Os protestos não dão tréguas em vários países da Europa. Depois de manifestações de estudantes em França, que duram há semanas e escalaram com violência durante o fim de semana, ou dos protestos pela crise da habitação em Portugal e em Espanha, há também contestação e acampamentos nas ruas da Grécia.

Esta quarta-feira, dia de greve de 24 horas no ensino, estudantes e professores saíram à rua em cerca de 50 cidades para contestar o aumento dos custos do ensino, em particular a pressão causada pela habitação, e os baixos salários.

De acordo com a imprensa local, a marcha em Atenas juntou milhares de pessoas e levou ao reforço policial na cidade, com a mobilização de 3 mil polícias para o centro da cidade. “Estamos a perder as nossas aulas para vos ensinar” foi um dos slogans usados pelos estudantes, numa marcha em que houve demonstrações de solidariedade para com os protestos em França.

O jornal grego Ta Nea escreve que um estudante universitário lamentou “pagar 400 euros por mês por um estúdio” em Patras, a terceira maior cidade grega. Um aluno defendeu um aumento nos subsídios de alojamento, para 500 euros mensais, mais quartos nas residências universitárias e transportes gratuitos para os estudantes.

Antes disso, esta terça-feira, alguns estudantes instalaram tendas e dormiram à frente do parlamento, em Atenas. Uma ação com o intuito de exigir rendas acessíveis ao governo grego.

Estudantes gregos acampam em frente ao parlamento contra rendas altas e custo de vida elevado

Em França, ainda se faz o rescaldo dos protestos violentos de sábado, que resultaram em pelo menos 1.200 detenções em todo o país. A capital foi palco de confrontos entre a polícia e manifestantes e várias lojas foram vandalizadas e saqueadas, mas também houve desacatos em cidades como Lyon ou Marselha.

A situação na capital obrigou a autarquia de Paris a adotar medidas mais intensas. Esta quarta-feira haverá um novo recolher obrigatório em algumas partes de Paris, das 23h00 às 6h00 de quinta-feira.

Emmanuel Macron teceu críticas aos “comentários inaceitáveis e estúpidos de líderes estrangeiros”, cita o Figaro. “Na minha opinião, não há interferências estrangeiras visíveis nos acontecimentos que ocorreram; no entanto, há uma manipulação estrangeira da informação na sequência desses acontecimentos, o que deu origem a comentários estúpidos por parte de muitos, incluindo líderes estrangeiros”, declarou o Presidente francês. Trump, por exemplo, disse que Paris estava a arder e a culpa era dos imigrantes.

Detidas 1.200 pessoas em dia de protestos violentos em França

O jornal Figaro refere ainda que o movimento dos “coletes amarelos” convocou mais uma ação de protesto para sábado, em Paris. Benjamin Ball, representante da organização, revelou que apresentou um pedido formal de autorização para realizar uma manifestação este sábado, com partida da Praça da Bastilha. O movimento participou nas manifestações de 17 de outubro.

Em Itália, várias cidades tiveram protestos durante o fim de semana contra o aumento do custo de vida. Em alguns casos, como Milão, Bolonha ou Turim, houve confrontos entre os manifestantes e a polícia.

Manifestantes e polícia em confronto em Milão, Bolonha e Turim. Vice-primeiro-ministro condena “violência e vandalismo”

Giorgia Meloni, a primeira-ministra italiana, contestou o aumento da violência em Milão. “Não há nada de revolucionário no vandalismo e no roubo. O vandalismo e o roubo não são formas de protesto, são atos criminosos”, declarou numa mensagem nas redes sociais.

Esta semana, Meloni anunciou o reforço policial em Milão, enviando mais 500 militares para responder aos protestos.

Mario Draghi, que já foi primeiro-ministro de Itália e presidiu ao Banco Central Europeu (BCE), comentou esta quarta-feira a instabilidade em Itália. “Os jovens têm a sensação de que ninguém está a ouvi-los”, disse numa entrevista à Bloomberg. Para o economista e político italiano, os protestos estão relacionados com “expectativas frustradas”.

Na Albânia, continuam os protestos em Tirana contra a corrupção e em defesa de melhores condições de vida. É o nono dia consecutivo de protestos, com milhares de albaneses a exigir a demissão do primeiro-ministro, Edi Rama.

Dados da polícia estatal, citados pela imprensa local, referem que foram detidas pelo menos 300 pessoas, incluindo 33 menores. A intervenção policial, incluindo o uso de balas de borracha e gás lacrimogéneo para dispersar os manifestantes, tem sido contestada pela oposição.

Também na Bélgica o fim de semana ficou marcado por manifestações em cidades como Bruxelas e Liège, num contexto de contestação às políticas de financiamento da educação e às medidas de contenção orçamental. Os estudantes protestam contra o impacto dos cortes nos recursos das escolas e universidades, o aumento dos custos associados ao ensino e as dificuldades no acesso a materiais escolares. Em Bruxelas, no sábado, houve confrontos entre manifestantes e a polícia, que recorreu a gás lacrimogéneo e canhões de água. O ministro da Administração Interna, Bernard Quintin, afirmou nesse dia que a situação “já não era simplesmente um protesto”, classificando-a como “violência pura e simplesmente”.