A França vai reforçar em 20% o dispositivo das forças de segurança em várias cidades para a jornada de manifestações de sábado, face aos distúrbios e atos de vandalismo do passado sábado, anunciaram esta quinta-feira as autoridades oficiais.
Em declarações à estação televisiva BFMTV, o ministro delegado do Interior francês, Jean-Didier Berger, anunciou um aumento de 20% do efetivo mobilizado para o próximo sábado e precisou que o dispositivo incluirá reforços militares da força Sentinelle, unidades de elite da polícia e da Gendarmaria, helicópteros e viaturas blindadas.
As autoridades cancelaram férias e convocaram agentes que tinham previsto ausentar-se para reforçar a segurança, explicou Berger, que afirmou que França mantém o nível máximo de alerta na sequência dos distúrbios, atos de vandalismo e pilhagens de edifícios públicos, instituições bancárias e estabelecimentos comerciais ocorridos no passado sábado.
Os militares ficarão encarregados da proteção de edifícios públicos, como a Assembleia Nacional, Senado e sede do Governo, bem como de locais turísticos de Paris, incluindo os Campos Elísios, libertando agentes policiais para outras tarefas.
O dispositivo contará também com unidades de elite da Polícia Nacional e da Gendarmaria, nomeadamente o RAID e a BRI, dependentes da primeira, e o GIGN, integrado na segunda.
Quarta-feira, o Governo anunciou que irá proibir as manifestações suscetíveis de provocar perturbações da ordem pública, ao mesmo tempo que várias outras cidades francesas começaram também a revelar ou a ponderar restrições às manifestações para prevenir novos distúrbios.
Algumas delas, como Lyon, aprovaram restrições às manifestações e anunciaram esta quinta-feira a imposição de proibições para evitar novos incidentes, como o incêndio que, no sábado passado, atingiu o posto de turismo da cidade.
Os confrontos, atos de vandalismo e pilhagens registados sábado em Paris, Lyon, Marselha, Bordéus e em muitas outras cidades ocorreram à margem das manifestações contra o aumento do custo de vida, que mobilizaram 550.000 pessoas em todo o país, segundo dados oficiais.
A Prefeitura da Polícia de Paris já proibiu as concentrações e manifestações previstas para esta quinta-feira, até às 20h00 locais (19h00 de Lisboa), em várias zonas da capital, incluindo as imediações do Palácio do Eliseu, da sede do Governo, em Matignon, da Assembleia Nacional e do Senado.
A restrição abrange também locais turísticos, como o Museu do Louvre e os Campos Elísios, bem como as principais estações ferroviárias, as praças de Itália, da Bastilha e da República, Châtelet, Les Halles, a ilha da Cité e a zona dos grandes armazéns.
A ordem proíbe, nessas áreas, a presença e a circulação de participantes em marchas, desfiles e concentrações que não tenham sido comunicados às autoridades nos termos da lei.
A dois dias das novas mobilizações, o primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, vai reunir-se esta quarta-feira com os presidentes das câmaras de Paris, Lyon e Marselha, três cidades particularmente afetadas pelos episódios de violência do passado sábado.