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Já está conosco o nosso convidado de hoje, é o Virgul. Virgul, bem-vindo. Obrigada pela disponibilidade.

Obrigado.

Esta música que ouvimos muitas vezes hoje, eu vou pôr aqui novamente em fundo, um pouco. É o teu novo single, chama-se "Cada Um No Seu Lugar", fará parte do disco novo que traz no próximo ano. Isto vai ser um ano em cheio.

Exatamente. 2020, disco novo.

O que é que nos podes contar sobre ele?

É o meu segundo disco. A grande diferença do primeiro disco, será um disco mais orgânico. Eu resolvi voltar um pouco às minhas origens e voltar a ter muitos instrumentos, coisas tocadas. Convidei um monte de gente de quem gosto e de quem admiro pra trabalhar comigo neste disco, inclusive os meus músicos. Estivemos em estúdio a criar um monte de músicas, até chegar às músicas que couberam e faziam sentido estar neste disco. E o "Cada Um No Seu Lugar" é uma delas.

É um disco muito inspirado naquilo que foste ouvindo ao longo do teu crescimento, também.

Sim, também. Muito. E até fui pra casa, estive em casa dos meus pais, e estive mexendo um pouco na discografia do meu pai. Estive a ver muita coisa, muita boa música que se fazia nos anos 80, nomeadamente Commodores, Lionel Richie, Michael Jackson. E andei a revisitar um bocado.

A beber um pouco deles também.

Sim, porque hoje já há tanta coisa, tanta informação, e eu também já fiz tanta coisa, que às vezes é necessário voltarmos um pouco ao básico.

Mas isto é uma espécie de regresso do Virgul às origens, não só a nível sonoro e a nível criativo, e a tentar perceber como é que o Virgul cresceu e tudo aquilo que o trouxe até aqui. Foi tudo isso?

Sim, um bocado isso, também.

É recomeçar de novo?

É. E acho que está na altura também de realmente afirmar-me enquanto artista solo e perceber realmente o que eu quero. Porque já fiz tanta coisa, nomeadamente com os The Whizzzy, com os No Soul Family. Este primeiro disco também, o Saber Aceitar acabou por ser também algo novo, foi também esse feedback imenso que recebi do público. E aqui quis mudar um pouco. Gosto também de disco pra disco vir com coisas novas.

E ir regressando à casa e perceber o que é que somos como criança, também é que nos perceba um pouco como é que nós somos, é isso?

Exatamente, completamente.

E corrige-me se estiver enganada, mas vais continuar com essa onda muito positiva. Tu és uma pessoa positiva.

Sim, obviamente, e é notável isso no primeiro single, no "Difícil Demais" e neste single. Eu sou uma pessoa positiva e dou muita importância, obviamente, à minha mensagem. Mas independentemente das vezes, por vezes ser uma mensagem menos boa, tento meter sempre algo positivo, nem que seja na sonoridade, e minha sonoridade é sempre muito positiva. É algo que eu quero transmitir, até porque é uma mais-valia que eu tenho em cima do palco, é uma forma de estar na vida também, é uma parte que me identifica e quero trazer isso pro meu disco.

E sempre foste assim, desde pequenino que fazias a festa, fazias espetáculos.

Sim, fazia imenso. Aliás, revejo-me imenso na minha filha, por vezes, até porque tenho algumas queixas da professora, porque ela tem dificuldade em estar atenta.

Ela está com que idade?

Com nove anos, no quarto ano. E então, eu era assim também, pensava sempre que estava no intervalo. E isso deve-se, se calhar, um bocado também aos meus pais. A minha mãe também tem uma energia muito positiva. O meu pai também adora dançar, adora sair. São pessoas muito animadas e, se calhar, está no nosso ADN.

Mas isso é mau, não te podes queixar. Depois, lá está, não lhe podes dizer: "Ah, não podes ser assim", porque também és. E isto de escolher a música foi algo natural pra ti ou se não tivesses esta carreira, o que é que serias, por exemplo?

Sempre alguma coisa a ver com as artes, alguma coisa que tivesse a ver com a música. Eu sempre gostei muito de dançar. É algo que hoje em dia posso conciliar bem com aquilo que faço. Mas ainda demorou algum tempo até começar a dançar realmente em palco e ter bailarinos em palco. Foi agora na minha carreira solo que eu passei a ter bailarinos em palco e explorar um bocado esse lado e esse jeito que eu tenho também pra dança, mas talvez sim, seria bailarino.

E ias cantando com amigos na rua, por exemplo, também? Foi aí que te deu o clique?

Sim, muito novo. Com 13, 14 anos já cantava também com amigos no bairro onde eu morava, no Monte da Caparica. E ainda tive um grupo de bairro, que íamos cantar nas festas do bairro, aquelas da cooperativa. E depois também conheci os The Whizzzy através dos amigos em comum, e me convidaram pra ser uma segunda voz ao vivo. Isto em 95 e em 97, depois de eu mostrar também um bocado daquilo que eu fazia e mostrar também o "Do Ya", que foi a primeira música que eu trouxe e que apresentei aos The Whizzzy. Eles convidaram-me então pra fazer parte.

E ficou um dos maiores sucessos também da banda. Um sucesso praticamente eterno dos The Whizzzy.

Sim, fico feliz por também ter sido assim dessa forma.

Os The Whizzzy que vão regressar no próximo ano. Já sei que os ensaios estão a correr muito bem.

Estão a correr muito bem e vai ser bombástico.

E é um sorriso a falar disso, que é o melhor também que se pode ter nesta altura, não é?

Os ensaios são terças e quartas, o dia todo, e estivemos lá hoje. E é incrível que passado 10 anos, a nossa energia, a nossa empatia, a nossa amizade mantêm-se Ainda tivemos algum tempo. Eu cruzei-me várias vezes. O Carlão foi a pessoa com quem me cruzei mais, inclusive quem escreveu o "I Need This Girl" do meu primeiro disco, mas derivado às carreiras e às nossas vidas também, tivemos muito tempo longe uns dos outros e é incrível como essa energia mantém-se ainda. E estamos com uma altica, e curtimos, e saltamos. Há uma energia tamanha nos ensaios que se antevê que vai ser um grande concerto, não só o facto da paragem, das pessoas estarem à espera, mas também a energia que nós próprios temos, temos essa vontade de dar ao público.

Eu fui ouvindo entrevistas tuas e isto era algo que tu desejavas também, não é?

Muito. E vem em boa altura, porque é como estavas a dizer, vai ser um ano em grande. 2020 vai ser ótimo para mim, precisamente por isso também, por estar a lançar o meu segundo disco e poder também voltar aos ataques The Weasel novamente, é superpositivo para mim.

E por que esse reencontro demorou tanto tempo? Os fãs queriam imenso.

Demorou o tempo que teve que demorar e vendo agora pelo lado positivo, acho que ainda bem que assim o foi. Sentimos que houve sempre muito namoro com os The Weasel e essa vontade.

É bom haver saudades do público, saudades dos próprios membros uns dos outros. É bom haver esse momento também.

É bom.

E esse espaço também para cada um poder criar e para se poder afirmar, não só falando aqui do Virgulo e do Carlão, mas dos outros membros também terem espaço para criarem aquilo que quiserem.

É. Acho que houve essa necessidade também. Acho que o fim dos The Weasel fez com que isso também fosse positivo para cada um de nós, e para mim foi bastante positivo. Talvez se os The Weasel continuassem, se calhar não teria a minha carreira a solo tão sólida e a acreditar tanto nisto. E a continuar com uma vontade enorme de estar novamente com os The Weasel, porque obviamente que faz parte do meu ADN.

E entretanto vão ter a ver os vossos concertos, pessoas que quando os The Weasel terminaram ainda eram muito crianças. E essa vai ser também uma experiência engraçada para vocês.

Sim.

Agora já levam a família.

Vai ser engraçado. Exatamente. E a passar por aí também, porque eu e o Carlão não tínhamos filhos na altura, quando terminamos, e as nossas filhas felizmente já podem ir, porque já têm nove anos e então já podem ir assistir ao concerto dos The Weasel e saber mais das histórias dos The Weasel, porque ouvem, obviamente, temos coisas em casa lá .

E ver ao vivo essa cumplicidade também que existe entre os elementos.

Completamente.

Vocês na altura tinham noção do impacto que tiveram na música portuguesa ou só agora passado estes 10 anos, esta euforia toda com o regresso é que vos cai a ficha?

Tínhamos algum, mas somente depois de terminarmos é que sentimos realmente a grandeza e o carinho que o público tinha pelos The Weasel. Porque, lá está, a saudade, parece um clichê, mas quando não temos é que realmente damos valor e sentimos isso mais próximo de nós, principalmente eu e o Carlão, porque continuamos a tocar nas nossas carreiras a solo e muitas vezes tínhamos fãs ainda um bocado assim chateados: "Os The Weasel aí que eram, quando é que voltam?"

Isso era uma pergunta muito recorrente, por acaso.

Era.

Era muito. Foi difícil quando os The Weasel acabaram, descolar dessa imagem que estava associada ao grupo e depois seguires a tua carreira a solo?

Acho que foi um processo natural. Foi o que foi, também devido à grandeza que os The Weasel tiveram. E por mais que a gente às vezes quiséssemos desviar um pouco, os The Weasel hão de sempre passar pelas nossas carreiras a solo, porque fazem parte e ainda bem que assim o é, porque o meu crescimento faz parte, sem dúvida, da passagem dos The Weasel. Ainda que a minha carreira a solo esteja muito bem, mas deve-se muito e aprendi muito com os The Weasel.

E o que tu gostas de fazer fora da música, Virgulo?

Olha, gosto muito de ir ao cinema, gosto muito de estar com a minha filha.

E ela também já tem queda para a música ou não?

Dança, gosto muito de dançar. Andamos sempre a fazer muitos vídeos. Ela tem uma época, acho que é o TikTok ou qualquer coisa assim.

Sim, que agora está super na moda.

E então anda sempre com vídeos e esconde-se no quarto e faz monte de vídeo. Eu às vezes apanho-a e ajuda-me também. Ela ajuda-me também a perceber o que a malta mais nova gosta. Acho que é também importante acompanhares um bocado isso. Ajuda-nos também a perceber o que também podemos fazer.

Uma vez, numa entrevista, o Virgulo disse qualquer coisa como: "A experiência de ter filhos era o melhor na passagem por esta vida". Mudou completamente tudo isso, a perspectiva enquanto músico, enquanto profissional, na relação também com as outras pessoas do meio artístico e com o filho, realmente, e no momento em que veio, depois desse hiato, dessa pausa, porque não foi o fim, dos The Weasel, mudou tudo na vida do Virgulo.

Sim, sem dúvida. É a parte do amor que é incrível e é o facto de aquilo passar a ser a tua prioridade, o teu tudo. E realmente tu tens uma perspectiva da vida completamente diferente. Amolece-nos, faz-nos despreocupar de outras coisas que às vezes damos tanta preocupação.

Mas também torna, porque o Virgulo diz que é otimista, que é uma pessoa que tem sempre um olhar otimista sobre as coisas, também torna, neste caso, o artista Virgulo alguém ainda mais otimista perante a vida e perante o futuro. Até porque houve uma altura em que disse que até pensou que se iria afastar da música, que poderia desistir.

Sim, ajuda-nos imenso. É o melhor do mundo. Como eu já tinha referido, é realmente para mim a melhor desta passagem que podemos criar. E os filhos são demais e há ali coisas que realmente fazem-nos mudar, fazem-nos ver de outra forma, que nos faz crescer imenso.

Mesmo a forma como escreve, por exemplo, canções. Mudou um bocadinho ou nem por isso?

Sim, eu tenho muita atenção daquilo que digo. Sempre tive isso, mas acho que redobrei essa atenção após ter a minha filha. A minha filha também, mas depois olho para uma próxima geração que vem aí e fico a pensar o que eu quero deixar, que mensagem eu quero deixar. E tenho essa atenção, sem dúvida.

É o sentido de responsabilidade.

No início, os The Weasel eram mais jovens. Este caminho com os The Weasel já começou há muitos anos e falava-se sobre a juventude, sobre os amigos, sobre as relações. Sobre o que o Virgulo quer cantar durante os próximos anos, as próximas décadas? Há alguns temas-chave, alguma coisa, ou é sobre a vida no geral?

É na vida no geral, mas eu tenho, por acaso, uma facilidade em escrever músicas de amor, músicas de relações. A minha primeira música foi o "Duya" e o meu último single é o "Cada Um No Seu Lugar". O outro disco foi também muito inspirado na pessoa com quem eu estava na altura, que foi "Why This Girl", o "Rainha", o "Só Eu Sei". Tenho essa facilidade de escrever sobre o amor, mas gosto de falar tudo no geral. Este novo disco que vem aí em 2020, eu falo muito do bem-estar, do saber viver, do saber aproveitar o bom momento, o quão é bom estares em família, teres uma família, viver. Tentar também alertar um bocado isso às pessoas, porque às vezes nós vivemos tão rápido que não percebemos o valor, o que é que realmente é importante nesta vida e o que é esta passagem. Eu tenho essa facilidade de falar sobre isso, até porque os meus pais passam-me isso imenso. E então eu quero também ser essa chave e poder transmitir essa positividade e essa mensagem ao mundo.

E este é um bom momento para o Virgulo?

É, sem dúvida, é o momento.

Nota-se, aliás, muito entusiasmo também, portanto, pronto, assim para o novo ano. O disco já tem data de lançamento ou ainda não?

Não.

Vamos ver, não é?

Acho que ainda lanço outro single. Eu gostava de ter um terceiro single e depois só então lançar o disco.

Vamos ficar à espera dele, com certeza. Vamos voltar a ouvir este novo, chama-se "Cada Um No Seu Lugar". Os The Weasel têm esse concerto marcado para dia 11 de julho no Alive. Os ensaios estão a correr bem, fica essa nota também para os fãs que nos estão a ouvir. O Virgulo vai ter um ano em cheio com disco novo. Virgulo, obrigada. Até à próxima.

Obrigado.

O Virgulo foi o convidado de hoje da tarde em direto. Uma conversa que pode voltar a ouvir. Vai estar disponível já a seguir, em podcast, nas plataformas habituais e em observador.pt.

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