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O cenário é verde, mas também de recomeço. O Observador esteve no coração do Parque Nacional da Peneda-Gerês, o único parque nacional do país onde o início da primavera ganhou um significado especial: plantar árvores e plantar futuro. Foi na porta do Lindoso, em Ponte da Barca, que o Lidl Portugal e a WWF Portugal assinalaram o arranque de um projeto de restauro ecológico que promete mudar a paisagem. À primeira vista, plantar árvores parece um gesto simples, mas o simbolismo é profundo. Marca o início de um plano de cinco anos que pretende regenerar ecossistemas degradados e reforçar a biodiversidade. O projeto Restore Portugal nasce como resposta a um desafio europeu: recuperar pelo menos 20% das áreas degradadas até 2030. Um objetivo ambicioso, mas urgente. Entre os presentes, esteve o secretário de Estado do Ambiente, João Manuel Esteves, que sublinhou isso mesmo. Este tipo de ações mostra como a colaboração entre diferentes entidades pode dar resultados concretos. E apesar de ser uma ambição europeia, Portugal já está muito à frente.

Esta iniciativa que nós vemos hoje aqui, o plano nacional de restauro da natureza não está concluído e nós já estamos a fazer. Ou seja, é um bom exemplo daquilo que pode acontecer. E portanto, este plano nacional de restauro da natureza, de acordo com aquilo que está previsto, é que durante o mês de setembro seja entregue na Comissão Europeia. E esse será, sem dúvida alguma, é um grande objetivo. Um grande objetivo da União Europeia, é um grande objetivo de Portugal também, que 30% dos ecossistemas degradados, quer eles sejam terrestres ou marinhos, serão recuperados até o final desta década. Nós, no nosso caso, em Portugal, estamos a dar passos muito largos do ponto de vista daquilo que é a efetividade, fazer. No entanto, há desafios que continuam e nós queremos fazê-los e queremos envolver o maior número da comunidade. Portanto, quando hoje vimos cá e vemos umas autarquias, organizações não governamentais, vemos empresas, vemos a comunidade envolvida, isso para nós é um motivo de satisfação.

Mais do que uma cerimónia, este foi um ponto de partida. E aqui no Gerês, os números ajudam a perceber a dimensão da intervenção. Estamos a falar de 30 hectares de território entre Lindoso e Campo do Gerês, onde vão decorrer dois tipos de intervenção. Por um lado, em cerca de 28 hectares, está a ser feita a gestão seletiva de matos. Na prática, isto significa reduzir significativamente o risco de incêndio e criar um mosaico natural de vegetação que favoreça a regeneração das espécies autóctones. Há também uma área particularmente sensível. Dois hectares que foram consumidos pelos incêndios de 2025. Aqui, o objetivo é ainda mais concreto. Plantar cerca de 800 árvores e devolver a estrutura florestal à paisagem. Porque se algo que este território conhece bem é a resiliência, mas também conhece o impacto da destruição. Só no ano passado, quase 7 mil hectares da natureza foram perdidos no Gerês e é por isso que esta intervenção ganha ainda mais relevância. A diretora regional norte do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas, Sandra Sarmento, destacou a importância de envolver mais pessoas nesta missão. Restaurar a natureza não é apenas uma tarefa técnica, é cada vez mais uma responsabilidade coletiva. Sandra Sarmento fala num pequeno contributo, mas certamente inspirador.

Estas parcerias são muito importantes porque, de facto, esta responsabilidade do restauro é uma responsabilidade naturalmente da administração, mas também envolve e deve envolver aqui, neste caso concreto, as ONGs, as empresas. E este é um projeto inspirador porque, na verdade, vem trazer uma empresa como a Lidl e uma ONG em articulação com o ICNF, na definição das áreas. Neste caso concreto, aqui no Parque Nacional, são 30 hectares de áreas que serão restauradas e representa, de facto, é um pequeno contributo, mas na verdade queremos que seja inspirador para outros contributos maiores e com isso trazermos outros agentes, outras entidades para a biodiversidade, para a causa da conservação da natureza.

E essa ideia de responsabilidade partilhada está no centro desta parceria. Em 2024, o Lidl estabeleceu, a nível internacional, uma colaboração estratégica com a WWF. O objetivo? Incentivar modelos de negócio que respeitem os limites do planeta. Em Portugal, traduziu-se neste projeto concreto e os números ajudam também a compreender este compromisso. O Lidl investiu 100 mil euros para financiar os estudos iniciais e a plataforma digital do projeto. Depois, com o apoio dos clientes, através da compra de sacos solidários, canalizou mais 180 mil euros para a recuperação destas áreas no Gerês. De acordo com a diretora de Corporate Affairs Lidl Portugal, Vanessa Romeu, conservar recursos e proteger a biodiversidade não são apenas intenções. Fazem mesmo parte da estratégia da empresa.

Conservar recursos e proteger a biodiversidade são dois eixos que fazem parte da nossa estratégia de sustentabilidade. Nós olhamos para isso com grande sentido de responsabilidade, porque precisamos de cuidar do nosso planeta para garantir que conseguimos continuar a entregar alimentos de qualidade e a bom preço aos nossos clientes. Conseguimos angariar o valor necessário para 30 hectares ao longo de cinco anos. Portanto, é importante reforçar que estes projetos não são projetos de curto prazo, são projetos de longo prazo.

Mas há aqui um detalhe importante. Este não é apenas um projeto financiado por uma empresa. É um modelo que procura mobilizar mais parceiros. Como explica Catarina Grilo, diretora de conservação e políticas da WWF Portugal, o envolvimento do Lidl funciona como um pontapé de saída, um impulso que pode atrair outras entidades para a causa da conservação.

Contamos aqui com uma parceria excepcional com o Lidl, que é o nosso parceiro impulsionador desta iniciativa e que nos permite também, dando este impulso, quer no financiamento do estudo que fez a priorização, a identificação das áreas para intervirmos, mas que também está a apoiar umas parcelas de 30 hectares aqui no Parque Nacional da Peneda-Gerês. Também nos permite depois sinalizar isto junto de outras empresas que também estão interessadas em contribuir. Portanto, dá um impulso ao pontapé de saída, que é absolutamente mobilizador de mais parceiros para conseguirmos levar a bom porto estes projetos.

E esse talvez seja um dos aspetos mais relevantes desta iniciativa. O paradigma está a mudar. Cada vez mais as empresas são chamadas a investir diretamente na regeneração dos ecossistemas, reconhecendo que a natureza não é apenas um recurso, é uma infraestrutura essencial à economia, à saúde pública e ao bem-estar. E no Gerês, essa mudança já está no terreno. Enquanto as primeiras árvores são plantadas, há também um olhar no futuro. O próximo destino já está escolhido, o estuário do Tejo. Um sinal que este projeto não termina aqui. Pelo contrário, está apenas a começar. No meio deste cenário natural, onde o verde volta a ganhar espaço, nasce também uma certeza. Restaurar a natureza não é apenas recuperar o que se perdeu, é garantir aquilo que ainda podemos salvar. No Parque Nacional da Peneda-Gerês, a primavera começou com mãos na terra e com a promessa de um futuro mais verde. Para já, são 30 hectares, mas o verdadeiro objetivo é muito maior.