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É já este sábado que decorre todo o dia na Aula Magna, em Lisboa, a segunda edição do 3 Milhões de Nós, um fórum de discussão de jovens para jovens, desta vez em torno do tema "Está nas tuas mãos". Através de testemunhos curtos de pessoas marcantes e de mesas-redondas e debates, propõe-se interpelar os jovens sobre as grandes inquietações do momento e procurar soluções para o futuro. Comigo está Tiago Pinto Coelho, designer e professor, que vai ser um dos apresentadores deste evento. Olá, Tiago, e bem-hajas por teres aceitado este meu convite. Bem-vindo ao "Observador".

Olá, boa noite, eu é que agradeço.

É um prazer estar aqui contigo. Tiago, falarmos de uma iniciativa dirigida a jovens de todas as idades, origens e religiões, mas todos de boa vontade. Tenho de assinalar a coincidência desta data em que conversamos, que afinal tem muito a ver com o que tu trazes aqui. O 1º de novembro é o dia em que todo o mundo celebra o Dia de Todos os Santos. Uma data que começou por se comemorar na Inglaterra no século VIII, portanto, estamos a falar há 1400 anos, o dia em que se faz memória de santos anônimos, que não são os que estão nos altares e que no fundo são todas as pessoas de toda a história, de todos os países, de todas as raças e confissões, que passaram por este mundo a fazer o bem, a ser amigas, a amar. E por isso é muito importante exatamente vir falar destes três milhões de nós. A propósito disto do passarem por este mundo, vida, amar, eu lembro sempre de uma carta extraordinária que recebeu um amigo meu padre. Recebeu uma carta de uma freira, porque ele ia fazer conferências ou sermões ou homilias por esse país fora. Recebeu uma carta de uma freira a dizer: "Senhor padre, adorei o que veio cá fazer". Isto era no norte, não sei onde. "E oxalá continue sempre a fazer amor por esse país fora". Ele riu-se muito. Eu ri muito com esta carta. Mas a ideia é essa. Tu és designer, formaste-te no IADE, tiraste depois um mestrado em Design de Produto e depois um mestrado em Ensino, se não me engano, de Artes Visuais. No fundo, oficialmente, és um professor de Educação Visual e Artes Visuais.

Exatamente.

Muito bem.

Oficialmente.

Como freelancer, trabalhaste numa agência de comunicação de eventos, e isso também é bom, porque é o que estás a fazer aqui.

Sim.

Vieram comunicar um grande evento.

Outro estilo de evento, mas sim.

Exatamente. Porque até há sete, oito anos, entraste então numa escola, na Escola Pedro Rup, onde desde então és professor do quinto ano.

Exatamente.

Mas é professor no ensino especial. O nome não devia ser tutor?

É professor tutor, exatamente. Sou professor tutor, mas sou professor também de Artes Visuais, sou professor de quinto ano. Sou professor de várias coisas neste momento.

Exato.

Porque, de facto, o modelo em que trabalhamos-

É diferente do clássico, básico.

É diferente do clássico. Sim.

As vossas aulas estão divididas numa espécie de ilhas, onde há uma série de alunos, um número de alunos à volta, e é um bocadinho a escola do futuro. Estão a ensaiar um modelo que foram ver como é que se fazia lá fora.

Sim, começámos já há uns anos esta caminhada. Fomos vendo várias coisas que já têm acontecido, inclusivamente noutros países. Inclusivamente algumas mudanças que já estão experimentadas, testadas e em que já, de facto-

Visitaram escolas.

Provas dadas, visitámos escolas e começámos também o nosso caminho de mudança, começámos a construir o nosso projeto e demos assim há três anos, sensivelmente, três, quatro anos, este salto definitivo para um modelo novo, nosso.

É curioso, porque tu dizes isso, porque eu já tenho tido aqui no Convidado Extra, Tiago, convidados como o Jorge Rui Cardoso, o Pedro Patacho ou o Rui Correia, professores que falam muito neste modelo, ou como a Escola da Ponte, por exemplo, que segue este modelo finlandês, ou aqueles casos de sucesso em Cingapura. E todos dizem que esta coisa do modelo atual escolar está obsoleto, do aluno passivamente sentado a olhar para um quadro, todos voltados na mesma direção do ilustrado. É uma coisa um bocadinho ultrapassada, porque as pessoas têm, conforme o sentimento que têm, conforme a velocidade de aprendizagem, é diferente de pessoa para pessoa, os temas e tudo. Mas como é que vocês conseguem encaixar isto?

E a escola hoje em dia já não tem que responder às mesmas coisas que tinha que responder há uns anos atrás.

Exatamente. Mudou muito.

Quando um aluno sai da escola hoje, sai para um mundo completamente diferente daquele para onde saía há 10 ou 20 anos. Não é preciso ir muito mais longe.

A própria escola é diferente.

Exatamente.

É multicultural hoje em dia.

Exatamente.

As horas são diferentes, as solicitações, as redes sociais, tudo isto influenciou e mudou muito.

E tudo isto hoje em dia muda a uma velocidade muito maior. Eu saí da escola há, já não sei há quantos anos, eu tenho 34, mas quando saí, claramente-

O teu último mestrado foi há quatro anos, o teu mestrado em Ensino foi em 2017.

Exatamente. Talvez um bocadinho mais.

Ok.

Não, exatamente, está por aí. Agora, quando acabei.

Sim.

Mas, de facto, até parecia-

Era outro sistema, outra coisa.

Era outro sistema, era outro mundo, era outra coisa. De facto, hoje em dia o mundo anda a uma velocidade tão grande que eu acho que também temos que preparar as crianças e os nossos alunos, neste caso, para serem muito mais flexíveis, para serem muito mais capazes de se adaptar, de ter um pensamento crítico. Hoje em dia somos bombardeados com informação a toda hora. Que há 10, 15 anos, apesar de tudo, não éramos desta forma.

Com tudo o que de bom e de mau isso tem.

Exatamente. Sem dúvida nenhuma, há coisas ótimas.

E há que saber gerir isso e processar essa informação.

Por isso mesmo é que é preciso ensinar a tirar as coisas ótimas desse excesso de informação que temos hoje e, ao mesmo tempo, ensinar a conseguir filtrar e perceber.

Esta escola, portanto, há uns três anos que isso já está implementado no terreno, nesta Escola Pedro Rup, que fica ali bem perto de onde vai ser as Jornadas Mundiais da Juventude, daqui a dois anos.

Exato, em 2023.

E depois isto, ali naquele sítio, estas aulas já são diferentes, têm estas ilhas, não há tudo cadeiras voltadas para o mesmo sítio. Em cada sala depois está dois ou três professores e as matérias são diferentes.

Sim, nós temos, no fundo, é um pequeno open space, com 10, 12 ilhas de trabalho de quatro alunos cada uma. E temos ali cerca de 40 a 50 alunos.

Eles têm umas metas.

Sempre acompanhados por dois ou três professores, e depois eles tambémTêm um guião de trabalho para três, quatro semanas, no máximo. E cada um vai seguindo esse guião de trabalho, que tem momentos de trabalho individual, momentos de trabalho cooperativo e, sobretudo, todo o guião é montado à volta desta palavra-chave da interdisciplinaridade. Tentamos que muito raramente trabalhem uma disciplina sozinha e de forma isolada. Tentamos sempre que se liguem as várias áreas do saber, os vários conhecimentos e as várias competências que eles estão a desenvolver, até para que ganhem significado maior.

Exatamente. E, portanto, não têm a aula de matemática e aula de geografia.

Eles continuam a ter aulas de horas, de aula disciplinar, semelhante a um modelo mais tradicional, entre aspas, mas muito menos horas. Eles continuam a ter duas ou três horas de matemática, duas horas de português, duas horas de inglês. Varia também consoante os anos.

Eles também têm de cumprir os programas, os exames certos, as disciplinas certas.

Claro, a avaliação externa é igual para todos. E o currículo é igual para todos. O que tentamos é, de facto, criar o grosso. O horário deles é ocupado por esses guiões de trabalho, onde eles estão a trabalhar todas as disciplinas. E depois, aqui e ali, vão tendo algumas horas disciplinares, de trabalho disciplinar, com um professor de uma disciplina específica e só com metade desse grupo. As nossas salas são muito flexíveis, são todas em vidro, têm uma divisória que se pode recortar a sala ao meio e ficar com dois grupos de 25. Na verdade, eles nessas horas acabam por estar divididos com um só professor de uma disciplina específica a trabalhar essa disciplina. Porque há coisas que continuam a ter que ser aprendidas também, ouvindo e escrevendo.

E ao longo destes três anos é uma aprendizagem constante também para vocês. Vocês não nasceram neste tipo de aprendizagem, portanto, estão também a aprender com eles e vão acertando de ano para ano.

Sem dúvida. Nós aprendemos.

As agulhas, afinando as agulhas.

Temos, às vezes, mais resistência e dificuldade, nós professores, do que os alunos. Os alunos muito facilmente entram nisto, até porque hoje em dia os nossos já não conhecem outra escola. Mas para nós, sim, sem dúvida, isto tem sido um processo constante de criação, de implementação e observação daquilo que vamos criando, no fundo, a ser feito, a ser realizado pelos alunos, e depois de avaliação e afinação. Isso é o nosso dia a dia desde há uns aninhos para cá.

Isto promove também a autonomia dos miúdos, que é muito importante, para eles proporem espontaneamente metas e o que querem aprender. Isso também é muito curioso. Mas há manuais, vocês têm que fazer manuais.

Nós não fazemos manuais, nós temos uma plataforma online onde vamos criando e colocando o nosso conteúdo.

Ok. Portanto, eles têm iPads ou coisa assim, é isso?

Eles usam computador portátil. Um portátil e um dossiê, no fundo, é o material deles. Eles escrevem imenso, isto é importante sempre dizer.

As pessoas não ficam só ligadas aos dedos.

Não, escrevem imenso com a caneta no papel, normal, como sempre. Só que depois usam o computador para consultar informação, para pesquisar, para produzir produtos.

Isso também é uma coisa curiosa, porque estas soft skills são coisas que muitas vezes não se aprendem na escola: ensinar a estudar, ensinar a tirar nota, ensinar a citar, ensinar a falar em público. São pequenas coisas que também este modelo leva.

Descobrir, gerir, aplicar a informação que vamos encontrando, claro que sim.

Foi um extra, mas também no fundo estamos a falar de jovens. Foi um bônus falar desta escola. Pedro Rui, tu estás neste modelo todo novo, ensaiado e já implementado, já não é só um ensaio. Ninguém é culpado de nada, vocês já estão a fazer uma coisa séria, que deu provas e que continua a dar e é incrível. Tu foste sempre muito voluntário, foste animador do Descobridores, por exemplo, em Ferreira do Zêz, que são campos de férias para crianças e miúdos, normalmente mais com dificuldades sociais e económicas. O Just a Change, também colaboraste nesta organização que repara casas que é preciso reparar por esse país fora. A Missão País, onde estiveste também, por exemplo, no Alentejo, em Vidigueira, em 2013. Banco Alimentar, também fizeste algumas campanhas do Banco Alimentar. Hoje em dia és animador do grupo de jovens da Verbum Dei, no Campo Arantes, e estás na organização também das Jornadas Mundiais que vão acontecer agora em 2023, ali ao pé de onde dás aulas, não vais para longe. E depois também estás nesta equipa do 3 Milhões de Nós desde a sua fundação. Na parte do desporto, além de ser um sportinguista ferranho e com muita honra, és também treinador de râguebi, é mais uma coisa que tu fazes, de sub-14, miúdos pequenos.

Miúdos, também.

É mais uma área que dás aulas também. Não foge muito daí.

Sim.

E tiveste um maravilhoso pedido de casamento em plena peregrinação a Santiago de Compostela.

Que as pessoas descobrem, é verdade. No fim do Caminho de Santiago.

É engraçado, e a esposa de alguém, que era tua namorada na altura, e que não fazia ideia, e levavas duas carteiras.

E levava duas carteiras, uma só com o anel, exatamente, e passei o caminho todo a suar, não era do calor, era dos nervos de andar ali com o anel.

E depois quando chegaram à catedral, aí é que foi, e ela não estava mesmo à espera.

Não estava nada à espera.

Pediste em casamento.

Sim.

Estamos a falar há quatro anos, casaram há três.

Estamos a falar há quatro anos, casamos em 2018, no ano da primeira edição do 3 Milhões.

Exatamente. E ela também faz parte da equipa, como tu, do 3 Milhões de Nós. Estamos a falar então deste evento. 3 milhões por quê?

Três milhões, porque é sensivelmente o número de jovens que temos em Portugal.

Até aos 25, é isso?

Até aos 30. Atenção, o número nós fomos buscá-lo na criação do projeto, isto em 2018, não consigo garantir que neste momento é esse o número. Mas em 2018, andávamos perto dos três milhões de jovens abaixo dos 30.

São o futuro e por isso é apontado para eles. E de nós, porque todos, no fundo, aprendemos uns com os outros.

E porque queremos muito que o evento também parta dos jovens. Isto não é uma coisa construída para os jovens, é uma coisa construída por jovens, alguns com mais idade, outros com menos idade, mas efetivamente é um evento muito jovem desde a sua raiz, desde quem o organiza até a quem se destina.

Isto é feito por jovens e para jovens, mas não só.

Mas não só.

Pode vir quem? Educadores, pais.

Nós, na primeira edição tivemos, eu arriscaria dizer aqui, quase dos oito aos 80. Nós tivemos de tudo. E isso é muito bom, porque de facto, aquilo que queríamos era oferecer um dia para pensar a juventude, para pensar os jovens, para olhar com o olhar dos jovens. E se calhar, há tanta gente mais velha que tem e que está implicada com os jovens no seu dia a dia, seja porque é educador, professor, avô, pai, mãe, tia. Quer dizer, há tantas formas de termos uma implicação direta na vida dos jovens que é muito difícil que haja alguém que não encaixe nestes nós para quem este evento serve.

E há outra coisa, Tiago, nós falamos aqui de algumas organizações católicas, e isto é organizado por uma organização católica, mas pode ser uma coisa também não confessional, não é necessariamente organizado para pessoas católicas. Vocês tiveram provas disso.

Nós fizemos questão, tivemos um painel inclusivamente sobre espiritualidade, porque essa é uma dimensão do ser humano. E tivemos gente a falar de espiritualidade e da forma de viver a espiritualidade. Tivemos uma representante da comunidade ismaelita aqui de Lisboa, tivemos um representante de alguém que vive a espiritualidade sem fé, foi o Ricardo Araújo Pereira. Tentamos abrir sempre o leque de testemunhos e isso temos tentado sempre, abrir o leque de testemunhos para dar as várias visões e as várias formas de viver cada um dos temas que vamos propondo. Faz parte de uma organização católica, é verdade, mas não se destina.

A Família Missionária Verbum Dei. Mas é um evento para todos, não tem uma agenda política, ou não tem uma agenda religiosa, concretamente.

Não tem nem política, nem religiosa.

Espiritualidade, não necessariamente católica.

Espiritualidade como uma dimensão do ser humano.

Porque é algo que faz parte do ser humano. E é muito importante. Também às vezes dizem que vocês criticam um bocadinho quando se diz: "É um congresso de jovens ou para jovens", mas não é bem um congresso.

Não é bem um congresso.

Porque isto são pequeninos testemunhos, que vocês limitam o quê? Cada pessoa vai falar 12, 15 minutos, no máximo. Ouvem uma série de testemunhos sobre vários painéis, já lá vamos.

A ideia é que o dia seja muito envolvente, ou seja, de facto, não é um dia de conferências, não é um congresso para jovens. Porque nós até no início, antes de começar a primeira edição, a sensação que tínhamos é que tínhamos feito um bom trabalho na preparação, tínhamos organizado uma coisa que era boa, que tinha valor, que ia ser efetivamente uma mais-valia para a nossa cidade e para os nossos jovens, sem dúvida nenhuma. Nessa altura, talvez ainda fosse na nossa cabeça um dia de congressos, um congresso, um dia de conferências. Mas a verdade é que quando aquele dia acabou, em 2018, depois desse dia, aquilo que nós sentimos e aquilo que nos fizeram chegar aqueles que lá estiveram, o feedback que tivemos, é que o que se passou ali foi muito mais do que isso. Ou seja, nós ali acabamos por ter um dia verdadeiramente de encontro, um dia onde as pessoas puderam parar, puderam olhar para várias perspectivas dentro de uma série de temas e nós, se calhar, no mundo em que vivemos, temos tão pouco tempo para parar, que eu acho que viveu-se ali uma coisa diferente. E depois fizemos questão sempre de deixar espaço para que as pessoas possam falar, se possam exprimir, possam dialogar entre elas. Tivemos e vamos ter. Vamos manter esse modelo de conferências pequeninas, talks pequeninos de 10 a 15 minutos, de testemunhos muito variados.

É um tempo curto. Quando são oradores que enchem a sala, a gente gostava de ouvir mais.

Não, mas o objetivo é que seja um tempo curtinho e depois salvaguardarmos algum tempo também para coffee breaks, almoço. Isto não é só uma questão logística.

Isto passa-se das...?

Isto passa-se das 09:00 às 16:00, 17:00 da tarde.

Tudo seguido. Mas depois com coffee break de manhã, coffee break à tarde e almoço.

Temos um coffee break de manhã, um à tarde e almoço, tudo oferecido por nós, porque nós queremos criar esse espaço. Esse espaço de encontro faz parte daquilo que nós queremos proporcionar naquele dia. E para nós, e na nossa cabeça, não é opção ir almoçar a casa, porque nós estamos a perder uma das partes mais importantes daquele encontro. Nós não realizamos o evento em 2020 via Zoom, como tivemos para fazer, porque sentimos que uma parte fundamental do nosso evento, que se passava nessa altura, na altura em que as pessoas se exprimem, trocam ideias, falam daquilo que ouviram.

Que era o almoço.

Que era o almoço, os coffee breaks, essas paragens, e isso era impossível de replicar. Então perdíamos aquilo que é a essência e o ADN do nosso evento.

Realmente muita gente, muita coisa aconteceu em Zoom durante o ano passado.

Exatamente. E nós estivemos quase para também aderir a isso, mas depois sentimos que esse não era o nosso ADN.

A ideia é ser bienal?

Sim.

Era para ser em 2020, agora foi em 2021, mas voltará depois quando for o ano da jornada.

Nós agora estamos a--

Ou vão aceitar o passo como os jogos olímpicos.

Essa é uma decisão que estamos a deixar para depois do evento. Uma coisa já temos como adquirido, que na primeira edição não tínhamos, é que depois desta queremos fazer mais. Isso sim. Nós percebemos no final da primeira edição que isto foi mesmo muito bom.

Pois, é que era um evento que era preciso organizar, organizámos, depois pensámos: "Não pode ficar só nisso".

Aquilo era para ser um, mas com aquele feedback que fomos recebendo, aquilo que sentimos é que não pode ficar por aqui. Um crime desperdiçar aquilo que temos, o potencial que temos numa equipa como a que felizmente conseguimos reunir.

Quanto vocês são para aí o quê? 80 voluntários?

Não, nós somos, na organização, ao longo destes anos, e a trabalhar para isto, somos cerca de 20 e tal pessoas, entre 20 e 30 pessoas. Depois, no dia temos um reforço muito grande de voluntários que se inscrevem para ser voluntários naquele dia. Portanto, naquele dia temos cerca de 100 pessoas a trabalhar ali. Sim, como voluntários.

É preciso dizer que isto foi em 2018, aconteceu em 2018, esta primeira edição, em 10 de novembro de 2018. O tema vai mudando sempre, isso é inteligente, é bem feito. "Que futuro para os jovens?" era o tema. 1800 pessoas foram vos ouvir durante aquele dia, durante aquele sábado, e deixaram-se inspirar pelos vossos oradores, pelos vossos temas. Eram 27 oradores. Os resultados foram muito bons. A Aula Magna estava lotada, das 09:00 até às 18:30.

Estava superlotada.

Superlotada? Quer dizer que havia gente nos corredores e sentadas.

Tinha gente nas escadas, sim. Que eram 1800 pessoas na Aula Magna, mais umas centenas via YouTube.

Diz que houve milhares de visualizações online.

Sim.

A segunda vez então era para ser em 2020, mas a pandemia, claro, adiou estes planos. Mesmo assim, foi curioso, porque eu vi depois também no YouTube, há um vídeo teu a dizer: "Eu estou aqui nesta sala". Nessa sala vazia, está bem feito.

Em 2020.

Era para ser aqui hoje, dia nove.

Sentimos que não fazendo o evento, tínhamos que dizer alguma coisa, porque tínhamos anunciado o evento para 2020 e fomos gravar esse vídeo a assinalar a data e no fundo a relembrar que continuamos vivos, queremos fazer isto, e este ano não há, mas para o ano cá estaremos.

Muito bem. Nós, Tiago, temos que ter aqui um brevíssimo intervalo. Já voltamos para falar contigo e continuar. Queria falar um bocadinho do que foi desta lembrança da primeira edição e depois então falar da nova que aí vem. Já voltamos à conversa. Até já. Estamos a conversar com o Tiago Pinto Coelho, um dos apresentadores da segunda edição do 3 Milhões de Nós, um fórum de discussão de jovens para jovens, que decorre já este sábado, no dia 6, na Aula Magna, em Lisboa, em torno do tema "Está nas tuas mãos". Portanto, Tiago, estávamos agora aqui a falar da primeira edição, que aconteceu já há três anos. O tema era este: que futuro para os jovens? Foi com esta pergunta, no fundo, é com uma boa pergunta que começa uma boa conversa. E assim foi, foi assim que aconteceu. Vocês além daqueles deste programa, eu estou aqui a olhar, a passar os olhos por este programa, onde falava, abria o período do campo grande, o padre Hugo Gonçalves, depois o presidente da Junta de Freguesia de Alvalade, depois o Nuno Saraiva, e depois havia vários painéis, digamos assim, "Eu e os outros", onde falava a Inês Resendo, o Paulo Homo, médico pediátrico, que já foi, aliás, também convidado algumas vezes, e o Zé Rio Quintela, por exemplo, que falava dos conflitos entre gerações. E a Ana Oliveira, os valores essenciais das relações humanas. Eu com os outros. Esta questão dos valores é uma coisa muito premente e é uma coisa que nos norteia um bocadinho também.

Sim.

É uma das coisas que vocês têm muito presente, esta questão de valores e para a juventude, que há quem diga que a juventude está perdida, há sempre os velhos do restelo que dizem isso.

Não, nós acreditamos que não. Não só não está perdida, como são eles quem são o garante da continuidade dos nossos valores, da nossa cultura, daquilo que nós somos enquanto povo, enquanto portugueses. Esse é sempre um ponto que fazemos questão de ter presente de várias formas e com várias abordagens. Neste caso, começou logo por aí. Os nossos valores naquilo que diz respeito à família, àquilo que diz respeito à nossa relação com as outras gerações, às relações entre nós, por exemplo, e isso foi uma coisa interessantíssima também que foi falada nesse painel. As relações entre os jovens nas redes sociais. Como é que isso também vem alterar as nossas relações, aquilo que são os nossos valores.

Estes são reais, estes são virtuais.

Exatamente.

Os likes, como dizia o Paulo, exatamente no arranque dessa coisa. Hoje em dia, o que importa, também dentro de dinheiro, é se tens muitos likes. É impressionante.

Sim, e que acabamos por ter. De facto, foi muito interpelativo esse tema, porque víamos até a diferença entre as relações que nós somos capazes, em teoria, como seres humanos, de ter e de manter e de fortalecer e aprofundar ao longo de toda a nossa vida, e o número, depois, de relações e amizades que temos nas redes sociais, que são milhares, quando nós, na verdade, não temos capacidade para fazer isso. Mas a verdade é que nós também nos movemos aí, que isso também faz parte do universo e do mundo em que vivemos e em que viveremos, pelo menos assim.

Nós podemos é cortar e ficar à parte.

Temos que aprender a viver nisso.

Aprender a viver com isso e com isso. E faz parte. E pode levar aos exageros, como há fanatismos em tudo, de miúdos que tiram a vida, já aconteceu muitos casos desses, porque foi o bullying, cyberbullying, este tipo de coisas que vão aparecendo e as redes sociais têm aí um peso importantíssimo. É engraçado, estavas a falar de valores e começámos esta conversa, Tiago, a falar exatamente da quantidade de coisas em um esforço de voluntário. E é uma coisa também que mexe muito comigo, esta questão da importância que cada vez que se dá mais à questão do trabalho no terceiro setor e do voluntariado, até para os jovens de hoje em dia arranjarem empregos. Primeiros empregos, às vezes. Muitas vezes os empregos já não perguntam qual foi a nota que tiveste no curso, mas foi onde é que você foi voluntário, onde é que você teve ação social, trabalho social.

A verdade é que há uma série de competências que se desenvolvem nesses contextos que é muito difícil desenvolver num contexto mais académico.

Universidades ou virá-las.

Sem dúvida nenhuma. É mais uma daquelas que está provadíssima, não é sequer uma questão. Essa é uma área e uma experiência, uma vivência Que eu acho que faz falta a todos os jovens e por isso tentamos sempre ter aqui testemunhos de gente que se mexeu, de gente que não se resignou, que não ficou quieta e que deitou as mãos à obra de várias formas diferentes. Há um milhão de formas.

Agora estava a pensar neste "Eu com os outros", o Zé Diogo Quintela, que ele era dos Gato Fedorento, como toda a gente sabe, ele falou dos conflitos entre gerações. Ele aqui falou também que, como eu estava com o generation gap com os meus pais e hoje em dia eu sou pai, vejo as coisas um bocadinho diferente. E focou esse ponto importante.

O Zé Diogo Quintela acho que conseguiu fazer ali um equilíbrio que é muito difícil de se conseguir ter, que falou quase pelos dois lados. Deu um bocadinho o seu testemunho como filho e depois o seu testemunho como pai. E portanto foi muito fácil que qualquer pessoa dentro daquela sala se identificasse com o que ele estava a dizer, sempre num tom, como também lhe é muito característico, de muito sentido de humor. E foi uma intervenção muito curiosa.

Tiveram também o painel "Eu e a espiritualidade". E aí os credos e as filosofias uniram-se na certeza de que o diálogo entre todos é fundamental. Aqui então entra, já falámos dela, da Zohra Pirbhai, da comunidade muçulmana ismaila. Ela é responsável pela educação em mais de 20 centros, trabalha em Londres, se não me engano, ou pelo menos tem a ver com Londres. Tiveram o padre Luís Duarte, o padre Pedro Rocha Mendes, tiveram o Ricardo Luz Pereira. Ele é um ateu confesso, mas foi falar exatamente de espiritualidade sem fé. E a irmã Núria, ela é missionária e falou também.

E foi, João Paulo, um testemunho impressionante também do Ricardo. Ao contrário do Zé Diogo, que teve um cunho muito mais encostado ao humor, o Ricardo não. Deu um testemunho de vida dele, daquilo que ele experimenta enquanto pessoa, ser humano, que tem uma espiritualidade, mas não tem fé. E eu acho que foi um painel fortíssimo, porque de facto conseguiu pôr ali em cima do palco, em uma hora, quatro visões, ou pelo menos diria três visões muito diferentes daquilo que é a espiritualidade e quatro abordagens, aí sim, também efetivamente muito diferentes daquilo que é este tema. Tentamos e continuamos a tentar, sublinho isto porque acho que isto é uma marca também deste evento, tentamos que em cada painel, em cada tema que propomos, trazer não só se calhar até a nossa perspectiva, aquela que acaba por ser a mais próxima daquilo que nós enquanto organização, porque na verdade somos um grupo pequenino, somos amigos, portanto acabamos por estar um bocadinho dentro do mesmo meio, embora já haja pessoas que se tenham juntado à equipa e que são amigos do amigo e portanto isto começa a alargar. Mas de facto tentamos não ficar fechadinhos na nossa bolha, trazer gente de fora, trazer gente que não pensa como nós, mas que pensa os mesmos temas, porque acho que essa é uma das grandes riquezas daquele dia.

E partilham esses valores também, que é muito importante.

Claro.

E aqui estamos muito bem na linha do atual Papa, o Papa Francisco, que é muito inclusivo. A Igreja tem que ser inclusiva, ele está sempre a dizer isso. Mas na vida toda, não é só na Igreja em si, a vida toda deve ser isso, este diálogo faz toda a diferença. À tarde tiveram os testemunhos dos empreendedores, dos voluntários, dos missionários, tiveram mesas redondas. Na parte de voluntariado, a mesa foi moderada pela Catarina Furtado, ela própria embaixadora.

Ela como moderadora e também como oradora quase daquele painel, porque tem essa experiência.

Exatamente. E aí tiveram o Filipe Fonseca, o Luís Sarsfield Cabral, engenheiro agrônomo, que partilha da direção dos Leigos para o Desenvolvimento, e o Simão Homme do Just Change, que está responsável no Porto por esta organização que repara as casas das pessoas que precisam por esse país fora. Tiveram depois outro painel mais ligado às convicções, aqui moderado pelo meu colega Paulo Nogueira, e com o Francisco Guerra e Silva, também já foi nosso convidado aqui várias vezes, o Francisco Rodrigues dos Santos, aqui ainda era o Chicão.

Ainda era o Chicão da Juventude Popular.

Da Juventude Popular, exatamente. E uma missionária, Rafaela Abreu. E aqui também foi sobre as convicções, mas aí os três da mesma cor.

Mais ou menos. Aqui misturou-se tudo um bocadinho. Acabou por se misturar a política, a religião. Eu acho que foi um painel muito animado.

Sim, os três são superanimados.

Muito quente no bom sentido. Mas de facto ficou evidente, precisamente por ter sido animado, que esta coisa das convicções, dos valores, daquilo em que nós acreditamos, mexe conosco se nós levamos isto a sério. E como é óbvio, tem que dar conversas animadas, conversas mais mexidas e foi de facto um painel que não teve falta de dinâmica, de tudo.

Passaram depois a outra mesa moderada pelo meu colega também, João Miguel Tavares, sobre empreendedorismo. Aqui tiveram dois elementos dos DAMA, o Cachaço e o Miguel Coimbra, o Luís Piçarra, que é um veterinário que é selecionador do mare, onde tu também trabalhas, do rugby, dos miúdos, e o Pedro Silva Pinto, que tem a ver mais com os capitais de risco e essas coisas. Imagino também ter sido uma conversa muito curiosa, centrada no empreendedorismo, que é importante.

E acabou por ser um modelo também interessante, embora este ano o modelo seja um bocadinho diferente, mas optámos nessa primeira edição por deixar as pessoas escolherem parte do seu dia. E portanto, de facto, havia essas três mesas redondas a acontecerem em simultâneo e cada um escolhia aquela que se calhar mais a interpelava. Dividimos as pessoas. Este ano, e essa é uma das diferenças para esta edição, optámos por não o fazer. E portanto vamos fazer todo o dia na mesma sala, em sequencial, pra não se perderem.

Porque se calhar há três anos houve pessoas que disseram: "Quando eu tive das convicções, mas adorava ter visto a do voluntariado".

Efetivamente havia espaço limitado pra cada uma, depois é sempre uma coisa mais difícil de gerir. Mas achamos que se conseguíssemos ser criativos, porque a nossa maior preocupação é como é que as pessoas podem participar. E apesar de tudo, uma mesa redonda, um painel com uma mesa redonda, em que depois se pode abrir a perguntas em salas mais pequenas do que a sala principal da Aula Magna, que é quase inviável pra uma dinâmica dessas.

Claro.

Na primeira edição seguimos um bocadinho essa lógica, fazer grupos mais pequenos, dar a voz às pessoas por aí. Este ano, o que vamos tentar fazer e estamos a planear é criar aqui uma forma criativa, mas que seja muito interativa, que faça com que as pessoas possam expressar, dar a sua opinião e colocar as suas questões, mas de outras formas, se calhar de uma forma um bocadinho mais indireta, não propriamente pegando no microfone e falando, mas fazendo chegar a sua voz também aos outros lá está para que a partilha seja muito maior.

Mas se calhar, por exemplo, por uma questão de telemóvel, mensagens.

Sim, exatamente. Teremos sempre aplicações como a Mentimeter, aquelas aplicações que permitem uma participação via telemóvel, que depois mostra os resultados a toda a gente e portanto toda a gente pode ir lendo aquilo que sai. Teremos painéis em todo o espaço do evento, onde as pessoas podem ir escrevendo também algumas coisas e onde também incentivaremos a que se vá escrevendo aquilo que fica, aquilo que são as questões que vão saindo. E não vão ser só introduzidas por nós, há oradores que também trarão as suas. Nós na primeira edição tivemos uma oradora, por exemplo, que quis pôr um microfone a rodar pela sala. E de facto houve contribuições das pessoas que estavam na sala principal da Alfama. Eu acho que tudo é possível com alguma criatividade e estamos a tentar tê-la para que essa envolvência e essa dinâmica seja criada. É talvez das últimas coisas que queremos com isto, e por isso é que isto não é um congresso, nós não queremos que quem vai seja um mero espetador. Nós gostávamos que todos os participantes, toda a gente que está naquele dia e que vai ao "Três Milhões de Nós" se sinta participante, é assim que é, e não um mero espetador.

Exatamente. Só para terminar esta edição, a primeira edição, ainda havia este painel, "Eu na Sociedade", com o Nuno delicado, o Henrique Leitão, que foi falar sobre para que serve a universidade, ele que foi o Prêmio Pessoa 2014, a Helena Vieira e o Rui Carvalho, que aliás vai este empreendedor, storyteller e guionista, que vai fechar também este este ano. Houve uma coisa curiosa, só que vocês, cada um dos presentes pode escrever um e-mail para si próprio.

Sim. Acabamos a primeira edição com esse desafio do Rodrigo, de escrevermos um e-mail para nós próprios daqui a 10 anos. E portanto, o compromisso dele, ele criou um e-mail só para isso, prometeu-nos que não vai ler o e-mail de ninguém. A única coisa que ele fez foi programar aqueles e-mails para serem reenviados para quem os enviou em 2028. E depois ele disse: "Eu depois vou esquecer a passe, vou esquecer aquele e-mail, vou esquecer tudo". Em 2028 havemos todos de receber o e-mail que escrevemos para nós próprios há 10 anos atrás.

Muito bem.

Portanto, o Rodrigo é sempre assim um criativo também a fechar estes dias e este ano lá estará para nos ajudar.

Muito bem, então este ano, adiada por causa do Covid, vai acontecer dia 6 de novembro. Os bilhetes já estão disponíveis na Blue Ticket. É um bilhete sempre simbólico, certo?

Sim, são 10 €, custa 10 €, é simbólico. É quase mais para nos comprometermos e porque de facto um evento desta dimensão tem custos, obviamente. Tentamos sempre fazê-lo com o mínimo possível de custos, mas tem custos e portanto os 10 € incluem dois coffee breaks, o almoço, a presença o dia todo, portanto, apesar de tudo, é um valor, acreditamos que tem conta para aquilo que estamos a oferecer.

E este ano, então, o tema é "Está nas tuas mãos". Vão trabalhar este tema em vários programas outra vez, às 08h30 abrem as portas, e depois a partir outra vez as boas-vindas, que vais dar tu e a Rita Home de Sousa. Depois vão explicar o que isto é. O Rodrigo Carrizo, que é o presidente da Família Missionária Verbum Dei, também faz umas palavras de introdução e o Prior do Campo Grande, novamente, Padre Hugo, vai outra vez falar. E depois cabe ao Tomás Morais então.

Cabe ao Tomás Morais meter-nos dentro desse tema.

O nosso selecionador nacional do rugby.

Exatamente. João Paulo, deixa-me dizer uma coisa antes disso, porque não deixa de ser um detalhe engraçado desta edição. O tema, de facto, o chapéu grande desta edição é esta pergunta do "Está nas tuas mãos". Ela foi decidida antes da pandemia, portanto esta pergunta foi escrita em 2019, nós ainda não fazíamos ideia que vinha aí uma pandemia, e não deixa de ser irônico que de facto uns meses depois, das coisas mais importantes e que nós mais tivemos de cuidar, foram as nossas mãos e devíamos em todo lado o cuidado para lavar a mão. E portanto, quando de repente isso também aconteceu, pensamos: "Não, nós não podemos deixar cair este lema", porque de facto faz sentido e porque não nos deixa esquecer aquilo que foram estes dois anos. Eu acho que esta edição não está montada só para dar resposta àquilo que nós vivemos estes dois anos, mas como é óbvio que não ignora nada daquilo que nós passamos e tentamos também trazer temas que são reais, que são atuais e que necessariamente têm a ver com aquilo que fomos passando. O Tomás Morais abre, de facto, este tema do "Está nas tuas mãos", desta pergunta, e o Tomás Morais é uma pessoa que eu arriscaria dizer aqui que dedica quase a sua vida a ajudar os outros a descobrir o que tem nas mãos, porque foi o selecionador de rugby que levou a nossa seleção portuguesa 100% amadora a um campeonato do mundo de rugby 100% profissional.

Exatamente.

E portanto foi um feito único e extraordinário e agora está à frente da formação do futebol do Sporting, portanto acaba por ser uma pessoa que está muito ligada também a esta descoberta daquilo que é o dom e o talento que cada um tem e da forma de o aplicar e do pôr a render. Portanto, também pela sua capacidade de mobilizar e de comunicar.

É um belíssimo convidado.

Sentimos que era ele que tinha que abrir.

Logo este primeiro painel, que é o que está nas nossas mãos, tem logo a entrada da Vanessa Lopes. Curiosa esta jornalista estagiária da Agência Lusa, que é cigana e é filha de uma família numerosa. E é muito curioso, porque ela tem este programa de rádio também, é minha colega na rádio, este programa chamado "Mitos ou Verdades" sobre a comunidade cigana.

Exatamente.

Tem aqui um papel muito importante também sobre os media e sobre a vida dela.

Vem nos falar aqui um bocadinho até da sua cultura. Este primeiro painel, de facto, faz esta pergunta, o que é que está nas nossas mãos, e vai andar à volta do tema das nossas diferentes casas de partida, ou seja, de que forma é que o ponto onde nós começamos, seja a nossa origem, a nossa cultura, no caso da Vanessa, a nossa origem, no caso do Dino Santiago.

Dino Santiago também, claro.

As capacidades que trazemos e que temos e com as quais nascemos, e aquilo que a vida de repente também nos tira, no caso da Ana Isabel Ribeiro, a lógica até aí troca um bocadinho, não é tanto o ponto onde comecei, mas é o ponto onde recomeço, porque a Ana Isabel tem ali um percurso relativamente normal, entre aspas.

Exato, como tu, de artes visuais, também foi trapezista, foi tudo, ela teve um percurso muito curioso.

E não te vou contar aqui a história toda, mas de facto tem ali um episódio que a faz recomeçar e que muda a vida toda. Portanto, no fundo, este primeiro painel vai andar aqui à volta das nossas diferentes casas de partida.

E o João Marecos, claro, falaste também do João Marecos, era só o que faltava. Advogado, muito curioso, doutorando nesta área da desinformação em saúde no Imperial College em Londres.

É muito engraçado.

Trabalha para a Organização Mundial de Saúde exatamente sobre isso, a desinformação e a comunicação digital. Isto é muito curioso.

O João Marecos, uma das coisas que vem falar é exatamente sobre esta falsa sensação de que nós não temos impacto, que eu acho que é uma ideia gira, e porque acho que nós vivemos muito isto. Parece que nós não temos importância suficiente para ter impacto. Parece que o nosso papel é pequenino e que não tem impacto nenhum no mundo. E aquilo que o João Marecos também nos vem desafiar um bocadinho é a sair disso, e a sair dessa ideia e a virarmos mais para aquilo que nós somos capazes de dar, com as capacidades que temos, sejam elas quais forem

As que forem. Continuamos agora a passar neste programa, nestes minutos que faltam, o "Está nas nossas mãos pedir", é a seguir àquele coffee break da manhã. E aí temos o Marino Gaspar, ele é um técnico informático ubuntu, ele é cidadão do mundo. E foi o primeiro voluntário, tem uma vida muito curiosa e é de certeza um testemunho que interessa imenso ouvir. Pedir ajuda quando precisas de ajuda. No fundo, a ideia é essa. Quando eu pedi ajuda à comunidade.

Este painel e este tema é um tema mais sensível, sabemos isso, portanto, está nas mãos pedir. No fundo, aquilo que vamos abordar são as nossas fragilidades. É a partir daquele princípio que o próprio Papa Francisco, a meio da pandemia, disse com uma força que eu acho que correu o mundo inteiro, aquela frase: "Ninguém se salva sozinho", foi daí que partimos. E portanto, eu acho que a pandemia foi uma das coisas que veio mostrar, nós todos, sem exceção, dependemos uns dos outros para conseguir ultrapassar aquelas que são as nossas fragilidades. Neste caso, temos o Marino Gaspar e o João Francisco Lima.

Exatamente. O filho de Pedro Lima.

O filho de Pedro Lima.

Que vai falar da saúde mental, exatamente. Um tema que também está na voga neste momento e é muito importante.

Desmontar um bocadinho esse estigma. É impressionante o testemunho do João Francisco Lima.

O João Lima é talvez o mais novo de todos.

É a ordem mais jovem que temos.

Tem 23 anos.

Tem 23 anos e no fundo ele tem estado também-

Também está ligado ao rugby, como tu.

É, bem mais ligado ao rugby até do que eu.

Campeão europeu de rugby.

E ele vem dar um testemunho, de facto, impressionante, porque a dada altura ele diz, também lá está, não revelando agora tudo, mas ele tem falado sobre esse assunto e uma das coisas que tem dito é que aquilo que viveu e aquilo por que passou, que nós conseguimos imaginar muito longe, mas conseguimos imaginar que foi terrível. Mas ele diz: "Aquilo que passei, das duas, uma, ou me destruía ou passava a ser uma luzinha para outros e para tentar ajudar a que outros não tenham que passar pelo mesmo".

E foi esse caminho que ele seguiu. Ainda bem.

E, portanto, optou por partilhar aquilo que viveu, começar a partilhar para contribuir para este-

O outro tema, o "Ninguém se salva sozinho", aqui tem o Manuel Salaveça, que também fala da saúde mental, ele que é psiquiatra de infância e da adolescência e que também trabalhou na Janssen, responsável pela área médica da psiquiatria, e com o padre Bernardo Rasquilha, que é missionário também, que trabalhou em vários países e vários dos PALOP também no Brasil, e que é capelão numa coisa curiosa de mineiros em Madrid. Tem um percurso também muito curioso. E aqui é ninguém se salva sozinho, como falaste há bocado, e é este grande apelo.

No fundo, eles vêm dar essa outra perspectiva sobre este tema. Nós temos primeiro dois testemunhos de duas pessoas que passaram por situações muito fortes e em que de facto precisaram de ajuda. E depois temos esta outra perspectiva de quem se vai dedicando a desfazer um bocadinho este estigma e a tentar ajudar a que os outros possam pedir essa ajuda, ter essa ajuda. E no fundo, tanto um como outro, tanto o Manuel Salaveça como o Bernardo Rasquilha, têm esse caminho feito de tentar ajudar a que outros encontrem também o seu lugar a partir daquilo que é a sua essência.

Muito bem. Estamos aqui então a falar um bocadinho agora já depois do almoço, e isto tudo que se vai passar no dia 6, sábado, já sabe, na BLOTIQUETA tem bilhetes, a não perder este encontro, "Três Milhões de Nós". "Está nas nossas mãos dar", começa depois do almoço este painel, porque realmente tem a ver conosco e com o que a gente pode fazer. O que tu queres dar ao mundo? O Daniel Traça é um catedrático de economia e que deu aulas em tudo que é, desde Seul até Cingapura e em França e em Bruxelas, e fez doutoramento em Columbia, Universidade de Columbia, em Nova Iorque, consultor do Banco Mundial. O que tu queres dar ao mundo é um tema muito curioso para ele pegar, uma pessoa talvez mais indicada para falar disso. É engraçado ver como é que um grande professor de economia consegue falar, o que nos tem a dizer sobre isso, é muito curioso. A Inês Home de Sousa vai falar sobre sustentabilidade. Ela trabalha na banca também já há uma série de anos e fala com toda a vida que ela tem também, com os filhos e com tudo, a marca que ela quer deixar é um bocadinho a ver com o desenvolvimento sustentável, com inclusão, são coisas que a movem também.

Uma perspectiva também mais alargada. Nós hoje em dia acho que a palavra sustentabilidade está muito colada à ecologia e às questões da ecologia, que também fazem parte da sustentabilidade, mas o que a Inês Home aqui nos vem falar é tentar alargar um bocadinho esse espectro e percebermos exatamente do que falamos quando falamos de sustentabilidade. E portanto, a sustentabilidade, no caso dela, e no caso do testemunho que ela traz, passa muito também pela questão da inclusão do mundo das empresas, dos negócios e da inclusão também nesse mundo. Este é um painel. Dizem que há mais de 365 receitas para cozinhar bacalhau. Eu acho que há milhares de formas de dar ao mundo. E aqui o que queremos tentar ajudar é que cada um possa descobrir um bocadinho qual é a forma que tem e como é que pode contribuir para cuidar do mundo e daqueles que estão à sua volta.

A completar este painel também o Martinho Ferreira fala de solidariedade, ele que também trabalhou no GAP Portugal. E ele que teve este projeto em 2020, o Vizinho Amigo, ficou famoso por isso. Ele foi considerado uma das 17 pessoas mais influentes durante a pandemia. E a Catarina Barreiros Ferreira, que descobriu este projeto do zero. E ela vem falar da pegada ecológica. Também é um tema que está na berra e que também é muito importante pegar. Logo depois, na parte final, temos o "Está nas nossas mãos ir mais além". Aqui temos, por Zoom, o cardeal José Tolentino de Mendonça, que fala da questão do amor, portanto, ele que é cardeal, poeta.

O amor como critério.

O amor como critério. Depois também Alexandra Fernandes, da família da famosa Papelaria Fernandes, que é de sempre. Ela que é médica de medicina geral e familiar e que trabalha em adictologia clínica, há mais de 20 anos que acompanha pessoas dependentes do álcool. Vem falar-te um bocadinho sobre a esperança e o sonho, um tema muito curioso. E finalmente o Miguel Duarte, que nós conhecemos porque ajudou aqueles navios humanitários e chegou a estar

Chegou a estar envolvido em uma série de missões humanitárias.

Exatamente. Foi suspeito de auxílio à imigração ilegal e por isso foi arguido. E vai falar também da experiência dele, que é muito curioso. Encerra então com o Rodrigo Carvalho? Portanto, tal como na primeira edição, há três anos, ele que é licenciado em Engenharia Aeroespacial pelo Técnico e que tem uma pós-graduação em Ajuda Humanitária na Universidade Nova, é incrível. O tal que é guionista e empreendedor.

Fechou em-

Vai fechar em beleza, de certeza

...em beleza na outra edição e fechará, de certeza, em beleza esta edição.

Muito bem. Que balanço, nós em 30 segundos, que balanço é que tu fazes? Como é que tu sabes se isto correu bem?

Como é que eu sei se isto correu bem? Eu acho que se as pessoas saírem deste dia com mais qualquer coisinha na bagagem e com vontade de agarrar aquilo que têm nas mãos, de descobrir aquilo que têm nas mãos e de fazer um bocadinho mais pelo contexto onde estão inseridos, pelo mundo em que estão inseridos, eu acho que já valeu. Se conseguirmos abrir um bocadinho esses horizontes e deixar que cada um leve uma sementinha na mala, não é preciso muito mais. Foi, na verdade, o que tentámos fazer da outra vez.

Muito bem, Tiago. Oxalá ocorra isso. Nós não temos tempo para mais, mas quero te agradecer, Tiago. Bem-hajam pela tua disponibilidade, em vir aqui ao Observador.

Muito obrigado.

Oxalá no sábado então tenham a casa cheia para esta segunda edição dos 3 Milhões de Nós e hoje faz anos o terremoto de Lisboa. Consigam um verdadeiro terremoto que agite estas consciências, estas vontades, estas vidas de todos os jovens portugueses que estão despertos e que estão disponíveis para esta mudança. Muito obrigado, Tiago, e até breve.

Obrigada por ter ouvido este podcast. Se gostou, pode subscrevê-lo, pode partilhá-lo e também pode ouvir a Rádio Observador online em 98.7 em Lisboa e em 98.4 no Porto.