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Mais um episódio de Mundo IA, o jornal diário da Rádio Observador sobre inteligência artificial. Hoje, edição com o jornalista Carlos Pedro. Carlos, temos falado nas últimas semanas da importância da regulação do mercado da inteligência artificial. Ontem, o Presidente da República falou sobre este tema e apelou a alianças.

Nomeadamente entre a Europa e as Américas. António José Seguro discursou ontem no terceiro fórum EuroAméricas, uma iniciativa do Conselho da Diáspora Portuguesa, que decorreu em Carcavelos, no município de Cascais. Nas palavras que dirigiu aos presentes na cerimônia, o chefe de Estado realçou a relação entre Portugal e Estados Unidos da América, também ao nível tecnológico, mas Seguro pediu também para que se olhe para lá de Washington, isto nos continentes americanos. O presidente fez uma reflexão sobre o atual cenário geopolítico, que descreveu como um mundo em rápida e profunda transformação, com águas turvas de incerteza, com vagas de divisão e marés de instabilidade. Foram estas as palavras utilizadas por António José Seguro, que falou também sobre os desafios da segurança tecnológica. Isto no dia em que vários supermercados, incluindo sete em território nacional, foram afetados por ataques cibernéticos a sistemas de refrigeração. E sobre o tema, Seguro apela a consensos e a cuidados.

A questão da tecnologia tem um impacto real na matéria de segurança e de autonomia. A concentração e a acumulação de poderes no plano da produção e do uso da tecnologia podem acarretar riscos para a liberdade, para o pluralismo e para a própria soberania dos Estados. É verdade, claro, que a inteligência artificial suscita questões compreensíveis. Há obviamente questão de alianças, de alianças da pressão nacional.

António José Seguro sobre inteligência artificial, ontem, no terceiro fórum EuroAméricas. Sobre economia, o Presidente da República diz que a estabilidade mundial depende do acesso mútuo aos mercados.

Carlos, falavas aí há pouco dos ciberataques a sistemas de refrigeração de vários supermercados na Europa. Seguimos precisamente com esse tema. A Euronews Next falou com peritos no tema, que defendem que a inteligência artificial vai agravar casos deste gênero.

É isso mesmo, Nelson. Frigoríficos e congeladores de supermercados têm sido, por diversas vezes, alvos de piratas informáticos, o que faz com que os estabelecimentos fiquem sem alguma mercadoria. Crescem assim também os receios de que a alimentação se torne um alvo tecnológico. Ontem, os casos afetaram cadeias de supermercados em Portugal, na Bélgica, na Estônia, Irlanda, no Luxemburgo e também nos Países Baixos. Estes casos surgem poucas semanas depois de congeladores em cerca de 500 a 700 supermercados franceses terem sido atingidos por um grande ciberataque que fez subir as temperaturas até aos 50 °C.

Mas como é que isto acontece? Como é que os piratas informáticos têm acesso a estes frigoríficos?

Têm acesso porque os frigoríficos estão ligados à internet, como é cada vez mais frequente, facilita a monitorização à distância, portanto, estando ligados à internet, podem ser pirateados. E por que razão têm acontecido estes ataques? Não se sabe bem. Ainda ninguém reivindicou a responsabilidade destes ataques, o que para Marta Rybczynska pode ter diferentes significados. A fundadora da empresa Egreki garante que os responsáveis não tiveram qualquer ganho monetário com os ataques, mas indica também que é provável que exista um grupo apoiado por um Estado. De resto, Marta Rybczynska lamenta que só agora estas lojas e supermercados tenham se apercebido de que são, de facto, alvos fáceis dos piratas informáticos.

Mas em que medida é que a IA pode afetar tudo isto?

A IA pode piorar, atentam estes especialistas ouvidos pela Euronews, já que tem a particularidade de reduzir a barreira de entrada para ataques sofisticados. Permite também automatizar ataques em grande escala e a uma velocidade que os humanos não conseguem igualar. A detecção de vulnerabilidades com recurso à inteligência artificial torna mais fácil e rápida do que nunca a identificação e a exploração de pontos fracos. Quem o diz é Pavlina Pavlova, fundadora da organização sem fins lucrativos de cibersegurança Critical Cyber. A responsável eslovaca diz que provavelmente o caso vai piorar antes de melhorar.

E há mais uma figura pública a falar dos perigos da inteligência artificial, Vladimir Putin.

O totalitarismo digital seria tão sombrio, estéril e anti-humano como os exemplos de sociedades totalitárias do passado que conhecemos. É o líder do Kremlin que disse isto. Foi no último Fórum Valdai, no início do último mês de outubro. O presidente russo diz que esta tecnologia é um instrumento de domínio global comparável às armas nucleares e, por isso, considera que controlá-la é uma prioridade mundial. Neste sentido, Putin diz que é indispensável para a Rússia desenvolver uma inteligência artificial 100% soberana e que sirva os interesses nacionais. Já em declarações ao jornal Expresso, Alexander Isvanin avisa que as aplicações de inteligência artificial podem ser piores do que uma simples corrida ao armamento nuclear.

Fica por aqui mais um episódio de Mundo IA. Voltamos amanhã com mais novidades, alertas e curiosidades sobre a inteligência artificial.