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Chama-se Joana Mota e vai passar a estar conosco todas as quartas-feiras para o "Deixe-se de Desculpas". Ela vai dar-nos dicas de exercício físico e o apelo da Joana é mesmo esse: deixe-se de desculpas, faça exercício físico pela sua saúde física, mas também mental. No entanto, para início de conversa, queremos conhecer um pouco melhor a Joana, que já foi PT no programa de televisão "Biggest Loser" e até já foi aos "Jogos sem Fronteiras". Se bem que foi na era moderna, isto é, já sem Iládio Klímack. Joana, bem-vinda à Rádio Observador.

Olá, obrigada.

Eu gostei muito de saber que foste aos "Jogos sem Fronteiras", que era uma tara que eu tinha de miúdo, adorava ver aquilo.

Toda a gente.

Toda a gente.

Havia um leão.

É uma história engraçada, porque foi sem Iládio Klímack, mas tu acabas por conhecê-lo mais tarde, não é?

É.

Como assim?

Nós, quando fomos aos atuais "Jogos sem Fronteiras"-

São iguais aos outros.

Não são iguais. Os outros eram muito mais giros. Era internacional. Isto foi uma brincadeira que foi criada-

Ah, isto é nacional?

Não era nacional, era ibérico, por acaso. Nós competimos, na final, numa brincadeira com Espanha. Mas isto foi uma brincadeira de faculdade. Na altura, eu estava na faculdade de Nutricidade Humana. Fomos aos "Jogos sem Fronteiras", fomos às semifinais, foi muito giro, não era Iládio Klímack. E uns anos mais tarde, eu fiz uns trabalhos, pontualmente também fui fazendo e sempre fiz, relacionados com eventos desportivos. E a brincadeira era toda em volta dos "Jogos sem Fronteiras" e quando fui a saber, era mesmo o Iládio Klímack que lá estava a fazer a apresentação.

Os "Jogos sem Fronteiras" perseguem a Joana Mota.

Nós fizemos aqui um cassete de 60, lembras-te? Sobre os "Jogos sem Fronteiras".

Sim, sobre os "Jogos sem Fronteiras". Só para ouvir aquelas músicas já vale a pena. Adoro aquilo.

Só os professores de Educação Física, os formados em Educação Física é que conseguiam fazer aquilo.

Não posso ir por aí, porque não é verdade. Existe muita gente na nossa área. Estou a dizer isto na rádio, não me batam, por favor, quando sair daqui.

Que não consegue isso, quer.

O que nós fizemos foi uma coisa muito soft, mas os "Jogos sem Fronteiras" antigamente tinham que ter uma preparação física muito grande, não era um professor de Educação Física qualquer.

Tu iniciaste-te nisto do exercício físico nessa formação escolar, na FMH, na Faculdade de Motricidade, ou já tinhas um passado de atleta?

Não. Desde que me conheço, eu sempre fiz desporto. Eu comecei muito pequenina. Eu fazia ginástica, depois fiz acrobática.

Fizeste acrobática?

Fiz acrobática no início e fiz acrobática ao mesmo tempo que fazia patinagem artística, que foi o meu desporto-

Isso deve ter dado imenso jeito para fazer patinagem artística em pares.

Em pares?

Se fazias acrobática, podias.

Não, mas é verdade, porque eu fiz pares. Pensei bem, se calhar nesta dica eu quero o meu historial.

Acrobática ou é par, ou tris, ou quadras.

É verdade. Sim, cheguei a fazer trios. É verdade que deu imenso jeito pra patinagem, tanto que na altura, quando eu fui pra patinadora, quando a minha treinadora soube que eu era acrobata, ela ficou logo superfeliz, porque supostamente há uma linha de trabalho semelhante e ginastas são sempre boas para evoluir, principalmente para o que falaste de trabalho de pares. E eu acabei por fazer pares.

Mortais, flics, já sabias fazer isso tudo?

Sabia. Já fazia aquelas brincadeiras de cordas à cintura, subir acima de três, que era o três em linha, e fazia uns mortais lá de cima. Já fazia umas coisinhas.

Joana, vamos então começar aqui com o novo ano e com as resoluções de novo ano para o exercício físico. Normalmente, chega fevereiro e todos nós desistimos. Tens conselhos para não desistirmos tão depressa dessas resoluções? Como é que podemos manter esse ímpeto?

Basicamente, vamos desistir na mesma.

Mas muito mais tarde.

Não digam isso, porque eu estou nessa fase. Eu há um mês e meio, mais ou menos, que estou a ir três vezes por semana ao pilates.

Já estás a pagar ou ainda estás naquele primeiro mês gratuito?

Eu já estive vários meses a pagar sem ir.

Mas esta é, de facto, uma problemática que a Joana se deve encontrar muito. Há muita gente que inicia ginásio no início do ano e que depois, chapéu, desiste.

Nós temos estudos feitos. Não vamos falar de tempo, mas é normal três, seis meses haver desistências. Agora, tal e qual como a Vanessa está a fazer, e muito bem, o ideal é nós começarmos por nem que seja fazer uma coisa pequena, leve, que seja prazerosa.

Uma vez por semana, ou duas.

Uma, duas vezes por semana, exatamente, em que consigamos manter uma rotina. E o ideal sempre para quem quer começar exercício e não tem vontade, principalmente para quem vem de situações de adiamento constante.

Está a falar pra ti, Bruno Vieira.

Eu sei. E esta conversa é claramente pra ti.

A pergunta foi feita por ele. Começar por coisas prazerosas, acima de tudo.

Mas as coisas prazerosas não são aquelas que fazem mais efeito. A não ser que sejas tolinhos das corridas, desculpem, quem me está a ouvir. Desculpem, o termo não é este.

Eu pensei que estavas a falar de corridas de carros, e eu pensei: "Ela está a falar pra mim, eu adoro corridas de carros", e tu estás a falar em correr mesmo.

Eu estou a falar em correr mesmo. Quem me dera ter aquele vício, das pessoas que eu vejo quando uma pessoa acorda muito cedo e vê as pessoas ao pé de casa a correr às 05:00. Quem me dera ser assim.

Eu invejo. Também invejo essas pessoas.

Mas não sendo.

Mas não sendo, tal como o Bruno estava a falar. Acima de tudo, nós pra fazermos exercício, há quem gosta, há quem não goste. Agora, nós sabemos a importância que ele tem Por exemplo, como acontece muito com os meus alunos, eu trabalho numa zona empresarial, portanto eles têm o tempo contado, tal como muita gente em casa. Eles têm reuniões que são obrigatórias, inadiáveis, e é exatamente isso que eu combino com eles. "Vocês vão marcar duas, três vezes por semana, em que há ali um bloqueiozinho na agenda que diz 'saúde'. Ninguém tem nada a ver com isso, está lá saúde, não sabem o que vão fazer, está marcado". Portanto, esses três dias são obrigatórios. Nem que seja dois dias. Ao marcar na agenda, é logo um compromisso que têm, portanto vão tentar cumprir. Isso acaba por ser uma grande disciplina.

Sobretudo, se uma pessoa tiver combinado com um personal trainer ou com um treinador, não precisamos falar em estrangeiro. Se tiverem combinado com um treinador-

Pessoal.

Pessoal, neste caso. É um treinador. Mas é uma combinação um a um, não é?

Certo.

Não vamos faltar.

Certo.

Porque se faltarmos, aquela pessoa que tinha uma vaga para nós, vai ficar uma hora.

É um compromisso, não é?

Claro.

E nós não gostamos de deixar. Pelo menos por mim falo, e felizmente os meus alunos são todos impecáveis nesse sentido. Acho que ninguém gosta de ter um compromisso e à última hora falhar. Quer para si, quer para a outra pessoa. Perdi-me no que estava a dizer.

O único problema disso é que isso obriga a ter um PT. Ora, ter um PT fica um bocadinho mais caro do que uma mensalidade de ginásio. Pois é. São especialistas.

E agora? Vale a pena, não é, João?

Qualidade, pagas. Exato.

Hoje em dia, o exercício é a coisa mais fácil de fazer. Obviamente que a primeira coisa é sermos acompanhados. O ideal é procurar sempre um profissional e fazer o exercício adequado para si próprio. O que é bom para mim pode não ser bom para ti.

Claro.

Portanto, o ideal é nós estarmos encaminhados e termos um exercício adequado às nossas condicionantes.

Joana, mas antigamente a gente chegava ao pé da zona das máquinas e havia treinadores. O monitor. O monitor. Os professores.

Já não se chama monitor.

Já não se chama, pronto. Os professores que nos diziam: "Olha, o melhor para ti é isto, vou fazer-te este plano". Hoje em dia, parece que é preciso ter um PT para teres uma coisa dessas.

Lá está. Isto por quê? Porque tem a ver com a especificidade também. Tem a ver que cada pessoa é uma pessoa. Se procurarem um personal trainer, não têm necessariamente que ir a um ginásio. Hoje em dia existem mil e uma plataformas com profissionais especializados, com ajudas.

Mas a Joana dá aulas à distância? Já se pode fazer isso muito hoje?

Podemos. Eu vou falar do meu caso específico nesta altura.

Mas pós-pandemia.

Pós-pandemia. Eu era uma pessoa muito cética relativamente ao trabalho longe do aluno. Por quê? Já era diferente. No treino personalizado, é muito importante estar em cima do acontecimento, ou seja, em dicas, em sugestões.

Correção de postura.

Correções posturais, principalmente porque o exercício é bom se for bem feito. Porque o exercício mal feito muitas vezes é muito pior do que não o fazer.

E não fazes nada, ou pode não fazer nada, não é? Não ter efeito e não ser eficaz.

Não ter efeito é o menor dos nossos males, porque ter um efeito e que posteriormente-

Não faz até pior.

Exatamente.

Joana, essa questão do exercício em casa é muito interessante, porque nesta altura muitos terão também essas questões de segurança ou de conforto, frequentar espaços partilhados com muita gente, preferem recato do lar, ou então têm vergonha do guarda-roupa e não têm guarda-roupa à altura para ir para o ginásio.

Brinca.

Também olhares críticos dos companheiros de ginásio.

Num Health Club não há pior do que uma mulher.

Imagino.

Não é só no Health Club, acho que nós mulheres somos muito mázinhas umas para as outras. Nós não nos vestimos para nós próprias, nós vestimo-nos para as outras.

Para quem tem esta resolução-

Eu gosto do antigo clube à moda antiga. O clube, ias ao ginásio.

Exato. Mas para quem tem esta intenção de claramente iniciar-se no exercício físico e não quer frequentar o ginásio. Já percebemos, por exemplo, o caso da Joana, que pode fazer esse acompanhamento à distância. Mas qualquer pessoa pode fazer isto em casa? Tem que comprar muita maquinaria? Podemos fazer com garrafões d'água cheios?

Essa é uma situação engraçada. Estava a falar relativamente a isso, porque eu este ano, todos nós fomos apanhados de surpresa e tive que passar exatamente por isso, trabalho em casa. E muita gente não tinha material. E eu tive que dar treinos online, como muita gente, e basicamente o garrafão de água foi uma grande ajuda.

Com o cabo da vassoura.

E um bom conjunto de elásticos. Toda a gente. É uma coisa barata.

Do cabelo? Amarrar assim. Não, estou a brincar.

Existem em muitos sítios.

Compras numa loja de desportos qualquer.

Exatamente. E não precisam de sair de casa. Obviamente que, é aquilo que eu digo, em casa é fácil, é exequível e sempre, de preferência, nem que seja numa fase inicial, falando com um profissional especializado.

Ter essa orientação é fundamental para não haver lesões.

Lá está. Sim.

Mas tu acompanhas a pari passu, via Zoom?

Exatamente, via Zoom. Ligamos o Zoom. Ok, vamos montar o material, vamos montar o tipo de treino, explico o que é que vão fazer.

O circuito é empurrar sofás.

Não, mas o sofá é um ótimo equipamento.

E essa é uma dinâmica, Joana, que nesta altura, ainda por cima com os miúdos em casa, muita gente tem filhos em casa, as escolas estão fechadas, os pais têm menos tempo para fazer exercício físico e para andar a arrastar sofás. As crianças, ao mesmo tempo, também estão cheias de energia. Isto pode ser um dois em um ao nível do exercício?

Pode e deve. Primeiro, nós sabemos que o exercício físico vai ser importantíssimo, quer para pais, quer para filhos. Primeiro, porque os pais estão enclausurados. Têm teletrabalho e miúdos a correr, iPad para um, iPad para o outro, porque já não consigo vê-los parar um minuto à minha frente. Só que isto não é bom, porque as crianças, ao fim de determinado tempo, ficam demasiado excitadas, muito estímulo e é pior. Como diz o ditado, é pior o efeito em demasia aos medos.

E não há rodas de hamster para os pôr a correr.

Não há. Eu dou um exemplo muito engraçado. No primeiro confinamento, eu ainda estava grávida. Foi quando eu engravidei da minha segunda filha, que tem agora um ano, e o meu filho estava habituado, como todas as crianças, a correr e a andar na rua e de repente viram-se fechados. E é fácil, nós conseguimos. Para já existem mil e uma plataformas, mesmo televisivas. Podemos pôr pais, filhos frente à televisão a fazer coisas engraçadíssimas e estão a mexer-se, estão a se divertir.

Como jogos?

Jogos de movimento. Existem danças.

Já agora, isto é para um amigo. Isso é eficaz?

Esse tipo de plataformas é eficaz? Se me perguntares, ok.

É melhor que nada.

Já vamos falar disso daqui a nada, mas eu explico. Existem umas produções brutais hormonais pós-treino, para o exercício. E mesmo que seja uma coisa pouca, mas que seja prazerosa, o teu corpo vai querer repetir outra vez. Portanto, o exercício, que seja uma dança, um aeróbio baixinho, mas que seja divertido, já vai ser nem que seja o input no teu corpo: "Ok, isto foi porreiro, eu vou tentar mais uma vez, mais duas". E parecendo que não, a longo prazo, isso funciona. Mas estava eu a dizer à Vanessa uma coisa engraçada que eu tive que fazer e acho que muita gente consegue fazer em casa: circuitos.

Com os miúdos. Circuitos?

Pegas numa cadeira ao lado do sofá, pegas em quatro cadeiras seguidas que com uma manta por cima fizeste um túnel. Ao lado do sofá, pões um pufe, ele subiu para o sofá, salta para o pufe. Circuitos, gincanas, os miúdos acham isso divertidíssimo. E os pais acabam por ter ali um momento: "Ok, vou estar 10 minutos, vou tomar banho, eles estão a brincar."

Ou aproveita e faz também exercício.

Exatamente. Porque depois, parecendo que não, há muitas coisas que podem fazer dois a dois. E temos aqui mais outra coisa maravilhosa, que é a componente lúdica. Criar um momento de pais e filhos, um momento prazeroso em família.

E com exercício físico. Joana, o tempo passou a correr nesta nossa primeira "Deixe-se Desculpas". A Joana Mota vai estar conosco todas as quartas-feiras com dicas de exercício físico. Faltou falarmos aqui, por exemplo, das questões de saúde mental, que também entraram um bocado na ordem do dia, muito por culpa da pandemia, estes confinamentos, e seguramente será um tema que vamos abordar noutros capítulos do "Deixe-se Desculpas". Muito contente por ter a Joana Mota conosco agora.

Mas já acabou?

Já. Já devia ter acabado há três minutos, porque ainda temos aqui conteúdos até às 18h que precisamos de despachar, no bom sentido. Joana, muito obrigado por teres vindo.

Obrigada eu.

E até à próxima quarta-feira.

Até para a semana.

Obrigado, até para a semana, Joana.

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