palavras aquilo que ele ia cantar. No entanto, posso sempre fazer algum tipo de vocal coach e dar algumas dicas de como soar melhor, principalmente se for na área do pop, eu tenho algumas luzes de como ficar a soar melhor. Mas a interpretação deve ser fiel à pessoa que está a cantar pra soar genuíno. Já basta não ser a pessoa a escrever. Tem que ser genuíno de alguma forma, ao menos que seja na interpretação.
E tu, Elisa, estás a começar agora também a dar os primeiros passos na composição, estás a começar a gravar as tuas músicas, o que é que nos podes contar?
Sim. Como ainda sou um pouco novata na parte de compor, porque eu passei a minha vida toda a fazer covers e a cantar músicas das outras pessoas e que não eram escritas pra mim, obviamente. Por isso agora estar a começar nisto de Poder ter ajuda de pessoas que entendem, como por exemplo, a Marta e outros artistas, e fazer músicas. E dizer o que eu quero dizer e não aquela coisa de ir ao YouTube: "bem, o que eu estou a sentir hoje? Adele." Não é bem assim. Eu posso escrever mesmo o que estou a sentir e cantar. Eu acho que tem outro significado, mas ao mesmo tempo é uma responsabilidade enorme, porque estamos a escrever algo que nos é tão próximo e diz-nos tanto. Somos nós, basicamente, numa música. E depois vamos dar a música para o mundo, porque a partir do momento em que está nas redes sociais e está nas plataformas todas, a música é de quem quiser ouvir. Parece que ficamos um pouco com medo de: "e se as pessoas não gostarem? E talvez esta voz não estava muito bem aqui e agora já não dá para mudar." É sempre aquela coisa de querer tratar muito bem a música e não querer também que as pessoas se fartem dela. É um pouco complicado.
É essa a tendência. E quando se gravou, ficou de uma maneira, está gravado, não há hipótese. Mas depois, nos espetáculos, naquilo que se vai fazer a seguir, de alterar, há aquela ideia: "bom, agora vou fazer aqui um novo toquezinho".
Eu acho isso ótimo. Isso é que faz do intérprete, artista. Ou seja, há cantores e há artistas.
Digo isto, por exemplo, o Salvador tem um bocadinho essa coisa. Vamos dar aquilo que é igual.
Porque o que diferencia um cantor de um artista, por exemplo, um cantor pode ser um excelente intérprete, mas não é tão criativo. Ou seja, nessas situações vai mais pelo seguro. Um artista é criativo e naturalmente, quase intuitivamente, sai-lhe esse tipo de coisas. É o que temos o caso do Salvador, dela também. E não te esqueças de dizer que tu também escreves muito bem. Ela é intérprete, mas ela escreve muito bem também.
Pronto, está bem. Está registado. Está em direto, está registadíssimo. Como é que começou esta vossa paixão pela música? Foi o típico já canto desde pequenina e sempre gostei?
O meu é assim.
E o teu também, Elisa?
Eu comecei com sete. Sei que também era novinha, mas sei que a Marta começou ainda mais nova, não é?
Pois.
A Marta canta desde sempre, eu não tenho essa noção.
E cantavas onde? Onde é que vocês cantavam?
Eu cantava na escola. Era o único sítio onde...
Nos coros da escola?
Não, nem por isso.
Para os amigos?
Não, eu não sei se vocês cá, eu sou da Madeira. Eu não sei se vocês cá têm aquelas coisas de festivais das escolas.
Temos concursos, não é?
Temos concursos.
Nós lá na Madeira temos um festival da canção infantil. É mais ou menos o festival da canção normal, mas são crianças e é só na Madeira. E não passa disso. E o que acontecia lá? Nesse festival, depois eram enviados CDs para as escolas e faziam festivais nas escolas, só para entreter os miúdos. Eu devorava esses CDs todos. Mas foi só a partir da primária. E comecei a cantar nos festivais da escola e depois tive a sorte de ter professores de música que gostavam muito de mim e que me apoiaram, e comecei a crescer a partir daí. Eles não me deixaram perder o bichinho pela música. Por isso foi assim.
E tu, Marta, com três anos?
Eu com três anos.
Quais eram os teus palcos na altura?
Na altura, o palco era a cama do meu pai e da minha mãe, que todas as noites eu ia para cima dessa cama fazer um espetáculo, porque aquilo era tudo meu, sem ninguém me pedir. No Natal, o Pai Natal não vinha se eu não cantasse para ele. É sério, porque nós temos aquela tradição de não ver o Pai Natal, é um bocadinho o contrário do normal. Nós não víamos o Pai Natal, era a magia do Natal. Então eu cantava pra ele vir. Era muito engraçado. E depois por volta dos cinco anos entrei num grupo coral, em que foi aí que eu comecei a cantar mesmo muito mais vezes. E depois na escola, sempre que havia festas, também cantava. Eu passava a vida a cantar e os meus pais desde nova perceberam logo que era aquilo que era mais natural para mim fazer, era atuar, cantar, dançar.
E a formação, como é que surge isso?
A formação começou só aos 12 anos, na área do clarinete, e tive até aos 18 anos e terminei o oitavo grau em clarinete. É um capítulo da minha vida que eu guardo com muito carinho, porque eu cresci muito enquanto música e tive muito contexto musical por ter feito essa formação. Mas no fundo, aquilo que eu sempre quis fazer foi cantar. E quando terminei de estudar clarinete, só queria mesmo era focar-me no canto outra vez. E foi por isso que me mudei para Lisboa, porque eu sou do Porto. Está a correr muitíssimo bem. Bom, vocês vão estar na final do Festival da Canção no dia 7 de março e já vão cantar na sétima posição. Já se sabe, não é? A posição em que vão.
Exatamente, sim.
Portanto, dia 7 de março, posição sete, parece-vos bem, não é?
Sete é um bom número. E por acaso eu nasci no dia sete e é o meu número da sorte.
Pronto, gostam da Holanda? Nunca visitaram a Holanda, não?
Não, nunca.
Vai ser a Eurovisão. Portanto, pode ser que seja mesmo.
Estão alinhados.
Exatamente. A Marta Carvalho e a Elisa foram as nossas convidadas de hoje. Vamos novamente ouvir a canção, que é tão bonita. Chama-se "Medo de Sentir", estará na final do Festival da Canção. Obrigada às duas.
Obrigada.
Cá está.
Qual é a saída? Eu acho que já não sei amar. E se o amor me convida, agora não consigo aceitar. Parece que é rotina. A minha solidão teima em voltar. Eu não era assim, mas agora tenho medo de sentir. Pergunta ao tempo, ele sabe tudo sobre mim. Pergunta ao tempo, ele sabe tudo sobre mim. Pergunta ao tempo, ele sabe tudo sobre mim. Se me deres a tua mão, eu não sei como vou reagir. Se falas de coração, parece que estou outra vez a ouvir mais uma ilusão que não tarda muito em partir.
Mas agora tenho medo de sentir. Pergunta ao tempo, ele sabe tudo sobre mim. Pergunta ao tempo, ele sabe tudo sobre mim. O que ele guarda diz tudo o que eu sinto por ti. Eu já tentei mudar, mas a vida levou o melhor que eu tinha em mim. E se um dia eu voltar, esperarás por mim? Eu não era assim, mas agora tenho medo de sentir. Pergunta ao tempo, ele sabe tudo sobre mim. Pergunta ao tempo, ele sabe tudo sobre mim. O que ele guarda diz tudo o que eu sinto por ti.
"Medo de Sentir", a música das nossas convidadas de hoje, interpreta Eliza. Música e letração da Marta Carvalho. É uma entrevista que pode voltar a ouvir, vai ficar disponível já a seguir em podcast, nas plataformas habituais e em observador.pt. Olá, eu sou a Ana Filipa Rosa. Obrigada por ouvir este podcast. Se gostou, pode sempre partilhá-lo com alguém e ouvir a Rádio Observador. Estamos online, mas também no FM, na Grande Lisboa em 98.7 e no Grande Porto em 98.4. Obrigada!