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E sempre em busca da promoção para major, temos conosco Thiago Dores. Boa tarde, Thiago.

Boa tarde, Vicente. Vamos ao AMAG.

Vamos ao AMAG.

Higienizaste as mãos?

Sim, tenho aqui álcool gel. Também higienizei o material do estúdio. Estamos 100% seguros do que vais falar hoje, Thiago.

Vicente, temos que começar por falar de Cristiano Ronaldo, pois há novidades sobre o CR7, novidades históricas. Como basicamente tudo que envolve o Cristiano. Novidades essas ao nível, nomeadamente, da construção civil e da indumentária.

Quanto à parte da construção civil, imagino que estejas a referir à demolição da marquise, esse grande marco da nossa história. Vai pautar os livros. É uma mudança de paradigma que aconteceu tudo na casa de Cristiano Ronaldo, em Lisboa.

Incrível. Tu não deixas escapar nada, Vicente. Olho de lince tu. Desculpa?

Olho de lince ibérico.

Ok. O ibérico, exatamente, é o melhor lince. Mas sim, claro que é à marquise do Cristiano que me refiro.

Mas em que medida é que esta novidade da marquise, agora falando um pouquinho mais a sério, é histórica?

Agora a sério. Vicente, isto é histórico porque, a menos que eu me esteja a esquecer de algum outro caso, coisa que não me parece, esta será a primeira vez, em toda a história da cidade de Lisboa, que uma marquise é deitada abaixo. Eu não tenho memória de marquises deitadas abaixo.

Acho que é capaz de ter razão. A marquise é praticamente, eu diria, eu gosto tanto e acho que a apreciação é tão geral de toda a gente, que marquise é praticamente patrimônio histórico da cidade de Lisboa. Não se pode andar a eliminar marquises.

Exatamente. Aliás, para quem esteja interessado em integrar um daqueles movimentos revolucionários muito giros que pretendem reescrever a história, fica já uma dica: se o objetivo é derrubar os grandes símbolos tradicionais, esqueçam o derrubar de estátuas das maiores figuras históricas do país. Se o objetivo é apagar os legados mais marcantes da nossa cultura, então em vez de estátuas, derrubem marquises.

A nossa cultura em alumínio. Grande ideia, Thiago. Até porque, repara, derrubar marquises em vez de estátuas de figuras históricas seria refrescante, literal e metaforicamente também.

Excelente, Vicente. Duplamente refrescante, sem dúvida. Qual par de calipos em dia de canícula. E esta dose dupla de frescura é porque derrubar marquises é coisa nunca antes vista, Vicente. Quantas vezes é que ouviste alguém dizer: "Estive a pensar e vou mandar abaixo a marquise da sala." Sabes o que é?

Só ouvi falar em construções, nunca na demolição. Sempre pelo contrário.

Sim, e o que a pessoa pensa? Eu vi uns programas de decoração de interiores e hoje em dia o que está a dar em termos de organização de espaço é o esfregxiu.

Esfregxiu. Nunca te ouvi dizer feng shui.

Não quero. Quero mesmo dizer esfregxiu. Não é feng shui. É parecido, mas é esfregxiu, que é uma nova filosofia de disposição de mobiliário. Tu estás pronto para reequacionar tudo o que sabes sobre disposição de mobiliário?

Não sei se estou preparado para chegar em casa hoje e dar-me a esse trabalho, mas se calhar vai revolucionar minha vida.

Eu vou começar por explicar como é que funciona o esfregxiu numa sala, por exemplo. Começas por mandar abaixo a marquise. Isso é o fundamental dos esfregxiu.

Que é muito difícil deixar isso.

Sim, há esse problema. Mas com esse espaço interior que perdes, os sofás e a mesa de jantar ficam tão em cima uns dos outros que é impossível alguém sentar-se a ver televisão sem esfregar em quem está a comer. Imagina: "Pai, quando passaste para o sofá, esfregaste a camisola toda na minha sopa." "Cala-te e come." "Mas a sopa ficou cheia de pelos do teu pulôver." "Xiu, come que isso é fibra, puto." Percebeste, Vicente? Tens o esfregue, neste caso, de um pulôver numa sopa, mas pode ser outro tipo de esfregue, e tens o xiu. Para a criança fazer silêncio. Esfregxiu.

Thiago, não só percebi como logo que chegar a casa vou tratar de fazer a reorganização do meu espaço. Mas a propósito do pulôver, tu referiste logo ao abrir que havia uma novidade histórica que envolve o Cristiano Ronaldo, também ao nível da indumentária. Porque isto é uma rubrica muito redonda. Vou te perguntar o que é, Thiago.

Exato. Pois há, porque nas primeiras 12 horas em que esteve à venda online, a camisola do Manchester United com o nome de Cristiano Ronaldo já rendeu 38 milhões de euros.

É impressionante. Eu diria até que a camisola do Cristiano deve ser das peças de história mais valiosas de todos os tempos.

Claro que é, Vicente. A camisola do Cristiano bate, inclusive, o chapéu do Napoleão, que já foram leiloados por míseros 2 milhões de euros. Mas também não se pode comparar o Napoleão ao Cristiano, por exemplo, em termos de jogo aéreo. Não tem nada a ver. Aquela impulsão, Napoleão era um semianão.

De certeza que não resolvia um jogo contra a Irlanda.

Pois não.

Nada. Então vai saber, e a camisola do Cristiano Ronaldo é mesmo a peça de roupa mais valiosa de todos os tempos. A conversa está fora?

Não, isso não é. A nova camisola do Cristiano é a segunda peça de roupa mais valiosa de todos os tempos.

A sério? Isso quer dizer que há uma primeira que é mais valiosa, Thiago.

Sim. A peça de roupa mais valiosa de todos os tempos é uma peça de roupa muito rara.

Faz sentido.

Aliás, apesar de haver indícios de que esta peça de roupa efetivamente existe, há muita gente que ainda garante que ela não passa de um mito.

Então que peça de roupa é essa?

É uma camisola de gola alta, Vicente.

Uma camisola de gola alta.

Camisola de gola alta.

E tu retroras quão rara pode ser uma camisola de gola alta?

Vicente, é mesmo raríssima, porque trata-se de uma camisola de gola alta, propriedade da antiga deputada italiana Cicciolina. Estás a perceber?

Acho que sim.

Era a única que ela tinha e consta que só usou uma vez, por engano. Parece que tinha bebido uns copos e na altura deu-lhe para vestir roupa. Imagina. Daí o valor da peça, é a raridade. Era um bocadinho isto.

De maneira, Thiago. Que no fundo é um bocadinho isto, mas de maneira que no fundo é também mesmo isto. De maneira que no fundo é muito.

E até muito. Exatamente. Ora aí está.