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Catarina Barreiros, criadora de conteúdos digitais ou influencer. Ela tornou-se, há uns anos, uma verdadeira guru da sustentabilidade. Formada em Arquitetura e Gestão, conta com um percurso profissional que já passou por áreas tão diversas como o styling de moda, o marketing digital, a indústria farmacêutica e até o piano. É seu o projeto Do Zero, um programa de divulgação de boas práticas ambientais em muitas plataformas, que no próximo fim de semana promove a Cidade Do Zero, no Pavilhão do Conhecimento, em Lisboa. É lá que dias oito, nove e 10, sexta, sábado e domingo, vai nascer um espaço com workshops, palestras e um mercado, que pretende ser um ponto de encontro de pessoas, projetos e marcas que têm em comum um modo de vida mais sustentável, um verdadeiro evento imersivo que ensina e pratica a sustentabilidade de uma forma lúdica. Olá, Catarina, e bem-hajas por teres aceitado este meu convite. Bem-vinda ao Observador.

Olá, obrigada eu.

É um prazer estar aqui contigo. Eu falei que também o piano foi, levei-me por cima das aulas.

Dei aulas, foi assim que conheci meu marido.

Já lá vamos. Para já, estamos a falar de sustentabilidade, estamos a falar de boas práticas ambientais e aqui, no teu caso, é daqueles que se pode dizer, de pequenino se torce o pepino, porque tu começaste muito novinha.

Sim, comecei. Os meus pais sempre me incutiram, de alguma maneira, este esforço por respeitar as pessoas e o ambiente à nossa volta, embora de uma maneira quase inconsciente. Depois fui escuteira e isso, obviamente, molda um pouco.

Boas ações com o ambiente, também.

Exatamente. Mas como todos adolescentes ou como a maioria, não vou dizer todos, tive uma fase muito consumista na minha vida em que não queria saber nada disto.

Sim, faz parte. Mas com os pais professores também ensinaram-te essa, tudo isso. E já tinhas quatro ou cinco anos e já reciclavas, é incrível. O que na altura também não era, não foi há muito tempo, tu és nova, mas não era uma prática tão corrente como isso.

É, tem quase 30 anos, apesar de tudo.

Não parece.

A minha mãe sempre nos ensinou a fazer reciclagem em casa, que é uma coisa que na altura, na maior parte das casas-

Era uma novidade.

Sim, era uma novidade, só que como a minha mãe era professora, até de miúdos mais pequenos, o que fazia na escola, fazia em casa, fez-lhe imenso sentido, sempre. E a minha avó sempre nos ensinou a lavar sacos de plástico e pendurar no estendal.

Engraçado.

E tínhamos horta.

Reutilizar, claro.

Certo.

É um dos R famosos.

Exatamente.

E claro, tu tens agora uma filha gracinha, tem dois anos e meio, e ela diz-me que ela já faz coisas, já tem a consciência, já sabe waar pôr o vidro ali e o papel ali.

Sim, na verdade, ela sabe fazer reciclagem. Nós damos-lhe as coisas e ela vai pôr, às vezes, porque vê o que já lá está, outras vezes pergunta se é na esquerda, se é na direita, e vai percebendo. Nós não temos com cores em casa, dava mais jeito. Mas é giro, já vai fazendo algumas coisas.

Licenciaste e tiraste mestrado em arquitetura no Técnico, minha faculdade, grande faculdade.

Ah, que bom.

Enquanto trabalhavas em moda e davas também aulas de piano, tiveste o mestrado na Nova SBE, em Gestão, trabalhaste em styling de moda full time, numa empresa nacional. Depois fizeste um Erasmus em Milão, especializaste em marketing e digital business. É engraçado o teu percurso.

É meio louco.

Sim, louco, completamente louco, mas isso é bom, dá-te muita abertura pra muitas áreas.

Eu adoro, adorei a minha vida até agora.

E este teu mercado é giro, porque também tem muitas áreas destas. Tem cosmética, tem alimentação, tem decoração.

Tem um pouquinho de tudo.

É muito giro. E portanto, isso é importante. Trabalhaste também numa farmacêutica e mergulhaste no mundo da cosmética, é engraçado.

É, tu que achas. Eu gosto desta vida.

Exato. Descobriste na sustentabilidade a base da tua vida. Isto nasceu mais ou menos em que altura? Que foi aquele clique, que disse: "É isto."

O Steve Jobs dizia uma coisa muito gira, que era a vida é sobre ligar os pontos. E às vezes nós gostamos muito de uma coisa quando somos mais novos e achamos que isso não nos vai servir pra nada, mas de repente, há uma altura da nossa vida em que serve pra alguma coisa. E acho que a sustentabilidade ajuda-me a fazer isso, ajuda-me a ligar esses pontos todos da minha vida. É uma área muito abrangente, eu sempre fui meio justiceira. Também por causas sociais primeiro, mas por ambientais de seguida. A primeira causa, eu acho que em minha casa, era óbvio ser esta, era da maneira como se vê a deficiência na nossa sociedade, porque eu tenho um irmão com paralisia cerebral. Então eu fui meio justiceira e comecei a perceber que em todas as áreas havia esta necessidade de uma justiça diferente, de um equilíbrio diferente. E percebi que finalmente tinha encontrado uma espécie de um aglutinador para todas as outras coisas que eu gostava.

Que integrava todas essas áreas.

Sim, e na verdade, fui fazendo várias coisas ao longo da minha vida, lá está, os tais pontos. Os escuteiros, a minha melhor amiga tornou-se vegetariana e eu, na altura, revirei os olhos e pensei tipo: "Oh Maria, que parvoíce." Depois fui ler sobre o assunto e não me tornei vegetariana, mas gostei muito de ler sobre o assunto, na altura. Depois conheci meu marido, na altura era meu aluno de piano.

E foi assim, uniram-se pela música, o João, economista.

É, exatamente, o João economista e unimos pela música e pela poesia. Adorávamos os dois poesia, que é uma coisa não é assim tão comum encontrar apaixonados por poesia. E nós partilhávamos muito.

Infelizmente, é verdade.

Sim, nós partilhávamos muitos livros de poesia, muitos poetas, muita música.

As artes.

As artes.

O amor estava fadado a acontecer.

Exatamente.

Com essas artes, com a tal cola que é as artes.

A cola, o aglutinador. É isso que eu acho. Quando a vida é mais criativa, é muito mais feliz.

Exato. E até que um dia foram ouvir uma conferência da Beth Johnson, estamos a falar daquela franco-americana, da Zero Waste.

Guru, essa sim, guru.

Exato, a nível internacional. Tu, na altura, ainda, como tu costumas dizer, eras viciada em fast fashion, ainda não tinhas esta coisa do slow fashion.

Sim, não.

Já vamos falar mais depois, daqui a pouquinho, quando falarmos do mercado. Gostaste imenso da conferência, mas aquilo incomodou-te.

Incomodou-me um bocadinho. O João levou-me lá e na altura éramos amigos, a querer ser mais do que amigos, mas amigos. Eu pensei: "Eu não posso dizer-lhe que não. Tenho que sim."

Tem que cortar com isto.

Sim Eu sei que aquilo vai mexer comigo, porque vai me fazer repensar a minha vida e eu gosto demasiado de moda e do meu consumismo. Mas fui e revirei os olhos durante metade da conferência, mas aquilo ficou o bichinho. Eu gostei do que ouvi, mas pensei: "Isto é completamente inexequível pra qualquer pessoa que viva no século XXI".

Normal, digamos assim. Exato.

Sim.

Com vida normal.

Sim, aquilo ficou no meu cérebro, mas eu saí um bocado chateada com tudo aquilo. Pensei: "Bolas, que extremismo!". Eu estava é um bocado chateada comigo por não conseguir fazer nada, na verdade. Isto é um bocado caricato, porque depois ela disse que houve uma fase que passou que não usava papel higiênico e eu disse ao João: "Estamos na altura de sair. Nós saímos a meio".

Isso é que foi. E é engraçado, porque tu, por exemplo, já conseguiste integrar esses conceitos e já não usas.

Não, uso o bidê, que é muito mais higiênico, mais barato.

Mas ela voltou a usar, o que é mais engraçado.

Ela voltou a usar. Eu sou resistente.

É muito curioso. E tu tens uma série de coisas sobre isso. Em Portugal, utilizamos quase sete quilos e meio de papel higiênico por ano, por pessoa. E hoje em dia, isso se calhar mais, porque já há de duas, três e quatro folhas. Somente nós é que estamos a conversar sobre papel higiênico.

Exato. Não, mas tá tudo bem, é um tema giro.

Faz parte. Exato. Os 148 rolos de papel higiênico que cada português utiliza por ano, são 20 mil litros de água por ano no fabrico daquilo.

Sim, claro que se compararmos com a nossa alimentação, não é imenso, mas se pensarmos que nós podíamos reduzir isso para umas centenas.

Exato.

Porque a verdade é, nós desabituamos um bocado do bidê. Passou a ser aquela peça de decoração que existe em casa.

Exato. Já nem há, em casa nova.

Sim, há casas que não há. Mas há aqueles chuveirinhos, também, que se podem usar. Há bidés portáteis, garrafas com furinhos, serve tudo.

Usar sempre com os repostos e coisas dessas.

Sem dúvida. E há sítios no mundo em que é impensável não haver um bidê. Há países asiáticos em que-

É quase obrigatório ter

...nós dizermos que nos limpamos com papelinho, eles ficam a olhar pra nós como se fôssemos uns nojentos.

Exato.

E os meus pais diziam muitas vezes isso: "Ei, Catarina, pelo amor de Deus, tu vais à casa de banho, usas a água, não usas o papel higiênico. Se um pombo te fizer alguma coisa em cima, não vais passar o furinho, vais lavar".

Claro que acontece.

E é mais barato, mais higiênico, mais sustentável, porque gastamos muito mais água a produzir papel higiênico, pra além do abate das árvores, pra além do transporte do papel higiênico.

Do que gastaríamos com o chuveirinho, uma coisa.

Isso, água canalizada, estamos a falar de meio litro cada vez que formos.

Adaptação lenta. Tu és uma apologista da adaptação lenta, o que é curioso. Não és daquelas ferrânias, é isso que eu gosto nas tuas ideias. És uma apologista de mudar as coisas aos poucos. Normalmente, de uma só vez, dá asneira. Nós somos criaturas de hábitos. Portanto, é aquela coisa dos passos dos PPP, não é? Os três P's: poucos, pequenos, possíveis. Primeiro, deixaste de comprar moda descartável.

Ou às vezes reduzir, primeiro é reduzir.

Exatamente. Depois ligaste às compras que fazias no supermercado.

Isso.

As dietas, poupar água.

Devagarinho.

Foste por aí.

Sim.

Isso é muito curioso. Dedicaste muito mais a isso também, porque houve uma gravidez de risco, estamos a falar da Graçinha que estava a aparecer.

A Graçinha estava aí.

Obligou-te a ficar em casa, foi isso?

Sim, estive logo desde os primeiros três meses e meio, quatro, até quase ao final da gravidez.

Em casa?

Sim.

Confinada?

Sim, confinada. Pra mim, o confinamento foi-

Foi exatamente, peanuts.

Foi peanuts. Não, só que não, porque estava com uma criança já nascida.

Claro que sim. Mas aí tiveste tempo. "Estou este tempo todo, meses dentro de casa, vou investigar este assunto".

Sim, tinha muito tempo. Eu disse há pouco, eu fiz Arquitetura, mestrado em Arquitetura e depois mestrado em gestão. E a verdade é que eu ter feito estas coisas todas na minha vida e ter procurado muita coisa é porque eu sou meio nerd, não há outra justificação.

Gostas de aprender.

Eu gosto de aprender.

Estás sempre a aprender, pronto.

Certo, eu gosto de aprender, eu divirto-me a aprender. Então tive uma semana, mais ou menos, a chorar, comer chocolate e ver Netflix, e depois pensei: "Não, eu vou fazer disso alguma coisa que me acrescente à minha vida".

Exato.

E fui investigar mais a fundo alguns temas e fui percebendo que, de facto, é preciso ter muito tempo livre pra se descobrir algumas respostas e a maior parte das respostas é "depende".

Exato, é tão bom isso. E foi então, a partir daí, que nasceu o projeto Do Zero.

Foi.

Durante essa fase toda, digamos, que estavas em casa.

Sim, umas semanas antes da Graça nascer.

Projeto de comunicação pra sustentabilidade, do qual vai nascer essa cidade, que vamos já falar daqui a um bocadinho. Quanto mais investigas, mais percebes que não há só uma resposta pra essas questões.

Certo.

Mas é o tal "depende", que tu estavas a falar. Depende. Não é tudo tão claro como, por exemplo, garrafas d'água de vidro ou de plástico?

Depende. Se vamos reutilizar, se vamos só usar uma vez, se depois colocamos na reciclagem, se é de plástico reciclado, se é de vidro reciclado.

Porque há plásticos e plásticos, não é?

Sim, há plásticos e plásticos, há vidros e vidros, e há utilizações e utilizações. Imagine, eu hoje tive no hospital e não tinha levado a minha garrafa d'água comigo. Ainda bem que existem garrafas d'água descartáveis pra esses casos. Mas faz sentido que sejam, sendo de plástico, que é um material que em termos de produção tem um impacto a nível energético, a nível hídrico, mais baixo do que, por exemplo, o papel ou o vidro, muitíssimas vezes. Por exemplo, o vidro, pra se comparar ao plástico, tem que ser utilizado milhares de vezes.

Ok.

Portanto, se vamos mesmo usar pra descartar e é um SOS, então mais vale ser plástico. Ainda bem que já existem garrafas plásticas 100% recicladas e que depois até entram, às vezes, naquelas máquinas de garrafas circulares, em que dá pra tirar um talão e tudo.

Exatamente. Agora há, espalhadas.

Que vai diretinho pra reciclagem desse tipo de resíduos, então é bastante mais controlado. Há outros casos, eu prefiro andar com a minha garrafa atrás, simplesmente foi de urgência pro hospital. Aí é uma emergência. Agora, o que é que faz sentido? Geralmente, é reduzir a quantidade de coisas que nós usamos, qualquer descartável. Nós podemos e devemos reduzir os descartáveis no geral. A ideia é reutilizar.

A questão das palhinhas, por exemplo.

Depende.

De papel ou de plástico, ou de bambu. Já me disseram uma vez que a de bambu também é um custo energético grande, não é como as pessoas pensam.

A de bambu tem ocupação do solo. A ocupação do solo é um dos problemas que enfrentamos hoje em dia também no que diz respeito às alterações climáticas. Vem de muito longe. Quer dizer, agora existe bambu em Portugal.

Mas potenciável usar pra-

Sim, mas não é na escala que existe na China.

Sim, claro.

Mas sim, há a parte do transporte e tudo mais. E depois há a parte de ser poroso. Então, em termos de higienização.

Não é só isso, dizem que mesmo sendo de bambu, tem que levar uma camada finíssima de plástico

Não sei se é plástico, se é uma resina. Bem, não sei, depende. Pode ser uma das duas.

Não é só bambu.

Sim, há várias opções, mas, por exemplo, as palhinhas, trocar as de plástico por papel. Se falarmos dos sacos, que é o único estudo que eu vi de análise de ciclo de vida sobre isto, foi a comparativo com sacos. Também vi com copos, palhinhas é que ainda não. A comparativa é: os sacos de papel consomem quatro vezes mais energia e água a serem produzidos do que os sacos de plástico. Têm de ser usados quatro vezes até compensar. A palhinha de plástico eu consigo usá-las várias vezes, mesmo que seja descartável. A minha mãe, com o meu irmão, levava muito pra casa e reutilizava as vezes que fosse.

N vezes.

Exatamente. Nunca vi aquela senhora comprar uma palhinha na vida. Mas o papel tem a vantagem de não ser feito com combustíveis fósseis. Há aqui várias questões.

Várias variáveis em volta.

É, e se for parar ao oceano, não vai prejudicar nenhum animal, o papel, à partida. Tem aqui várias questões. A primeira é: será que precisamos de a usar? É que há pessoas que precisam, mas a maior parte das pessoas não precisa.

E muitas vezes não precisamos, e portanto, daí esta história do recusar. Educadamente, nos teus cursos tu diz isso, educadamente. "Ah, não, já tenho tantos lá em casa, pelo amor de Deus, já era mais uma." Há maneiras simpáticas de dizer isso, que as pessoas depois ficam logo, às vezes as pessoas ficam logo: "Não aceitou, a minha coisa." Podes levar a mal.

Sim, claro. Eu acho que nós sermos empáticos ajuda muito a explicar às pessoas.

E a convencer, claro que sim.

Sim, é só mostrar que não é nada contra a pessoa, não é nada contra aquilo que a pessoa sempre fez a vida inteira e nós não estamos a questionar a vida dela. Estamos só a dizer: "Olhe, eu não preciso, eu estou ok com isto." E acho que as pessoas até levam isto de uma boa.

É como banho de imersão ou duche rápido, também depende.

Se vai ser um duche de 15 minutos, em que vão gastar 150 litros d'água e um banho na banheira pequenina, em que gastam 50 litros, então mais vale os 50 litros. Se for um duche super rápido, a desligar a torneira enquanto pomos xampu e gel, então o duche provavelmente vai ser melhor, mas lá está.

Depende. Exatamente. Eu gosto imenso dessas coisas, porque dá pra pessoa perceber também e pensar com cabeça o que vale a pena e em cada caso ir analisando, obviamente. Ainda antes de irmos à cidade do zero, tenho duas outras perguntas pra ti e também falar deste teu blog e do que tens feito, do teu podcast e dos programas que tens feito, que é muito curioso. Mas, estamos em épocas de festivais. Como é que é? Copos descartáveis ou copos reutilizáveis?

Se vão efetivamente reutilizar o copo, é bom que seja reutilizável, ou seja, se pudermos trazer de casa o nosso ou se houver algum sistema que permita reutilizar os copos ao longo de vários festivais, que neste momento em Portugal não acho que esteja assim tão implementado, mas nesse caso, se ele for reutilizável, os reutilizáveis são boa ideia.

De um ano pra outro ou de um concerto pro outro.

Ou várias vezes, porque se quisermos fazer contas muito rapidamente, vamos imaginar um copo plástico descartável. Imaginemos que ele tem 2 g de peso. Um copo reutilizável, se calhar, tem 10. Então temos que usar pelo menos cinco vezes um copo reutilizável até compensar. Isto são contas por miúdos, quando não estamos a falar sequer do mesmo tipo de plástico. Se formos reutilizar, ele é boa ideia. Se formos descartar um copo que consome mais material, que a produção foi pior pro ambiente, não é nesse sentido.

Mais onerosa pro ambiente, digamos assim, para usar.

Exatamente. Que ainda foi transportado e de repente vamos usá-lo como se fosse um descartável, então essa ideia não é a melhor.

Exatamente. Muito bem. Aqui a propósito do teus, há três anos, há coisas que pra ti é importante. Combater o desperdício alimentar, por exemplo, é a poupança ambiental mais importante pra ti.

Não é só pra mim, é aquilo que a ciência nos dá como os factos mais consagrados, digamos assim. Há um projeto muito interessante chamado Projeto Drawdown, que faz uma contabilização carbônica de várias atividades do nosso dia a dia, e foi perceber, a nível sistêmico, onde é que havia a maior ação, que fosse efetivamente acionável no imediato, onde houvesse maior poupança de carbono. E o que descobriu foi que nós conseguiríamos, até 2050, poupar 90 gigatoneladas de dióxido de carbono pra atmosfera, só reduzindo o desperdício alimentar. E o desperdício alimentar, lá está, é uma daquelas causas justiceiras. É mau pra nossa carteira, é mau pro ambiente e é absolutamente injusto a nível social, porque nós temos pessoas a morrer à fome num país em que desperdiçamos.

Achas que coisas como os Refood e assim não ajudam?

Ajudam, claro que sim. Aquilo que nós verificamos a uma escala grande é, um terço de todos os produtos alimentares que estão a ser produzidos, cultivados, estão a ser deitados fora. Isto é um problema mais sistêmico, mais global. Porque nós, bem ou mal, a norte do Equador, há menos fome do que a sul do Equador, o que não significa que não haja, mas há menos. E o que é que acontece? Nós estamos a destruir comida na produção porque não está bonita o suficiente pra chegar à mesa. Quer dizer, que é comida que está ótima. Eu lembro perfeitamente, as minhas avós são do Fundão e eu tirava maçãs das árvores pra comer. E eram maçãs assim de 5 cm, que eram as melhores que já comi na minha vida.

Saborosas. Exatamente. Nós temos essa fruta feia, essas coisas também.

Exatamente, a fruta feia, o Refood. Certo, o To Good To Go, a Refood, tudo isto.

Já há uma série que viram obstão esse desperdício, que é muito importante. Então é uma fatura pesada, e portanto, que se deve combater. Também sempre ouvi dizer, Catarina, esta coisa do desperdício alimentar e do que se produz no Norte e não chega ao Sul, que é uma questão de distribuição, porque a Terra mais que dá pra todos os 7.000 milhões de habitantes do mundo.

Nós conseguiríamos dar.

É uma questão de distribuição, puramente. É desperdiçado, é deitado fora, excesso de produção, não é?

Nós neste momento teríamos capacidade pra alimentar toda a população que vai existir até 2100.

Tem é que ser uns 10.000 milhões, ou o que seja.

Sim, os 10, 11 bi.

Há mais capacidade de comida pra isso.

Há capacidade, mas está mal distribuído.

É um problema disso. Já a FAO falava muito nisso, há muitos anos que fala nisso. Há três anos que tu não compras uma peça de roupa, mais ou menos assim, a grosso modo?

Fast fashion, sim, há quatro quase.

E comer local, autóctone e sazonal. Isso é muito importanteEstas três coisas. Procurar coisas que sejam da época. Se for da época, não é morangos, que eu sei que não é da altura deles, mas estão com gelo, certeza. Gastaram o forno ou frigideira.

Ou coisas em estufa.

Ou maçãs que vieram da China, quando temos Golden.

Alface.

Ou Pera Rocha. E autóctone, coisas que sejam da própria terra. Um abacate é mais complicado.

Sim, o que acontece? Às vezes, quando nós estamos a introduzir espécies autóctones num clima onde ele não é favorável, nós estamos a consumir recursos extra, porque os nossos ecossistemas não estão preparados para.

Não é natural para aquilo.

Sim, é como chocolate. Eu adoro chocolate, mas produzirmos chocolate em Portugal é o meu pecado maior ambiental. Mas se produzíssemos chocolate em Portugal, ia ser um desastre a nível hídrico, por exemplo.

O chocolate é um alimento que tem um grande impacto ambiental, sobretudo a nível hídrico, mas para ti também é nível social.

Sobretudo social. A nível hídrico, bem ou mal, é produzido em países onde chove mais, tem uma umidade relativa mais elevada.

Tu sabes que há países onde há muita escravatura ainda associada.

Sim, há muito tráfico infantil, há muita escravatura. É uma indústria que aos dias de hoje ainda não está perfeitamente regulada.

E por isso que tu dizes que procurem chocolate que tenha o chamado certificado UTZ.

Sim, há o UTZ, o Rainforest Alliance, a Fairtrade.

Que estão mais certificados para não ser desses, como diamantes de sangue, aquelas coisas.

Exatamente a mesma coisa. Claro que não é infalível, mas é o melhor que nós temos.

A tua filha usou sempre fraldas reutilizáveis?

Sim, mas eu acho que esta é uma daquelas que não converso com quase ninguém.

Ao princípio as pessoas acham que nojo, mas eu lembro-me dos meus irmãos mais novos, era toda a vida, era de pano. Ao fim da outra dama está a andar e nunca ninguém tocava em nós. Era assim?

Foi curioso, porque eu disse aos avós dela, que estão muito presentes na nossa vida, que eu não ia obrigar ninguém a fazer. A minha mãe disse logo: "Mas não vais obrigar, como assim? Eu usei nos teus irmãos, eu posso dar as fraldas deles". Depois sou a única que não usou.

Portanto, eram de pano.

Eram de pano. E é uma daquelas coisas que assim que nós começamos a usar, as pessoas à nossa volta veem, o quê? É só isto? Porque é só isto.

Acham, fazem um bicho de sete cabeças.

Na verdade, é igual.

E tu dizes que eu, eu e o Fernando Henriques, tu até nos restaurantes, vais a uma casa de banho mudar a tua filha e as pessoas ficam mais tempo a lavar as mãos.

Ficam ao lado a olhar, do género, o que é aquilo? Olha que ela põe a fralda suja.

Gosto imenso também, vamos avançar com isto. Loja do Zero. Existe uma Loja do Zero. Ao princípio, tinhas poucas encomendas e os produtos que eu uso, tinhas no teu Instagram. E as pessoas começaram a encomendar aos 100, aos 200, e tu tiveste que fazer uma loja com esses produtos mais importantes e mais emblemáticos.

Sim, nós começamos com pouquinhos. Na verdade, comecei com uma estante no meu sótão, era eu e a minha estante. Eu disse ao meu marido uma coisa como: "Olha, eu recebo tantas mensagens todos os dias sobre quais são os produtos que eu aconselho".

E tu sempre a dizer a mesma coisa. Deixa-me publicitar.

Então eu pensei, eu vou usar isto como uma montra. E eu comprei na altura, eu rio-me ao contar esta história, porque isso é de rir. Eu comprei três unidades de cada produto, porque achava que aquilo ia ser meu passatempo de sexta-feira à tarde. Literalmente, achava. Eu nem sequer tinha pedido à transportadora recorrência. Eu disse: "Não, quando eu precisar, quando já tiver algumas encomendas, eu ligo-vos para vocês virem". O resultado, ao final de uma semana, tinham que ir todos os dias. E eu disse ao João: "Não estou a conseguir dormir, não estou a conseguir fazer nada".

É com ansiedade.

Nesse caso, era mais ansiedade.

Só pura e dura.

Mas sim, hoje em dia somos nove, uma equipa grande.

E já são às centenas as encomendas e as sugestões. Claro, é ótimo. Existe a Loja do Zero, isto pode-se sempre ver no teu site.

Sim, nós temos o do zero, que é www.do-zero.pt. E lá está a informação da loja, dos artigos, do podcast, da Cidade do Zero. Pomos tudo no mesmo sítio.

O podcast do Zero, aqueles programas que tu fizeste com uma ligação à IKEA.

Esse é só no YouTube, sim, mas está o link.

Alguns canais de televisão, que estreou na Fox, na Fox Life, na National Geographic, em setembro já do ano passado. Mas esta coisa do Começa em Casa, com estas dicas assíduas que tu ias inventando.

E agora temos um sobre turismo sustentável, também na National Geographic com a Volvo. É muito giro.

Pequenos gestos em casa são importantes e no teu site pode-se consultar isso. Fala lá dos vários R, do recusar, do reutilizar, repensar, e só no fim é que está esta reciclagem. Muito bem, são passos a seguir e para te seguir, que é importante. Cidade do Zero. Estamos a falar disto, quando é? Vai ser 8, 9 e 10 de julho, portanto próximo fim de semana. Sexta, sábado e domingo, das 10 às 19h.

Exatamente, às 19h.

No Pavilhão do Conhecimento, Parque das Nações, é um evento imersivo que ensina a sustentabilidade de uma forma lúdica. Vais ter pessoas, projetos, marcas e este tal mercado. No fundo, também é uma partilha.

A ideia é experienciar durante esses três dias ou o tempo que as pessoas forem e conseguirem ir, o que seria viver num mundo um bocadinho mais circular, mais inclusivo, mais sustentável, que vai a todas estas áreas sociais, áreas ambientais. Vamos ter não só mercado de troca de roupas, troca de livros, vamos ter zonas de reparação de calçado. As pessoas podem levar, por exemplo, se tiverem eletrodomésticos em casa que estejam estragados e que não consigam reparar, tem lá um sítio onde podem ser depositados, olião. Vamos ter várias ativações, depois vamos ter algumas marcas nacionais também que pensam a circularidade, a inclusão. Por exemplo, temos marcas de peças de roupa adaptadas para pessoas com deficiência, por exemplo. Temos marcas feitas por mulheres desempregadas, marcas de roupa também utilizando dead stock, cerâmica feita por pessoas do sistema prisional português como uma oportunidade de integração.

A Recheio, que esteve cá, o Eduardo Fonseca, exatamente.

E depois temos a parte que, para mim, é aquela parte que eu gosto mais, mas que percebo que também não seja o chamariz para a maior parte das pessoas, porque vamos ter muitos workshops, vamos ter muitas palestras, é a parte de educação. Eu acho que isto é engraçado, no outro dia perguntavam: é sobre as marcas e sobre a compra de coisas e sobre o consumo, ou é sobre as palestras? E, na verdade, depende. Há pessoas que a conversa sobre a inclusão é muito mais fácil de começar indo a uma banca da Vintage For a Cause e falar sobre o desemprego feminino, e falar sobre esse desperício têxtil, e falar sobre como é que estão a fazer este trabalho de incluir estas pessoas.

Na prática, como é que está a acontecer.

E há pessoas que é ouvindo uma palestra da Tânia Graça sobre empreendimento feminino e inclusão. Ou da Catarina, da Espécies Sobre Rodas, para toda a gente.

Muito bem, acessibilidade e inclusão, é este tema da Catarina Oliveira, ela é uma ativista que tem as Espécies Sobre Rodas, que falaste agora. Tânia Graça tu falaste também, a importância da educação e de empoderamento feminino. Catarina Salgueiro Pereira vai falar do que faz um ativista. Iron Brothers vai falar sobre a inclusão.

Que são os meus irmãos.

Ah, é?

São mesmo os meus irmãos.

Com as pessoas com deficiência, como é que se pode integrar no desporto. Muito curioso. Bruno Gonçalves vai falar de energia nuclear, já tem sido aqui falado também, neste espaço. O João Soutinho, o que é o carbono biodiverso, pode-se aprender aí.

Um projeto muito giro que temos em Portugal.

Podes aprender isso e não faço a mínima ideia, isto deve ser curioso.

É muito interessante o carbono biodiverso. É muito engraçado porque estamos a falar de um biólogo que está a fazer um projeto de mapeamento e conservação dos chamados gigantes verdes em Portugal São as árvores muito grandes. Têm um diâmetro tão grande que quando tentamos abraçá-las, um adulto não consegue.

Exatamente, tem que ser várias pessoas.

Sim.

Árvores monumentais.

Exatamente. E entretanto, ele criou uma associação, que é a Verde. Como é que se faz a contabilização carbónica, geralmente, de projetos que fazem compensação? É ao CO₂ e não contemplam a biodiversidade na equação. Como é uma variável diferente, de uma medida diferente, não convertem litros pra mililitros. É mais difícil. Então o que eles fazem é contabilizar toda essa biodiversidade nestes cálculos de carbono, que é muito importante, porque hoje em dia fala-se muito de compensação carbónica, mas muitas vezes ela é um bocado mal feita. E aqui temos uma perspetiva diferente.

Vai aquilatar os dados todos.

Sim, exatamente.

E outra coisa que li também numa coisa tua, que é a questão das florestas de algas. São das coisas que absorvem mais o carbono e não ardem.

Exatamente.

Por isso é uma grande vantagem, justamente por serem importantes.

São 10 vezes mais importantes, digamos assim, em termos de absorção carbónica a longo prazo.

Tu tens uma coisa muito bem organizada com dezenas de lojas e de marcas, é incrível. Como é que tu escolhes? Há algumas que chumbaram, que não couberam?

Houve muitas que infelizmente não couberam. Eu queria muito incluir o máximo de marcas possíveis. Porque nós temos muitas-

Várias coisas, coisas de casa, coisas de roupa.

Claro, alimentação, decoração.

Lavagem de sapatilhas, é incrível.

Sim, detergentes.

Reparação disto.

Cosmética.

Cosmética sólida e coisas do gênero.

Sim, e moda. É muito engraçado.

Slow fashion.

Exatamente. Nós em Portugal temos muitos bons exemplos de boas práticas ambientais no setor empresarial.

Só faltam é serem conhecidos, se calhar.

Só falta serem conhecidos, às vezes, e chegarem às pessoas.

E aqui junta os teus espaços, a pessoa tem uma panóplia, uma brochura de coisas ao vivo para escolher.

É experienciar.

Engraçado, tu chamas marcas nacionais que se destacam por um ou mais destes princípios, que é a produção ética, o impacto social, a circularidade, gestão de recursos e que trabalham com matérias-primas recicladas. Isso é muito importante, têm que cumprir pelo menos um desses critérios.

Não acho que não tenha nenhuma que só cumpra um.

Sim, pelo menos acumulam ou dois ou três.

Sim, porque geralmente as marcas que se interessam por um, interessam-se por vários.

Esta Ivory também gostei muito disto, marca de roupa que reverte pra causas sociais com foco na saúde mental. É outro problema importantíssimo.

É muito importante, sobretudo quando falamos de ambiente, porque eu sei que as pessoas também, se forem assistir às palestras, às vezes podem sentir-se um bocado assoberbadas, porque, de facto, a situação não está a parecer com bons olhos pro nosso futuro. E aquilo que eu quero é que as pessoas saiam de lá é com esperança e com mecanismos pra saber lidar com tudo isto.

Pra não desanimarem, pra não desistirem à partida.

Exatamente. Fazerem qualquer coisa bem é melhor do que fazer tudo mal.

Muito bem. Tivemos também aqui o Lobo Aparelho, também vai lá estar, o Bruno Pereira, que foi nosso convidado na sexta-feira, por causa do Project North. Também é uma slow fashion, como gostas aqui de dizer, como KC The Brand. Há vários. R. Coat também achei graça, uma marca de roupa feita com chapéus de chuva partidos.

Exatamente.

É curiosíssimo.

É muito engraçado, porque a Ana, que é uma das fundadoras, elas são duas, encontrava os guarda-chuvas estragados e pensava: "Este tecido está tão bom, só se estragou o mecanismo, ninguém faz nada com isto". Então ela começou a fazer gabardinas. E agora calções. Sim, eu tenho uma e ando sempre com ela, porque é superprática e de facto é tecido muito bom e muito resistente, porque está sempre em tensão quando usamos.

Tanta gente estragam-se as armações e nós lixo logo.

Exato. E ela tem em todo o país um sistema de recolha de guarda-chuvas montado, que ela até tem lá no site dela, pras pessoas poderem depositar. A nossa loja é um dos sítios que pode depositar, mas há milhares. E ela recolhe e depois faz as gabardinas.

A Maxi Leaf, uma marca de pijamas e homeware, de coisas de casa, nacional, com produção própria e justa, com materiais renováveis. Há muitas coisas que são com o chamado dead stock, são stock de fábricas que já não usam ou já não querem.

Exatamente.

E com isso aplica-se.

Usa-se pra fazer roupa.

Como a Purana, por exemplo.

A Purana, por exemplo, mesmo a parte de fora do nosso recinto vai estar com uns panos que são de dead stock.

Muito engraçado. A ReShape, falámos disso, aquela ReShoe também, fartamo-nos de rir, achei iríssimo. A ReShoe é uma oficina de reparação de calçado, especializada em limpeza de tênis, mas depois tu chegas a ter exemplos, estão aqui uns tênis velhos, branquinhos, já não foram da mão.

Na verdade, esse foi dos meus posts mais vistos. Eu não sei como. Tirado com o telemóvel em dois segundos, mas sim, eles transformaram.

Saber que existe esta ReShoe é incrível, porque as pessoas não fazem ideia disto. E depois há também outras coisas, por exemplo, a Gleba, é uma padaria que usa trigo de barbela.

Trigo de barbela, sim. E faz a moagem, faz a fermentação lenta. Eles recuperaram, digamos assim, o trigo de barbela e tornaram-no mais acessível e mais conhecido pro resto das pessoas. E fazem o pão de fermentação lenta, eu adoro o pão deles, sou suspeita, mas de facto têm um trabalho muito interessante.

Tão sempre curioso. Adorei a Sosostore, brinquedos de madeira inspirados em provérbios portugueses.

São lindos. O elefante na sala, eu tenho em casa. O elefante na sala é uma daquelas coisas pra prender os livros. Em que é um elefante.

Que encosta.

Sim, e é lindo, é uma peça de design linda e vem atrás de um provérbio, é linda, maravilhoso.

É giro. Também vai lá estar a 55+, que nós tivemos aqui a Helena Duran em maio passado, essa associação que ajuda a empregar pessoas desempregadas com mais de 55 anos. Aliás, vão estar lá umas costureiras.

Vai lá estar.

Exatamente, a trabalhar e a salvar roupas.

Exatamente, a fazer pequenas reparações. Se tiverem roupas com uns botões descosidos, uma bainha que está desfiada, alguma coisa que precise de uma pequena reparação, podem levar e vão ter o valor muito simbólico lá pra fazer a reparação.

Muito bem.

E depois de virem às palestras e workshops, voltam a ir buscar a peça de roupa.

É engraçado, tu usas muito coisas também de segunda mão e de vintage, imensas lojas assim, e depois dizes: "Este casaco lindo, estão a ver? Isto foi 3 €".

Exato.

Paguei uns 3 €.

É, porque lá está.

As pessoas não têm noção.

Vamos ter a My Cloma com roupa em segunda mão de adultos e vamos ter a Second Hand Baby Wonderland com peças de roupa de criança em segunda mão e a Not Real Love também em segunda mão. E depois temos o mercado de troca, por quê? A sustentabilidade, isto é muito engraçado pensar em marcas inclusivas e éticas, mas muitas vezes são mais caras. Pra quem pode comprá-las, é uma boa opção, mas a melhor opção é reutilizar também o que já temos. Então nós queríamos dar opção pra todos os preços, pra quem quer trocar e ter peças a custo zero, pra quem quer comprar roupas em segunda mão, que se encontra roupas Peças lindas a €1, €2, €3, €5. E depois temos o resto das marcas, que são peças novas, às vezes feitas com dead stock, portanto é mais ou menos novo, ou com materiais reciclados.

Exato. Isso é uma coisa que os freeports, são os outlets, que já não é moda que foi de há seis meses, mas é maravilhoso.

Na verdade, eu acho mais interessante porque estas marcas vão a fábricas buscar rolos de tecido que não eram delas, portanto foram outras marcas que os desperdiçaram. Aqueles rolos ou iam ser desfeitos para fazer enchimento de alguma coisa ou iam para o lixo, e elas vão utilizar para fazer uma peça efetivamente boa. Portanto, acho muito interessante.

E é como os livros também, o mesmo preço dentro dos livros, como a Djalu, por exemplo, em Cascais, que é um bocado disso. Fui lá comprar livros maravilhosos por €1.

Exatamente.

E deixei imensos também.

Sim, lá também vamos poder trocar livros, mas é troca mesmo, não vamos ter venda.

Ok. E o outro ainda por cima, como é para reverter para a Soma 21, é importantíssimo. É muito bom. Mas continuamos a falar aqui de alguns exemplos muito curiosos. É engraçado porque tu também, a organizar isto, Catarina, a produção também procuraste que tivesse o menor impacto possível. A questão dos andaimes e os tecidos todos, também é dead stock de empresas, de fábricas.

Os andaimes foi um desafio. Desafiamos os arquitetos, o Vasco Lima Meyer, a fazer uma estrutura que permitisse ter as bancas todas e as entradas e fechar o recinto, mas que fosse só reutilizados. E eles lembraram-se dos andaimes das obras, que vai ficar lindo.

Os tecidos são de dead stock também de fábricas nacionais, as compensações de emissões do evento, o estacionamento de bicicletas, tudo isto é pensado. E esta parceria com a Go Parity também é muito importante.

É muito importante. O bilhete de um dia custa €3. Também quisemos que fosse um valor simbólico. O lucro da bilheteira vai reverter para causas de impacto social e ambiental em Portugal. Isto para nós não tem qualquer fim lucrativo. E o bilhete de três dias são €5 e a Go Parity juntou-se a nós para que todas as pessoas que comprassem o bilhete de três dias, lá no evento vão ter com eles, há uma bancada que está logo ao pé da entrada, e eles dão €5 de investimento de impacto na aplicação, que é uma aplicação de investimento para projetos de impacto. É incrível. Aí a pessoa fica quase com custo zero do bilhete.

Já se saberá que esta parceria com a Go Parity dá a cada visitante que escolha o bilhete de três dias, então o valor total do mesmo para ser investido em projetos de impacto ambiental ou impacto social.

Exatamente.

Muito importante. Está a ser uma dor de cabeça organizar isto tudo, ou não?

Está a ser. Tenho que confessar que está a ser uma dor de cabeça, mas vale a pena. Vai valer a pena.

Adorei o teu poster que dizias: "Vantagens de ir: estamos longe das praias que vão estar cheias de gente, temos gelados ótimos, sodas feitas em Portugal, está tudo à sombra".

Sim, porque o pavilhão faz uma espécie de pala. Não é pala, mas a parte de cima do pavilhão faz sombra para baixo.

E é na parte de...

Sim, é na parte exterior e na parte interior. Temos as duas partes. A parte interior está fresquinho, que é espetacular. Um sábado com 36°, eu não me vou enfiar numa praia, de certeza. Então acho que conosco ficam em ótima companhia. E sim, temos muita zona coberta, temos muitas atividades para os miúdos também, que é importante.

Claro que sim, tens os miúdos também lá.

Toda a gente é bem-vinda.

Podem vir com as famílias inteiras. A acessibilidade e inclusão também está pensada, obviamente, é oferecido o bilhete ao acompanhante de pessoas com deficiência.

Exatamente, sim.

E se for preciso, haverá tradutores de LP, língua gestual portuguesa, para quem quiser.

Sim, tem só de nos enviar um e-mail rapidamente.

Para mercado@do-zero.pt. Para saber tudo. A programação mais completa dos workshops e das palestras pode ser vista neste www.do-zero.pt.

Exatamente, só há um separador chamado Cidade do Zero.

Cidade do Zero, e aí consegue-se descobrir. Já falavas também nos bilhetes e sabemos já que não tem qualquer fim lucrativo. Esta totalidade do lucro reverte para as associações nacionais de impacto social e ambiental. É a primeira vez que se faz?

É a primeira vez, sim.

Mas sabes que conforme o sucesso que tiver, agora vais ter de certeza, estás preparada para o ano que vem deixar um bocadinho os dias de férias.

Mais ou menos. Isto é uma libertação da vida pessoal muito grande, mas não faço mais nada há uns meses. Mas vamos ver como corre isto, até porque é bom ir até outros sítios do país também.

Isso também era engraçado depois fazerem outros polos.

Sim, porque é tudo em Lisboa. E depois a malta que não é de Lisboa fica sempre um bocado triste.

E com razão. Muito bem. Catarina Barreiros, nós não temos tempo para mais, mas quero-te agradecer muito a tua disponibilidade em vir aqui. Oxalá seja um sucesso esta Cidade do Zero.

Obrigada.

E continues sempre com este projeto do zero, que afinal dá tantos milhões, dá tantas ideias boas, dá tantas coisas importantes para o nosso futuro e para o futuro do planeta e, no fundo, de todos nós. E é assim em primeiro lugar.

Exatamente. É isso.

Um grande beijo e obrigado por teres vindo.

Obrigada.