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A jovem portuguesa Neni acaba de estrear em exclusivo uma nova música na plataforma Color Studios. A Color Studios é uma plataforma online que revela novos talentos da música a milhões de seguidores de todo o mundo. A música chama-se "Tequila" e a Neni está agora em direto na tarde em direto. Neni, olá.

Olá, boa tarde.

Já vamos saber o que mudou na tua vida com este salto gigante. Vamos só escutar um bocadinho desta nova música. Chama-se "Tequila". "Tequila" da cantora portuguesa Neni na Rádio Observador, música que Neni acaba de estrear na plataforma Color Studios. Neni, isto é que é começar bem o ano.

Pois é, isso é que é começar bem, com uma nova música.

Estavas à espera ou não?

Sim, estava à espera que as pessoas gostassem, porque eu também já tinha decidido ir com o som e, sobretudo, cantar em português, para mostrar mais a cultura portuguesa e também africana. E tenho tido um super bom feedback.

Bom, isso é ótimo. Olha, o que já mudou depois de teres publicado esta música na plataforma Color Studios? Se é que mudou alguma coisa.

Sim, eu acho que o que mudou foi o facto de as pessoas de fora, de outros países, não estarem à espera de encontrar uma artista portuguesa. Acho que eles não tinham aquela noção e se calhar não tinham aquele hábito de ouvir música portuguesa e conhecer mais sobre artistas portugueses. Eu acho que o mundo lá fora já está mais atento a talentos de Portugal.

É isso que tu sentes, por exemplo, aí no Luxemburgo onde vives?

Sim, sinto muito, porque eu também estou muito atenta às redes sociais e eu tenho visto que pessoas de fora têm recebido aquelas mensagens do gênero: "Eu não percebo nada do que ela diz, mas gosto muito da vibe" ou pessoas que só sabem falar inglês a dizerem: "Eu gostaria muito de aprender português".

E quando falas do mundo lá fora, estás a falar dessas mensagens das redes sociais, mas estás a falar também de artigos que vão saindo em publicações internacionais, por exemplo, a questão também dos rankings dos discos, das músicas, daqueles highlights, no fundo, aqueles destaques que vão aparecendo em várias publicações internacionais da especialidade. Tens estado atenta também a isso? Tens visto o teu nome por muitos lugares?

Exatamente. Por exemplo, eu tenho estado muito atenta e tenho visto que muitas páginas francesas têm publicado. Até houve uma página, se não me engano, russa, que também publicou. Uma página internacional que divulga muito cultura africana, mas no mundo inteiro. Eles também publicaram. Muitas páginas francesas, uma rádio de Inglaterra também. Eu tenho visto que eles estão a estar mais atentos a talentos portugueses e eu acho que é essa a mudança que tem me trazido. Enquanto artista e também para a indústria portuguesa.

Tu sentes que isso tem uma origem? Encontras uma origem para esse súbito interesse pelos artistas portugueses?

Eu acho que eles não tinham muita noção.

Não queres ser acusada de falta de humildade e dizer: "Bom, tem origem na qualidade da música", é isso?

Sim, também, mas eu acho que o Dino e o Santiago já tinham a ideia, eles já estavam também mais atentos. Mas o facto também de ir uma miúda de 18 anos levar o português, acho que realça mais e as pessoas estão sempre mais atentas e eu tenho recebido um super bom feedback de pessoas lá de fora, franceses, ingleses De muitas partes do mundo.

E tu frisaste aí o facto de seres mulher e de seres jovem. Isto ainda conta, o facto de seres mulher e o facto de seres jovem? Pergunto se achas que ainda te coloca aqui algumas barreiras e que acaba por fazer com que esta explosão tenha ainda mais mérito por ser também mais difícil, sendo tu portuguesa, sendo jovem e sendo uma mulher.

Eu acho que cria impacto eu ser superjovem, ter 18 anos e ser mulher. Eu acho que acaba sempre por criar impacto nas pessoas, porque eu sou muito jovem, já estou a mostrar o meu talento, já estou a levar a cultura portuguesa e africana para o mundo, e isso cria muito impacto nas pessoas. Mas eu acho que é, sobretudo, mais sobre o meu talento.

Diz, Neni.

Sim, eu acho que tenho um talento enorme e eu acho que é isso que cativa mais as pessoas.

Disso não há dúvida. Vamos falar desta música, a "Tequila". Foste tu que compuseste esta música? Fala-nos sobre ela.

"Tequila" é um som que reflete a minha identidade. Podemos ver que, por exemplo, o beat é um beat muito africano, mas também levei a língua portuguesa para identificar a minha identidade, que é a mistura da cultura cabo-verdiana e portuguesa. E no som, "Tequila" é simplesmente uma palavra muito simples para definir tantos problemas na sociedade que eu sinto enquanto mulher, enquanto pessoa. E basicamente reflete todos os problemas que eu tenho que enfrentar na minha vida sendo uma mulher negra. É basicamente isso. Também falo muito a mistura dos portugueses e dos cabo-verdianos, a origem, como foi criada e também, sobretudo, muito positivismo. Principalmente nestes tempos de calamidade, onde as pessoas sentem-se muito em baixo, muito deprimidas por estarem em casa. Eu também quis dar este som às pessoas para elas se sentirem mais confortáveis com elas mesmas e também para elas encontrarem sempre um lado positivo na vida. Podemos ter momentos super maus, mas temos sempre que encontrar o lado positivo dos momentos.

É uma música que puxa para cima.

Sim, é uma música que puxa para cima e para as pessoas sentirem-se super identificadas e não só, também sentirem-se alegres e poder dizer: "Eu tenho coragem", porque é uma vibe muito feliz. Tenho recebido muito feedback do gênero: "O 'Tequila' transmite uma vibe muito positiva, uma vibe muito boa. Já não acordo assim tão triste, estou em casa de quarentena, mas já não acordo assim tão triste, meto o som, consigo ver a vida de uma forma muito mais positiva e estar bem comigo mesmo".

Neni, tu cantas em português, inglês, misturas também calão.

Sim.

Por que a tua opção estética e linguística é por esta miscelânea de palavras de várias línguas?

Porque faz de mim, a Neni. Ou seja, eu sou portuguesa, mas também fui muito incutida com a cultura cabo-verdiana, mas também cresci no bairro e falava muito calão, ouvia muito as inglesas. Então eu tento pegar em cada identidade e fazer a minha identidade numa só. Eu fui para a França, vivi lá cinco anos, também acabei por beber de outras culturas também, culturas árabes, culturas também de colónia francesa. Ainda não mostrei esse meu lado, mas talvez um dia. Mas é isso que faz a Neni. A Neni é uma mistura de muitas identidades e muitas línguas.

E é por isso que quem te ouve e quem ouve os teus trabalhos também pode ficar aqui ou ali surpreendido com algumas coisas que vais mostrando nas músicas, porque podem não ser propriamente todas na mesma linha.

Sim, e é por isso que eu tenho sentido que muita gente identifica-se porque eu estou ali no português, mas também estou ali no calão, acaba por atrair várias pessoas de vários sítios diferentes, que acabam por se identificar. Inglês, o português, o calão, o crioulo também.

Curiosamente, não misturas palavras francesas. Por quê?

Muita gente me pergunta isso. Eu não misturo porque me sinto muito mais confortável em português, mas talvez mais tarde possa fazer algum trabalho em francês, mas sinto-me muito mais confortável ainda, por agora, em português e a misturar sempre aquilo que me foi dado desde pequenina. E é assim que eu me sinto mais confortável a transmitir a minha arte, mas a minha arte não é limitada, não se limita aí. Eu posso mais tarde vir a cantar francês. Não se limita aí.

Neni, as tuas canções são sobre o quê?

Muita coisa. Como eu já disse várias vezes, depende muito do meu humor, do que eu tenho a transmitir. Por exemplo, o "Sushi" é uma vibe muito positiva também.

É a música que estamos a ouvir agora em fundo?

Sim. O "Switch" é um som muito positivo, com história também, com um legado, com um sentimento de criar um legado e de continuar sempre a trabalhar para alcançar os objetivos. O "Bússola" também é um som muito positivo.

Que também estamos a ouvir em fundo.

Sim, é um som muito positivo, que transmite também uma grande mensagem para as pessoas seguirem o caminho delas, seguirem o instinto delas. Eu sempre tento transmitir, em vários gêneros musicais, um sentimento diferente.

Neni, tu és muito nova, dizias há pouco. Ainda não tens 18 anos ou já fizeste os 18?

Tenho.

Já tens 18 anos, muito bem. O que é que tu esperas da tua vida musical? Esperas viver da música exclusivamente?

Espero viver da música, porque eu vou trabalhar muito para isso.

Boa!

Sempre foi o meu sonho, mas também espero evoluir muito, trabalhar muito e sempre a crescer, a errar também, a aprender.

E a fazer que tipo de carreira? Onde é que tu te projetas daqui a cinco anos, 10 anos, 15 anos, 20 anos?

Me projeto como uma lenda, já.

Uma lenda?

Já!

Também não fazes a coisa por menos.

Pois é. Eu tento sempre ter este lado muito positivo da coisa e ver-me nos meus sonhos. É isso.

Diz-me só uma coisa, Neni. Tu estás a falar-nos a partir do Luxemburgo. Estávamos aqui a falar do teu futuro. Qual é que vai ser também a tua relação com Portugal nos próximos anos? O que é que tens previsto no que diz respeito a pôr música em Portugal, em contar com colaborações portuguesas em trabalhos, em tocar em Portugal? Agora estamos aqui nesta altura de pandemia, mas depois quando tudo estabilizar mais, como é que vai ser essa tua relação com Portugal, no futuro?

A minha relação com Portugal, eu ainda não sei bem, mas se calhar vou lá viver outra vez e tentar sempre criar mais e tentar encontrar a minha essência, que é lá. Eu comecei a escrever lá, comecei a pensar na música lá e eu acho que a minha essência está em Portugal. E eu acho que futuramente eu vou criar mais ligações a nível processo criativo. E eu acho que vai ser assim, acho que vai correr bem.

Já tens muitas referências também da música portuguesa?

Sim. Tenho algumas referências também, sobretudo na música portuguesa, que também acaba por ser artistas africanos a transmitir também, a fazer com que Portugal esteja sempre a evoluir.

Já falavas há bocadinho, por exemplo, do Dino d'Santiago, é também um dos nomes que faz isso muito bem, é também um dos teus nomes de referência?

Sim, sem dúvida. O Dino d'Santiago é aquele artista que eu me inspiro. Sendo cabo-verdiana, já identifico super bem com ele. E também o fato dele levar Cabo Verde ao mundo inteiro e transmiti-lo em português também é uma coisa que eu me identifico. Muito.

E os concertos em Portugal certamente ajudam a ligar-te a Portugal, uma vez que vives fora do país.

Sim.

Já tens concertos agendados este ano por cá ou não?

Sim, tenho.

Estão todos a prazo, não é? Como a nossa vida toda.

Pois, exato.

Mas o que é que tens agendado, Neni, para Portugal este ano?

Portugal, tinha o Smoll. Ainda estávamos a tentar ver outros festivais, também tinha alguns festivais de região. Tinha várias coisas, só que com esta pandemia está um bocadinho difícil. É esperar.

Temos que esperar. Ainda tens muito tempo pela frente também, és muito nova, como dizias há pouco.

Sim, tenho muito tempo. Eu acho que se não for agora, vai ser daqui a um ou dois anos, ainda melhor, duas vezes melhor, é assim que eu penso.

Muito bem. Neni, muito obrigado por te teres juntado a mim e ao João na conversa de fim de tarde de hoje.

Obrigada eu.

Neni, artista, cantora portuguesa que acaba de ver publicado na plataforma Koller Studios, música "Tequila", música com que fechamos esta conversa de fim de tarde de hoje. Neni, até à próxima.

Até à próxima. Obrigada.

Boa sorte.

Obrigada.

Difícil ir ao espelho sem questionar a identidade. Imaginar o nosso avenir antes da tempestade. E com respeito, desrespeitar outro tipo de verdade. Supor, teconcluir, deixar de lado a dignidade. He is black, he is white. Sempre na linha, mas nunca no mesmo pai. Sem olhar para trás, eu sinto o remas, digo Najá. E no fim do dia só quero brindar com uma tequilá. Tequi-tequi-tequi-tequilá. Ore babám, ye, ye, ye, ye. Problemas para vencer, ye, ye, ya. Tequi-tequi-tequi-tequilá. Ore babám, ye, ye, ye, ye. Problemas para vencer, ye, ye, ya. Eu dou meu bairro lá do topo, ninguém pode ver. Eu na escalada, subi com o bairro nas costas. Afrolatinos, as novelas gritam "mírame", dando voltas. Uns querem algo, outros querem atenção. Uns pedem mago, outros pedem lições. Uns ao pé do mar, outros ao pé do vulcão. Deixo meu amor nas costas pra nunca ir no chão. Eu não procuro vidas pra mim. All you say for you got money. Eu só quero meu legacy. 100% de jealousy. Conduzir o destino sem querer mudar. Esse é o challenge. Tira em frente, firma sem querer virar. Esse é o challenge. He is black, he is white. Sempre na linha, mas nunca no mesmo pai. Sem olhar para trás, eu sinto o remas, digo Najá. E no fim do dia só quero brindar com uma tequi-tequi. Tequi-tequi-tequi-tequilá. Ore babám, ye, ye, ye, ye. Problemas para vencer, ye, ye, ye. Tequi-tequi-tequi-tequilá. Ore babám, ye, ye, ye, ye. Problemas para vencer, ye, ye, ye. Tequi-tequi-tequi-tequilá. Ore babám, ye, ye, ye, ye. Problemas para vencer, ye, ye, ya. Tequi-tequi-tequi-tequilá. Ore babám, ye, ye, ye, ye. Problemas para vencer, ye, ye, ya.

Olá, eu sou a Ana Filipa Rosa. Obrigada por ouvir este podcast. Se gostou, pode sempre partilhá-lo com alguém e ouvir a Rádio Observador. Estamos online, mas também no FM, na Grande Lisboa em 98.7 e no Grande Porto em 98.4. Obrigada