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E hoje, na Tarda em Direto, estamos à conversa com a Marta Cerqueira. É jornalista e, à distância, com dois amigos, criou uma plataforma, chama-se Pegada, tem dois G. Portanto, se nos está a ouvir, o convite é agora pegar no telemóvel, ir até ao seu computador e ir até ao site pegada, com dois G, .com. O objetivo aqui é unir uma comunidade em torno de valores sustentáveis. Vão partilhando hábitos, também novidades na cidade de Lisboa. É isto, Marta. Bem-vinda.
É isto.
Bem-vinda.
Em resumo, tentámos aqui explicar este projeto. Eu já vou querer saber como é que tudo isto nasceu, Marta, mas eu não sei se um bom desejo para 2021 era não apresentar ninguém como ativista ambiental. Portanto, se fôssemos todos ativistas ambientais, não era preciso sequer falar do assunto. É esse também o objetivo?
Sim, e acho que nem sequer precisamos desses rótulos. Acho que se todos fizermos um bocadinho, escusamos de estar a pensar em ativistas como uma coisa tipo: "Vou sair daqui com bandeira na mão e só comer o que cai das árvores". Não é nada disso. Digo que sou ativista ambiental no sentido em que tenho alguns hábitos sustentáveis. Faço também pra mostrar aos outros que os tenho para que essa influência seja sempre em cadeia.
Mas o que é isso dos hábitos sustentáveis? Exemplos.
São hábitos que pra mim são bastante normais, mas que se calhar pra outras pessoas não são. Não é que eu faça sempre e estou muito longe da perfeição, mas levar os meus sacos quando vou às compras, tentar comprar sempre a granel em vez de comprar embalados, nunca deitar comida fora e aproveitar a comida até ao limite, usar aplicações que também, por exemplo, reaproveitam as sobras dos restaurantes e dos supermercados.
Portanto, são pequenos pormenores do dia a dia que às vezes dão um bocadinho mais de trabalho, mas que permitem também ter a consciência mais tranquila.
Sim.
Já vamos falar um bocadinho mais sobre isto, mas eu gostava de começar então pelo início de todo este projeto, o Pegada, com dois G, e volto a repetir, que é pra quem nos está a ouvir, escrever o endereço em condições e ir até lá. Portanto, como é que tudo isto surgiu e como é que o Hugo e a Lígia se juntaram também a ti? São os tais dois amigos que também fazem parte deste projeto.
Sim. Eu sou jornalista já há muitos anos e nos últimos anos também porque é uma coisa que eu faço no meu dia a dia, passei também a escrever sobre estes temas de sustentabilidade. E de repente passei a ser também uma pessoa que as pessoas viam como alguém a quem perguntavam o que fazer, a que loja a granel ir, como fazer aquela receita, onde comprar roupa em segunda mão, por exemplo. Então tinha muitos amigos e família a perguntar-me isso. Os poucos seguidores que eu tenho no Instagram também, fora família e amigos, também começavam a perguntar e eu comecei a pensar: se calhar eu poderia alargar este raio de influência um bocadinho mais do que apenas às minhas redes sociais e ao meu grupo de amigos. Depois a oportunidade surgiu quando a Startup Lisboa e a Câmara de Lisboa lançaram um projeto que procuravam exatamente era mulheres empreendedoras na área da sustentabilidade. E eu vi esses programas e foi tipo: "Ok, acho que sou eu". Chama-se Women for Climate. E eu candidatei-me, ainda só com uma ideia. Eu sabia que queria criar um site, também usando um bocadinho as minhas skills de jornalista, ou seja, de produtora de conteúdos. Não poderia agora fazer uma coisa completamente fora do meu raio de ação. E então eu queria criar um site, fui com uma ideia. A verdade é que a ideia parece ter tido aprovação, porque eu passei a todas as fases e fui uma das finalistas. A questão é, eu nunca quis fazer isto sozinha, não só porque eu gosto de trabalhar em equipe, mas também porque sabia que me faltavam coisas pra pôr isso, ferramentas para realmente pôr a Pegada, que ainda não tinha nome na altura, mas depois surgiu, em prática. E foi durante o programa que eu, por exemplo, conheci a Lígia, que também se tinha candidatado com um outro projeto, o dela não passou. Mas a Lígia, foi engraçado, porque nós somos, eu, a Lígia e o Hugo, somos uma equipe que só se encontrou ao vivo uma vez. Tudo isto cresceu em tempo de pandemia, o próprio programa passou a ser online. Nós, eu e a Lígia, conhecíamos do Instagram porque temos gostos em comum, viagens e sustentabilidade. Seguíamos, mandávamos uma mensagem, nunca nos tínhamos visto. E quando eu fui realmente finalista e a partir daí nós temos um acompanhamento mais próximo para que o projeto seja mesmo lançado, eu pensei: eu tenho que arranjar alguém pra fazer isto comigo, porque senão isto não vai arrancar. E perguntei à Lígia, muito curto e grosso, como eu costumo falar, e dizer: "Queres fazer isto comigo?" E ela: "Quero, eu adoro o teu projeto, vamos fazer isto juntas". A Pegada deixou de ser minha, passou a ser de nós as duas. Fizemos tudo isto com muitas reuniões de Zoom durante este ano.
Tornaste especialista em Zoom também, não é? Como todos nós, é verdade.
Sim, foi surreal. Muitas reuniões em Zoom, muitas conversas no WhatsApp, enfim. E depois o Hugo acabou por se juntar a nós, porque faltava alguém que fizesse a parte do design e de redes sociais, e ele está mais dedicado a essa parte. E no final do ano passado, finalmente a Pegada nasceu em forma de site. Nós primeiro criamos as redes sociais e agora temos o site.
E há dicas muito concretas. É engraçado, porque quem vos acompanha, o Hugo, por exemplo, é fotógrafo, mas também é a pessoa se calhar menos experiente nesta questão da vida sustentável.
Completamente. O Hugo começou a fazer reciclagem há um mês ou há dois meses, uma coisa assim, conosco.
É muito engraçado ele ter embarcado neste projeto com essa mente aberta pra também experimentar coisas novas.
Não, mas a ideia dele foi mesmo: eu quero aprender convosco.
E deve ser engraçado também pra vocês acompanharem esse entusiasmo de alguém que está a dar os primeiros passos nesse caminho da sustentabilidade.
Não, isso é muito giro. Isso nos últimos anos tem me acontecido. A reciclagem pra mim é o básico, já há muitos anos. Mas, por exemplo, a minha mãe ou o meu pai começaram a reciclar este ano e mandar-me mensagens com fotos, tipo: "Já comprei um ecoponto caseiro", e eu: "Boa! Olha, tenho os meus saquinhos pra ir às compras". Ou seja, esses primeiros passos, pra mim é um orgulho, porque depois é isso. O objetivo da Pegada é não só criar esta comunidade de pessoas que têm estes gostos em comum, mas também mostrar que não é preciso fazer tudo, que eu acho que às vezes as pessoas ficam um bocadinho assoberbadas com todas estas coisas da sustentabilidade, porque de repente é: "Ok, vamos comprar a granel". Não, mas a outra já faz xampus em casa. E a outra já não compra roupa em fast fashion há não sei quantos anos. Não tens que fazer tudo. Eu não faço tudo. Eu costumo dizer assim: eu escolho as minhas lutas. Há coisas que eu sei que não vou fazer, mas não tenho que fazer tudo, porque senão ninguém começa.
Porque o básico, dizias, palavras da reciclagem, e eu tinha precisamente uma pergunta sobre isso, porque pra muita gente ser sustentável, se calhar, é isso. É o básico dos básicos, é reciclar. Mas qual era a dica que tu davas a quem nos está a ouvir neste momento e que quer começar? A ir com calma, é isso?
A ir com calma, sim. A reciclagem pode ser um bom primeiro passo, porque na verdade é fácil de fazer.
E insuficiente, não é?
É muito insuficiente. Tu podes fazer muito antes de reciclar. Podes fazer não comprar tanto. O bom de reciclar, que eu tenho tido essa experiência de quem começa, é bom pra teres a noção do lixo que produzes. De repente, percebes que se calhar o teu lixo de sobras de comida é muito reduzido e o de plástico é normalmente aquele que enches mais rapidamente e que tens de ir ao ecoponto mais vezes. Então só aí já tive várias pessoas a dizer: "Agora é que eu percebi a quantidade de plástico que eu uso". E vendo aquele caixote cheio, penso assim: "Se calhar eu não preciso de levar 10 sacos ou as bananas num saquinho, o ananás noutro saquinho. Se calhar até posso levar os meus". É uma boa maneira de tentar ver essa realidade mesmo em casa. Mas há muita coisa que podes fazer antes de reciclar. Lá está, reduzir, principalmente, recusar muita coisa que tu dizes que sim.
Porque é grátis, às vezes.
Porque é grátis.
Exato.
Mas sim, há muita coisa que podes fazer antes.
E Marta, é muito curioso, porque no currículo que aparece no teu perfil, na descrição, tu dizes também que salvas comida do lixo. Fala-me disso.
Então, isto é um assunto um bocadinho polêmico pra algumas pessoas. Eu já não faço há algum tempo, principalmente também por causa do Covid, mas eu já fiz várias vezes dumpster diving, que em português não há bem uma tradução, mas é tipo respiga, em brasileiro diz-se respiga. Mas basicamente, eu não digo às pessoas pra fazer, até porque isso seria impensável em termos de segurança pública e de higiene. Mas o que eu aconselho é: alguém que passe à porta de um supermercado, por exemplo, nós temos aqui um Continente aqui ao pé, que fecha, imagina, às 21:00. Passa às 21:30 e abre o contentor do Continente. E tu vais perceber a quantidade de comida em condições ótimas, que vai pro lixo todos os dias. É assustador. Eu experimentei fazer isso uma vez, até foi pra uma reportagem com a Ana Maciel, que é uma italiana que vive em Portugal, e ela é que começou muito a fazer esta-
Ela partilha muito no Instagram.
Sim, exatamente. E eu fui com ela e a partir daí já fui várias vezes, sozinha ou com o meu namorado. E é mesmo assustador. A quantidade de comida que todos os dias vai pro lixo.
E a verdade é que, volta e meia, há uma onda de indignação que surge também através das redes sociais, quando é um vídeo que é partilhado, em que se mostra esse desperdício alimentar, quando se fala também de casos em que alguém tentou aceder a esses alimentos que iriam para o lixo, e viu também obstáculos por parte, às vezes, das próprias cadeias de hipermercados, de supermercados. Mas esta é uma situação que continua a acontecer e para a qual parece não haver uma solução à vista. Ou seja, de tempos a tempos continua a ver-se vídeos, continua a ver essas ondas de indignação, mas continua a não haver também uma espécie de resposta a este problema.
Não, continua a não haver, e eu já contactei supermercados pra tentar perceber por que isso continua a acontecer, e muitos deles, se nós até falarmos dos supermercados biológicos, toda mundo conhece. Eles têm muita preocupação até de usar esses alimentos que já estão um bocadinho mais maduros, por exemplo, quando falamos em frutas e vegetais, para fazer as refeições. Ou por exemplo, temos grandes cadeias que já usam também essas frutas e legumes para produzir novos bolos, até os pães. Já põem os caixotes também com frutas e legumes mais baratos, quando já estão também mais maduros. Há essa preocupação, mas a quantidade é gigantesca e não há forma de acelerar o processo.
De acelerar o processo, pra que a mudança seja maior. Mas como tu explicavas também, por uma questão de segurança, agora por causa da pandemia, claro que não podemos fazer isso também, mas podemos fazê-lo dentro de casa.
Não só por causa da pandemia, porque a pandemia, claro que tu tens que ter mais cuidado com tudo.
Certo.
Mas mesmo antes da pandemia, quem faz dumpster diving, imagina, eu fiz a reportagem na altura, mas eu não partilho quando vou e encontro imensa comida, que às vezes apetece mesmo tirar fotografias e mostrar, mas porque não quero que se torne uma coisa de massas, porque não só vai descredibilizar toda a cadeia de produção, mas também porque quem o faz tem que ter regras pra o fazer. Não podes deixar o sítio sujo, não podes entrar dentro de propriedade privada. Imagina, se isto se torna uma coisa que toda gente faz, de repente, ninguém vai poder fazer.
Certo.
É um bocadinho como as regras agora das autocaravanas. Esta semana foi conhecido que agora não se pode estacionar em sítios públicos. Por quê? Porque se calhar algumas pessoas o fizeram de forma errada. E eu também ando muito de autocaravana e também fiz isso, e andei a limpar o lixo dos outros, por exemplo. Então, por uns pagam os outros. Então não é uma coisa que eu acho que tenha que ser pra toda gente. Eu só digo é: espreitem, só pra terem uma noção.
Só pra ter noção do problema e podemos fazê-lo em casa. Ou seja, não desperdiçar a comida que temos às vezes no frigorífico, lá pro fundo da prateleira, e que nunca mais nos lembramos. Portanto, é aproveitar tudo isso, é apenas um exemplo daquilo que podemos fazer. Mas, por exemplo, falaste há pouco da roupa, do impacto que a indústria tem também no ambiente. Se calhar muitos de nós também não pensam nisso. Há quanto tempo é que não compras roupa que não em segunda mão, Marta?
Não, eu compro. Agora no Natal ofereceram-me roupa, porque a minha família oferece-me. Agora, imagina, eu precisava de um casaco quente, agora pra o inverno. E pensei, ok, primeira coisa que eu iria fazer há uns cinco anos era ir à Zara ou sei lá, uma loja dessas. O que eu fiz foi procurar em segunda mão Antes de ir a essas lojas. Não quer dizer que eu não vá. Atenção, esta camisola é de uma loja que não vou dizer o nome porque não devia dizer. Mas o meu casaco, por exemplo, eu encontrei numa loja em segunda mão. É isso que eu tento fazer, não só por essas razões, mas também porque sempre gostei de me vestir de uma forma diferente e encontrava nessas lojas. Até comecei mais por causa disso, as lojas vintage. Eu sempre gostei muito desse estilo. E depois percebi que não era só isso. Tu lá consegues encontrar aquilo que encontras numa cadeia de fast fashion, sem teres que comprar novo. É um bocado assim. Por exemplo, a Lígia, que é um dos membros da Pegada, essa sim, não compra fast fashion há uns sete anos. E depois temos o Hugo, que nunca entrou numa loja em segunda mão. O que é engraçado nesta equipa é termos pessoas que, tal como a nossa comunidade, estão em fases diferentes. E nós queremos mesmo isso, é falar com as pessoas que tanto estão agora a começar a reciclar, como aquelas que já fazem upcycling, que já fazem o xampu em casa, que não usam amaciador.
Querem uma mensagem que seja de alguma forma transversal, que sirva quem está a dar os primeiros passos, mas também quem já anda nisso da sustentabilidade há muito tempo. E tem resultado até agora?
Sim, o feedback tem sido bom.
Ser juiz em causa própria também não é fácil.
Exato. Não, o feedback tem sido bom e como queremos mesmo criar uma comunidade, nós estamos a aproveitar esta primeira fase para que sejam mesmo os nossos seguidores e as pessoas que são mais próximas, até a direcionar um bocadinho a pegada. Nós criamos o site com aquela base. Já agora aproveito pra explicar. Nós no site temos, neste momento está um bocadinho mais focado em Lisboa, foi cá que começamos, mas a ideia é depois passar ao resto do país, mas nós temos um diretório de lojas e estabelecimentos comerciais que nós consideramos sustentáveis. Desde lojas a granel, lojas de roupa em segunda mão, lojas de produtos ecológicos, depois fizemos também uma triagem de restaurantes e hotéis. Além disso, temos também eventos de tudo que envolve sustentabilidade, desde workshops, lançamentos de livros, feiras, que agora está tudo um bocadinho mais parado. E temos também uma parte de conteúdos com dicas, reportagens, tudo isso.
Há, por exemplo, desculpe interromper, mas são cinco dicas para reduzir o desperdício alimentar ou até quatro formas de aproveitar as cascas de banana. Eu confesso que gostei muito desta última. Dá pra adubar a terra, mas também dá pra fazer chá, por exemplo, mas o artigo está em pegada, com dois G, ponto com. Marta, continue, desculpa.
Sim. E como eu estava a dizer, nós criamos esta base, isso pra nós foi a base, e agora até estamos a deixar que esta comunidade nos direcione. Por exemplo, percebemos que, bom, os negócios online têm vindo a crescer nos últimos anos, mas durante a pandemia foram muitas as pessoas que ficaram em casa e que começaram a lançar pequenos negócios. É a pessoa que começou a fazer os sabonetes em casa, a pessoa que começou a fazer uns saquinhos reutilizáveis, os dispensas higiênicos reutilizáveis. E essas pessoas, sim, que nós não estávamos à espera, estão a ver em nós uma montra. E então, se calhar, por exemplo, uma das coisas que nós queremos fazer agora é passar a ser também esta montra para esses espaços que só existem online e que muitas vezes nem têm um site, só têm uma página de Instagram. Mas é a comunidade que está-
Portanto, a dica que estão a dar também é pra quem nos está a ouvir neste momento, se quiserem entrar em contato com a Pegada, pra tentar facilitar aqui também o contato entre todos. É uma possibilidade?
É isso.
Vocês estão de portas abertas também para que haja mais contributos pro vosso projeto.
Não, é mesmo essa a ideia. Nós criamos isto, mas depois isto vai ser de todos. Porque isto é mesmo uma ferramenta pra que todos usem, seja em que fase da caminhada estejam, mas que seja útil pra todos, sim.
E Marta, a propósito dessas sugestões, eu no outro dia estava lá em casa e apontei até pra falar contigo sobre isso. A questão da água, como é que nós de modo prático, no nosso dia a dia, podemos, por exemplo, poupar água?
Olha, essa é a minha luta pra 2021. Foi essa a minha meta sustentável pessoal, porque é uma coisa que eu ainda tenho alguma dificuldade. Bom, mas basicamente em casa, o que podes fazer é contabilizar o tempo de banho. Penso que até há aplicações pra isso.
Sim.
Já me falaram sobre isso. E principalmente se tu tiveres daquelas casas em que demora muito tempo a aquecer a água, por acaso não é o meu caso, mas há casas em que tu tens que estar ali com a água a correr. Ter sempre até uns recipientes que tu podes usar.
Que têm uma torneira.
Exatamente, têm uma torneira.
Tenho um lá em casa.
Exatamente, são ótimos pra isso. Tu pões ao pé do chuveiro, enches com aquela água e depois tu pegas naquela água, levas pra banca da cozinha e podes usar para, sei lá, cozinhar, lavar. Podes fazer isso tudo, claro. Depois, água da torneira, pelo menos não uso a água engarrafada. Quanto muito podes comprar um filtro.
Há sempre um filtro que se pode comprar, não é?
Exatamente, se não gostares. E depois também é, sei lá, desligar a torneira quando vais lavar os dentes, ter técnica para lavar a louça, não seja sempre com a água a correr. Acho que essas pequenas coisinhas já vão fazer alguma diferença no fim do mês, não só na conta da água, mas na quantidade de água que se gasta, sim.
Muito bem, boa dica essa do banho. Não sabia, João Alexandre, nós também estamos em fase de aprender.
É uma boa dica. Eu queria só perguntar aqui uma coisa à Marta, não é provocação, mas queria saber como é que, por exemplo, alguém como a Marta, que tem um projeto destes, reage quando, num diálogo com alguém, encontra uma pessoa que é completamente insensível aos temas da sustentabilidade. Como é que se reage perante alguém que, no século XXI, em 2021, mais do que os comportamentos, o fato de não quererem sequer pensar sobre as questões da sustentabilidade e do planeta.
Respiro fundo, como eu estava a dizer, e são muitas pessoas, e o mais assustador não é quando acontece com alguém, por exemplo, da geração dos nossos pais ou dos nossos avós. É quando acontece com alguém da minha geração, da nossa geração. É assustador. Aí é assustador. Acho que aí é mesmo uma irresponsabilidade. Não estou a pedir pra que façam tudo, mas um bocadinho podem sempre fazer. Mas outra coisa que eu também já percebi é que não vale a pena criticar, não vale a pena julgar, não é assim que vais mudar. Mudas, e já me aconteceu, já tive essa experiência com amigos, é mudas mostrando, dando exemplo, dando dicas. Por exemplo, olha, "ai, não tenho espaço pra ter um ecoponto em casa e fazer reciclagem." Ok, arranjas um saco, põe só o plástico. Já tive amigos que começaram a reciclar exatamente com esta dica. Ou seja, fazendo, mostrando, sem impor nada. E sim, tudo, seja na alimentação, nas escolhas alimentares, nesta parte também da sustentabilidade. É não impor, não julgar, ir fazendo. E as pessoas vão vendo que realmente, quer dizer, eu comecei a fazer isso, se calhar, numa altura em que não era assim tanta gente a fazer e agora, de repente, é uma coisa normal. Nós vamos mesmo aos grandes supermercados, já tens os sacos de pano pra ires comprar os legumes, já tens as caixas de frutas mais baratas. Quer dizer, são coisas que há uns anos nem era real, não era uma ideia. E agora é. Então eu acho que é mesmo isso, é mostrando e fazendo.
O preciso é começar e fica esse convite. Comece por visitar o Pegada, pegada, com dois G, ponto com. A Marta Cerqueira, jornalista, juntou-se a nós, é uma das fundadoras deste projeto. Marta, muito obrigada, até à próxima.
Obrigada.
Obrigado.
Olá, eu sou a Ana Filipa Rosa. Obrigada por ouvir este podcast. Se gostou, pode sempre partilhá-lo com alguém e ouvir a Rádio Observador. Estamos online, mas também no FM. Na Grande Lisboa em 98.7 e no Grande Porto em 98.4. Obrigada.